sábado, 26 de março de 2016

"A MINHA SEXTA-FEIRA SANTA - (25.03.2016)

A cúpula da igreja de Santa Cruz em Sexta-Feira Santa
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Por muitos anos na Sexta-feira Santa peregrino ao Bairro Português de Santa Cruz, situado na margem direita do grande rio, Chao Prya, que divide a cidade de Banguecoque em duas partes.
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O bairro genuíno luso é uma parte da história de Portugal na Tailândia que já leva 505 anos. Depois da queda, em 1767, da segunda capitão do Reino do Sião Ayuthaya, a pouco mais de 90 quilómetros a montante do rio Chao Prya a vivência dos portugueses e luso-descendente estimada pelos historiadores de 3 mil almas, em Ayuthaya foi disturbada ao fim de cerca de 250 anos. 
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Ayuthaya, a cidade dos templos budistas forrados a folha de ouro, foi invadida, pilhada e destruída pelo exército do Reino do Pegú. 
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A comunidade lusa vivia numa larga parcela de terreno, oferecida pelo Rei da Tailândia, de mil metros de comprimento e 150 de largura. 
A comunidade lusa desalojada do Ban Portuguet (Aldeia dos Portugueses) Rei Thaksin o libertador, ordena que fosse trazida, em barcos para Banguecoque, doa-lhe uma parcela e madeira para construir casas e igreja para a prática do culto católico.
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A orígem do Bairro de Santa Cruz explicada pelo cônsul de Portugal Dr. Joaquim Campos.Documento pouco conhecido e parte dos meus arquivos pessoais. Seguem fotografias legendadas que dão conta da minha passagem, ontem.
Uma casa construída de madeira de teca (nunca consegui saber o nome do proprietário), abandonada há muitos anos e que deveria ter sido de gente grada. Construída, provavelmente, na década 50 do século XIX. Parte desta casa na corrente numa das muitas cheias do Rio Chao Prya.
 Aigumas moradias, junto à margem do rio, teimam vencer a lei do tempo. A madeira de teca é eterna quando mergulhada na água.
 O Forte de Banguecoque, nas proximidades do Bairro de Santa Cruz, português de raízes, onde operaram artilheiros portugueses com bocas de fogo grosso. Lembro mais uma vez que foram os portugueses que introduziram as armas de fogo na Tailândia e parte, histórica, importante na conservação da soberania do Reino da Tailãndia.
Francisco Chit foi o primeiro fotógrafo da Tailândia, em 1865. Francisco viria mais tarde a inspirar o António, luso descendete, nascido em Macau,desenhador ao serviço da corte siamesa que foi o fotógrafo, até hoje, mais famoso da Tailândia, em finais do século XIX e principio do século XX.
O estúdio, futugráfio, de Francisco Chit . Poderá observar-se a montante do rio Chao Prya as casas flutuantes.As comunicações em Banguecoque eram, na generalidade, fluviais.
Poderia, aqui explicar, pormenorizadamente, porque a fotografia volta popular na Tailândia pouco depois de meados do século 50. Ficará para outra altura. No entanto Rei Chulalongkorn foi um amador de fotografia e existem muitas e excelentes fotos obtidas pelo monarca.
Depois de caminhar ao longo da  margem direita do Rio Chao Prya entrei nas travessas estreitas do Bairro de Santa Cruz, estou na número 7 onde se confeccionam os queques portugueses e ali preparados de forma artesanal como o hajam sido em Ayuthaya séculos atrás. E para saber mais sobre esta especialidade cliqueAQUI
Duas jovens embalam a especialidade....
O seguidor de várias gerações da confecção da especialidade lusa Teepahorn Sudjinjune

