quinta-feira, 12 de outubro de 2017

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR - 14 ª PARTE


Consulado do Encarregado José Maria Fidélis da Costa

Pela trágica morte do cônsul Guilherme Ferreira Viana, assumiu as funções de encarregado interino, por favor, o ilustre "macaense" José Maria Fidélis da Costa. Nasceu em Macau e partiu para Banguecoque, como outros naturais deste território sob aadministração portuguesa, em procura de vida melhor. Por norma, todos os "macaenses", quando chegavam ao Reino do Sião, exprimiam-se na língua inglesa e de extrema utilidade para o governo siamês e empresas estrangeiras que se estabeleciam, em força, na capital do Sião. Fidélis da Costa chegou a Banguecoque em 1857 e entrou para o serviço da Governo Siamês em 1868, ano da ascenção ao trono do Rei Chulalongkorn, Rama V. O consulado português esteve sob a sua gerência uns escasso seis mêses.
Nasceu (como acima se referiu) em Macau no ano de 1837 e faleceu em Banguecoque a 20 de Fevereiro de 1895, realizando-se o funeral no dia seguinte com a presença dos príncipes Bhanuram, Biddyalabh, Naradhip. Os príncipes Damrong, Naret e Davawongse fizeram-se representar; o Rei Chulalongkorn mandou os seus presentes - pano branco e moedas.
O jornal "Siam Observer" de 22.02.1895, escrevia acerca de Fidélis da Costa:
«Ele entrou ao serviço do governo primeiro como funcionário da repartição da alfândega que trata do arroz e introduziu imediatamente novos regulamentos com respeito ao modo de pagar os direitos sobre este género, de sorte que fez subir consideravelmente o rendimento adunaneiro. Tão habilmente dirigiu o sr. Costa o serviço da repartição de arroz que bem depressa foi transferido para a repartição da alfândega geral como inspector-chefe e nessa posição permaneceu até à triste morte de seu filho (Khum Sewok Warayuth), que ocorreu há 13 meses, o que foi o motivo principal que o levou a empreender uma viagem para mudança de ares da cena.
O sr. Costa recebeu do rei de Portugal a condecoração de N.Sr.ª da Conceição e era cavaleiro dessa Ordem. Há 3 anos foi agraciado com a comenda de Cristo. Há nove anos foi agraciado com a comenda da Coroa do Siam, e ao mesmo tempo, foi nomeado Luang (Barão) Rajayasathok».
Transcrevemos e porque também faz parte da história deste ilustre "macaense", ao serviço da corte do grande Rei Chulalongkorn o que relatou o Monsenhor Manuel Teixeira,sobre a vida de Fidélis da Costa.
"José Maria Fidélis da Costa era casado com Ana Rosa Maria Braga, de quem, teve um filho, (1) cuja morte apressou apressou a morte do pai, duas filhas, Belarmina Fidélis da Costa e Maria Pia Fidélis da Costa; esta última casou com Maclean, filho de John Maclean. Não encontramos o registo de baptismo de José Fidélis da Costa em nenhuma igreja paroquial de Macau, supomos que foi baptizado em St.º António, cujo arquivo ardeu no tufão de 1874. Achamos a seguinte participação da sua morte:
«Ana Rosa Braga Fidélis da Costa, Maria Pia Fidélis da Costa Maclean, Belarmina Fidélis da Costa, John Maclean, participam que seu esposo, pai e sogro José Maria Fidélis da Costa faleceu (2) a 20 de Fevereiro de 1895». Mas pelas proeminentes figuras da Corte presentes no seu funeral, o José Fidélis tinha sido mais um português de prestígio ao serviço da Coroa Siamesa. Tudo indica que o defunto Fidélis da Costa teve um funeral dentro dos ritos, tradicionais, da religião num templo budista, algures, em Banguecoque.
Ana Rosa Maria Braga Fidélis da Costa, vúva do barão e director da Alfândega, José Maria Fidélis da Costa, faleceu em Bangkok com 87 anos de idade a de Julho de 1927, deixando uma filha, Maria Pia da Costa Maclean.
Supomos que José Maria Fidélis da Costa era sobrinho de António Fidélis da Costa, de quem encontramos os seguintes dados nos Arquivos Paroquiais de Macau.
António Fidélis da Costa, filho de Manuel António da Costa e de Bibiana Antónia da Costa, casou com Eufêmia Cândida Baduel, nasceu a 24.08.1811, filha de João Baduel e de Quitéria Angela Vidal, neta paterna de João Baduel e de Margarida Araújo e materna de Pedro Vidal e de Quitéria da Luz.
