quarta-feira, 30 de maio de 2018

PAULA CRUZ NOBRE LUSADESCENDENTE NO BAIRRO DE SANTA CRUZ"



Os avós de Paula Cruz, nasceram, no “Ban Portuguete” (Aldeia dos Portugueses), em Aiutaá. Seus pais e ela viram a luz do dia no portuguessíssimo, Bairro de Santa Cruz, em Thomburi; do lado oposto de Banguecoque e junto à margem direita do grande rio Chao Praiá.
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No Bairro de Santa Cruz nasceu a Paula Cruz com descendência, portuguesa, cujo os seus antepassados, a família Cruz, residente no Bang Portuguete, fora, também, vitíma da caida da capital.Entretanto, depois de analisar, as fotos de Paula Cruz, o seu rosto não me restam dúvidas que a bela senhora é lusa-descendente e dá-me uma certa convicção que é de orígem, étnica, macaense. Na Bairro de Santa Cruz, nos anos de 1868, nasceu uma verdadeira história de amor entre Paula Cruz  Albert Jucker de nacionalidade suiça.
Idílio, absolutamente, desconhecida dos portugueses que vale a pena de ser contada e, meditarmos, sobre a “Alma Lusa” e os impulsos do coração, enorme, que os portugueses possuiem e quando assimilados a pessoas de outras etnias cujo o sangue português lhes  corre nas veias.
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Albert Jucker um jovem Suiço, nascido de uma família de média classe, com um pequeno estabelecimento na povoação de Winthur, depois de ter concluído a instrução primária e a secundária, partiu para Paris com 19 anos.
Empregou-se numa empresa especializada com negócios na Indochina e com uma filial em Saigão. Com 22 anos e em 1866, a empresa francesa envia-o para Banguecoque como assistente do director-geral da filial que acabara de inaugurar na capital siamesa.

Seis anos depois, em 1872, Albert Jucker de sociedade com um primo que mandou  vir de Winthur fundam a Jucker & Sigg & Cª . Juntam-se mais dois jovens, que Albert manda vir, da Suiça e a empresa em poucos anos volta na maior dentro do Reino do Sião.

 A empresa Jucker & Sigg & Cª está sitiada junto ao Bairro de Santa Cruz e nas redondezas os grandes armazens onde as mercadorias era guardadas as importadas ou as para exportar. 
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O jovem Albert Jucker viva a paredes meias do Bairro de Santa Cruz e no seu quotidiano de ida para o escritório e regresso para casa, pelo seu pé (os automóveis ainda não tinham, sido inventados e chegados ao Reino do Sião) uma jovem luso-tailandesa, por quem se cruzava nesse vai-e-vém, a sua beleza começou a impressionar o jovem Albert e, amá-la em silêncio.
Paula Cruz, lapidava o seu ser, na Escola do Bairro Português de Santa Cruz, cujos mestres eram padres missionários do Padroado Português do Oriente. Albert Jucker na flor da sua idade e um homem de negócios de retumbante sucesso, como todos os jovens, aspiram formar uma família e ter filhos. Em Maio de 1868 o Alberto com a idade de 24 anos casa com a bela, lusa-tailandesa, Paula Cruz, na Igreja de Santa Cruz.
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Da união matrimonial Paula Cruz brinda seu marido com três filhos e duas filhas. A cidade de Banguecoque no século XIX era o cemitério dos europeus. A cólera a malária e outras doenças tropicais eram moléstias comuns que dizimavam muita população quer fosse esta siamesa ou europeia.
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Os banguecoquianos viviam sob o terror das pestes. Gente, ainda com sopro de vida, os familiares aterrorizados, é lançada ao Chao Praiá. Outra,  apavorada, deixáva-a, agonizante, nas casas construídas de canas de bambú à espera do último suspiro.

Acodem a essas pobre gente os missionários adventistas, americanos oferecendo-lhe palavras de conforto. Morrem assim milhares de siameses na época pestosa e com eles alguns dos poucos estrangeiros que viviam na nova capital do Sião, erguida no pântano e ao nível da água do mar. 
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Albert Jucker, que tinha formado um grupo empresarial, gigante, na capital do Sião morre, vitimado, pela cólera em 1886, com 42 anos!Deixa Paula Cruz com cinco filhos e uma enorme fortuna. Paula Cruz corajosamente e sem desânimo coloca-se à frente e administra todas as empresas herdadas do seu marido.