Do lado oposto da fabriqueta de queques portugueses vou encontrar, acabado de construir e ainda não completamente ordenado está "Baan Kudichin Museu" (Casa Museu Kudichin). Quando vi esta nova construção, longe estaria que a nova construção, que os meus olhos acabavam de vislumbrar seria, para manter, no futuro, a memória e a história dos antepassados portugueses e luso-descendentes que ali se refugiaram depois de uma guerra.
Enquanto da travessa batia fotografias observei que dentro do pátio da casa museu havia duas jovens que pelo seu olhar me franqueavamm a entrada e pela porta principal entrei. No cartaz, acima, poder-se-á observar a arquictetura do edifício.
No pátio, ainda por catalogar havia, espalhadas pelo chão, utensílios, que serviram de utilidades domésticas inclusivavamente pedras/moinhos que serviram, manualmente para moer farinha de arroz.
Deparamos, ladrihhos a revestir o chão com desenhos semelhantes  à azulejaria portuguesa.
Em lugar especial e montra está destacada uma máquina de costura, antiga e uma caravela portuguesa.
A imagem de parte da casa museu
Um cartaz, colado numa parede a dar conta da velha vivência do Bairro de Santa Cruz, onde vemos o fotógrafo Francisco Chit, o fio de ovos (Foi Tong) e os queques.
Sem ainda não estar completamente ordenado já vê algo que dá conta que neste museu vai existir algo que vai lembrar a presença portuguesa naquele bairro.
Parte da família, proprietária do museu. Sem saber, ainda, a história de sua descendência, salta à minha vista que são luso descendentes. Da esquerda para direita: Chamaichat Phongthai, Navinee Phongthai, Wipanam Thantaranon e Thalwin Supsook.
Que maravilha!!!! A frente da entrada para a "Casa Museu Kudichin" é encabeçada de painel de azulejos com uma nau lusa!!!
E abandonar o museu luso bati a última fotografia. Conversei com a matriarca da família a senhora Navinee Phongthai, simpática e acolhedora que me convidou, noutra altura em visitar o museu mais minha mulher. Será então que descreverei, com mais profundidade, a raizes de sua família e reportagem em profundidade. Vou colaborar com o museu e oferecer peças antigas, minhas, da era de Ayuthaya e  mais outras coisas de interesse histórico. Estava a chegar a hora da cerimónia do Auto do Calvário no adro da Igreja de Santa Cruz e partiu com um adeus até breve.
Pelo caminho em direção ao adro dois homens de matracas na mão dão sinal que o Auto do Calvário está preste a começar...
Senhoras do bairro vão ornamentando o andor e cama de Jesus Cristo para ali ser deitado, entre flores Jasmim frescas depois de arreado da cruz.
Alguém por ali tira fotos, com seus móveis, à estátua de Maria mãe de Jesus Cristo
O adro da igreja com cadeiras para os católicos assistirem ao Auto do Calvário
Uma ruela do bairro. Pai e filha dirigem-se para o adro da igreja...
A preparação e maquilhagem da guarda pretoriana  
A saida da igreja do guião para a Via-Sacra
O fieis junto ao prior de Santa Cruz entoam cânticos
Mãos ao alto que seguram o lenho..... nos olhares das pessoas à manifestação de fé espontânea...
Os pretorianos tem a seus pés Maria Madalena
Os pretorianos de guarda a Maria e José
José da Aritmeia, piedosamente mais um outro samaritano no alto da cruz despregam os cravos das mãos de Jesus Cristo morto.
Um cenário que me faz gelar o coração...  Um quadro que representa a maldade e a bondade humana...
Jeus arreado da cruz....
Jesus Cristo nas mãos de seis samariatnos....
Jesus é levado para a cama/andor...
José, Maria e Maria Madalena seguem atrás do corpo de Jesus Cristo...
Depois de Jesus Cristo ser colocado na cama /andor vai dar uma volta À Igreja de Santa Cruz.
O prior de Santa Cruz preside à cerimónia..
Uma senhora idosa aguarda no alpendre da Igreja de Santa Cruz a chegada do cortejo...
O andor/cama do senhor entra na Igrela de Santa Cruz e terminou a cerimónia do Auto do Calvário de Sexta-Feira Santa.
O luso descendente mais velho do Bairro Português de Santa Cruz. Conheço-o há mais três décadas. È o neto do capitão Filipe que foi director do Porto de Banguecoque na década sessenta do século XIX.
O neto do capitão Filipe conserva uma religiosidade profunda...
Residentes do Bairro de Santa Cruz.....
Uma foto com uma freira da Igreja de Santa Cruz.

Texto e fotos de José Martins