sexta-feira, 30 de maio de 2014

PORTUGAL NA TAILÂNDIA - AYUTHYAYA


Não posso estar muito tempo sem peregrinar ao "Ban Portuguete" (Aldeia dos Portugueses), na segunda capital do Reino do Sião (Tailãndia) e onde por cerca de dois séculos e meio viveram homens portugueses, casados com mulheres siamesas (tailandesas). Este pedaço de terra, doado pelo Rei do Sião no século XVI, para mim é o símbolo da minha presença na Tailândia que me acolheu há 36 anos. 
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Localiza-se a norte e a uns 100 quilómetros da baixa da capital tailandesa e a pouco mais de uma hora de viagem, utilizando auto-estradas modernas. Desde as escavações do pedaço de terra portuguesa, que teve início em 1984 e inaugurado em Abril de 1995, por ali aconteceram muitas coisas e três vezes desmoronada a obra que ali haja sido feita. 
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As cheias do Rio Chao Prya destruiram muito do que ali havia sido feito. Pensei a obra perdida... Mas graças ao Governo da Tailândia em colaboração do "Fine Arts Department" (Belas Artes da Tailândia) o Campo de S.Domingos voltou à vida e a obra consolidade e defendida da subida da água do Chao Prya no ano decorrente de 2014.
Edifício/museu erguido em cima das ruínas da antiga igreja de S.Domingos cujo início da obra se deve ao Embaixador Melo Gouveia, Fundação Calouste Gulbenkian e ao "Thailand Fine Arts"
O embarcadouro que do Rio Chao Prya à antiga paróquia de S.Domingos se pode chegar de barco.
Vista do patamar de desembarque em direcção à porta do edifício museu.
Na margem do Rio Chao Prya as características casas de madeira, erguidas em cima de estacas, tailandesas
Sobre o rio mantos de plantas, parasitárias, jacintos que destroem a vida, animal, do rio. Vagarosamente e vencendo a corrente as barcaças carregadas de areia que seguem, navegando, para as construções de Banguecoque
Possantes reboques lá seguem puxando, vagarosamente o comboio de barcaças, vencendo a força da maré da subida do rio.
Barcaças a casa de muitas vidas ao sabor da corrente, do Chao Prya e da hélice dos reboques....
A larga passadeira que do rio leva o visitante ao edifício/museu da ex-paróquia de S.Domingos
Ao lado direiro do edifício/museu a retrete para homens e senhoras...
Uma placa explica ao visitante a inauguração do espaço em 1995. Nós estivemos lá.
No terreno ao lado, um particular, construiu um pequeno museu etnológico de outra era.
Dentro do edifíco/museu construído em cima das ruínas da Igreja de S.Domingos e cemitério (tempos idos as pessoas foram sepultados nas igrejas), além de se preservarem esqueletes de portugueses e lusodescendentes, colocadas estantes, marcenadas em madeiras nobres onde em posters se contam histórias verdadeiras de séculos idos.
Na estante da imagem acima, descreve a história dos trabalhos das escavações e da descoberta das ruínas, que tiveram inicio em 1984, da Igreja de São Domingos e acto solene da inauguração em 1995.
Os portugueses pouco depois da descoberta e ligação de novas terras à Europa introduziram muito do que havia em Portugal entre as quais a movimentação das sementes e plantas de uns continentes para outros que viria a modificar a dieta do mundo de então aos dias de hoje. No poster acima a figura de uma invulgar mulher, a luso japonesa, Maria de Pina Guiomar que legou a receita portuguesa à Tailândia de fio de ovos. O doce popular e mais vendido em toda a Tailândia.
Os posters com a descrição histórica são bilíngue em tailandês e inglês com informação que bem ilucida os visitantes.
Aqui a história do catolicismo no Reino do Sião, introduzido pelos missionários do Padroado Português do Oriente que depois seriam seguidos pelas Missões Estrangeiras de Paris.
A perfeita disposição das estantes no grande salão do edifício museu.
As armas pela primeira vez introduzidas pelos portugueses que contribuiram para a defesa e conservação da soberania do Reino do Sião. Mas além das armas soldados de Portugal serviram o exército siamês quer nas hostes regimentais de infantaria, artilharia e guardas do Palácio Real. Fernão Mendez Pinto na sua obra peregrinação:« E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram sempre na guarda de minha pessoa, darão meio ano do tributo da raínha de Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por tempo de três anos, sem lhes levarem coisa alguma por suas fazendas, e seus sacerdotes poderão publicar nas cidades e vilas de todo o meu reino, a lei que professam, do Deus feito homem para salvação dos nascidos, como algumas vezes me têm afirmado» (Capitulo 182, pag.727, volu.II)
Esqueleto de homem luso, desconhecido, desenterrado de quando as escavações e exposto, num armário envidraçado. no edifício museu
A história de Portugal na Tailândia tem inicio após o Grande Afonso de Albuquerque, conquistar Malaca, em 1511 e desde logo, afim de criar boas relações com o Reino do Sião emviou, de Malaca, um emissário a Ayuthaya dar a boa nova ao monarca siamês Rama Tibodi II.
