quarta-feira, 10 de julho de 2019

ANTIGAS PROPRIEDADES DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA"


Junto ao rio Chao Prya uma caravela, em estátua, a dar conta da presença de 350 anos da chegada dos missionários franceses.
No passado dia 10 de Junho, Dia de Portugal estive com as ossadas dos portugueses que repousam no “Ban Portuguete”, em Ayuthaya, a segunda capital do Reino do Sião a Tailândia, moderna, hoje. (Ver a seguir  minha reportagem)  AQUI
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Vamos dar o conhecimento, da razão, porque Portugal perdeu todas as propriedades (menos uma onde se instala, actualmente, a missão diplomática na capital tailandesa), doadas pelos Reis da Tailândia. Esta desgraça,vem desde 1580 com a perda independência, a favor de Espanha. 
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As propriedades passaram para o espólio da Igreja do Vaticano, sem qualquer tratado entre Portugal  e a instituição, político religiosa. Ocuparam há poucos anos, lampeiramente, as ruínas da Igreja de S.Domingos, em Ayuthaya, depois das escavações (não sei se mais duas igrejas, com as ruínas, enterradas, no “Ban Portuguet”, São Francisco e São Paulo, os terrenos das três igrejas em Banguecoque: Senhora do Rosário, Santa Cruz e Imaculada Conceição. 
Em 1688 uma delegação Siamesa é recebida, com grande aparato diplomático, pelo Papa Inocente XI.
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Não vou condenar a usurpação, dos terrenos portugueses, pela Igreja do Vaticano, mas a negligência dos representantes de Portugal numa altura em que as propriedades (meados do século passado), poderiam ser reavidas e registrá-las. Não temos conhecimento que terrenos doados por Reis da Tailândia tenham sido retomadas, o mesmo que dizer: “palavra de Rei não volta atrás”  


 A Igreja de S.José em Ayuthaya
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O clero do Vaticano, representado pelas “Missões Estrangeiras de Paris, instalou-se depois de mais de um século, dos missionários do Padroado Português do Oriente, em Ayuthaya, o propósito seria a França colonizar a Tailândia. Por agora não nos vamos adiantar mais, apenas publicamos três imagens, onde damos conta da nossa última visita à Igreja de S.José em Ayuthaya e seu desenvolvimento.

O que vou descrever é muito pouco,porque se fosse aprofundar o assunto até às raízes daria um livro de centenas de páginas. Os portugueses, em nome de Portugal, foram os primeiros homens do mundo ocidental que conheceram o Reino do Sião há, precisamente 508 anos. O relacionamento foi impar, o melhor que haja havido entre o Reino do Sião e Portugal. 

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A amizade e a consideração dos Reis da Tailândia, por Portugal manteve-se até aos dias de hoje, cujo esta não foi aproveitada devidamente, pelo nosso país. Aparte das misérias passadas por alguns representantes de Portugal, era de Banguecoque, em que Reis da Tailândia chegaram a conceder empréstimos para manter a Feitoria de Portugal a funcionar. Nas celebrações dos 500 anos, realizadas há 8 anos, na Tailândia, foi o Governo tailandês que, praticamente, as financiou que custaram centenas de milhares de euros.

A seguir a história como se dá a penetração dos missionários das Missões Estrangeiras de Paris em Ayuthaya.

As ideias expansionistas do Rei D. Sebastião (educado na corte pelo clero, a este, ter-lhe-ía, deteriorado o cérebro e manter na sua mente em constante ódio aos mouros), foram atrozes depois dos portugueses serem derrotados em Alcácer Kibir o monarca, um jovem, ficou por lá prisioneiro ou morto na peleja. 
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O que levou o Cardeal D. Henrique ( um clérigo já velho e “caduco”) ascender ao trono de Rei de Portugal e, depois da sua morte, por razões de linhagem monárquica, Portugal ter tido a “tragédia” de ser governado por 60 anos pelos reis de Espanha. O povo português nunca lhe perdoou:
"Viva el-rei D. Henrique/No inferno muitos anos/Pois deixou em testamento/Portugal aos Castelhanos."
