quinta-feira, 31 de outubro de 2019

"ONZE ANOS DEPOIS,MELHOROU ALGO EM PORTUGAL?"

Escrito: quinta-feira, abril 24, 2008


25 DE ABRIL - HOJE É O DIA DA LIBERDADE

Hoje, 25 de Abril de 2008, fazem precisamente 34 anos que aconteceu a "Revolução dos Cravos" em Portugal. Tenho escrito algo sobre o acontecimento ao longo de anos. Nunca me consegui identificar com o 25 de Abril e até não entender o tão famoso dia e, talvez, o acontecimento mais importante do século XX em Portugal. Seja como for a história deve ser contada tenham os actos levado a cabo bons ou nocivos à "Pátria Nossa". Quando aconteceu o 25 de Abril, encontrava-me na Rodésia e nós os emigrantes que por lá trabalhávamos nenhum entrou em euforia ou festejamos o evento na Pensão Internacional ou Coimbra com uns copos. 
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Tudo correu na normalidade porque nós os "acolhidos" eramos gente de trabalho, ganhávamos bem e todos estávamos nas tintas para a revolução dos cravos vermelhos. O nosso patriotismos era o de gostar de Portugal, do Benfica, do Sporting e do Porto; mandar uns "dinheiritos" para lá, jogar uma "suecada" nas pensões portuguesas de Salisbury; comer umas sardinhas assadas; uns bolinhos de bacalhau, outros petiscos acompanhados com uns copos de vinho. O 25 de Abril não nos fez mossa alguma e projectos de festa num dos dois clubes portugueses da capital da Rodésia. Chegou-nos a preocupação depois do dia 7 de Setembro de 1974 (Acordo de Luzaka), quando os "pretos" em Lourenço Marques começaram a matar brancos, na rua ou queimando-os dentro dos carros quando fugiam para salvar a vida, desesperados, a caminho da Africa do Sul e Rodésia. 
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O Governo da Rodésia, humanitáriamente, acolheu-os quando apareceram no território com a roupinha e as peles "arranhadas" do corpo pelo facto de atravessarem, a monte, as fronteiras. Os portugueses, e honra lhes seja feita, são solidários aos seus "patrícios" quando chegam em estado de miséria a um país estrangeiro. Ajudam-nos! E foram ajudados por nós e por mim mesmo, conseguindo-lhes trabalho numa empresa que servia como mecânico. De mecânico não tinham eles mesmo nada. 
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Mas mandava-os para debaixo dos camiões, gigantes, de transportes de escórias de uma siderurgia para uma fábrica de cimento e quando vissem o patrão que batessem com um martelo, sem parar, numa parte metálica. Era necessário acudir aos "patrícios"; ganhar uns "dinheiros" para se alimentarem. Depois do dia 7 de Setembro a paz e a felicidade que havia na Rodésia (note-se não era racista e muito democrática e ninguém era perturbado se tivesse uma namorada preta), desapareceu. Os ajudantes pretos, começaram a assoprar aos ouvidos dos portugueses: "Samora Machel is good,good,good"! 
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Chegavam à Rodésia pelas ondas da Rádio Clube de Moçambique os delírios do Samora Machel (por uns que o conheceram o davam como o "peniqueiro" do Hospital da Beira, na rua Correia de Brito), perante uma audiência de milhares de pessoas no estádio da Machava, que para se eliminar o "mosquedo" em Moçambique cada aluno, quando entrasse na sala de aulas, deveria mostrar ao professor/a 30 moscas! Quem me ler não pense que estou a mentir... 
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É a verdade nua e crua. Uma tragédia e nós, os portugueses na Rodésia, que até tínhamos jurado nunca mais a deixar, começamos a fazer planos para ficar. A situação era alarmante em Moçambique. As figuras gradas da cidade da Beira chegavam a Salisbury. Entre elas está o jovem advogado Dr. Sigalho que foge para Salisbury porque um advogado famoso estava ajustar as suas contas ( eu conheci esse advogado e a localização do seu escritório, na cidade da Beira onde era conhecido como o advogado (não o do diabo) dos latifundiários), a uns "tipos" que tinham metido o "bedelho" na sua vida profissional. Nunca conheci actividade política nenhuma a esse advogado na Beira... 
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Apenas um proeminente e inteligente homem de leis que os grandes proprietários de terras na zona da Munhava lhe pediam protecção para que os pretos da estiva do Porto da Beira lhe pagassem os 300 escudos, renda anual, pela área onde tinham construído a palhota e um quintal para a mulher cultivar uns grãos de arroz. Se o preto não pagava, lá estavam uns "vândalos" a ceifar as hastes do arroz verde. Diziam-me em Salisbury que a perseguição desse homem de leis era terrível! Mas vamos lá deixar o famoso advogado e porque nunca nos provocou dano nenhum e até nunca lhe demos os "bôs dias". E continuando a nossa manhã do dia de 25 de Abril de 2008, na minha casa, onde me sento à mesa da minha biblioteca, enquanto lá fora no jardim a minha mulher, que me atura há 28 anos, trata dos três cães que sempre nos têm sido fieis. Gosto dos meus cães porque nunca conspiraram, sempre foram uns caninos "porreiros" e muito melhor estimar os meus cães de casa do que alguns homens que mesmo não tendo dentes de cão mordem, psicologicamente, o parceiro, que honestamente os serviu. 
