domingo, 8 de fevereiro de 2015

PORTUGAL NA TAILÂNDIA: "A DECADÊNCIA DE UMA EMBAIXADA"


Portugal, historicamente, foi o primeira nação do Ocidente a travar relações diplomáticas com a Tailândia. 
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Um Rei da Tailândia doou a Portugal em 1820 uma larga parcela de terreno para instalar Feitoria. Portugal tem assim, instalada no mesmo local, a sua representação diplomática há precisamente 195 anos. 
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Seria longa a história se aqui a fosse escrever porque em quase 200 anos aconteceram muitas coisas e muitos representantes de Portugal foram acreditados e instalados na que é hoje, Embaixada de Portugal. 
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Se uns tentaram fazer algo de proveitoso para o país que representaram, outros usaram a embaixada, como uma estância de férias. 
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Foram assim, no meu parecer  floreiras com  rosas malcheirosas. Não falo ao acaso, porque sobre a embaixada de Portugal na Tailândia tenho perfeito conhecimento, porque além de 24 anos, dentro dela a prestar serviço, entrei na chancelaria (ainda na residência dos chefes de missão) em 1977. 
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38 anos uma meia vida. Parte dos embaixadores ocuparam-se a cozinhar recortes de jornais, enviar a "mistela", literária, para a CIFRA do Palácio das Necessidades, beber uns copos e comer uns petiscos nas recepções para as quais hajam sido convidados. 
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Ora um embaixador enviado de Portugal e acreditado num país (embora beba uns copos) é para promover o comércio, a cultura e a língua portuguesa e isto pouco aconteceu. 
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Viver à sombra da vaidade do estatuto, dedicar-se à vida de não fazer "porra nenhuma" e esperar que lhe chegue o cheque farfalhudo pela Mala Diplomática, não dá mesmo.
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Em 1997, Portugal dentro das estatística dos exportadores de vinho na Tailândia (embora com alguma modéstia) estava classificado em sétimo lugar. 
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Além de vinho, também se vendiam transformadores eléctricos da EFACEC, pasta de papel, cortiça (felizmente continua a vender-se) e outras miudezas. A embaixada de Portugal tinha actividade e frequentemente vinham representantes de empresas portuguesa a Banguecoque oferecer suas mercadorias.
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Várias vezes estivemos representados em feiras internacionais. (Banguecoque tem 3 megas espaços para exposições), cujo pavilhão (no meu tempo e representante do ex-ICEP) era oferecido à embaixada. 
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Actualmente a embaixada de Portugal em Banguecoque é uma casa morta sem actividade que valha. O chefe de missão em vez das atribuições que lhe são devidas dedica-se, por sua conta e risco, à profissão de "mestre de obras", gastando balúrdios a estragar o que estava bem feito.
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O Palácio das Necessidades, impávido e sereno, vai deixando deteriorar a chancelaria, escavacar a residência (a última vez que lá estive há cerca de um ano despida de móveis, que não sei para onde foram, se em algum contentor de um chefe de missão ou para o lixo), uma casa, sino-portuguesa, secular e única em todo o território Nacional que se manda para as urtigas o seu natural estilo. 
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A Embaixada de Portugal, tem rendimento, que outra missão portuguesa não tem, e recebeu (nos meus cálculos) mais de 2 milhões de euros desde o principio em que foi arrendada (1982)  a parcela à empresa proprietária de um hotel de cinco estrelas, cujo o avultado montante (à parte de umas compensações ao ordenado do pessoal), não se sabe que destino haja levado.
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Seguem, em baixo, cópias em provam como se trabalhava e o comércio de vinhos entre Portugal e a Tailândia.
Voltaremos, em tempo, ao assunto.
José Martins