 
A Santa Sé, no Vaticano, de que por lá nem tudo era cristandade ou bondade, coloca-se ao lado dos espanhóis durante os 60 anos da usurpação da coroa portuguesa. Põe à margem o clérigo português e o Padroado Português do Oriente. Não ordena bispos ou cardeais de nacionalidade portuguesa e os missionários do Padroado, no Oriente, ficam orfãos, sem pai que é o chefe supremo da Igreja Católica.
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A partir de meados do século XVII os franceses tiveram pouca influência no Oriente. Os ingleses e os holandeses, principiaram a expandir-se e a dominar o comércio no Oriente nos anos: (1595 Holanda na Indonésia) e 1612 os ingleses na Índia) .
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A Inglaterra dominava a Índia e a Holanda, já era a senhora das Índias Orientais. Luis XIV com as suas ideias expansionistas, pretende que a França venha a ser o pêndula que balançasse a forças inglesas na Índia e as holandesas na Batávia (Indonésia). O monarca francês sabia de antemão que para que se concretizassem as sua ideias seria através dos missionários, jesuítas da “ Missões Estrangeira de Paris”.
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Gregório XV, em 1622, institui a nova “Congregação de Propaganda Fide”, cujo sistema mentor pertencia a 13 cardeais e dois prelados, ajudados por um secretário e um consultor. 
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Ora toda a Àsia a sua evangelização pertencia ao Padroado e sob a jurisdição dos Reis de Portugal. Gregório XV, decretava que a “Congregação de Propaganda Fide” seria para colaborar na evangelização do Oriente com o Padroado, sob os auspícios do mesmo; retirar o Padroado a Portugal e restringi-lo.
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Começa, então, a guerra entre o Vaticano e Lisboa. O papa tinha desferido uma “punhalada mortal” no Padroado Português do Oriente. As peias consolidadas pelos pontífices, seus predecessores, tinham sido desmoronadas e o missionários do Padroado, além de principiarem a sofrer humilhações de outras congregações estrangeiras, os missionários destas a tomarem-lhe o lugar na evangelização.
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Luis XIV, conhecido pelo rei-sol, está no apogeu e pretende a todo custo e dinheiro infiltrar-se no Oriente. Não lhe era desconhecido que os portugueses dominavam não só a cristianização dessas terras, como assim o comércio. Os sessenta anos de ocupação espanhola tinha levado os missionários do Padroado a viver em extrema pobreza e abandonados pela Santa Sé.
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Surgem as viagens descritas pelo Padre Alexandre Rhodes, jesuita francês, à Ásia, incita e cria entusiasmo nos missionários viajarem para as terras orientais e envolverem-se na divulgação do cristianismo nas terras onde os missionários do Padroado já se haviam instalado havia muito.
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Sabiam esses clérigos que teriam um forte apoio de Luis XIV. Surge o Padre François Pallu, inteligente e apoderado de enorme patriotismo viajou até Roma, apresentou os seus planos à Santa Sé para o derrube do “Padroado Português do Oriente”. O Pallu fez as propostas, dentro de certa astúcia, à Santa Sé e sem as ter comunicado à hierarquia das “Missões Estrangeiras de Paris”. 
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Durou a luta ao Pallu cinco anos (dado que a Santa Sé estava renitente em eliminar e restringir os privilégios do Padroado), para que o Vaticano abençoasse a sua pretensão. O Padre Rego, nesta matéria pronuncia-se:
“Podemos, pois, afirmar que a Santa Sé se deixou levar nesta matéria pelo  francês. A iniciatinva, certamente, não lhe pertence”. 
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Em 17 de Agosto de 1658 são nomeados os dois primeiros vigários apostólicos: François Pallu, bispo de Heliópolis e Motte Lambert, bispo de Berito, para as missões de Tonquim e da Conchinchina e países vizinhos.O Primeiro embate entre os missionários do Padroado e os franceses.
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Aconteceu no Reino do Sião. Monsenhor de la Motte Lambert chegou a Ayuthaya em Agosto de 1662 e Monsenhor Francisco Pallu em Janeiro de 1664. La Motte não teve boa recepção dos missionarios portugueses que já havia cerca de 150 anos se tinham estabelecido com três paróquias no Ban Portuguete: S.Domingos, S.Francisco e Jesuitas. Tinham sido, também, os primeiros a terem a permissão do Rei do Sião de divulgarem e a converter, livremente, ao catolicismo os siameses.