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Vamos lá referenciar quais os proveitos que os portugueses tiveram com o "lindo" 25 de Abril de 1974. Já são passados 34 anos e os "lindos", que inventaram a revolução, muitos já foram desta para melhor e Portugal não está nada lindo e cada vez mais feio! 
O Dr. Mário Soares, anda por aí, num programa da RTP "O Caminho Faz-se Caminhando". Ó Dr. Mário Soares, mas que raio de caminho se faz caminhando? Então "vossemecê" já caminhou o caminho todo depois da revolução, andou anos seguidos a ser adorado e não encontrou o caminho certo para os portugueses caminharem? 
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Bem começo a entender que o Dr. Mário Soares, igualmente, como os seus "delfins", políticos, amigos ( Dr. Jorge Sampaio e Eng. António Guterres), melhor seria conseguir um lugarzinho nas Nações Unidas e fosse um conselheiro, a nível mundial, para eliminar qualquer praga que afecta os humanos desgraçadinhos. Não vou falar no Sr. Presidente da República Prof. Cavaco Silva, porque não vale a pena.
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Conheci-o em Banguecoque (1977) um jovem e apostei nele um novo Sá Carneiro! Mas neste 25 de Abril de 2008, sentado à minha mesa, os meus cães no jardim e a minha mulher a dar dois dedos de conversa com a vizinha do lado, penso que Portugal é país de políticos mediocres. 
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No meu país existe o virus, político, da mediocridade! Sempre as mesmas caras políticas, chapadas, no vidro do televisor e os "gajinhos" a vomitarem "tretas" da boca, que nunca serviram ou hajam desenvolvido o país que dizem representar. Mas quem será que não fica incomodado de ver, repetidamente, as mesmas caras, anos seguidos, a "bojardarem" mentiras e nunca mais Portugal sai, como o preto, da cepa torta da vinha que lhe mandaram podar. Agora, nós os portugueses, estamos perante, mais umas fricções políticas, decorrentes, entre os membros do segundo maior partido político de Portugal o PSD. 
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Já por aí se diz que o Dr. Alberto Jardim da Madeira vai ser o próximo secretário-geral do PSD. Não temos nada a criticar em relação ao Alberto Jardim e até gostámos de o ver, há uns anos, de fraldas de bé-bé num cortejo de carnaval no Funchal. Porém não gostaríamos de o ver da mesma maneira no carnaval da cidade de Ovar. O que se está a passar, politicamente em Portugal é demasiado sério... 
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Os que não fizeram nada de nada por Portugal não desarmam.. Eles continuam anda por aí.. e por lá anda na melhor o Dr. Santana Lopes...O que se passa nos meandros politiqueiros, de momento, em Portugal, não é nada saudável. Me parece que os portugueses que andam "enfiados" na políticas se precupam mais pelos seus interesses pessoais do que servir o país. Se assim não fosse Portugal não se quedaria na estaca zero. Trinta e quatro anos são demasiados e já não se podem aceitar desculpas ou engolir o "palavreado" dos senhores do Poder.
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 Palavras cansativas com uma carga, enorme, de mentira demagogiana Desde que o PM José Sócrates se assenhorou do Poder, pediu a maioria e foi lhe dada. Eu até votei nele. Temos assistido as maiores disparidades de discurso que ora aqui se engana, ora mais à frente sai "gafe". Sempre lhe ouvimos as palavras de desenvolvimento do país; aumento de emprego e a economia num mar de rosas. 
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Porém estatísticas nos chegam de fontes que merecem crédito que afinal a coisa não está assim tão bela como o PM José Sócrates o transmite (e tem por obrigação aos portugueses). A comunicação social portuguesa, em constante, a revelar actos de corrupção: no futebol, dívidas ao estado; dinheiros depositados em "off shores" pelos senhores de "fraque" , botões de punho, camisa de colarinho e luva branca, junta-se-lhe o aumento do crime no meio da sociedade portuguesa. 
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E agora como "moda" os assaltos e a roubalheira aos carros, ao pacato cidadão que o guia a caminho de casa ou do trabalho, que até lhe dão pelo nome, inglesado, "carjaking". Portugal começa a ser um velho "trópego", muito similar a outros velhos que nascerem no país a receberem reformas de misérias à espera que Nosso Senhor os leve para os anjinhos e para que lhes acabe o purgatório e a tortura que estão a passar na vida terrena. 
