terça-feira, 10 de junho de 2014

MARIA DE PINA GUIOMAR

Thursday, January 18, 2007



Maria de Guiomar foi uma nobre senhora, lusa-descendente, nascida em Aiutaá. A história de Maria Guiomar é apaixonante e desconhecida dos portugueses. 
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Nasceu na velha capital, Aiutaá, do Reino do Sião em meados do século XVII.  Descendente de uma mistura de sangue de cristãos, perseguidos, japoneses e de português .
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Francisco Xavier, em 1549 chega ao Japão e apesar de ter alcançado sucesso e tolerado, pelo Imperador Toyotomi Hideyoshi, na cristianização de japonses; ter construído a primeira igreja no Japão, o mesmo Imperador, em 1587, decretou a expulsão dos que a tinham professado e com isto surgem as perseguições de muitas centenas de fieis convertidos, aos princípios da fé católica e sujeitaram-se a massacres.

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Os seguidores de Xavier, uns principiam a viver na clandestinidade; continuando a praticar o culto; outros debandam do Japão para países da Ásia onde a semente do Apóstulo das Índias já tinha germinado e criado,algumas, raízes.

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Não se conhece a data exacta de quando Maria de Guiomar nasceu, mas tudo leva a crer que teria sido depois de meados do (séc. XVII) no Campo Japonês, conhecido por "Yammada" situado do lado oposto do "Ban Portuguete", junto à margem do rio Chao Praiá, em Aiutaá.

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As memórias do P. Bèze, missionário das Missões Estrangeiras de Paris (permaneceu no Sião de Outubro de 1687 a 1688) editadas num livro "1688 Revolution in Sião", com notas do historiador E.W. Hutchinson, informa que Maria de Guiomar era neta de Inês Martinz. 

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A velha senhora sentia-se orgulhosa por ser neta de avós que tinham sido os primeiros cristãos baptizados por Francisco Xavier.  Inês e o marido para salvarem suas vidas fugiram do Japão para Cochin China e ali o casal, ainda muito jovem, experimentou uma situação de extrema pobreza. 

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Recebem a ajuda de outros cristãos, japoneses, perseguidos. Em Cochin China foram estabelecendo relações com mercadores, embarcados para o Sião com carregamentos de produtos japoneses cujo o maior quinhão da carga era a prata que vendiam à "Companhia das Índias", holandesa e estabelecida com uma feitoria um pouco a montante do Rio Chao Praiá, do campo japonês. 

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Essa ligação fez com que o casal Martinz se viesse a fixar no Sião e acolhido pela comunidade de foragidos japoneses. Um dos filhos de Inês casou com uma jovem de nome Ursula Yamada. A primeira filha do casal foi Maria de Guiomar (segundo os relatos do P. Bèze a Inês Martinz, velha senhora, ainda vivia na altura que permaneceu no Sião). 

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Maria Guiomar além do baptismo celebrado na Igreja de S. Domingos é nesta paróquia (situada em frente do Campo Japonês) que vai crescer sob os preconceitos da fé católica e sob a educação religiosa e escolar ministrada pelos missionários do "Padroado Português do Oriente". 

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Teve como tutor o Mestre Phanik que também se aventa, a hipótese, de ter sido seu padrasto. Entendem-se com isto que o pai de Maria Guiomar morreu jovem e comum naquela época a esperança de vida ser limitada, em certas pessoas não ia além dos quarenta anos.

