quinta-feira, 7 de novembro de 2019

UM MÉDICO PORTUGUÊS NA CORTE DO REI CHULALONGKORN DO SÎÃO

Escrito em: quinta-feira, 27 de junho de 2013



Depois de tantas investigações que ao longo de 26 anos venho fazendo em cima das relações históricas entre Portugal e a Tailândia nunca encontrei nada que me informasse que um médico português exerceu clínica em Banguecoque e no Reinado do S.Majestade o Rei Chulalongkorn.
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Tenho, apenas, conhecimento do Dr. Joaquim Campos que além de Cônsul de Portugal, exerceu a medicina em Banguecoque, com consultório aberto, na rua Chalerm Krung, junto ao Hotel Oriental, a uma distância escassa da Embaixada de Portugal, na década 30/40 do século passado.
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Porém sabia que no Museu Nacional de Banguecoque estava exposta uma caixa de prata e uns brocados que teria pertencido ao médico português. Vi estes apetrechos há 22 anos e de quando a visita do Primeiro-ministro Cavaco Silva, em Abril de 1987, visitou com a sua delegação o Museu Nacional de Banguecoque.
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Há uns 7 anos o Embaixador Mello-Gouveia, um inveterado amante da Tailândia e tudo relacionado com a história de Portugal neste Reino, numa das suas visitas a Banguecoque foi visitar o museu onde se encontra, exposta, toda a história do Reino da Tailândia desde a sua fundação. Na altura pediu-me que deveria ir ao museu tirar fotografias aos objectos que pertenceram ao médico português.
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Prometi-lhe que sim. Porém, ultimamente, tenho-me desinteressado e até desprezado de certo modo a continuação da investigação do relacionamento de Portugal e a Tailândia, por me achar um “vencido” porque todo o meu trabalho (não me incomodo muito que sirva a interessados), nunca foi visto com olhos de ver.
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Acredito que tenha sido pelo facto de eu não possuir o símbolo “DR” e não tenha passado da licenciatura da 4ª classe da Primária Elementar do meu tempo.
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Há uns dois meses recebi uma carta do Embaixador Mello Gouveia, para que lhe fizesse o favor de ir ao Museu Nacional da Tailândia e tirar-lhe as fotos que me tinha pedido há anos porque estava a escrever as suas memórias e o caixa de prata e os brocados, do médico português, deveriam figurar no seu livro.
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Desde há um ano e meio e de quando o Embaixador António de Faria e Maya (que não vou designar o porquê) me mandou colher urtigas e o adeus a uma casa que foi muito minha por 24 anos, entrei numa certa melancolia que por vezes não me apetece fazer algo, pelo facto de não conseguir lidar com a ingratidão.
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Ontem Domingo, pela manhã, resolvi então ir ao museu e ver se conseguia satisfazer o pedido do Embaixador Mello Gouveia. Eu sabia que a tarefa não me iria ser fácil para obter imagens dentro do museu. Munido da carta, escrita na língua portuguesa, pelo Embaixador Mello-Gouveia e ir perante o director do museu, que me atendeu com toda a simpatia, tive autorização recolher as imagens de tudo que pertencia a Portugal.
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O Fine Arts Department dedicou uma montra no museu, não só à caixa e aos brocados do médico português como os achados, mais significativos, arqueológicos de quando as escavação do terreno onde se situava a Igreja de S.Domingos no “Ban Portuguet”.
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Não ignoro a forma de simpatia com que fui atendido no Museu Nacional de Bangkok e acompanhado por uma simpática, funcionária/guia de nome Bird.
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o fica aqui descurado o interesse dos alunos das escolas, secundárias, pela história do seu reino, acompanhados de uma sua professora que além de visitarem o museu, sob uma árvores ali mesmo lhes deu uma lição.
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Hoje mesmo um disco, contendo as imagens gravadas, seguiu pelo correio para satisfazer o desejo do meu amigo o Embaixador Mello Gouveia. Estou ansioso por ler a sua obra e bom seria que fosse trazida à luz no ano 2011 e de quando das celebrações dos 500 anos da chegadas dos portugueses ao Reino do Sião.
José Martins
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P.S. Embaixador Mello Gouveia faleceu em Novembro de 2012.