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O vigário geral, do Padroado, que administrava o Sião, pediu a de la Motte Lambert para que lhe mostrasse os papeis os quais lhe davam a autonomia, para exercer tais funções, administrativas, clericais, no Sião. Em princípo recusou-se mas acabou por ceder, em sinal de boa vivência e colaboração, mútua, no futuro. Ficou assim o vigário geral do Padroado, elucidado, da realidade dos factos de que a ordem tinha orígens do Vaticano.
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Os missionários do Padroado não se resignam e, continuadamente opõem-se para que as suas acções de evangelização continuassem e eles, de forma alguma, sob o jugo dos franceses. De la Motte não desarma e envia, em 1665, ao Vaticano um dos seus padres, De Bourges, para que pedisse à Propaganda que confiasse o Sião à sua jurisdição, isto porque a situação geográfica assim o aconselhava e, também, porque a tolerância da prática de outros cultos, que não fossem de índole budistas eram tolerados pelo monarca siamês.
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De la Motte, analisa, ao mesmo tempo ser o Sião, uma base estratégica e bem colocada e um ponto de partida para os missionários franceses se ramificarem para outras terras entre elas: a China e a Indochina e que mais tarde a França viria a colonizar o Cambodja, Laos e Vietname. 
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A Santa Sé está relutante dado que temia aumentar as iras de Portugal. De la Motte não desarma ou desanima perante a recusa da Santa Sé. Consegue a permissão do Rei do Sião que lhe doasse um terreno em Mahapan, nos arredores de Ayuthaya, onde deu início à construção, precária de um seminário. 
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O Sião, apesar de todos os malabarismo de la Motte continuava sob a jurisdição do Padroado e acaba por reconhecer, em 1688 que o Sião estava sob a tutela de Malaca e já conquistada pelos holandeses em1641. O bispo de Malaca tinha morrido e em sua substituição o vigário geral. 
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Os católicos de Ayuthaya, siameses e luso-tailandeses a espiritualidade, religiosa é-lhes ministrada pelos missionários dominicanos, franciscanos e jesuitas. Os missionários franceses já estabelecidos com uma igreja e um seminário a cerca de dois quilómetros do Ban Portuguete (Aldeia dos Portugueses), mas uma vez insistem perante a Santa Sé e a estratégia que culmina no pedido:
"se poderiam administrar os sacramentos aos cristãos na sua igreja que ficava a 4 ou 5 milhas de distância (nota minha: aqui não é informada a distância real, dado que não ultrapassa os 2 quilómetros), da mesma forma como os padres do Padroado, o faziam nas suas paróquias".
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O Vaticano concede-lhes esta prática; principia, com isto, a existência de duas jurisdições, católicas, em Ayuthaya.
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Perde com isto alguma autonomia, no Sião, o Padroado Português do Oriente. Guerras frias e surdas virão a ser travadas entre os missionários franceses e portugueses. Os franceses e bom de entender eram, considerados, uns intrusos em Ayuthaya. O jesuita do Padroado António Quintana Duega escreveu um livro cuja leitura viria a ser censurada por de la Motte Lambert.
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Houve conflitos silenciosos e de poucas palavras. O Papa depois de examinar o conflito e deu razão a de la Motte Lambert, dado que a matéria inserida no livro de António Quintana era contrária ao cânones e à tradição da Igreja.
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O reparo e a censura de Monsenhor de la Motte Lambert não ficou esquecida ou deitada em saco roto pelos missionário do Padroado. A Inquisição, para observar a pureza da fé e os bons costumes, como representante no Sião, era o Frade Luiz Fragoso, da congregação dominicana. O Frade Fragoso não aceitou a censura do Lambert e considerou-o ter atentado contra a sua autoridade.
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Acusou-o de várias opiniões teológicas falsas. Excumunga o Lambert e foi afixado, um edital, numa igreja de Ayuthaya onde o excomungava. Lamberte, apresentou queixa ao Santo Ofício que dá sem efeito a excomunhão e repara o escândalo do Frade Fragoso; depondo-o do cargo de inquisidor e obriga-o abandonar o Sião. 
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Mas as ordens do Vaticano não foram no seu todo cumpridas e Lambert, mais uma vez, envia  o missionário Charles Sevin, com uma nota dirigida ao Clemente X. Em 10 de Novembro de 1673. Uma bula papal faz desligar os vigários apostólicos de toda a jurisdição do arcebispo e da Inquisição de Goa. 