No "Ban Portuguete" já se encontravam instaladas três paróquias do "Padroado Português do Oriente", instituição religiosa, independente, sob a jurisdição de Lisboa e nunca subjugada ao Vaticano: a dos dominicanos, dos franciscanos e a dos jesuítas. Os missionários do Padroado são clérigos altamente formados para ministrarem a educação e as artes. 
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Os jesuítas, uma congregação religiosa de elite, possui engenheiros, astrólogos, médicos, filólogos e a capacidade de aprenderem, facilmente, as línguas dos povos onde se instalavam para arrebanhar almas e cristianiza-las. Maria tem uma educação esmerada e não lhe é descurada a sua inteligência. 
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Uma jovem na idade de casar mas nem todos os pretendentes à sua mão estão em condições de a obter quer no campo japonês (designado até aos dias de hoje) "Yamada" ou no "Ban Portuguete". Os missionários não a desejam solteira ou freira, mas que constituísse família e filhos que ela gerasse viriam aumentar a população cristã em Aiutaá.
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Mas Maria de Guiomar tem um destino marcado de sofrimento! Artimanhas políticas esperam-na e que lhe irão dilacerar-lhe a alma, durante sua vida conjugal. Espera-a as intrigas, a viuvez, a humilhação; à tentação do aliciamento sexual a que ela se impôs aos intentos de quem lhe desejou o seu corpo. Luis XIV, Rei de França ambiciona colonizar o Sião. 
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Na óptica do "Rei Sol" o seu objectivo seria suster o expansionismo dos holandeses, já a comercializar no Sião e nas Índia Orientais (Indonésia) e a dos ingleses já largamente infiltrados na Índia e Sudeste Asiático.  A melhor forma de vir obter as suas pretensões seria o de usar os missionários da "Missões Estrangeiras de Paris".  Luis XIV estava bem informado que os missionários do "Padroado Português do Oriente" já se encontravam no Sião havia cerca de 150 anos. 
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Não desconhecia, igualmente, que o Rei do Sião tolerava a assimilação (entre a religião budista), de outras de diferentes ideologias e credos no reino.
Portugal tinha saído do jugo dos Filipes de Castela em 1640 e durante o domínio castelhano, de sessenta anos, a simpatia e o apoio dos Papas, por séculos conferido ao clero português, foi-lhes retirado. 
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Em cinco dezenas de anos de reinados filipinos não ordenou, sequer, um que fosse Bispo, luso. Entende-se que a autoridade, hierárquica, máxima do Vaticano, simpatizava e suportava a ocupação de Portugal e que o Padroado estivesse subjugado a Castela. Tal coisa nunca viria acontecer até porque o patriotismo dos missionários do Padroado, fosse ou não de origem lusa ou estrangeira jamais se subjugariam ao Vaticano ou a Castela. 
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Em 1660 o Bispo de Berythus, Lambert de La Motte, parte de Paris, via Marselha e Mergui, ao sul do Golfo de Bengala, navega pelo rio Tenasserim, por terra, no dorso de elefante, atinge o Golfo da Tailândia, de "junco" até à embocadura do rio Chao Praiá e atinge Aiutaá em 1662. Rota já usada, muito antes, pelos mercadores árabes e indianos que encurtava a distância três vezes se o caminho, marítimo, se fosse usado de Mergui passando o Estreito de Malaca, Singapura e tomando a navegação do Golfo da Tailândia até à foz do Chao Praiá e depois até Aiutaá.

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Percurso que chegava a demorar seis meses, enquanto que partindo de Mergui usando o caminho por água e terra, demorava cerca de 30 a 45 dias.A viagem de Lambert de La Motte, de França ao Sião, tem como objectivo de explorar o terreno. 
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Do Papa Alexandre VII é portador de uma bula que deveria apresentar aos missionários do Padroado que a jurisdição da igreja católica em Aiutaá, que antes lhes pertencia, passaria para as Missões de Paris. 
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Entretanto Lambert de La Motte recebeu guarida na residência dos missionários portugueses e ignoraram a credencial, que trazia assinada por Alexandre VII, que lhes retirava os privilégios dentro de um espaço que já lhes tinha sido doado há 146 anos pelo Rei Tibodi II do Sião. 

