terça-feira, 5 de abril de 2016

HISTÓRIA DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA E O SENHOR CASTRO


Conheço o sr. Castro muito mal e vi-o umas três ou quatro vezes. O sr. Castro tem o meu número de telefone móvel e telefonou-me (mais ou menos) umas três ou quatro  vezes a pedir-me informações.
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Porém o sr. Castro quando me telefona estou sempre ocupado.... Uma vez guiava o meu carro numa estrada do nordeste da Tailândia quando o telefone toca a qual chamada não pude de pronto dar resposta.
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Mais à frente parei num desvio, liguei para o número registrado, sem fazer ideia de quem seria e do lado de lá respondeu-me o sr. Castro a pedir-me se eu conhecia na Tailândia produtores de açucar.
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Respondi-lhe que não dado que eu estou fora da actividade comercial e reformado e assunto arrumado. 
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Mais adiante o sr. Castro volta-me a telefonar e agora a perguntar-me sobre coisas e loisas da emigração para prolongar o tempo de estadia na Tailândia. Dei-lhe umas poucas dicas e que fosse saber disso ao Serviço de Emigração da Tailândia.
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A última vez que o sr. Castro me telefonou foi, precisamente, há dois dias, quando guiava na expressway, em Banguecoque e  me dirigia para um evento realizado pelo serviço Cultural da missão diplomática de Portugal na Tailândia.
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Aproveitando a paragem por uns minutos do engarrafamento, atendi a chamada e quem me ligava era o sr. Castro.
O diálogo:
- Sr. Martins sou o Castro!
- Você ainda está na Tailândia?
- Estou
-Olhe estão aqui uns senhores da RTP e queriam falar consigo.....
- Não pode vir à embaixada?
- Não porque vou para a inauguração do Cinema Português na Universidade de Chulalongkorn e se esses senhores querem falar comigo que vão lá... 
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Porém o sr. Castro tem dificuldade em entender Chulalongkorn e entregou o telefone a uma senhora, supostamente tailandesa, a quem expliquei o local e cerca de dois quilómetros de distância onde o sr. Castro me telefonava. Os senhores da RTP não apareceram e não liguei mais importância ao assunto...
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Durante o beberete, antes da exibição do primeiro filme “Os fados”, oferecido aos presentes pelo Embaixador Francisco Vaz Patto, ao acaso perguntei a uma funcionária da Embaixada sobre os senhores da RTP e a senhora confirmou-me que sim que tinham estado na embaixada e que iriam a Ayuthaya (onde os portugueses se instalaram em 1511 e viveram por 256 anos até à queda de Ayuthaya, segunda capital da Tailândia) em 1767 e que viria a dar lugar a Banguecoque a capital presente da Tailândia. A conversa entre mim e a senhora ficou por ali e não liguei mais ao assunto...
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Quando assistia à exibição do filme “Os fados” o meu telefone móvel tocou, desliguei-o imediatamente para não disturbar os presentes.
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Sai antes de finalizar o filme. Chegado a minha casa e no principio da noite telefonei para o número e do outro lado respondia o sr. Castro.
- O sr. telefonou-me?
- Sim era para me dizeres (!!!!!) onde era a fábrica de queques portugueses no bairro de Santa Cruz, porque estão aqui os senhores da RTP para (supostamente) registarem em imagens a fabriqueta que confeccionam, genuinamente, a especialidade portuguesa cuja receita foi deixada pelos portugueses há séculos.
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O sr. Castro diz-me já não ser necessário porque já se deu com a fabrica. O sr. Castro, na última chamada, até me tratava por tu, como um seu compincha dos copos há longo tempo.
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O mais estranho que me possa parecer foi como os senhores da RTP foram à Embaixada de Portugal em Banguecoque e depois (estranhamente) os senhores da RTP são assistidos pelo sr. Castro que percebe tanto dos locais onde os portugueses se fixaram assim como a história de uma presença de 505 anos, como eu de lagares de azeite!
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Gostaria de aqui referir que eu estou no mesmo barco (mesmo reformado) daqueles que oficialmente servem Portugal, na Tailândia e não levo um euro seja a quem for que me procura para lhes explicar ou servir de cicerone a história dos portugueses na Tailândia.
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Servi a RTP (de borla) para realizar 3 filmes, o primeiro com a Judite de Sousa em 1986 (30 anos) e mais um para a TDM (Macau).
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Tenho ajudado vários jornalistas e historiadores para fazerem seus trabalhos com consistência.
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Escrevi dezenas de peças e publicadas sobre os portugueses na Tailândia onde muita boa gente vai beber http://portugalnatailandia.blogspot.com  http://lusosucessos.blogspot.com
Há dois anos acompanhei, graciosamente, um casal português, pela internet, que me procurou que pode ser visto http://lusosucessos.blogspot.com/2014/12/portugal-na-tailandia-descobrir-historia.html

Por último: “não faço concorrência a ninguém vivo na Tailândia há 38 anos, uma vida ao serviço da diáspora que me orgulho de tal. Aos que procuram esconder-me só lhes desejo boa sorte por cá e que mergulhem no que tenho escrito, sobre a história de Portugal na Tailândia, porque certamente os ajudará muito no cumprimento de suas missões."
José Martins