Caros leitores por uns tempos paramos com os Meandros da Diplomacia. Voltarão! No entanto vai o dia 25 de Abril de 2008. São passados 11 anos e pergunto melhorou algo em Portugal? Mas se houver melhoras enviem-me uma mensagem, para o Céu, porque daqui a 11 anos não devo andar na vida terrena!
quinta-feira, abril 24, 2008
25 DE ABRIL - HOJE É O DIA DA LIBERDADE
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Tudo correu na normalidade porque nós os
"acolhidos" éramos gente de trabalho, ganhávamos bem e todos estávamos
nas tintas para a revolução dos cravos vermelhos. O nosso patriotismos
era o de gostar
de Portugal, do Benfica, do Sporting e do Porto; mandar uns
"dinheiritos" para lá, jogar uma "suecada" nas pensões portuguesas de
Salisbury; comer umas sardinhas assadas; uns bolinhos de bacalhau,
outros petiscos acompanhados com uns copos de vinho. O 25 de Abril não
nos fez moça alguma e projectos de festa num dos dois clubes
portugueses da capital da Rodésia. Chegou-nos a preocupação depois do
dia 7 de Setembro de 1974 (Acordo de Luzaka), quando os "pretos" em
Lourenço Marques começaram a matar brancos, na rua ou queimando-os
dentro dos carros quando fugiam para salvar a vida, desesperados, a
caminho da Africa do Sul e Rodésia. O Gov
erno
da Rodésia, humanitáriamente, acolheu-os quando apareceram no
território com a roupinha e as peles "arranhadas" do corpo pelo facto de
atravessarem, a monte, as fronteiras. Os portugueses, e honra lhes seja
feita, são solidários aos seus "patrícios" quando chegam em estado de
miséria a um país estrangeiro. Ajudam-nos! E foram ajudados por nós e
por mim mesmo, conseguindo-lhes trabalho numa empresa que servia como
mecânico. De mecânico não tinham eles mesmo nada.
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Mas mandava-os para
debaixo dos camiões, gigantes, de transportes de escórias de uma
siderugia para uma fábrica de cimento e quando vissem o patrão que
batessem com um martelo, sem parar, numa parte metálica. Era necessário
acudir aos "patrícios"; ganhar uns "dinheiros" para se alim
entarem. Depois do dia 7
de
Setembro a paz e a felicidade que havia na Rodésia (note-se não era
racista e muito democrática e ninguém era perturbado se tivesse uma
namorada preta), desapareceu. Os ajudantes pretos, começaram a assoprar
aos ouvidos dos portugueses: "Samora Machel is good,good,good"!
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Chegavam
à Rodésia pelas ondas da Rádio Clube de Moçambique os delírios do
Samora Machel (por uns que o conheceram o davam como o "peniqueiro" do
Hospital da Beira, na rua Correia de Brito), perante uma audiência de
milhares de pessoas no estádio da Machava, que para se eliminar o
"mosquedo" em Moçambique cada aluno, quando entrasse na sala de aulas,
deveria mostrar ao professor/a 30 moscas!
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Quem me ler não pense que
estou a mentir... É a verdade nua e crua. Uma t
ragédia
e nós, os portugueses na Rodésia, que até tínhamos jurado nunca mais a
deixar, começamos a fazer planos para ficar. A situação era alarmante em
Moçambique. As figuras gradas da cidade da Beira chegavam a Salisbury.
Entre elas está o jovem advogado Dr. Sigalho que foge para Salisbury
porque um advogado famoso estava ajustar as suas contas ( eu conheci
esse advogado e a localização do seu escritório, na cidade da Beira onde
era conhecido como o advogado (não o do diabo) dos latifundiários), a
uns "tipos" que tinham metido o "bedelho" na sua vida profissional.
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Nunca conheci actividade política nenhuma a esse advogado na Beira...
Apenas um proeminente e inteligente homem de leis que os grandes
proprietários de terras na z
ona
da Munhava lhe pediam protecção para que os pretos da estiva do Porto
da Beira lhe pagassem os 300 escudos, renda anual, pela área onde tinham
construído a palhota e um quintal para a mulher cultivar uns grãos de
arroz. Se o preto não pagava, lá estavam uns "vândalos" a ceifar as
hastes do arroz verde. Diziam-me em Salisbury que a perseguição desse
homem de leis era terrível! Mas vamos lá deixar o famoso advogado e
porque nunca nos provocou dano nenhum e até nunca lhe demos os "bôs
dias".
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E continuando a nossa manhã do dia de 25 de Abril de 2008, na
minha casa, onde me sento à mesa da minha biblioteca, enquanto lá fora
no jardim a minha mulher, que me atura há 28 anos, trata dos três cães
que sempre nos têm sido fieis. Go
sto
dos meus cães porque nunca conspiraram, sempre foram uns caninos
"porreiros" e muito melhor estimar os meus cães de casa do que alguns
homens que mesmo não tendo dentes de cão mordem, psicologicamente, o
parceiro, que honestamente os serviu. Vamos lá referenciar quais os
proveitos que os portugueses tiveram com o "lindo" 25 de Abril de 1974.