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Até ali nunca houvera intrusões de outras religiões ocidentais a não ser a muçulmana que já estava instalava em Aiutaá de quando os portugueses ali se estabeleceram e na comunidade malaia e na proximidade do Ban Portuguete. Começou, a partir de então a guerra fria e longa entre o Padroado e a Propaganda de Paris a tratar, em tempo, neste blogue. Reinava no Sião o Rei Narai o Grande. O espírito do monarca era estender o comércio do Reino aos mercados internacionais.
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Os holandeses, antes da fixação dos franceses no Sião, já dominavam grande quinhão do comércio em Aiutaá como intermediários os seus agentes muçulmanos.
Os ingleses, também ligados aos muçulmanos utilizavam o porto de Mergui, sob a soberania do Rei do Sião, no Mar de Andaman, cuja mercadoria mais relevante era o transporte de elefantes que seriam vendidos na Índia.
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O comércio entre Portugal e o Sião encontrava-se estagnado, limitava-se a umas poucas mercadorias de e para Goa e Macao. O domínio de Castela provocou feridas profundas no comércio português na Ásia. São perdidas, parte, das naus da carreira da Índia e os portugueses residentes na Ásia caiem no marasmo.
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Malaca um empório e a praça mais importante da Ásia e extremo-oriente, conquistada por Afonso de Albuquerque, em 1511, foi de primordial importância para Portugal dominar a totalidade da mercancia, do oriente e fica senhor do mercado das especiarias, sedas, pedraria, madeiras exóticas e o mais que por lá se vendia.
Os mercados, tradicionais, seculares italianos de Piza, Génova e Veneza perdem a identidade como os principais na transacção dos produtos do oriente. 
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A descoberta do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama em 1498, a mercancia da Ásia deixa de seguir por mar, terra e provoca, inclusivamente, a caída da "Rota da Seda", pelo império Otoman, para os mercados, marítimos, italianos. A margen do Tejo, em Lisboa, passa a ser um centro comercial e onde os países, agora, se vão abastecer de mercadoria chegada da Ásia.

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Chegam à capital do reino, comerciantes, enviados especiais das monarquias europeias que são nem mais nem menos que espiões para obterem as mais possíveis informações em cima de rotas marítimas, navegadas pelos portugueses e comprarem, através de métodos corruptivos, "cartas" dos oceanos que as embarcações lusas já sulcavam havia dezenas de anos.

