terça-feira, 10 de junho de 2014

EM MEMÓRIA - LUIS DE CAMÕES.



Hoje dia de 10 de Junho do ano de 2014 celebra-se o Dia de Camões e das Comunidades Portugueses, residentes, pelo mundo de Cristo. Não há a certeza do dia do nascimento de Luis Vaz de Camões, em 1524 e, igualmente, se morreu ao fim de 56 anos em 10 de Junho de 1580, depois  de passar as passas das ondas dos oceanos Atlântico, Índico e Mares do Sul da China.
. Desconhecida a data de nascimento e o lugar onde abriu os olhos à luz do mundo, embora na edição do Lusíadas de 1613 e no prefácio  esteja mencionado, natural de Lisboa. Não se lhe conhece nenhuma licenciatura e parte para o Oriente como soldado.  Segundo Hernâni Cidade: “É probalissímo que o honesto estudo o realizasse em Coimbra, onde seu tio, D. Bento de Camões, era prior do Covento de Santa Cruz e chanceler da Universidade, e da qual os Camões, eram da mais honrada gente (entenda-se da mais respeitada, por sua categoria social”   
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Luis de Camões, rapaz com uma inteligência invulgar a sua passagem por Coimbra e a ligação a jovens estudantes poliu o seu ser e volta, praticamente, anónimo um vulgo impar da literatura lusa.   
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Luis Camões veio ao mundo passados 26 anos do Vasco da Gama ter descoberto o Caminho Marítimo para a Índia e desejou seguir, como outros milhares de homens portugueses aventurar-se, entrando numa nau,  e seguir, sem rumo certo, em procura do eldourado para as terras da Ásia e Oriente.
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Luis de Camões, em Lisboa, teve seus amores e dissabores e “baldadas” e escreveu um comentário/poema a uma jovem: Catarina bem promete
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Ora má! Como ela mente!
Jurou-me aquela cadela
De vir, pela alma que tinha.
Enganou-me; tinha a minha,
Deu-lhe pouco de perdê-la.
Tudo vos consentiria
Quando quisésseis fazer,
Se este vosso prometer
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Camões, irriqueto, boémio, cego de um olho, que o perdeu numa batalhada do norte de África. Funcionário do Estado fixou-se por muitos anos em Macau, onde teria escrito a maior parte do obra os Lusíadas e acredita-se roidinho de saudades da Pátria ou talvez um “mal-querido” entre a sociedade lusa que o rodeava, em Macau, regressou a Lisboa.   
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Hernâni Cidade, numa monografia editado no IV Centenário da Publicação de os Lusíadas: “ Funcionário no Oriente, segundo a tradição, em Macau, não se sabe por qual injusto mando, a qual em os Lusíadas alude, é destituído do cargo, e no regresso a Goa, perde em naufrágio, na foz do Mecon, com a jovem oriental – a Bárbara escrava – para quem são alguns dos seus versos de mais humana ternura e perfeita beleza, tudo o mais que trazia, apenas salvando, a nado, o tesouro do Luso, que assim chamou Cervantes àquele poema.
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Salvação simbólica!  . A sua realização consagrou o melhor que tinha na alma, dedicou parte  mais consciente  e activa da vida. E parece que nem o naufrágio lha poupou, senão para o salvar da perda irremediável!”.
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Ora eu que me considero um homem da Ásia e do Oriente dedico, hoje 10 de Junho de 2014, onde por esse mundo adiante as missões diplomáticas e consulados celebram o Dia de Camões, da Raça, das Comunidades Portuguesas e não sei que mais honrarias dedicam à memória do imortal poeta luso cuja história de sua vida e seus imortais poemas vão entrando no rol do esquecimento.   
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Luis de Camões morreu na miséria e hoje, como desde à muitos, os homens de barriga cheia celebram com honrarias a memória do imortal Poeta.
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Luis de Camões no Canto Primeiro da sua imortal Obra os Lusiadas  designa o Ceilão como a Taprobana  <
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçadas
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublinharam>>    
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Em 1982 visitei a Ilha do Ceilão por 15 dias.  . Não fazia a minima ideia de que os portugueses tinham passado por ali e permanecido pelo espaço de um século. 
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Antes do avião aterrar no aeroporto de Colombo deparei, através da janela do avião  uma beleza que maravilha o meu olhar. 
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A aeronave, na sua queda para se aproximar da  pista, passa arasar  a copa da ramagem, verde, dos coqueiros. Foram fáceis os trâmites, oficiais, para sair do aeroporto onde a passagem de turistas era parca.   
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Tomei um taxí e a poucos quilómetros depois do aeroporto e quase a entrar na cidade de Colombo deparo com as tabuletas a anunciar as lojas comerciais, escritas, em nomes portugueses, e ali estão: os Sousas, os Gamas, os Camões, os Xavieres, os Coutinhos e outros nomes e apelidos lusos.
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Entretanto não ficaram só os nomes, por gerações, mas também a memória da passagem dos portugueses no Ceilão. 
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Ela constitui um facto e, mais nos deu a convicção de tal, depois de viajarmos de comboio de de Colombo a Baticola (há aqui um forte português com canhões da fundição do Manuel Bocarro de Macau), Jafna e  Kenkansantorai e, com as pessoas que falámos e, quando lhe dissemos que eramos de Portugal, foi visivel a satisfação das pessoas que nos ouviram e simpáticamente nos ofereceram chá e a bebida, fortificante, “tódi” extraída da árvore do coqueiro.
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A norte e na província de Jafna na ponta ao norte da ilha e o estreito que liga o  as águas do Coramandel, uma pequena povoação costeira de nome Kenkansantorai, hospedei-me numa humilde pousada do Governo de Sri Lanka, para que ali ficassem acomodados os visitantes estrangeiros. 
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Para lá do canal, à noite, vislumbravam-se as luzes de Madras, na Índia e durante o dia, coisa nunca vista, pescadores com água até aos joelhos agarravam peixes à mão, quando estes ao saltar da água azul do mar e, brilhavam as suas escamas, prateadas, ao penetrarem na luz do sol.   
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O gerente dessa pousada da etnia sinhalesa, Joaquim de Sousa, quando soube que eu era português foi buscar-me um livro da terceira clase, do ensino elementar; um gravador e pediu-me que lhe gravasse toda o conteúdo para que o aprendesse. O que naturalmente o fiz da primeira à última página.
José Martins