sexta-feira, 18 de outubro de 2019

MEMÓRIA QUE O TEMPO NÃO APAGA

Terça-feira, setembro 18, 2007 (Escrito há 12 anos)

Embaixador Mello-Gouveia e a Tailândia

Ao longo da minha permanência na Tailândia, várias vezes escrevi sobre o meu relacionamento com o Embaixador Mello-Gouveia e da sua Obra de quando Embaixador de Portugal em Banguecoque. Apenas uma vez, há anos mencionei, alguns livros e monografias que foram editadas durante os 7 anos e dois meses que chefiou a Missão Diplomática de Portugal em Banguecoque. Porém, penso, que algumas não vão figurar aqui dado que me descuidei em guardá-las. O Embaixador Mello-Gouveia foi o diplomata que fez ressurgir a Missão Diplomática de Banguecoque depois de vários anos a Residência dos Embaixadores, a Chancelaria, os jardins, as instalações do pessoal, os armazens junto da margem do rio Chao Praiá (que seriam demolidos) se encontravam, completamente, ao desmazelo. Lembro-me de quando a primeira vez (1978) tive necessidade de ir à chancelaria, para obter um novo passaporte, quando passei pela a cancela para me dirigir aos serviços consulares, murmurei para dentro de mim: isto é que é a Embaixada de Portugal na Tailândia?  
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O meu murmúrio estava à vista ao olhar para um velho "barracão" centenário (hoje uma moderna e funcional chancelaria) com arbustos selvagens à sua volta.No secção consular encontrei um "insípido" de olhar grave, vice-cônsul que depois de o informar ao que ía, fui tão-mal recebido que desaminei de solicitar um novo passaporte. Voltei, novamente, em fins do ano de 1981.  
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Foi então, pela primeira vez, que conheci (ainda na Chancelaria na Residência) o Embaixador Melo-Gouveia. Fui recebido à boa maneira da hospitalidade, antiga, portuguesa. Já lá vão 26 anos e ainda hoje, somos amigos. O Embaixador Melo-Gouveia, partiu de Banguecoque, para Tóquio, depois para Bruxelas, onde nas duas capitais, esteve acreditado como Embaixador.  
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Nunca deixou de me contactar, estivesse onde fosse. E durante os anos que permaneceu em Tóquio, todas as vezes que viajou para Banguecoque, ou de passagem para Portugal, era eu a primeira pessoa contactada e transportá-lo do aeroporto para o hotel. Nunca deixou de visitar a minha "humilde" casa e almoçarmos à "portuguesa" , os três de casa (minha mulher, filha Maria e eu). 
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Não era um almoço à "diplomata" com aquele cerimonial da "praxe", mas quando o garfo não dáva muito bem para pegar os camarões, usavam-se as mãos! A etiqueta tinha sido aplicada, em anos anteriores, quando eu como fotógrafo oficial da embaixada, tinha aprendido muito e até entender o olhar do Embaixador Melo-Gouveia quando de máquina fotográfica em punho quais seriam as imagens a registar.  
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Vou deixar por agora as histórias, de relacionamento, e as actividades que ainda me faltam contar durante os anos que o servi e as personalidades, portuguesas e estrangeiras, a quem dei apoio durante as visitas à Embaixada e os eventos culturais e comerciais levados a cabo durante a sua permanência em Banguecoque.
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Estes ficarão para depois. Com o Embaixador Mello-Gouveia aprendi muito, entre o tanto, a tomar o gosto pela história de Portugal na Tailândia e na Ásia.
Por agora vou referir-me às publicações:
"Portugal na Tailândia" de autoria de Monsenhor Manuel Teixeira, obra editada, em 1983, pela "Imprensa Nacional de Macau". A obra é composta de 563 páginas. Nas primeiras páginas inserida uma dedicatória do autor: "Ao dinâmico Embaixador de Portugal na Tailândia Dr. José Eduardo de Mello-Gouveia" O.D.C. O Autor. A seguir uma outra com:
EXPLICAÇÃO PRÉVIA
Esta obra é, da centena de livros que temos publicado no decurso de meio século de investigação histórica, aquela que mais tempo espero para ver a luz do dia. Começámos este trabalho em 1960 com o fim de aparecer no quarto centenário da entrada dos primeiros missionários no Sião (1556-1966). Motivos de ordem vária impediram a sua publicação e o manuscrito tem esperado pacientemente por uma aberta. esta só agora se deu com as comemorações do bicentenário da Bangkok como capital do Sião (1782-1982), devendo este livro fazer parte da nossa participação nas festas. No decorrer destas páginas usamos a palavra Sião, pois o vocábulo Tailândia é muito recente e a nossa história desenrola-se antes da nova designação; esta só aparece no Título - Portugal na Tailândia. Nem os nossos missionários nem os nossos cônsules ou diplomatas nos deixaram livros sobre este país, ao contrário do que sucedeu com os estrangeiros que vieram muitíssimo depois. Ultimamente, três escritores nossos publicaram ensaios sobre as relações dos portugueses com o Sião, aparecendo estes estudos no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Infelizmente, deixam muito a desejar: o primeiro errou e os outros dois repetiram os erros deste e ainda lhe acrescentaram mais. Para que se não perpetuem tais erros, vamos passar pela fileira da crítica esses artigos, mondando as ervas daninhas que lá vegetam em abundândia.Dividimos este trabalho em três partes:Primeira: Os Portugueses no Sião.Segunda: Missões Católicas Portuguesas no Sião. Terceira: Documentação
(Obra Esgotada)
Nota minha: Monsenhor Manuel Teixeira, já não pertence ao número dos vivos. Depois de uma vida em Macau (legou um espólio,cultural/histórico, de mais de uma centenas de livros), pouco depois do território passar para a administração da China e com mais de 70 anos de permanência ali, viria a falecer doente e desiludido da vida, aos 91 anos na Casa de Santa Maria, em Chaves, a 15 de Setembro de 2003.
" Portugal no Cambodja" é uma outra obra do Monsenhor Manuel Teixeira, edição dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau, Julho de 1983. Uma obra de grande utilidade e a primeira escrita, em profundidade, sobre a passagem dos portugueses naquelas paragens. Vamos apenas transcrever alguns parágrafos:
OS PORTUGUESES EM CAMBODJA
A pacificação de Cambodja em 1598 e a coroação do seu soberano Barom Reachea II no fim desse ano devem-se aos esforços do português Diogo Veloso e do espanhol Blas Ruiz. Grato aos seus colaboradores, o Rei nomeou-os governadores de província: "Dei ao Cap (Chaufah) Diogo Portugal (Diogo Veloso) a província de Bapuno (Baphnom) e ao Cap. (Chaufah) Blaz Castilla (Blaz Ruis) a de Trang (Treang")Em 1934, o Residente francês de Cambodja erigiu à memória de Veloso um busto numa das ruas principais de Leak-Luong, em frente de Baphnom, com a seguinte inscrição, encimada pelo escudo das armas portuguesas:(Obra esgotada)