Já são passados 34 anos e os "lindos", que inventaram a revolução,
muitos já foram desta para melhor e Portugal não está nada lindo e cada
vez mais feio! O Dr. Mário Soares, anda por aí, num pr
ograma
da RTP "O Caminho Faz-se Caminhando". Ó Dr. Mário Soares, mas que raio
de caminho faz-se caminhando? Então "vossemecê" já caminhou o caminho
todo depois da revolução, andou anos seguidos a ser adorado e não
encontrou o caminho certo para os portugueses caminharem? Bem começo a
entender que o Dr. Mário Soares, igualmente, como os seus "delfins",
políticos, amigos ( Dr. Jorge Sampaio e Eng. António Guterres), melhor
seria conseguir um lugarzinho nas Nações Unidas e fosse um conselheiro, a
nível mundial, para eliminar qualquer praga que afecta os humanos
desgraçadinhos. Não vou falar no Sr. Presidente da República Prof.
Cavaco Silva, porque não vale a pena. Conheci-o em Banguecoque (1978) um
jovem e apostei nele um novo Sá Carneiro! Mas neste 25 de Abril de
2008, sentado à minha mesa, os meus cães no jardim e a minha mulher a
dar dois dedos de conversa com a vizinha do lado, penso que Portugal é
país de políticos medíocres.
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No meu país existe o virus, político, da
mediocridade! Sempre as mesmas caras
políticas,
chapadas, no vidro do televisor e os "gajinhos" a vomitarem "tretas" da
boca, que nunca serviram ou hajam desenvolvido o país que dizem
representar. Mas quem será que não fica incomodado de ver,
repetidamente, as mesmas caras, anos seguidos, a "bojardarem" mentiras e
nunca mais Portugal sai, como o preto, da cepa torta da vinha que lhe
mandaram podar. Agora, nós os portugueses, estamos perante, mais umas
fricções políticas, decorrentes, entre o
s
membros do segundo maior partido político de Portugal o PSD. Já por aí
se diz que o Dr. Alberto Jardim da Madeira vai ser o próximo
secretário-geral do PSD. Não temos nada a criticar em relação ao Alberto
Jardim e até gostámos de o ver, há uns anos, de fraldas de bé-bé num
cortejo de carnaval no Funchal. Porém não gostaríamos de o ver da mesma
maneira no carnaval da cidade de Ovar. O que se está a passar,
politicamente em Portugal é demasiado sério... Os que não fizeram nada
de nada por Portugal não desarmam.. Eles continuam anda por aí.. e por
lá anda na melhor .
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Dr. Santana Lopes...O que se passa nos meandros
politiqueiros, de mom
ento,
em Portugal, não é nada saudável. Me parece que os portugueses que
andam "enfiados" na políticas se precupam mais pelos seus interesses
pessoais do que servir o país. Se assim não fosse Portugal não se
quedaria na estaca zero. Trinta e quatro anos são demasiados e já não se
podem aceitar desculpas ou engolir o "palavreado" dos senhores do
Poder. Palavras cansativas com uma ca
rga,
enorme, de mentira demagogiana Desde que o PM José Sócrates se
assenhorou do Poder, pediu a maioria e foi lhe dada. Eu até votei nele.
Temos assistido as maiores disparidades de discurso que ora aqui se
engana, ora mais à frente sai "gafe". Sempre lhe ouvimos as palavras de
desenvolvimento do país; aumento de emprego e a economia num mar de
rosas. Porém estatísticas nos chegam
de fontes que merecem crédito que afinal a coisa não está assim tão
bela como o PM José Sócrates o transmite (e tem por obrigação aos
portugueses).
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A comunicação social portuguesa, em constante, a revelar
actos de corrupção: no futebol, dívidas ao estado; dinheiros depositados
em "off shores" pelos senhores de "fraque" , botões de punho, camisa de
colarinho e luva branca, junta-se-lhe o aumento do crime no meio da
sociedade portuguesa.
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E agora como "moda" os assaltos e a roubalheira
aos carros, ao pacato cidadão que o guia a caminho de casa ou do
trabalho, que até lhe dão pelo nome, inglesado, "carjaking". Portugal
começa a ser um velho "trópego", muito similar a outros velhos que
nascerem no país a receberem reformas de misérias à espera que Nosso
Senhor os leve para os anjinhos e
para que lhes acabe o purgatório e a tortura que estão a passar na vida
terrena. Um Portugal a regressar às raízes medievais onde havia cabeços e
declives arretados para evitar a erosão do solo
e naquela terra era lançada a semente do trigo que germinava e a
subsistência do homem rude.