Partiu para a Suiça, e para Winterthur, a terra onde nasceu o seu marido Albert Jucker,  talvez ali fique e educar os seus cinco filhos!
Paula Cruz não se adapta aos hábitos e o modo de vida da Suiça. As saudades do Bairro de Santa de Cruz mortifica a alma da jovem viúva.

Regressa ao Reino do Sião e deixa os seus filhos em Winterthur, entregues a tutores, para seguirem os estudos nos moldes da europeus. Paula Cruz, uma visionária, bem sabia que as suas numerosas empresas estabelecidas, no Reino do Sião, já virados para os grandes negócios com o ocidente necessitam, no futuro, que os seus cinco filhos as venham administrar. 

Paula Cruz, além de administrar o grupo  Jucker & Sigg & Cª é personalidade feminina, grada, na Corte do Rei Chulalongkorn, onde a lusa-tailandesa é a principal fornecedora de peças finas de joalharia para a rainha e as princesas reais. 
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Foi agraciada pelo Rei Chulalongkorn com o título, real “Mae Phan” assim como já tinha, o monarca siamês, galardoado o seu marido Alberto Jucker com título  honorífico: “Cavallier” e acreditá-lo como Cônsul Honorário de Itália.
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O Rei Chulalongkorn na sua visita à Europa  à 1907,  numa altura que Paula Cruz se encontrava na Suiça, o monarca, visitou este país e deseja avistar-se e cumprimentar “Mae Phan”. 
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O Encontro realizou-se em Zurich.Paula Cruz é a primeira lusa-tailandesa, católica a ser recebida por um Papa e teve uma audiência com Pio X no Vaticano. Paula Cruz, já em idade avançada, reparte o seu tempo: uns meses em Banguecoque e outros na Suiça.

Os seus filhos tomam conta da administração do Grupo Jucker & Sigg & Cª , em Banguecoque e das filiais espalhadas pelo mundo. Paula Cruz de idade avançada e de uma vida feliz de tragédia e glória decide passar o resto da vida que tem pela frente, na seu confortável palacete, na Rua Surawongse, a menos de meia légua do Consulado de Portugal. 
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Na altura sob a gerència do Comendador Goffred Bovo, e  cônsul de Itália de que  por várias vezes, de 1920 a 1934 é lhe entregue a administração da representação portuguesa no Reio do Sião! 
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A Casa de Portugal em Banguecoque está nas mãos de um estrangeiro, os interesse portugueses abandonados e os luso-tailandeses igualmente... Paula Cruz, uma grande mulher, luso-tailandesa, morre na paz serena ao 84 anos em 1934. 
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Não sei onde repousam os seus restos mortais. Penso que foram transladados para o novo Cemiterio de Nakhon Phaton, a uns 30 quilómetros de Banguecoque, propriedade da Santa Sé, que deu lugar aos cemitérios, católicos dos bairros portugueses; o da Silom Road, onde eram sepultados os católicos, de várias nacionalidades e residentes na capitão do Sião. 
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Terrenos, sagrados, propriedades dos mortos que neles foram dormir a eternidade foram sujeitos à profanação e à pilhagem, desses espaços para construir residências de padres e freiras, campos para a prática de desportos, cuja obra é:  Da Divina Graça do Espirito Santo dos Apóstulos de Sua Santidade o Papa Sentado num Cadeirão de Oiro no Vaticano!Amen


À margen. Graças a uma brochura editada pela Berli Jucker (nome que substitui a Jucker & Siggs & Cª) em 1982 e, durante as festividades dos 200 anos da existência de Banguecoque, que mão amiga me fez chegar. 
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Durante mais de 20 anos dediquei parte da minha vida a investigar a história  do passado de Portugal no Reino do Sião.
A história de Paula Cruz, assim como a da lusa-japonesa Maria Guiomar de Pina , apaixonam-me e merecem todo o meu cuidado em continuar a investigar as suas obras, dá-las a conhecer para que não se perca a história no correr do  tempo.  
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Porém na “papelada” velha, dos arquivos da Embaixada de Portugal (infelizmente muito mal cuidada e preservada no século XIX e no XX)  nunca encontrei, referênncia que fosse, no livro de Assentos de Nascimentos, Casamento e Óbitos que me dessem conta de Paula Cruz. 
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Penso que todos os registos de nascimento, baptismo e casamento e até do óbito, foram efectuados na Paróquia do Bairro de Santa Cruz e já seguiram (não me restando dúvidas) para os arquivos do Vaticano, onde neles é missão impossível penetrar nesse santuário político e eclesiástico.
Escrita por José Martins/Banguecoque em 2006