Os holandeses expandem-se pela Ásia e o primeiro país europeu que cobiça Malaca e Macau. Mas, antes, igualmente, como os ingleses pirateavam as naus portuguesas e massacravam os passageiros e as tripulações no mar alto. A Holanda em 1602-1603 bloqueou pelo mar a navegação das embarcações portuguesas. 
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Em 1606 Johore (território malaio) assina um tratado de aliança com os holandeses cujo objectivo deste é o de desalojar os portugueses de Malaca. O Governador de Malaca pede reforços a Goa e a tomada foi abortada. Finalmente e depois de uma terrível batalha, com baixas nos portugueses, malaios e na parte dos holandeses 1500 homens.
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Portugal perde a soberania de Malaca a favor dos holandeses no mês de Junho de 1640. Portugal ainda estava sob o domínio de Castela e só se libertaria em 1 de Dezembro do mesmo ano. Os ingleses até à caída de Malaca não tinham tido confrontações com os portugueses, além de lhe piratearem as naus. Os nossos aliados, britânicos, foram famosos na piratagem das naus portuguesas. 
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Os missionários de Luis XIV abancam em Aiutaá e embora com ligação, fictícia, aos missionários do "Padroado Português do Oriente", cujo estes não os reconhecem como senhores, em Aiutaá, da jurisdição católica, estabelecida pelos portugueses; vão-se movimentando, na rectaguarda, para que o Sião seja colonizado pelo Rei de França. Um dos processos utilizados seria o aliciamento com a oferta de bens totalmente desconhecidos no Sião. 
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Os missionários da Propaganda aproximan-se da corte, penetram no palácio do Rei Narai e nos seus objectivos seria o de cristianizar o monarca. Absolutamente impossível num país onde a religião budista era a dominante. Não há senso para pensar que o Rei era o símbolo do Povo siamês e a religião budista a força do Povo que põe e dispõe de Reis! Rei Narai, nas estação das chuvas transferia a sua corte de Aiutaá para Lopburi . 
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A razão da mudança aponta-se pelo facto da debilidade de sua saúde e optava por viver (a sessenta quilómetros) numa cidade cercada pelo lado do norte por altas montanhas, de clima mais fresco e de ar é menos carregado. Surge na cena política Constantino Falcão, de nacionalidade grega e nascido na ilha de Cefalónia em 1647. De muito novo emigrou para a Inglaterra e emprega-se, como moço de cabine, nos barcos da "British East Índia Company". Constantino Falcão um jovem que possuia uma inteligência rara e uma enorme ambição. 
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As várias viagens efectuadas ao longo das costas mediterrânicas, atlântico, índico e índias orientais trouxeram-lhe experiência e faz dele um exímio mercador e homem dos mares. Os portos comerciais de toda a Ásia e Oriente já não escondem segredos para o Falcão, sejam estes do Golfo da Tailândia, do mar de Andaman, Golfo de Bengala ou estreito de Malaca. Aos 31 anos desliga-se da "Bristish East Indias Company", em Bantam e por sua conta vai tentar a sua sorte.
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Em Aiutaá encontra-se com o seu amigo Mestre Quits, gerente da "British East Indias Company", ali estabelecida e ajuda-o na aquisição de um modesto navio e um carregamento, a crédito, de mercadoria para vender em Achen (Sumatra). Fez mais quatro viagens e todas reverteram num sucesso comercial. Teve porém a infelicidade de naufragar o seu barco à entrada do Estreito de Malaca. Perdeu tudo e dentro dele ficou, viva, a esperança que os seus amigos o ajudariam a reconstruir nova vida. 
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Mais uma vez o Falcão está junto ao seu amigo Mestre Quits e sua tábua se salvação. Quits recebeu um carregamento de tecidos da Inglaterra para serem vendidos no Sião. Não viria a ter mercado e entrega a mercadoria ao Falcão, à consignação e que procurasse vendê-la e guardasse para ele os lucros.
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Alugou um junco chinês (as embarcações, dado ao tipo de calado largo, que navegavam desde a foz do rio Chao Praiá ao porto de Pom Phet em Aiutaá) e navega até ao Japão e vende os panos, com lucros que lhe permite comprar um novo barco com maior lastro que o primeiro que tinha comprado. Volta,novamente, a naufragar e Constantino Falcão está, mais uma vez, na estaca zero.
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Mestre Quits vem em salvação de Constantino Falcão e oferece-lhe mil corôas, cujo montante, utilizaria como presente ao "Barcalão" Ministro do Tesouro e das Finanças da corte. Mercê da atitude o "Barcalão" pergunta a Falcão que favor desejaria em retorno.
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O Falcão responde-lhe: "Sua influência, junto do Rei para que servisse a Corte do Sião". Apresentado, em audiência, ao Rei Narai desde logo grangeou a simpatia de Sua Majestade e uma nova vida pela sua frente.