DIOGO
BELHOSA
NÉ À AMARANTE
PORTUGAL
AU SERVICE DU ROI
DU CAMBODJE
PRAH
ALAMKARA

"Portugal em Singapura", mais outra obra de Monsenhor Manuel Teixeira, edição da Direcção dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau - Janeiro de 1985, de 496 páginas. Ilustrada com várias fotografias e mapas
NOTA EXPLICATIVA
Em 1981, as Missões Portuguesas de Singapura e Malaca, que estavam sob a jurisdição da Diocese de Macau, passaram para a jurisdição dos bispos locais. Publicámos já três volumes sobre Malaca Portuguesa.Para que não se perca a memória do que fizemos em Singapura desde a fundação dessa cidade até 1981, vamos assinalar as pegadas que lá deixámos impressas. Este trabalho compõe-se de duas partes:
I- Os Portugueses em Singapura com a história e costumes da terra. II - A Missão Portuguesa de Singapura.
Macau, 21 de Novembro de 1983.

Monsenhor Manuel Teixeira nesta obra, em profundidade, dá a conhecer os nomes das pessoas que compunham a numerosa comunidade luso-descendente, onde se incluem os missionários da Missão Portuguesa. Transcrevemos , apenas, um trecho, parte da página 185.
Padre Medeiros ao Cónego Pinto:
"O Marques Pereira bufa contra os Padres; queria talvez que nós fossemos tão estúpidos que não conhecessemos, ou não lembrassemos dos calotes que ahi nos teem pregado os seculares, que têm administrado "os bens das Missões". Não quero dizer que elle seja capaz de outro tanto; mas gato escaldado da água fria tem medo. Não tem pois de que se queixar. As dívidas que existem foram-nos legadas pelo Padre Carvalho, amigo delle Marques Pereira; mas há uma cousa a notar: quando o Padre Carvalho nos entregou a administração foi com com uma dívida de vinte e quatro mil patacas ($24.000) e hoje apenas se devem quinze mil ($15.000), tendo pago ao Governo tudo o que se lhe devia, e isto n´um anno! Que lhe parece? Pois as despezas augmentaram com as nossas missões, e estão augmentado. O Ministro está ao facto de tudo isto, no Ministério da Marinha não há hoje quem o ignore. Podem berrar à vontade, mas a verdade é mui forte de per si." (Obra esgotada)
"Portugal na Birmânia", é a continuação de mais uma obra histórica/cultural de Portugal no Sudeste Asiático de Monsenhor Manuel Teixeira. Edicão da Direcção dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau - Julho 1983. Inseridas 6 fotografias, raras, das ruínas da fortaleza e igreja de Filipe de Brito Nicote, em Siriam, na embocadura do rio Rangun, tiradas pelo então Embaixador na Birmânia (não residente) Dr. José Eduardo de Mello-Gouveia, em 1983. Os portuguese soldados da fortuna e aventureiros, também passaram pela Birmânia (Pegu). Um dos que mais relevância teve foi Filipe de Brito Nicote, entronizado Rei do Arracão.(Obra esgotada) "Portugal e a Tailândia" Fundação Calouste Gulbenkian - 1988. Monografia com excertos de cronistas quinhentistas portugueses: Carta de Rui de Araújo a Afonso de Albuquerque; Afonso de Albuqerque ao Rei de Portugal; Tomé Pires, Fernão Mendes Pinto e outros. A monografia é Prefaciada pelo Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbienkian, foi um dos obreiros, juntamente com o Embaixador Mello-Gouveia, para que as ruinas da Igreja de São Domingos no "Bangue Portuguete" (Aldeia dos Portugueses), em Ayuthaya viessem à luz do dia depois de 217 anos enterradas.
PREFÁCIO
