quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PORTUGAL NA TAILÂNDIA – DESCOBRIR A HISTÓRIA



A fabulosa história do relacionamento de Portugal na Tailândia, está em crise cuja esta vem desde os anos de 1988 e de quando  o falecido embaixador José Eduardo de Melo Gouveia deixou Banguecoque, depois de 7 anos, como embaixador de Portugal acreditado neste reino.
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Depois do diplomata ter partido para o Japão, praticamente, a história lusa na Tailândia cai no rol do esquecimento. Digo fabulosa porque a Tailândia foi o primeiro país da Ásia e do Oriente com quem Portugal firmou o primeiro Tratado de Amizade Comércio e Navegação, em 1516 e há 498 anos. 
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Mais ainda a Tailândia e seus Governos sucessivos, sempre hajam possuído um carinho muito especial por Portugal. Ainda há 3 anos e de quando as celebrações dos 500 anos da chegada dos portugueses à velha capital Ayuthaya, as celebrações, tiveram brilho e este se deve, a maior parte, ao Governo da Tailândia que orçamentou uma razoável verba para o efeito. 
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Eu da escola do embaixador Melo Gouveia, ficou em mim, depois de partir para o Japão o entusiasmo de continuar a divulgar, por carolice, a sua obra e peregrinar pela Tailândia onde há vestígios históricos da passagem dos portugueses.
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Algumas vezes entro no desânimo, porque tenho sido pregador do deserto onde ninguem me ouve. A história entre países e uma componente cultural que produz frutos, entre os quais o relacionamento político e comercial. 
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Mas deixando, para outra altura, as lamuriações e o desinteresse pelos que têm representado, diplomaticamente, Portugal na Tailândia, vou contar um facto raro, passado final do mês de Outubro, último, de um casal, português que se deslocou, propositamente de Portugal à Tailândia e no rasto da história lusa no antigo Reino do Sião.


Junto ao mausoléu da da proeminente família portuguesa Luis Xavier (séculos XIX e XX) no cemitério de Nakon Pathon e a 4o quilómetros do centro da capital tailandesa.
Junto ao túmulo do Cônsul de Portugal, Dr. Joaquim Campos, médico e historiador que faleceu, em Banguecoque, durante o exercio de suas funções em 13 de Maio de 1945.
O casal Borges Palma, junto ao espaço onde repousam os restos mortais de portugueses e lusos descendentes, no cemitério de Nakon Pathon, que depois das ossadas serem exumadas pela Igreja do Vaticano, do cemitério centenário da Silom Road, para a comunidade estrangeira, foram para ali transferidas. Hoje no local histórico, profanado, está a ser construído uma  torre, de grande proporção, habitacional.
José Borges Palma (a esposa por motivos de saúde não acompanhou o marido, resto do dia), na frente da Igreja Portuguesa da Imaculada Conceição no bairro do mesmo nome, em Banguecoque, fundada na década sessenta do século XVII.
O majestoso Rio Chao Prya (que divide a cidade de Banguecoque em duas partes) na sua passagem, em direcção ao Golfo do Sião, junto ao Bairro da Imaculada Conceição.
Borges Palma junto a uma estátua, celebridade religiosa, frente da Igreja Imaculada da Conceição
A Casa do Senhor, Igreja da Imaculada Conceição,fechada a cadeado, não foi possível a Borges Palma visitar o interior.
A primeira igreja, construída pelos portuguesa, do Bairro da Imaculada da Conceição. Hoje museu expões peças e paramentos religiosos.
No interior do museu (na ocasião em obras)
Peças religiosas expostas no museu do Bairro da Imaculada Conceição.
Um painel indica, a leitura histórica da Igreja e do Bairro da Imaculada Conceção.
Uma gruta, no adro da Igreja da Imaculada Conceição, com a imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Casas, seculares, erguidas em estacas de árvores de teca na margem esquerda do rio Chao Prya, junto ao bairro da IMaculada Conceição.
Borges Palma no ancoradouro do bairro.


Borges Palma sentado, à sombra, no ancoradouro do bairro
Na Tailândia em qualquer canto ou espaço há uma papaeira plantada que produz saboroso fruto com  propriedades medicinais. Frutos que não dispensamos, todas as nossas ceias.
Borges Palma desce do ancoradouro, onde recebeu ar fresco vindo da corrente do rio Chao Prya e caminha em direcção ao bairro. Por muitos anos este ancoradouro foi o meio de comunicação entre outras partes de Banguecoque.
Agora Borges Palma numa viela estreitinha do bairro
Atrás de Borges Palma está o cemitério do Bairro da Imaculada Conceição onde repousa gente portuguesa e luso descendenete.
Na margem direita do Rio Chao Prya e junto a uma casa, centenária, de madeira de teca que pertenceu a uma família, grada, portuguesa do bairro da Igreja de Santa Cruz.
Um painel sinaliza o bairro e Igreja de Santa Cruz. Bairo fundado no ano de 1767, onde se estabeleceu a comunidade portuguesa e luso descendente depois da queda da segunda capital Ayuthaya no principio do mês de Abril de 1767.
O forte português, a poucos metros do bairro de Santa Cruz, construído em meados do século XVII. Ali estiveram, estacionados, artilheiros portugueses, antes da queda de Ayuthaya. Segundo uma carta do comandante, siamês, a Constantino Falcão (década sessenta século XVII), em Ayuthaya, referia-se que os soldados portugueses eram excelenrtes e só lhe apontava uma falta: "quando recebiam o pré o gastavam de imediato...."
Casas na margem do rio Chao Prya que teimam vencer séculos e às cheias do grande caudal.
Borges Palma de costas voltadas para o forte português
Panorâmica do forte, casas velhinhas na margem e mais atrás as sutupas do Templo Wat Arun
Uma imagem bonita, apesar da altura não ser própria para a imagem. A luz brilhante não o permitia..
Borges Palma no ancoradouro do bairro de Santa Cruz. Como pano de fundo o adro e a igreja
No bairro de Santa Cruz, a paragem obrigatória da fabriqueta de queques português, que através de várias gerações e da mesma família se confeccionam.
A frente da fabriqueta e a recordação da passagem, pelo bairro de Borges Palma.
Borges Palma com um saquinho, plástico, com queques portugueses tendo ao fundo  igreja de Santa Cruz
Borge Palma junto À gruta da Nossa Senhora de Fátima, erigida no adro da Igreja de Santa Cruz.
O casal Maria e José Borges Palma, viajaram à velha capital do Sião, Ayuthaya (100 quilómetros a norte de Banguecoque) onde estiveram hospedados, uns dias e foram conhecer o Ban Portuguet (Aldeia dos Portugueses) um largo pedaço de terra doado pelo rei da Tailândia, pouco depois da chegada dos portugueses a Ayuthaya, em 1511. Ali viveu e morreu uma comunidade lusa por 256 anos. Deixo aqui, mais uma vez, que os portugueses muito hajam contribuído para o desenvolvimento do Sião a partir do século XVI. Portugal assinou o mais antigo tratado, entre as nações da Ásia, com o Sião em 1516.
Uma imagem obtida do Ban Portuget, da margem direita para a margem esquerda do Chao Prya.
Maria Laura Borge Palma no museu da Paróquia de S.Domingos, no Ban Portuguet e a primeira igreja construída pelos missionários dominicanos.
Jose Borges Palma nas ruinas escavadas na Paróquia de S. Domingos em Ayuthaya.
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Fotos de José Martins e Borges Palma