domingo, 13 de agosto de 2017

PORTUGAL NA TAILÂNDIA: "SAGA DE DESTRUIÇÃO"



Escrito sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RETALHOS DA MEMÓRIA

Amigo meu, Vasco Galante, funcionário do Parque da Gorongosa em Moçambique e residente em Banguecoque, enviou-me, recentemente, as quatro fotografias abaixo aposta que desconhecia. As imagens foram tiradas pelo famoso fotógrafo português J. António que além de ser o fotógrafo da Casa Real de S. M. o Rei Chulalongkorn foi proprietário de um estúdio fotográfico na rua Chalerm Krung e a pouco distância da Embaixada de Portugal. Vasco Galante obteve as fotografiaAQUI
 




A MARGEM: A residência dos embaixadores de Portugal na Tailândia que antes serviu de consulado e embaixada, onde funcionavam o serviço de chancelaria, tem sofrido impiedosos desmantelamentos da sua originalidade, por alguns embaixadores acreditados depois do embaixador, falecido, José Eduardo de Melo Gouveia que tomou conta do posto a 8 de Agosto de 1981. 
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De palheiros à volta do terreno doado pelo Rei da Tailândia 1782 e oficializado em 1820, embaixador Melo Gouveia, com ajudas (nenhuma do Estado Português) conseguiu dar dignidade, não só à residência como assim ao jardim. 
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Porém o Diplomata Português, o melhor sem dúvida, que passou por Banguecoque desde a fundação da representação em 1820, procurou, mesmo levando a cabo remodelações, não alterar as raízes como residência foi construída.
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Inclusivamente levantando paredes, com blocos de cimento, deixou ficar a tijoleira, a memória de um passado. Era o orgulho de um embaixador que veio para a Tailândia para dignificar o nome de Portugal. 
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Veio tomar o lugar do Embaixador Renato Pinto Soares, que para passar o tempo no jardim (entre silvados), passeava o seu cãozinho lú-lú. Isto é real porque o embaixador Renato deixou (ou esqueceu-se) um filme de 8 milimetros e foi visto por mim, dado que era eu que operava os projectores de slides e a máquina de cinema, oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Eu e o embaixador Melo Gouveia gozavamos com aquelas patéticas imagens de um embaixador a passear com o lú-lú!
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Embaixador Melo Gouveia é acreditado no Japão, onde viria a fazer grande obra e toma-lhe o lugar Embaixador Castello-Branco, que desde logo começou a alterar tudo que embaixador Melo Gouveia tinha efectuado. 
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Mesmo ano e passado seis meses embaixador Melo Gouveia vem a Banguecoque e cumprir a promessa que viria consoar com seu sucessor o embaixador Castello-Branco, mas chega a Banguecoque e vê já estragos na sua obra e foi uma Ceia de Natal, conflituosa! Quase que andaram à pancada!  Nunca mais se falaram e odiaram-se! 
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Castello-Branco dividiu a chancelaria em quartos (ali se realizaram eventos culturais com 150 pessoas sentadas) e aquilo a que eu lhe chamei: "cortelhos de porcos". 
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As cornijas de ripinhas de madeira de teca, da residência, que estavam lá há 130 anos, manda retirá-las, substituídas por amianto (não sei se ainda lá está o amianto) e com estas manda fazer vitrinas/armáriozinhos para levar para Portugal e ofereceu um ou dois a um Governador de Macau (tenho imagens sobre isso e não escrevo nada sem ter provas).
Castello-Branco foi o primeiro destruidor do Património.
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Embaixador Mesquita de Brito, bom homem (nem lá vou nem faço nada...) praticamente não buliu em nada, apesar de grandes cheias em 1995, conseguiu reparar os estrajos com uns 10 mil dólares.
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A Toma-lhe o lugar embaixador Tadeu Soares (seu primeiro posto com embaixador) e na sua bagagem está incluído um camartelo para continuar a saga da destruição. Estoira com o telhado da chancelaria, rebenta com os ouvidos aos funcionários porque no telhado operários destruiam, à martelada, o que estava feito. 
Continua com tempo