Em 1982 celebrou-se o bi-centenário da fundação da cidade de Bangkok que, após a destruição de Ayuthaya em 1782 se tornou a capital da Tailândia. Correspondendo a uma sugestão do Embaixador de Portugal em Bangkok, Dr. José Eduardo de Mello Gouveia, a Fundação Gunbenkian editou, nessa ocasião, um opúsculo intitulado Thailand and Portugal, 470 Years of Friendship, com a colaboração de historisadores portugueses e essencialmente destinada a ofertas na Tailândia, noutra zonas do Sudeste Asiático e em língua inglesa. Obra obteve tal êxito que, em 1985, a Direcção Geral de Belas-Artes da Tailândia, solicitou à Fundação Calouste Gulbenkian autorização - desde logo concedida - para publicar uma versão em tailandês destinada a distribuição pelas escolas do país. No dia 5 de Dezembro de 1987 celebrou-se festivamente em todo território tailandês o 60.º aniversário natalício de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej. Na Tailândia, a vida é contada em cliclos de doze anos, o fim de cada um dos quais marca uma etapa importante no sentido de evolução e de mudança. De doze em doze anos a sorte pode mudar (para melhor ou para pior) e a personalidade e o modo de encarar a vida modificam-se: cada ciclo é como que um chegar à "maioridade". O mais importante dos ciclos é, no entanto, o quinto, pois entende-se que, ao entrara nos sessenta anos, o homem atingiu a plena posse das suas faculdades. Estas, aliadas à experiência da vida, fazem dele uma personalidade completa.. Uma brilhante série de festividades sublinhou ao longo do ano de 1987 e, mais especialmente, no dia 5 de Dezembro, o aniversário do régio. Integrado neste espírito, o Embaixador da Tailândia em Lisboa, Orachum Tanaphong, sugeriu à Fundação Calouste Gulbenkian a publicação de uma versão do mencionado opúsculo em Português, a fim de dar a conhecer no país pormenores sobre aquilo que todos os cidadãos tailandeses aprendem nos bancos da escola: o facto de Portugal ter sido o primeiro país europeu a chegar em 1511 ao então chamado Reino do Sião e a estabelecer com este relações permanentes. Essas relações têm-se processado, ao longo de quase quinhentos anos, num clima de cordialidade que não é comum na história das nações. O objectivo da presente publicação e, assim, mostrar um aspecto da espantosa saga dos Descobrimentos pouco conhecido dos Portugueses de hoje. Entre os textos para tal efeito seleccionados destacaremos as coloridas e minuciosas descrições da vida no reino do Sião no século XVI, feitas por João de Barros e Fernão Mendes Pinto (aqui apresentado em português modernizado). A Fundação agradece aos Professores John Villiers e Luis de Matos e ao Embaixadfor Helder Mendonça e Cunha as suas valiosas colaborações e faz votos para que o leitor encontre nestas breves páginas um renovado motivo de interesse por uma fase fascinante da vida de Portugal: a desta longa amizade com a Tailândia e o seu povo.
José Blanco - Administrados da Fundação Calouste Gulbenkian
(Esgotada)
"Thailand and Portugal 476 Years of Frienship" ( segunda edição) publicada pela Fundação Calouste Gunbenkian por ocasião do do Segundo Centenário da Fundação da Cidade de Bangkok. Com textos: Em cima das relações entre Portugal e a Tailândia desde 1511 ao tempo actual por António da Silva Rego; O Primeiro Documento Português no Siam por Luis de Matos; Uma Selecção de Textos do Século XVI no Siam por Alberto Iria; A Concessão do Terreno a Portugal por Hélder Mendonça e Cunha. (Esgotada)