Pouco depois o "Barcalão" morre e o Rei Narai oferece-lhe para ocupar as funções deixadas pelo seu Ministro do Tesouro e das Finanças. Recusou-as e diz ao rei: "Não poder aceitar dado que isso iria criar ciúmes entre os seus súbditos" Os negócios do reino do Sião, sob o monopólio da corte não seguiam pelo melhor. 
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Estes entregues a agentes muçulmanos e o Rei queixava-se da pouca transparência e desonestidades. Foi então que o Rei Narai lhe entrega a gerência dos negócios com o exterior como também o homem de ligação entre as delegaçãoes diplomáticas, estrangeiras, se deslocavam ao Sião.
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Constantino Falcão em 1683 O Rei Narai concede-lhe o título honorífico de " Cha Prya Vichaen" mérito raro concedido a um estrangeiro no Sião.
A experiência de Falcão, as várias línguas em que se exprimia é o braço direito do Rei Narai. Falcão não procura riqueza mas a ambição de servir no seu melhor o Reino do Sião. Fortuna já a tinha conseguido por diversas vezes e todas lhe fugiram. Deixou de trajar à europeia e veste o robe dos nobres do Sião.
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O homem que deseja servir o seu Rei no melhor das suas capacidades.
O Rei Narai, visionário, já sonha fazer do seu reino uma monarquia ligada comercialmente e diplomaticamente a paises do ocidente. Só mais tarde e já na era de Banguecoque o Rei Mongkut e seguido pelo seu herdeiro o Rei Chulalongkorn seguem a linha de pensamento do Rei Narai.
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Constantino Falcão não se apercebe que no curto espaço em que esteve à frente dos negócios do Reino iria enfrentar os revezes motivados pela inveja, dos oponentes do Rei Narai, da hierarquia budista; a intriga, por detrás de si se ia construindo; o aliciamento dos franceses que disputavam não só, desejariam, colonizar o Sião como monopolizar o comércio. Para completar as pretensões dos franceses haveria a necessidade de casar Constantino Falcão com uma jovem de raízes católicas e a escolhida seria Maria Guiomar. 
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Para tal serão os missionários franceses que se irão encarregar do matrimónio com a mullher certa. Falcão solteiro, embora de amores com uma siamesa, aia da Princesa Yôtatep, filha única do Rei Narai e cujo esta lha teria apresentado com a finalidade de estar mais ligado à Corte. 
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Da relação amorosa, encoberta, nasceu uma filha. O "caso" é conhecido e o Falcão para o encobrir enviou a rapariga para Pitsanulok (norte da Tailândia) e recomenda ao Governador, por carta, que não a autorizasse a deslocar-se para o Sul. Necessitava a todo o custo e preço encobrir esse amor platónico. Maria Guiomar uma jovem de 17 anos, casa com o Falcão. 
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Este coloca de lado a religião protestante e abraça a católica e segue os preconceitos com todo o fervor e religiosidade da Santa Madre Igreja. Os clérigos, diplomatas, engenheiros e arquitectos adoram-no. O Rei Narai admira-o. Nas audiências informava o monarca das potencialidades do Sião e que seria a maior e poderosa monarquia do Sudeste Asiático.
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Os franceses confiam no Falcão e precisam dele e da sua influência junto ao Rei Narai. Arquitectos franceses desenharam um palácio em Lopburi que viria a ser construído dentro do desígnio e da opulência francesa. Ao lado desde mesmo palácio é construída a residência dos embaixadores de França. Estavam assim, mais próximos do Falcão. 
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Naquela residência palacial Maria de Guiomar (segundo os relatos de Samuel White que viveu naquela época no Sião), era uma mulher, jovem, bonita de 22 anos de idade, de sangue japonês ou em parte. Tem uma vida magnificiente. 
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Anexa à residência há uma capela privada, facetada de mármores, altar dourado e decorada, interiormente com figura bíblicas, pintadas por artistas japoneses (nota do autor: possivelmente pintores, católicos que tinham nascidos no Campo Yamada em Aiutaá). Dentro dos muros do palácio há uma caserna onde se acolhem 20 guardas europeus que faziam a guarda a Constantino Falcão quando saía em funções governamentais. 
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Um secretário inglês o Sr. Basphol, diligentemente lhe agenda os encontros durante o dia; os jantares; as audiências e lhe coloca em cima de sua mesa de trabalho, ordenadamente, a correspondência. Na sala de jantar do palácio, seguida da sala de recepções, onde os convidados eram recebidos e tomavam um aperitivo antes das refeições, todas as noites. 
