segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MEMÓRIAS MINHAS: "HÁ 20 ANOS PORTUGAL NA TAILÂNDIA"



O primeiro Gabinete Comercial instalado na Embaixada de Portugal em Banguecoque, foi obra e graça do embaixador Melo Gouveia pelos anos de 1984. 
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Há assim 33  anos. Depois de melhorada a residência, substituído um palheiro, abandonado, pela chancelaria onde este serviço se encontra nos dias de hoje, no exterior à chancelaria instala o Gabinete Comercial e outro Histórico. 
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Melo Gouveia, um visionário, tinha conhecimento que não tardaria a Tailândia acordar para o desenvolvimento e prepara Portugal para um futuro brilhante quer na parte cultural, histórica e comercial. 
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Desde então relaciona-se com o magnata Dhanin Chearavanont,  CEO do império Charoen Pokpand Group que viria a instalar uma fábrica de rações na Lourinhã, proximidades de Coimbra.
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Demoraria ainda quatro anos para que conseguisse que o ICEP se instalasse na missão diplomática, cuja representação foi entregue a um jovem, dinâmico, tailandês, educado em públic relations nos Estados Unidos que em curto espaço de tempo viria a dar os primeiros passos na activação do comérico de Portugal na Tailândia com a colocação de pasta de papel (atingiria os 12.000 milhões de contos), os transformadores eléctricos da EFACEC para electrificação dos meios rurais da Tailândia. 
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Colocou vinhos portugueses no mercado de Banguecoque. Cortiças, do Grupo Amorim, estavam lançadas no mercado tailandês, com o Fernando de Oliveira instalado na embaixada.
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Era, assim, os primeiros passos, comerciais de Portugal na Tailândia. Em 1990, passados dois anos do jovem tailandês Chanu representar o comércio português na Tailândia com o irrisório ordenado de 1.500 dólares mensais, foi convidado por uma empresa de construção local para seu colaborador. Embaixador Castello-Branco contacta o ICEP para o Chanu ser aumentado seu salário para não se perder tão dedicado funcionário, o presidente do ICEP, Luis Fontoura informou que não e o Chanu partiu.
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Ficou a embaixada, em 1990, orfã de gabinete comercial e foram logo ocupada a instalação pela Adida Cultural, recentemente nomeada e patrocinada, em parte, pelo Governo de Macau.
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Porém conforme pude ocupei o lugar do Chanu, juntando ao trabalho do expediente como colaborador directo do embaixador Castello-Branco. Durante 7 anos de sua comissão, só no último ano teve, nomeado um diplomata número 2. Era eu uma “faz tudo”, na embaixada, com a ridicularia de ordenado de fome de 500 dólares mensais, de 1991 a 1999. 
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Na altura nada parecido com os dias hoje com a facilidade das comunicações rápidas, cujo estas eram através do obsoleto telex. A máquina do fax viria depois.
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Em 1990 o desenvolvimento da Tailândia rebenta e surgem obras por toda a cidade e os camiões betoneiras correm, durante as 24 horas dos ponteiros do relógio as ruas de Banguecoque.
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Os telefones móveis ainda não tinham surgido em Banguecoque e apenas um pequeno aparelhómetro que entrou na moda pendurado no cinto das calças das pessoas que se chamava “pickei”. Sou contactado pelo representante da Marconi, sediado em Macau, para lhe dar conta do que se passava nas comunicações na Tailândia, isto porque a Marconi tinha-se associado a uma empresa tailandesa, o grupo Zenzo, com os aparelhómetros de som: “pipi em que este avisava  o possuidor que alguém lhe tinha telefonado. 
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Em pouco tempo a Marconi e a Zenzo tinham 400 mil clientes e umas 100 pessoas empregadas. Sou então um espião comercial em que mandava para Macau os recortes dos jornais a falar sobre as comunicações. Pouco tempo depois a Marconi (passaria depois para PT) vendeu a sua cota à Zenzo com avultados lucros.
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Continuei a fornecer informações comerciais, portuguesas a empresas tailandesas e com a chegada do embaixador Mesquita de Brito e verificando que eu estava a realizar um bom trabalho comunicou com o Palácio das Necessidades se eu poderia ser proposto para representante do ICEP. Embaixador António Monteiro iniciou o processo e foi dada luz verde para eu, juntando ao trabalho do expediente, na embaixada, a representação do ICEP com uma recompensa mensal de 1.500 dólares. 
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O meu transporte era um Volvo 244 a bater lata por toda a chapa e foi então que em comissão, por seis meses, o diplomata dr. Abranches Jordão, interferiu junto ao embaixador Mesquita de Brito que eu deveria melhorar a minha imagem com a compra de um novo automóvel, cujo este foi adquirido um Honda Civic a um diplomata de Israel, a deixar o posto em Banguecoque, financiado pelas rendas do Jardim de Portugal e pagar, mensalmente 12.500 bates, uns 400 dólares.
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Entro na activade comercial e num mercado que eu já conhecia muito bem e desde logo tratei de chamar empresários de Portugal a Banguecoque onde estes tinha toda assistência minha desde a chegada ao aeroporto, à marcação de reuniões, a exposições em feiras que várias foram levadas a cabo. 
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Durante 5 anos tive sucessos e criei largas amizades. Porém em 2002 o ICEP termina em Banguecoque. Quando recebi a comunicação da direcção do ICEP fui dar conta ao embaixador Tadeu Soares. Este quando lhe dou a notícia, encolheu os ombros como a a dizer-me: “se querem fechar que fechem, estou-me nas tintas para tal...” 
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Depois do seu  gesto digo-lhe sem ponta de receio: “senhor embaixador, foi fechada a secção Cultural, agora fecham o gabinete do ICEP é melhor fecharmos a loja e irmos para casa”. 
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Passado 20 anos de ter sido re-aberto o gabinete comercial do ICEP, o AICEP instalou-se, na embaixada de Portugal em Banguecoque. 
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Isto é à portuguesa cujo os homens que governam Portugal caminham a passos de caranguejo! Hoje, praticamente, Portugal não tem já nada para vender na Tailândia. Outros países da Europa e da Ásia tomaram-lhe o lugar....
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 Em Portugal, homens válidos como eu, não se aproveitam, colocam-nos fora da “carroça” desde que se reformem, quando poderiam fazer, como fizeram, mesmo depois de reformados. 
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É a tristeza de certos homens portugueses à frente de departamentos estatais portugueses no estrangeiros onde para eles não conta o valor dos outros, mas conta a embarrigadela do posto que lhes foi dado de bandeja sem de tal o merecerem.
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Seguem fotos de uma, das várias provas que levei a efeito dos vinhos da Aliança no luxuouso hotel Dusit Thani Hotel. 
José Martins