terça-feira, 16 de abril de 2019

MEMÓRIAS – QUANDO EU TINHA ALGUM VALOR


Há 22 anos fui nomeado representante do ICEP (Investimento Comércio Externo de Portugal), para os 7 países que o chefe de missão diplomática estava acreditado no Sudeste Asiático que compreendia: Tailândia, Malásia, Singapura,Mianmar,Cambodja, Laos e Vietname e foi a época de ouro para Portugal, cujo esta, infelizmente, não foi aproveitada.

Macau administrado por Portugal, a TAP voava para Macau, com escala em Banguecoque, o desenvolvimento da Tailândia e de outros países do Sudoeste Asiático era um facto.
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Nomeado representante do ICEP, a partir de Março do mesmo ano e viria a terminar em 2002, nunca minha vida foi facilitada, apenas um embaixador Gabriel Mesquita de Brito (já falecido), que me meu luz verde para desenvolver o comércio, juntando a representação do ICEP à ocupação de assalariado, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que englobava dactilografia, expediente e arquivo.
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Durante a missão de Mesquita de Brito, havia coordenação, que se poderia dizer perfeita, com a chegada do embaixador Tadeu Soares tudo se viria a modificar e vida negra à minha frente por 30 meses.
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Tadeu Soares, estava-se nas tintas para o comércio, chegado, de Nova Iorque (Nações Unidas), novinho em folha a Banguecoque, o seu primeiro posto como embaixador. O número 2 da embaixada, disse-me um dia: “o embaixador quer fazer de Banguecoque umas Nações Unidas pequeninas!
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Era isso mesmo! Todos os jornais (ingleses/tailandeses de Banguecoque, outros da Malásia e Singapura, eram passados a pente fino, as notícias desses jornais que marcados os recortes, eu depois e a secretária,tailandesa, do embaixador cortá-los e dali Tadeu Soares “rascunhava” um cozinhado que eu teria que dactilografar, depois vistos e revistos, várias vezes, seguiam, via fax, ou telex para a Cifra do MNE. O “terror” de qualquer embaixador é enviar, conteúdos, gralhados para a Cifra (MNE)
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Tadeu Soares um diplomata “menino do coro”, muito interessado em “berloques”, dar nas vistas, por ser Portugal  membro da União Europeia, pensava ele também ser dono da Europa e que lhe viria a dar determinados desgosto por exigir que o Governo da Tailândia desse detalhes pelo assalto das forças de segurança ao hospital de Ratchaburi, onde terroristas de Mianmar, tinham sequestrado com centenas de doentes, dos quais não ficou vivo, um terrorista, para contar como foi. Acabou a bicho e a peçonha foi-se!
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No entanto (tenho esses recortes) na imprensa Tailandesa apareceram cobras e lagartos e Tadeu Soares é dado como embaixador indesejável na Tailândia. Mas deixando isso para outra altura, refiro-me apenas ao comércio, cujo a minha representação e o meu sonho de desenvolver na área, acima referida, terminou em Agosto de 2002.
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Um “palerma” de um incompetente Ministro dos  Negócios Estrangeiros, o diplomata  António Martins da Cruz, acabou com o ICEP uma instituição que já levava meio século e criou outro o AICEP, floreira de rosas malcheirosas e criada no Governo (para esquecer) de Durão Barroso.
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Em 2002 a Editora Centro Atlântico editou o livro Experiências de Internacionalização – Globalização das empresas portuguesas, convidou-me para colaborar  e entre os 22 eu fui incluído.  Abaixo coloco capa e páginas de minha colaboração. Claro eu, entre o grupo dos 22 devo ser o único “escriba” com o exame da 4ª classe, com merendas de pão e azeitonas  das escolas de Salazar.