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Quarenta cadeiras e outros tantos talheres aguardavam as personalidades, estrangeiras para o repasto. Durante um ano o dispêndio de vinho, para a garrafeira do palácio importava em cerca de 14.000 corôas.
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Constantino Falcão concede audiências, iguais às oferecidas pelos Reis (excepto para os nobres da Embaixada de França), enquanto o Rei Narai se queda um monarca velho e a doença que o aflige a hidropisia. O Falcão (na opinão de Samuel White) volta em ditador! O mandarinato suspeita das acções de Constantino Falcão e movimenta-se no escuro. 
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Falcão está absolutamente ao lado e manipulado pelos franceses, acervo de poder autoriza a posição de tropas da legião francesa, sob o comando do General Desfargues (considerado um militar incompetente), em Banguecoque, a uns 20 quilómetros da foz do Rio Chao Praiá e em Mergui, na costa do Mar de Andaman e dois pontos vitais e estragégicos do Sião para o controlo das navegações até Aiutaá. Esta é a última provocação de Constantino Falcão que vai ferir o patriotismos dos siameses. O General Desfargues não está à altura ou capacidade de comandar as tropas da legião em 1688.
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O mandarinato nunca tinha visto com bons olhos Constantino Falcão e avanço dos franceses no Sião. Os nobres e os mandarins necessitavam de um homem, energético que repelisse esse avanço e eliminar o poder a Falcão. Surge então o homem que faria frente aos franceses e retirar a influência de Constantino Falcão na corte do Rei Narai. 
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A pessoa indicada é o General Phetracha, nasceu em 1632, em Suphamburi, província de largas tradições guerreiras onde a memória dos feitos do Rei Narusuem continuavam bem viva ao "escurraçar" as tropas do Reino de Pegú e de uma monarquia fragmentada num estado centralizado. O militar, segundo la Loubere seria primo do Rei Narai e sua mão teria sido ama de leite do monarca. 
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Começou a sua carreira militar, em Aiutaá, como o chefe principal da divisão, militar, principal, dos elefantes, animais e bestas de guerra que enfrentam o inimigo nos campos de batalha. Phetracha, durante as longas ausências do Rei Narai, em Lopburi, fica como o representante do Rei em Aiutaá e o centro comercial mais importante do Sião.
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Talvez influenciado pelo mandarinato e as pessoas mais ligadas ao General e embora o comércio internacional fosse uma realidade; os barcos atracassem no porto de Pom Phet a comunidade estrangeira não era olhada com simpatia. 
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Os franceses eram os que mais o incomodavam, dado que já tinham penetrado no palácio do Rei Narai, graças à influência de Constantino Falcão. O boato que o Rei tinham optado pelo cristianismo corre de boca-em-boca entre os siameses e chega ao patriarcado da religião budista que por séculos tinha sido a religião dos siameses.
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Os jesuitas, franceses, estão dentro do palácio e a corre, igualmente, que um se encontra à cabeceira do Rei Narai a cuidar do monarca e aliviar-lhe os padecimentos da doença que lhe ia minando a vida. Em 1686 surge uma crise entre o Reino Unido e o Sião. Um barco de guerra está ancorado no porto de Mergui e exige o pagamento de 65.000 libras, alegando que os homens de Constantino Falcão tinham assassinado 60 ingleses. 
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O Rei Narai oferece a administração e a defesa de Mergui a França.
Os franceses estão em Banguecoque e aquartelam-se no forte de Thomburi e senhores do controlo das navegações para e de Aiutaá. 
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Seguem para Aiutaá 6 juncos de guerra com 500 soldados e assinado um Tratado em 11 de Dezembro de 1687. A assinatura do Tratado e o boato que o Narai estava convertido ao cristianismo vai aumentar o mal estar entre as populações que já estão ao lado do General Phetracha.
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Com ele está o orgulho, nacionalista e o dos oficiais militares que não desejam de forma alguma que o Sião venha a ser colonizado pela França.
O Rei Narai está severamente debilitado e em estado terminal. Não há, porém, a certeza histórica se o Rei morre de causa natural ou se foi assassinado, juntamente com um seu filho. Phetracha com a finalidade de legalizar o Golpe de Estado casou com uma filha do Rei Narai.
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Phetracha introniza-se o Rei do Sião. Sentado no trono o seu primeiro acto é expulsar os franceses da monarquia e negoceia a retirada, dos soldados, para Banguecoque. Autoriza que os missionários fiquem em Aiutaá, no Campo de São José.