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Um Portugal a regressar às raízes medievais onde havia cabeços e declives arretados para evitar a erosão do solo e naquela terra era lançada a semente do trigo que germinava e a subsistência do homem rude. Esses monumentos, por todo os país, estão à mercê do crescimento das silvas e dos arbustos que lá para o verão, pegam fogo e depois, do alto, os helicópteros tentam, com baldes, de água apagá-lo. Um Portugal inserido na União Europeia há 21 anos e dessa sociedade não se sabe que lucros tenha obtido. 
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Tanto dinheiro, dizem, que tem vindo de Bruxelas e não se conhece, muito abertamente, que destino levou. Um Portugal riscado de preto, onde por essas estradas caminham "gregos e troianos", livremente. Um Portugal como seja uma quinta gerida por feitores vaidosos, que se estão nas malvas para a "arraia-miúda" (os serviçais que cultivam a quinta) e passam a laurearem-se e entregues à vida prazenteira. Um Portugal de reformas de misérias e outras de se lhe tirar uma "chapelada". 
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Cada qual é como cada um e cada um "saca" o que mais pode. Como poderá ter sido que durante os 34 anos, já passados que Portugal já teve 17 Primeiros Ministros e já não me vou dar ao trabalho de contar os ministros deste e daquele ministério enquanto na vizinha Espanha (mais o menos com o mesmo tempo (32 anos) de democracia em Portugal só teve 5). 
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Os políticos do meu país, desde que entrou nos carreiros da democracia, alguns, foram uns uns "bons vivantes" que passearam por este mundo adiante sem a olharem a gastos. Bem os poderiam evitar... Mas não o fizeram, com eles levaram fartas comitivas, onde há gastos avantajados bem poderiam ser excluídos. 
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Abaixo desta peça está a comitiva do Primeiro-Ministro, Prof. Cavaco Silva de quando viajou à China, em Abril de 1987, para firmar a entrega da administração de Macau à China em fins de Dezembro de 1999, a sua comitiva reduzia-se apenas a 14 pessoas. Depois de o Prof. Cavaco Silva deixar a vida política chegou o tempo, aparentemente, das "Vacas Gordas", quando já se encontravam "escanzeladas". Chegaram os políticos, progressistas e da nova geração, "ardilosamente"; são óptimos dialogantes e foram, seguindo, enganando o "pobre" Povo Português. Seus discursos eram maravilhas entoadas na praça pública. Quando viram que as finanças públicas estavam absolutamente decadentes, fugiram sem assumir suas responsabilidades. 
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Depois, há sim, depois, chegou um Moisés e salvador das finanças da Pátria Portuguesa. A Pátria, segundo na voz dele, cobria as partes púdicas com um pedaço de sarapilheira tecida de fios de juta. Quando verificou que não conseguia, vestir umas calças, mesmo que de pano de cotim fosse, passou a bola para outro e foi pregar para outra freguesia. Outro que veio que não conseguiu aquecer o tampo da cadeira que se havia sentado de mão beijada e foi posto fora da "carroça". 
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Ficou andar por aí até nova oportunidade. Vamos deixar os políticos e referir-me como foi o meu regresso da Rodésia, o meu adeus a África, à minha Pátria amada que a tinha deixado havia 14 anos. Deixei o aeroporto da Portela e um táxi levou-me até à estação de Santa Apolónia e dali no comboio "Foguete" à estação de Campanhã no Porto. Durante a viagem foi observando para além das margens. Quase não havia parede de casa que não estivesse "borrada" e inseridas, frases políticas "bacoradas". Muitas exprimiam-se na doutrina comunista. Homens de pera no queixos com bigode e ainda outros barbudos, farfalhudos e achei-me nas terras de Cuba. Lembra-me de ter lido umas frases em termo hilariante: não explore a galinha ponha você os ovos; Albânia o farol do socialismo e, ainda: avante camaradas. Achei-me entre os "camaradas" durante 8 meses... Ofereceram-me bilhetes de borla para viajar do Porto ao Jamor e gozar a festa do Avante. No Porto e arredores as greves era o dia-a-dia. 
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Os patrões das empresas eram uns ladrões sem vergonha que exploravam (diziam os comunas) os operários. "Posters" que designavam: a terra a quem a trabalha e viva a reforma agrária. Os 24 " comunas" meus colegas, exibiam, orgulhosamente, na lapela, os auto-colantes dos camaradas Otelo Saraiva de Carvalho e do Vasco Gonçalves. 
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As paredes do refeitório da empresa com panfletos colados a propagandearem o regime do Leste da Europa. Mas que grande "cegada" estava eu metido. Zarpei e voltei para o estrangeiro. Ninguém é profeta na sua terra. Não o seria se por lá tivesse permanecido.... Os desejos, aos que me lerem, o dia 25 de Abril do ano 2008 repleto de felicidades e nada de tristezas porque, com estas, não se vai a lado nenhum.
José Martins