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Clemente X queixa-se, a Goa e num comunicado “Cum per litteras” refere-se que os missionários portugueses residentes no Sião tinham:
a) obrigado o bispo de Berito (Monsenhor de la Motte Lambert, a mostrar as suas bulas, como se êle estivesse sujeito a Goa e não directamente à Santa Sé;
b) excomungado e multado em duzentas moedas os cristãos que com êle tratassem
O Papa estranha a atitude e solicita ao arcebispo de Goa que não seja exercido qualquer acto de jurisdição contra os vigários apostólicos e seus missionários. Adverte também das gravíssimas penas, pela privação do ofício, fora do território português.
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Esta machadada desferida por Clemente X ao Padroado, provoca uma ferida profunda que jamais vai encontrar o caminho da cura. Apoia, as futuras, queixas dos franceses redigiu vários textos de comunicados, importantes, de 1670 e 1673, que mandou publicar e os mesmo enviados aos vigários apostólicos. 
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Nas proximidades do Natal de 1673 um outro comunicado “Sollicitudo pastoral” declara que a Inquisição de Goa não possuia autoridade alguma nos territórios que não estavam sujeitos à coroa portuguesa. Derroga todos os privilégios anteriores, embora tenham sido conferidos por papas ou concílios. 
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Os missionários do Padroado “barafustam” apresentam os antigos privilégios e a total submissão ao Rei de Portugal. Ignoram as ordens do Papa Clemento X, para a rebelião, silenciosa, não produziu efeito. Vale mais um papa vivo que um papa morto. O papa estava ao lado e as satisfazer a vontades de Luiz XIV para que o permitisse concretizar o projecto da infiltração no Reino do Sião e na sua cabeça a ideia de o colonizar. Tal nunca viria acontecer. 
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No Reino do Sião a língua franca era a portuguesa, o Padroado Português do Oriente, tinha criado raizes durante os quase 150 anos de evangelização no reino. Mas além disto já uma numerosa comunidade luso-tailandesa, calculada em mais de 2.500 almas, que era assistida pelos missionários do Padroado, portugueses e estrangeiros residiam no Ban Portuguete onde estavam erigidas 3 paróquias. 
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Descrição do Padre António Rego: “ A passagem do Sião para os vigários apostólicos não se fêz sem repugnância, sem resistência. O caminho vinha sendo preparado já por uma longa série de documentos pontifícios todos eles a favor dos vigários apostólicos. Esses documentos, como nota Launay, eram publicados na igreja francesa de S. José de Juthia (Ayuthaya). 
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Os jesuítas e os dominicanos, entrincheirados nos mesmos redutos de sempre, declaravam-nos falsos e inventados pelos missionários franceses, e por conseguinte nulos, sem valor algum, porque não tinham passado pela corte de Lisboa. 
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Vários incidentes se deram, todos êles bem lamentáveis, da resistência dos missonários portugueses que se viam colocados entre dois fogos. Por um lado, deviam obediência a Goa; por outro, eram admoestados pelos vigários apostolólicos, em nome da obediência suprema devida a Roma. Esta política dúplice havia de ser adoptada pelos anos fora pela Propaganda e com bons resultados.
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No Sião, porém, houve solução radical. A Santa Sé, por meio dos seus decretos, resolveu que os portugueses residentes no Sião ficassem debaixo dos vigários apostólicos. Esta nova concessão foi muito bem acolhida em Paris e Monsenhor Pallu aconselhou aos seus missionários toda a prudência para não suscitar novas susceptibilidades.
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Os dominicanos submeteram-se em 1678, os jesuitas em 1681 e os franciscanos que também lá trabalhavam, se bem que em menor número, um bocado mais tarde. Os missionários portugueses, porém, nunca abandonaram o Sião. Tais missionários recebiam os seus poderes ora dos vigários apostólicos, ora directamente de Goa. 
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A cinza crepitava ainda, quando atiçada por qualquer faúlha. As autoridades do Padroado viam-se obrigadas a reconhecer a situação de facto, mas protestavam de vez em quando contra o desaire sofrido”. 