"East of Malaca - Three essays on Portuguese in the Indonesian archipelago in the sixteenth and early seventeen centuries", por John Villiers. Edicão da Fundação Calouste Gulbenkian - Bangkok 1985. Monografia em língua inglesa, com prefácio do Embaixador José Eduardo Mello-Gouveia. A obra está ilustrada com 8 fotografias raras. 1. Eastern Indonesia. Anonymous - João Teixeira Albernas II, "Demonstração de Ilha de Macasa e das de Maluco"; e Noua Guine" c. 1680. 2. Banda Islands, Pierre van der Aa, "Les illes de Banda", Leiden, 1719. 3. Dutch nutmeg traders on Neira. From Begin ende voortganhg van de Vereenigde Neederlandtsche Geoctroyeerde Oost-Indische Compagnie. Izaak Commelin ed. (Amesterdam, 1646). 4. Bandanese playing football. 17th century. 5. The Portuguese fortress on Ternate. 6. Ambon in 1617, showing the fortress built by the Portugueses in 1580. 7. Makassar. Pierre van der Aa, "Macasar, capitale du Roiaum de même nom ", Leiden, 1719. 8. The Portuguese fortress on Solor. António Bocarro, "Livro das plantas de toda as fortalezas do Estado da India Oriental", 1635. (Obra esgotada) "Portuguese Malaca - J. Villiers - Edição, em língua inglesa, do Gabinete de Documentação e Relacionamento Histórico Cultural de Portugal no Sudeste Asiático, Embassy of Portugal - 1988. Monografoa prefaciada pelo Embaixador José Eduardo de Mello-Gouveia. Com várias ilustrações, incluindo actividades culturais efectuadas durante a inauguração da "Praça Portugal" em Malaca a que esteve presente S.E. o Primeiro Ministro da Malásia - 1984. (Cremos ainda existirem alguns exemplares na Secção Cultural da Embaixada de Portugal em Banguecoque) "Early Portuguese Accounts of Thailand" - Antigos Relatos da Tailândia". Edição Câmara Municipal de Lisboa -Portugal - 1983. Edição de luxo e na capa estampado, em relevo, o distintivo da Camara Municipal de Lisboa - A obra tem um brilhante texto do historiador, médico e diplomata Dr. Joaquim Campos. Prefaciada pelo falecido Dr. Nuno Krus Abecasis na altura Presidente da C.M. de Lisboa.
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O PORQUÊ DESTE LIVRO
Quando, no ano passado, uma Delegação da Câmara Municipal de Lisboa visitou a Tailândia, por ocasião do duplo Centenário da Cidade de Banguecoque, tive ocasião de tomar conhecimento do grande projecto que o Embaixador José Eduardo Melo Gouveia tinha em mente e que consistia em reactivar a velha Feitoria, integrada no conjunto da magnífica Embaixada de Portugal, dando-lhe a finalidade de servir , no futuro, como grande Centro Cultural Português no Sudoeste da Ásia onde, a cada passo, se encontram, religiosamente guardados pelas populações, pedaços da presença de Portugal. O próprio Embaixador já iniciara a recolha de peças, nomes, documentos e até conversas, que bem testemunham essa Presença.Nem eu, nem nenhum dos membros da Delegação, jamais esqueceremos o momento emocionante da visita ao Bairro de Santa Cruz, quando a Comunidade local nos levou junto dos túmulos dos "padres portugueses que há duzentos e cincoenta anos nos trouxe a Fé".Desde então me pareceu oportuno associar Lisboa, embora modestamente, ao projecto que estava a nascer. Foi por isso que prometi ao Embaixador editar em Lisboa, nas nossas oficinas gráficas, o livro que agora e apresentado. Nele se fala no passado longínquo e também do mais recente, documentando fotograficamente os diferentes passos da última visita de Suas Majestades os Reis da Tailândia a Lisboa, felizmente os mesmos Reis que ainda hoje presidem aos destinos do País.Como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas principalmente como português, desejo todas as felicidades e progressos para a Tailândia e para a sua Capital e, do mesmo passo, faço votos para que o novo Centro Cultural encontre a sua verdadeira vocação de, ao recordar e valorizar um passado que nos honra, cada dia mais apertar os laços culturais, sociais e económicos entre Portugal e o seu povo e todos os países e povos dessa portentosa região do Sudoeste Asiático. Lisboa, 10 de Junho de 1983 - Dia de Portugal
O Presidente Nuno Krus Abecasis


