domingo, 10 de março de 2019

LUIS VIEGAS - ANA MARGALHO ESCREVEU E PUBLICOU NO DIÁRIO DE COIMBRA

PENACOVENSES PELO MUNDO - Luís Viegas está Bangkok desde 2014 e é feliz num país...dentro de outro país


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O jeito para "a bola" vem de pequeno e começou nos campos do Santacombadense, onde se estreou com jogador de futebol. Terá dado de tal maneira nas vistas que, em pouco tempo, foi convidado para a Académica. E, muito jovem, Luís Viegas estava a viver em Santo António dos Olivais, a estudar no Colégio São Pedro, em Coimbra, e a dividir casa com «outros jogadores, de vários pontos do país».

Estaria, à partida, lançada a carreira de um jogador de futebol…Mas quis o destino que não fosse propriamente assim. Luís Pena Viegas licenciou-se em Comunicação Social, começou a colaborar com uma empresa inglesa de análise e estatística de futebol e a trabalhar como jornalista desportivo (inclusive no Diário de Coimbra). Em 2011 foi trabalhar para o Beira-Mar, com o treinador Rui Bento e este lançou-lhe o desafio da sua vida: trabalhar com ele na Tailândia

Estávamos em Janeiro de 2014. Rui Bento partiu à aventura para treinar o Bangkok United, Luís Viegas foi com ele para fazer «análise e observação» de jogos e jogadores. O treinador voltou para Portugal trás meses depois, Luís Viegas ficou e ainda hoje trabalha naquele clube, agora com o treinador brasileiro Mano Polking, fazendo «análise do desempenho da equipa, observação dos adversários e prospecção de matado para eventuais contratações», conta.

Cinco anos depois, balanço é mais do que positiva A adaptação a um país «muito diferente» não foi difícil. «Os tailandeses são, em geral, amáveis e atenciosos. O estilo de vida é muito relaxado, a religião - budista - é particular mente inclusiva e a comida também não foi problema», confessa. Pior foi a comunicação... «Há quem não fale uma palavra de inglês e isso fez-me passar por algumas situações engraçadas em restaurantes ou táxis», conta, em tom de brincadeira.
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Casamento de Luís Viegas e Natchanan Viegas
O amor é também a razão por que faz um balanço tão positivo desta aventura na Tailândia Luís Viegas apaixonou-se e casou, em 2016, com uma tailandesa e, por isso conimbricense vive feliz numa cidade como Bangkok, que, com os seus cerca de dez milhões de habitantes, «muito trânsito, muita confusão, gente de todos os cantos do mundo, muitos arranha-céus» é «como se fosse um país dentro de outro país», onde, apesar de tudo, existe «muita qualidade de vida», garante.
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Amante de viagens (são, como confessa, o seu hobby preferido), Luís Viegas tem coleccionado, nos últimos anos, países e culturas que já conheceu, nomeadamente na Ásia. «Já estive em Macau, Hong Kong, China, Japão, Maldivas, Indonésia, Malásia, Singapura, Myanmar, Camboja e Vietname», enumera. Mas, a verdade é que o seu país preferido é, claro,

Portugal. Por isso, voltar é uma possibilidade que não está fora de questão. «Temos contrato até 2021, mas também a intenção de experimentar outros campeonatos mais expressivos. E Portugal é, sem dúvida, um hipótese», admite Luís Viegas que, para já, vai matando as saudades do país, recebendo familiares e amigos em sua casa, em Bangkok ou comunicando com todos, à distância, através do Facebook e do Whatsapp. «Tomam tudo mais fácil, seja para conversar com eles, seja para ir acompanhando o que se passa no país», continua, não escondendo as saudades. Depois, há sempre o Natal, altura em que aproveita para vir a Portugal e visitar familiares e amigos, muitos deles também emigraram para outros países, remata.

Portugal devia aproximar-se da Tailândia

«Portugal e Tailândia podiam ter uma relação mais próxima Portugal foi o primeiro pais a chegar aqui, há mais de 500 anos, até há várias palavras idênticas e influências culinárias, como os fios de ovos», diz Luís Viegas. Conhecedor da realidade dos dois países, defende que o nosso teria tudo a ganhar se se aproximasse daquele país oriental. «Hoje, Portugal só é conhecido aqui por causa do futebol», lamenta, falando na prosperidade tailandesa, não só a nível turístico (tem 35 aeroportos) mas também económica «Aqui, a taxa de desemprego não chega a 1%», exemplifica.

Ana Margalho - Diário de Coimbra