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Depois de Phetracha tomar as rédeas do Reino teriam sido mortos e molestado larga quantidade de franceses onde se incluem missionários, soldados, engenheiros e artifíces, residentes, em Lopburi onde idealizavam obras; a canalização de água, directamente de uma linha de água localizada na serra "Sup Lek" ao norte/este da cidade; sob o sistema de gravidade, corria para o palácio do Rei Narai e a sumptuosa residência de Constantino Falcão. 
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Um observatório é também construído e montados telescópios pelos astrólogos jesuitas para ver os astros e as estrelas mais de perto. O impressionismo e o aliciamento francês, existia em Lopburi, e as intenções de ganharem o pé e depois apoderarem-se do reino chegou ao fim.
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Constantino Falcão é preso, em Lopburi, e vai estar sujeito a várias sevícias antes que venha a ser degolado para além dos muros de defesa da cidade. 
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Depois de tantas e mais grandeza e opulência sob a protecção do Rei Narai está, absolutamente, desprezado pelos franceses que fogem, espavoridos, em todas as direcções em procura de salvar a "pele".
O homen que pretendia fazer do Reino do Sião uma monarquia moderna e colocá-la no contexto do comércio internacional, está agora numa cela quente e húmida nos calabouços, à distância de uma "pedrada" do seu palácio que acolheu, embaixadores, enviados especiais e tratou dos negócios do reino. Maria Guiomar suplica ao Phetracha para que a deixe visitar o marido e é lhe negada. 
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É presa e depois solta. A donzela lusa/japonesa que teve uma infância feliz e tranquíla, entre o "Campo Yammada" e "Ban Portuguete", está agora sob a desgraça e sina da manipulação a que esteve sujeita, pelos jesuitas das Missões Estrangeiras de Paris que a casaram com a idade de 17 anos com Constantino Falcão. 
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Sabiam os religiosos a soldo de Luis XIV de França que ela seria a jovem indicada para que mais se aproximassem da corte do Rei Narai.
Em 5 de Junho de 1688 o Falcão é condenado à morte. 
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As causas foram pelo facto de ter sido o elo de ligação para a entrada dos franceses no Reino. Durante o breu de uma noite colocaram-no no dorso de um elefante e levaram-no para um templo fora dos muros de Lopburi.
Constantino Falcão, um condenado à pena capital e não tém o priviléligo de ser degolado entre-os-muros da cidade. 
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Chegado ao local da execução foi desmontado do elefante e de joelhos ouve a condenação na voz do mandarim de serviço. Nas suas mãos tem um cruxifico que o Papa Inocêncio XI lhe tinha enviado, como presente, do Vaticano e suplica que o façam chegar ao seu filho mais tenro. 
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Misericordiamente profere em tom de reza as suas últimas palavras:
"Eu não cometi nenhum crime contra a integridade do Reino do Sião; procurei a glória do Reino!"
Servi o Rei de França e o do Sião e o homem vencido e enganado, pede, igualmente que seja devolvida ao Rei de Luis XIV a condecoração com o que tinha agraciado pelos bons ofícios que tinha praticado em favor do relacionamento entre o Sião e a França. Termina suas súplicas, pedindo protecção e liberdade para sua esposa Maria Guiomar e seus filhos. 
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A lâmina afiada da espada do carrasco aguarda que este lhe desfira o golpe no pescoço que lhe separa a cabeça do corpo.
Acto contínuo é esquartejado em pedaços e lançados na floresta para a boda dos abutres.
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A viuvez de Maria de Guiomar não lhe foi fácil! Foi ama de um pequeno Príncipe no palácio; refugia-se em Banguecoque e no "Ban Portuguet". Depois dos ânimos acalmados vai ser a chefe da cozinha real e introduziu especialidades da doçaria portuguesa na mesa real: o fio de ovos conhecidos por "Foi Tong"; e o "Tonguion".
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Morreu já idosa e a termina os seus dias no "Ban Portuguet", onde além de proceder ao arranjo dos altares das igrejas: São Domingos; São Francisco e São Paulo, consolava as mulheres siamesas aquém os homens portugueses as tinham abandonado e deixado com filhos nos braços.
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Creio que Maria de Guiomar se encontra sepultada no cemitério da ruinas de São Domingos que hoje se encontra protegido e dentro de um edifício construído nos anos de 1994.
Jose Martins
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Fontes de informação: várias, opiniões do autor dado que conhece e investigado os locais onde Maria Guiomar, nasceu, cresceu, viveu e morreu. E, ainda, informações, retiradas, das obras (que recomendo adquiri-las os interessados) "Siamese White by Maurice Collis" (DD BOOKS) e "1688 Revolution in Siam" de E.W.Hutchinson" (White Lotus)