Pequenas e várias monografias foram editadas pela Embaixada de Portugal, durante a missão do Embaixador Mello-Gouveia e que eram distruídas aos convidados dos eventos culturais que frequentemente tinham efeito no salão da Chancelaria. Perdemos algumas ou as oferecemos e não, reparamos que fosse a última, em nosso poder e podesse servir, no futuro, como documento histórico da Embaixada de Portugal. Estas pequenas monografias (com uma excelente pintura da Residência dos Embaixadores em Banguecoque), encontram-se esgotadas. Talvez haja umas poucas na Secção Cultural da Embaixada em Banguecoque.


Á MARGEM
Fui um dos privilegiados de ter assistido de perto a toda a Obra do Embaixador Mello-Gouveia. Durante as minhas andanças pelo mundo: Angola, Moçambique, Rhodésia (Zimbabwe); vários países árabes e norte de África, Turquia e uma volta ao mundo em 42 dias, estaria longe o meu pensamento que no final da década setenta do século passado, a minha vida tomaria um rumo diferente. Bem é que eu fui um daqueles milhares que embarcaram, no Tejo, em barcos, enormes que faziam a carreira da África Portuguesa. 
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Levava na "malita", de material de ruim qualidade, umas peças de roupa compradas nas feiras; 750$00 na carteira e de alma (um jovem de 26 anos) cheia de vontade, mãos para trabalhar e uma 4ª classe do ensino primário para vencer na vida. De história sabia alguma coisa sobre os descobrimentos e que os portugueses tinham sido homens enormes. 
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Que o Vasco da Gama descobriu o Caminho pelo Mar para a Índia, que o Luis de Camões tinha escrito os Lusíadas e o salvou quando o barco naufragou; o Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500 e, ainda, o Gago Coutinho e Sacadura Cabral tinham voado de Portugal para o Brasil. 
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Seguia comigo o patriotismo "barato", como partia dentro de todos os humildes e homens do Povo, que emigravam como eu. Não parti nas Naus da Índia como os homens quinhentistas, mas num barco que tinha por nome "Pátria", com uma chaminé enorme e fumarenta. Por África, pelas "arábias" e pelo Kurdistão (Turquia) a vida foi dura! 
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Sobrevivi às guerras que havia em alguns países e com a sorte de ter sido um "animal" saudável, que venci as picadelas dos mosquitos, da mosca do sono e as altas temperaturas, do deserto. O destino fez com que eu viesse parar à Tailândia e ter conhecido o Embaixador Mello-Gouveia e eu tivesse tomado o gosto pela história de Portugal na Tailândia. Tornei-me seu discípulo. 
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Que me perdoe, quem me ler as calinadas que vão topando nos meus textos. No tempo que foi criado só seguiam os estudos os filhos dos que tinham posses. Os pobres como eu, ou começavam a trabalhar ou seguiam para o seminário estudar graciosamente. Como vi que não tinha mesmo, nenhuma, vocação para ser padre, fui para marçano para a cidade do Porto.
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Para terminar (já perdoei ao Embaixador Mello-Gouveia), um dia o diplomata virou-se para mim e muito calmamente: "quando aposto num cavalo nunca me engano.... E tu Zé Martins foste um cavalo que eu apostei"
José Martins
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P.S.: Embaixador Mello Gouveia faleceu há 7 anos