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Padre António da Silva Rego em diversas considerações descritas ao longo do seu valioso livro que se recomenda aos historiadores e interessados na história da expansão portuguesa no Oriente lê-lo (se porventura o encontrem em alguma biblioteca), entre muitas passagens encontramos esta que nos merece atenção:
“ O missionário não é um «João-sem-terra». Tem uma pátria que ama profundamente. É natural que deseje que outros a amem igualmente. Aconteceu isto com os missionários portugueses. É verdade que em tôda a parte onde êles chegaram espalharam o bom nome de Portugal, favoreceram as relações entre esses países e o seu.
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Lastima: «Na Índia nunca Portugal tentou penetrar para o interior e conquistar terminantemente para si esses territórios. O plano de Francisco de Almeida, de se manterem feitorias espalhadas pelas costas do Oriente, foi aperfeiçoado por Afonso de Albuquerque que estabeleceu fortalezas nos pontos estratégicos. 
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Assim, o ponto básico da política de Francisco de Almeida, que eram as armadas, casou-se com o de Albuquerque, as fortalezas, para impor definitivamente o prestígio do nome português. Nunca, porém, se tentou fazer no Oriente o que se fêz ao Brasil, ou o que os espanhóis fizeram na América do Sul..... A decadência de Portugal, a queda fatal do império português veio quando os mares deixaram de ser sulcados por naus portuguesas».
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E para termimar: Segundo nos informa o Padre Rêgo o império português no Oriente, em 1940, estava em completa decadência. Mas este império começa a ser derrubado depois da tragédia de Alcácer Kibir (1578) e que pouco depois Portugal perderia a independência e é administrado pela corôa espanhola. Portugal. 
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Antes, daquela fatídica derrota, possuía uma potência naval, ímpar na Europa. Fortalezas e feitorias tinha sido construidas, na costa Atlântica, Indico, Índia, Coromandel até ao Japão. 
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A “Armada Invencível” empresa de Filipe I, se afundou no Canal da Mancha e era parte do espólio marítimo português e sem ele viria a contribuir para o abandono, em parte, do comércio oriental.
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Mas um grande mal que grassa na sociedade portuguesa, depois de começar a descobrir as terras de além-mar, foi o mundo fantasioso das vaidades em que de um momento para outro, os fidalgos, ou pelo mérito deles ou pelos favores da casa real portuguesa, voltam ricos e opulentos da noite para o dia. 
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Pouco, mesmo nada se interessam para preservar os sentimentos de Afonso de Albuquerque que desejou um Portugal rico e retirar os portugueses da miséria em que viviam antes das caravelas de Cristo navegarem nos oceanos do Mundo da época. 
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Voltando aos missionários das “ Missões Estrangeiras de Paris” em Ayuthaya, desde que ali se instalaram erigindo uma rudimentar igreja e também um seminário, foi graças a eles que os católicos do Ban Portuguete têm sido assistidos espiritualmente. 
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A Igreja de S.José que conhecemos há mais de três  dezenas de anos, tinha sido restaurada em 1883. Já nesta altura funcionava, em construção de madeira uma escola onde aprendia umas dezenas largas de alunos, filhos de pais católicos, budistas e muçulmanos.
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Actualmente a igreja foi novamente construída e se pode considerar uma peça fina da arte sacra. Houve o cuidado de não fugir às linhas arquitectónicas do passado. Mas além da reconstrução da igreja uma larga escola, moderna, foi construída e um cemitério para sepultar os católicos da àrea de Aiutaá. Ao fundo do cemitério foi erigido um monumento que perpetua os vigários.
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Portugal, de facto está representado em Ayuthaya com as fundações da área onde a Igreja de S.Domingos foi edificada (estima-se em 1530/1540. Hoje o espaço tem vida e foi graças ao entusiasmo de dois Homens: o Embaixador Melo Gouveia e o Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Gulbenkian que depois de 1984 voltaram essas ruínas à luz do dia. 
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Não é de ignorar o empenho do “Fines Arts Department” para que a memória da presença dos missionários do Padroado Português do Oriente” e da comunidade lusa-tailandesa ficasse no “Ban Portuguete”, um marco da existência de um templo do culto e da passagem de homens lusos que muito fizeram no Reino do Sião. 
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Eles foram soldados, artilheiros, guardas do palácio real e ocupados em várias artes que graças a esta boa gente, ajudaram a transformar o Sião. 
José Martins/
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P.S. Informação obtida na obra: “ O Padroado Português do Oriente por António da Silva Rego. Agência Geral das Colónias/ MCMXL