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Esses monumentos, por todo os país, estão à
mercê do crescimento das silv
as
e dos arbustos que lá para o verão, pegam fogo e depois, do alto, os
helicópteros tentam, com baldes, de água apagá-lo. Um Portugal inserido
na União Europeia há 21 anos e dessa sociedade não se sabe que lucros
tenha obtido. Tanto dinheiro, dizem, que tem vindo de Bruxelas e não se
conhece, muito abertamente, que destino levou. Um Portugal riscado de
preto, onde por essas estradas caminham "gregos e troianos", livremente.
Um
Portugal
como seja uma quinta gerida por feitores vaidosos, que se estão nas
malvas para a "arraia-miúda" (os serviçais que cultivam a quinta) e
passam a laurearem-se e entregues à vida prazenteira. Um Portugal de
reformas de misérias e outras de se lhe tirar uma "chapelada". Cada qual
é como cada um e cada um "saca" o que mais pode. Como poderá ter sido
que durante os 34 anos, já passados que Portugal já teve 17 Primeiros
Ministros e já não me vou dar ao
trabalho de contar os ministros deste e daquele ministério enquanto na
vizinha Espanha (mais o menos com o mesmo tempo (32 anos) de democracia
em Portugal só teve 5). Os políticos do meu país, desde que entrou nos
carreiros da democracia, alguns, foram uns uns "bons vivantes" que
passearam por este mundo adiante sem a olharem a gastos. Bem os poderiam
evitar... Mas não o fizeram, com eles levaram fartas comitivas, onde há
gastos avantajados bem poderiam ser excluídos.
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Abaixo desta peça está a
comitiva do Primeiro-Ministro, Prof. Cavaco Silva de quando viajou à
China, em Abril de 1987, para firmar a entrega da administração de Macau
à China em fins de Dezembro de 1999, a sua comitiva reduzia-se apenas a
14 pessoas. Depois de o Pro
f.
Cavaco Silva deixar a vida política chegou o tempo, aparentemente, das
"Vacas Gordas", quando já se encontravam "escanzeladas". Chegaram os
políticos, progressistas e da nova geração, "ardilosamente"; são óptimos
dialogantes e foram, seguindo, enganando o "pobre" Povo
Português. Seus discursos eram maravilhas entoadas na praça pública.
Quando viram que as finanças públicas estavam absolutamente decadentes,
fugiram sem assumir suas responsabilidades. Depois, há sim, depois,
chegou um Moisés e salvador das finanças da Pátria Portuguesa. A Pátria,
segundo na voz dele, cobria as partes púdicas com um pedaço de
sarapilheira tecida de fios de juta.
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Quando verificou que não conseguia,
vestir umas calças, mesmo que de pano de cotim fosse, passou a bola
para outro e foi pregar para outra freguesia. Outro que veio que não
conseguiu aquecer o tampo da cadeira que se havia sentado de mão beijada
e foi posto fora da "carroça". Ficou andar por aí até nova
oportunidade.
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Vamos deixar os políticos e referir-me como foi o meu
regresso da Rodésia, o meu adeus a África, à minha Pátria amada que a
tinha deix
ado
havia 14 anos. Deixei o aeroporto da Portela e um táxi levou-me até à
estação de Santa Apolónia e dali no comboio "Foguete" à estação de
Campanhã no Porto. Durante a viagem foi observando para além das
margens. Quase não havia parede de casa que não estivesse "borrada" e
inseridas, frases políticas "bacoradas". Muitas exp
rimiam-se
na doutrina comunista. Homens de pera no queixos com bigode e ainda
outros barbudos, farfalhudos e achei-me nas terras de Cuba. Lembra-me de
ter lido umas frases em termo hilariante: não explore a galinha ponha
você os ovos; Albânia o farol do socialismo e, ainda: avante camaradas.
Achei-me entre os "camaradas" durante 8 meses... Ofereceram-me bilhetes
de borla para viajar do Porto ao Jamor e gozar a festa do Avante. No
Porto e arredores as greves era o dia-a-dia.
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Os patrões das empresas
eram uns ladrões sem vergonha que exploravam (diziam os comunas) os
operários. "Posters" que designavam: a terra a quem a trabalha e viva a
reforma agrária. Os 24 " comunas" meus colegas, exibiam, orgulhosamente,
na lapela, os auto-colantes dos camaradas Otelo Saraiva de Carvalho e
do Vasco Gonçalves.
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As paredes do refeitório da empresa com panfletos
colados a propagandearem o regime do Leste da Europa. Mas que grande
"cegada" estava eu metido. Zarpei e voltei para o estrangeiro. Ninguém é
profeta na sua terra. Não o seria se por lá tivesse permanecido.... Os
desejos, aos que me lerem, o dia 25 de Abril do ano 2008 repleto de
felicidades e nada de tristezas porque, com estas, não se vai a lado
nenhum.
José Martins