Não foi descurada a história do período Rattanasokin que compreende a fundação, depois da queda de Ayuthaya em 1767, da cidade de Banguecoque.Nesta imagem figura a histórica residência dos embaixadores numa larga parcela doada pelo Rama II, a Portugal para ali construir Feitoria. Do lado esquerdo, ao cimo, a Igreja da Imaculada Conceição, cuja primeira foi construída pelos portugueses no bairro do mesmo nome. Mais tarde a paróquia passou para a jurisdição do Vaticano.
Uma capelinha com a imagem de S.Pedro ao lado da porta de entrada para o museu.
As ruinas, descobertas, da igreja e residência dos missionários dominicanos.
"Portuguese Village" o sinal indicativo à entrada do Campo de São Domingos. Mas ao norte e ao sul deste campo houveram mais duas igrejas a de S. Francisco e a de S.Paulo. Houveram projectos para serem iniciada as escavações.Ficaram pelo caminho pela negligência que aqui não vou apontar o dedo a quem o deveria. Os portugueses inciaram obras, outros ainda as continuaram e mais outros, por desinteresse, deixaram-nas como "Capelas Incompletas".
Lindas, airosas, rejuvenescidas, as ameias portuguesas do Forte de Pom Phet em Ayuthaya, junto ao rio Chao Prya e a foz do rio Pasak. Engenharia, militar, portuguesa funcionou na defesa de Ayuthaya. As paliçadas foram substituídas por fortes, fortins e baluartes que ainda se vêm, um pouco, por toda a Tailândia.
Os rapazes do rio Chao Prya em Ayuthaya e junto ao Forte de Pom Phet
Entre a praga dos jacintos a flutuar no rio Chao Prya navega o distribuidor de botijas de gas doméstico
Rapazes da beira-rio são iguais em todo mundo...
Templos,seculares, budistas, por toda a velha cidade e moderna de Ayuthaya...
Nesta imagem figuram 5 reis dos mais notáveis de Ayuthaya.
Grandes stupas, restauradas ou em ruínas são comuns aos olhos de quem visita Ayuthaya
Os meninos, felizes, moldados em terracota, da era de Ayuthaya
Na altura o fim da tarde e saiu uma imagem que gostamos....
As cobras, moldadas em terracota, junto às escadas de acesso a um stupa, defendem a penetração dos demónios no santuário da oração.
Aproximação, fotográfica, a uma cobra a chama rei, que ainda existem por toda a Tailândia. Fernão Mendez Pinto sem exagerar, menciou que estes enormes réptiles possuiam uma cabeça igual a de um vitelo....
Estátuas de crianças na base de uma stupa que representam o simbolo da natalidade....Pais que deixam ali um boneco de barro para que Lorde Buda proteja a sua criança.
Ao sol posto junto ao remanso, aquela hora, do rio Chao Prya
A Igreja de S.José, construída, muito depois dos missionário portugueses se instalarem no "Ban Portuguete". Construída pelas Missões Estrangeiras de Paris no século XVII que depois passaria para a jurisdição da Igreja do Vaticano.
Uma das avenidas, com árvores de flores jacarandas, floridas, da Igreja de S.José.
Duas alunas de escola da Igreja de S.José ao por do sol junto ao rio de Chao Prya.
Junto à Igreja de S.José, um largo relvado com um lago em construção, há várias imagens de santidades por ali distribuídas
Uma "Ceia de Cristo" moldada em terracota
Um Anjo da Guarda
Maria, José e o menino Jesus...
Nossa Senhora da Anunciação.....
Um pouco mais além da Igreja de S.José uma mesquita da religião muçulmana... Na Tailândia as religiões são livres e podem ser divulgadas livremente...
Não sabemos o nome desta santidade com um globo terrestre na mão esquerda. As inscrições escritas na língua tailandesa...
Um Cristo Redentor....
Cristo pregado na cruz. Todos, nós, mais dia menos dia somos pregados numa cruz. A crueldade dos homens sem limites....
Uma santidade com uma balança e uma cruz na mão esquerda que nos pareceu o S.Pedro às portas do paraíso a julgar o bem e o mal dos homens...
O relvado que no círculo foram erigidas estátuas de santidades da Igreja Católica.
Criança, por ali, depreocupadamente a verem eu a fazer fotografias...
Residência paroquial... já ali estivemos há uns 25 anos e fomos amigos do Padre Pairin, que nunca mais o vimos... O Padre Pairin, gostava de beber uns copos e depois de uns bem, engolidos, ficava de faces rosadas... Um santo homem....
S. José (carpinteiro) com o menino Jesus...
O cemitério da Igreja de S.José para antes de serem sepultados os corpos lhe ser absolvido os pecados da alma.
O altar da Igreja de S.José