domingo, 31 de janeiro de 2016

PORTUGAL NA TAILÂNDIA: "OS MORTOS TAMBÉM SE ABATEM"

A cerca de uns dois quilómetros, para o sul, de onde, praticamente, se iniciou a cidade de Banguecoque, pelos anos de 1782, existe um cemitério, protestante, onde a memória de gente que contribuíram para a formação da grande metrópole. que hoje é, Banguecoque a capital do Reino da Tailândia. 
Principio da década trinta do século XIX o barco a vapor veio revolucionar os transportes marítimos entre a Europa, Estados Unidos e o Reino do Sião que mercê das suas riquezas, em estado virgem, o Rio Chao Prya começa a ter um movimento desusado onde barcos de muitos países lançam as âncoras e os mercadores fazem as suas permutas. 
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Reis do Sião toda esta gente recebe acolhe-a  e inicia-se assim a modernização do Reino que viria atingir o auge meio século depois e no reinado do Rei Mongut, Rama IV a que lhe sucede o grande Rei Chulalongkorn, Rama V, o pai da Tailândia moderna, que visitou, por duas vezes a Europa inclusivamente, em outubro de 1897, Portugal
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 Fixam-se  no Reino do Sião, do ocidente, comerciantes, operários de várias especialidades, marinheiros, professores, missionários e Rei contrata especialistas em leis, para organizar o sistema da Justiça, Saúde, Comunicações, transportes ferroviários e terrestres. 
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O Reino do Sião voltou a terra de leite e mel, tanto para o ocidente como para a China. Sem de momento poder designar quantos residentes, estrangeiros, se instalaram no Reino do Sião entre a década 30 ao final do século XIX, foram de facto uns milhares. 
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Nesta altura as pessoas que viviam no Reino do Sião (aliás em toda a Ásia) tinham uma esperança de vida muito curta e podemos afirmar isso, quer pela investigação que fazemos nos arquivos antigos da embaixada de Portugal, como nas lápides encontradas em antigos cemitérios da cidade de Banguecoque. 
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Os diversos cemitérios de Banguecoque foram construídos na baixa, ainda pequena,citadina, conforme a religião das comunidades residentes. Ainda conheci, cemitérios. pequenos e de maior dimensão, uns cinco. 
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O destinado à religião católica era o maior situado na Silom Road e a uns trezentos metros do local onde se formou o centro comercial e a alavanca, do progresso, para um novo reino. 
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Não vou escrever sobre os outros, mas sobre o campo de repouso dos católicos, cuja a Igreja do Vaticano, profanou o sossego dos mortos e apagou o livro da história de gente, onde se inclui a portuguesa e luso descendente, que contribuiu para uma nova Tailândia.
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A Igreja do Vaticano profanou e destruiu os cemitérios dos campos portugueses: Senhora do Rosário e Santa Cruz. Felizmente salvou-se o do Campo da Imaculada Concepção que ficará, assim o cremos, para sempre.
 
Que eu tenha conhecimento ninguém piou a não ser eu que evitei que dois cônsules portugueses desaparecessem da história da embaixada de Portugal da Tailândia. 
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Os mortos também se abatem! Eles os mortos são parte da história de um Povo. Mas os vivos, que serão mortos, tarde ou cedo, esquecem-se da lei vida e o que se lhe depara pela frente para alimentar as suas ambições destroem: "cemitérios, fazem segundos funerais às ossadas (sem pompa ou acompanhamento) encaixotando-os em pequenos "caixõezinhos" de zinco e zarpam para outras paragens". 
José Martins
A painel que indica o cemitério protestante na rua Chalermkrung
O cemitério protestante de Banguecoque. Ao fundo e na margem esquerda do rio Chao Prya erguem-se enormes torres, residenciais, as quais dão nota do progresso de uma capital que não pára de crescer.
Uma personalidade, ao serviço do Rei do Siam ao qual Sua Majestade mandou erigir, em memória, este monumento. Faleceu cedo com 48 anos
Alberto Jucker, marido da luso-descendente Paula Cruz, um enorme homem, morre de cólera aos 41 anos. Para saber da história Paula Cruz cliqueAQUI
Túmulos centenários alguns com mais de 150 anos. Neste campo de repouso está a história e formação da moderna capital da Tailândia, com apenas 234 anos.
Capitão da marinha, dinamarquês, que faleceu com apenas 31 anos. Na imagem acima verifica-se a decoração, fúnebre, de  4 pequenas peças de fogo.
 Túmulo erigido a uma criança com apenas dois anos de vida e aqui sepultada há 125 anos.
 Morreu no mar com 49 anos...
 O cemitério, católico, da Silom Road em 1988 e hoje desaparecido
No dia de Todos-os-Santos a população católica em homenagem a seus mortos, no cemitério católico da Silom Road
 Um prior e o ajudante com a caldeirinha de água benta para a bênção dos mortos. 
  Flores e adoração dos familiares aos seus sepultados no cemitério da Silom Road.
 Mausoléu do cônsul português, Luis Leopoldo Flores.
  Um proeminente português em Banguecoque, Cônsul de Portugal, médico e historiador.
Mausoléu da ilustre família, portuguesa, Xavier em Banguecoque. Um membro Celestino Xavier serviu como diplomata e ministro a Corte do Rei Chulalongkorn.
 Cenas "macabras" de fazer arripiar. Um filme real de terror
Isto foi obra do Espirito Santo da Santa Madre Igreja Católica!!!
 Um automóvel estaciona entre os caixões escaqueirados e túmulos abertos
 Nem depois de mortos lhe deram a paz...Terrível!
Os grandes martelos partem, impiedosamente os túmulos.... 
 E tudo foi destruído e profanado....
 A família de Elmínio Sequeira. Elmínio foi uma figura importante no Reino do Sião.
Portuguesa, da família macaense Colaço, nascida em 1874 e residente em Banguecoque.
 Uma cruz que já não é cruz nenhuma
 Familiar de um defundo coloca orquídeas frescas no seu túmulo.
Levei o embaixador Lima Pimentel para ver o "massacre" dos mortos. Só restavam dois mausoléus para destruir. Graças ao meu alarido os restos mortais dos cônsules de Portugal, tiveram um destino com alguma dignidade . mas que duvido até quando...
 Eu com as ossadas de dois cônsules portugueses, depois de exumadas as ossadas foram transferidas para novo mausoléu