Antes de casar com Fidélis da Costa, Eufêmia Baduel teve de John Hart uma filha natural, Matilde Cândida Baduel, que casou em S. Lourenço, a 9.9.1843, com João Miguel Milner,, nasceu a 29.8.1814, filho de Joaquim Miguel Milner e de Ana Maria Isabel Milner, neto paterno de Joaquim António Milner e de Margarida Rita de Carvalho e materno de Elbert Lucas Stein e de Ana Maria Isabel de Carvalho.
João Miguel Milner teve de Matilde Cândida Baduel os seguintes filhos:
1. João Leonardo, nasceu a 2.11.1847;
2. Francisco de Sales, nasceu a 29.1.1852 e faleceu a 19.3.1853;
O Major João Miguel Milner destinguiu-se no ataque ao forte deo Passeleão, em 25 de Agosto de 1849.
António Fidélis da Costa teve de Eufêmia Baduel os seguintes filhos:
1. Clotilde Eufêmia, nasceu a 5.5.1846:
2. Hermenegildo António, nasceu a 12.8.1848;
3. Idalina Micaela Ana, naceu a 29.9.1853, faleceu a 20.2.1928.
Idalina Micaela Ana Fidélis da Costa casou com João Baptista Gonçalves, nasceu a 17.12.1854, faleceu a 10.10.1906, então alferes da FGuarda Policial de Macau (mais tarde, general), filho de Joaquim Manuel Gonçalves e de Maria Xavier Gonçalves, de quem teve os seguintes filhos:
1. Vicente Agostinho, nasceu a 11.9.1879;
2. Veríssimo, nasceu a 1.10.1881;
3. Marin Orin, nasceu a 24.5.1883;
4. Júlio Augusto, nasceu a 25.11.1887
(1) Nos nossos arquivos vamos encontrar o assento de baptizado, do consulado, com o número 24 que descreve: «Baptismo de António Maria Fidélis da Costa, filho legítimo de Jose Maria Fidélis e de Ana Rosa Brada da Costa. Baptizado na Igreja do Rosário em 18 de Maio de 1875. Assento de Baptismo do missionário E. Saladin e certificado pelo cônsul António Feliciano Marques Pereira na mesma data.
Não foi encontrado o assento de óbito do António que conforme o "Siam Observer" relata morreu com o nome: "Khum Sewok Warayuth" o que nos leva a supor ter mudado seu nome português para o siamês.
(2) Não encontramos o assento de óbito de José Maria Fidélis da Costa. Aliás com não foi encontrado mais nenhum nome "Fidélis" num livro de assentos do consulado que foi iniciado em 18 de Setembro de 1868 e encerrado em 20 de Julho de 1929, pelo cônsul José de Sousa Santos.
Possivelmente, esta família teria renunciado à nacionalidade portuguesa e optado pela siamesa e deixou de utilizar os serviços do consulado.
Pouco mais informações, encontramos, do que as que descrevemos acima.
José Maria Fidélis da Costa, pertence ao número de bons portugueses que emigraram para o Sião, serviram a corte siamesa e Portugal ao mesmo tempo.
Depois da morte de Guilherme Ferreira Viana, tomou a seu cargo a responsabilidade (talvez a pedido de Joaquim Vicente de Almeida outro português ilustre no Reino do Sião) para que a representação de Portugal não caísse em ruins mãos.
Os juncos chegavam ao rio Chao Prya "abarrotados" de chineses e suas famílias, já fixadas no Sampeng (bairro dos chineses), compravam, os títulos de nacionalidade, conforme o preço pedido no consulado português.
Corria já, em Banguecoque, entre a comunidade dos portugueses e estrangeira a vergonha que se estava a passar na concessão de títulos ao ponto, desta atitude, chegar aos ouvidos do Rei do Sião.
História a ser narrada, nas próximas partes.
Mas no correr do tempo a corrupção; a ilegalidade foram factos correntes no consulado de Portugal, em Banguecoque e seguiu-se de quando a representação de Portugal no Reino da Tailândia, obteve o estatuto de embaixada.
Será duro, mesmo para nós, narrarmos, o incrível, que se haja passado.
Já que nos enfronhamos na história, teremos que narrar as verdades, sem pouparmos os nomes dos Herodes e dos Pilatos.
As intrigas, as vaidades balofas, o exibicionismo, o interesseirismo, as manobras, a mentira, as acusações infames e as humilhações que entre aqueles que foram vítimas eu sou um dos incluídos.
Portugal é o que é de momento, na Ásia, porque o país foi vítima dos "cordelinhos" tecidos em Lisboa, para onde (a Ásia) foi nomeada "ruim" gente para gerirem os negócios de Portugal.
Eram e são os (alguns) "mamões", sem escrúpulos, que já no reinado de Dom Manuel I, mamavam a fazenda de el-Rei!
Somos aquilo que fomos e aquilo que vamos continuar a ser até que Portugal seja riscado na história da Ásia.
José Martins
Fim da Parte 14.ª
CONTINUA