terça-feira, 6 de maio de 2014

HISTÓRIA : EMBAIXADOR MELO GOUVEIA


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Uma das figuras que eu mais admirei na Tailândia, onde já levo mais de três décadas de vivência, foi o Embaixador José Eduardo de Mello-Gouveia que viria a conhecer no ano de 1981 e de quando no Reino da Tailândia foi acreditado como representante de Portugal.
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Em Banguecoque permaneceu 7 anos e legou uma enorme obra e viria a colocar Portugal no lugar que lhe lhe competia como país, o primeiro do ocidente, que se relacionou, diplomaticamente, com o Reino do Sião e assinado o primeiro, de todas as nações do Mundo, Tratado de Amizade Comércio e Navegação. 
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Embaixador Mello-Gouveia deixou-nos em 15 de Novembro de 2012 e como tantos outros grandes nomes de portuguesese que serviram Portugal no estrangeiro, depois da morte entram no rol do esquecimento. 
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Procurarei dentro de toda a veracidade relatar a vida de um “grande” homem de fino trato e um diplomata que inteligentemente soube criar amizades por onde, em comissões de serviço, representou Portugal.
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A Tailândia, ex-Reino do Sião, tem enorme valor histórico para Portugal, dado que foi a primeira nação, do Sudeste Asiático com quem Portugal iniciou relações diplomática depois da conquista de Malaca pelo Grande Afonso de Albuquerque em 1511. 
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Porém Portugal grande que haja sido e de homens temerários, iniciou e ergueu obras e foi as deixando pelo caminho. Na Tailândia Portugal contribuiu para que a soberania deste Reino fosse salvaguardada com soldados lusos integrados nas colunas das forças armadas siamesas desde 1511, ao ponto de soldados portugueses servissem de segurança a monarcas no palácio real na segunda capital Ayuthaya.
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Os portugueses pouco depois de chegarem ao Reino do Sião, não como colonizadores mas como amigos introduziram as armas de fogo totalmente desconhecidas até então.
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Ayuthaya, a capital, caiu às forças invasadoras do Pegú (Birmânia) no principio de Abril do ano de 1767 e a comunidade lusa, composta de cerca de 3 mil pessoas manteve-se leal ao rei e depois colocada numa área, cedida graciosamente pelo novo monarca junto á margem direita do rio Chao Prya a que lhe deram o nome Bairro de Santa Cruz.
Portugal obteve de Reis do Sião privilégios que outros países não tiveram e por tal consideração e na terceira capital Banguecoque, como o tinha sido em Ayuthaya, foi doado, pelo Rei Rama II em 1820, um chão junto à margem esquerda do Rio Chao Prya, para que Portugal ali construisse Feitoria e doca para construir navios.
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Nessa parcela de terreno foi acreditado, em 8 de Agosto de 1981, como embaixador de Portugal, José Eduardo de Melo Gouveia. 
Continua
2º Capitulo – 13.05.2014

Embaixador Melo Gouveia chega um jovem, a Banguecoque, com a idade de 51 anos e com uma longa experiência, diplomática, adquirida  no “Pacto Atlântico” (1962), Legação de Portugal em Djakarta, Indonésia (1963-1965), Encarregado de Negócios em Camberra, Austrália  (1965-1970), Cônsul-Geral em Toronto, Canadá (1972), volta à Austrália, como Cônsul-Geral em Sydney (1974-1976), Cônsul-Geral no Maputo, Moçambique em 1978 e Ministro Plenipotenciário de 2ª classe no mesmo posto até 1981 e no mesmo ano, em 8 de Agosto, com credencias de embaixador na missão diplomática de Portugal em Banguecoque e onde se manteria até principios de Junho de 1988.
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A Tailândia, assim como outros os países Sudeste Asiático quedam-se adormecidos. O Vietname destroçado por uma guerra, sangrenta, de 1956 a 1975 afectando o Laos e Cambodja. A Birmânia (Myanmar) sob o governo de ditadura militar. Não tem, assim grande importância política e diplomática a Tailândia para Portugal onde os portugueses, foram os primeiros a chegar em 1511. O local onde se instalava a missão diplomática, lusa, já levava 161 anos e a mais antiga, não só de Portugal no estrangeiro, como de outras nações  de todo o mundo.
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São passados 7 anos depois da revolução de 25 Abril de 1974 a situação política em Portugal está confusa, como assim a economia cuja esta já em queda livre.As contendas entre os partidos portugueses dão pouca margem de manobra e gera confusão para que os diplomatas portugueses, acreditados no estrangeiro, se imiscuirem, nos assuntos e negócios de Portugal
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Quando Embaixador Melo Gouveia foi acreditado como representante de Portugal na Tailândia já eu conhecia, desde 1977, a cidade de Banguecoque e visitado (praticamente como curiosidade) a embaixada e aconteceu 3 anos antes e de quando a geria o embaixador Renato Pinto Soares.
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Quando pela primeira vez ali entrei,  o caminho da rua Captain Bush Lane para as instalações da embaixada foi através de velhos barracões, envolvidos em vegetação, até chegar à belíssimo edifício, maltratado, onde funcionava a chancelaria e a residência do embaixador e murmurei para comigo: “isto é a embaixada de Portugal....?”
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Nos serviços consulares encontrei o vice-cônsul, goês, José de Souza, o chanceler, tailandês Chalerm e a mulher de limpeza Noi. Eu seria, ali, espécie de um intruso e certamente julgado à primeira vista um português a pedir ajuda à embaixada. Tranquilizei o José de Souza que eu estava ali, apenas, para visitar a nossa embaixada.
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Aproveitei pedir uma informação se poderia, futuramente, obter um novo passaporte em Banguecoque, isto porque de vastas vezes que viajava de e para a Arábia Saudita, as folhas do passaporte pouco mais duravam que um ano( falarei, mais adiante, sobre a emissão de novos passaportes em Banguecoque). 
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Seria em finais de de 1981 que conheceria acidentalmente, pela primeira, vez embaixador Melo Gouveia. A chancelaria, funcionava precisamente no mesmo local,em 1978 e eu, ali, para adquirir um novo passaporte, com um certificado do registo de nascimento (quando já não era necessário como o tinha exigido, em 1978, o vice-cônsul José de Souza, mas sim por decreto, apenas o Bilhete de Indentidade), quando, pela primeira vez, o cônsul Souza me apresentou embaixador Melo Gouveia que na altura, pensaria eu, que os dois seriamos amigos por muitos anos.
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Raramente passavam por Banguecoque portugueses, Macau, ainda não tinha despertado para o progresso e de quando em quando, individualidades do Governo Português passavam pela embaixada para apresentar cumprimentos ao chefe de missão e conhecer a capital tailandesa.


3º Capitulo

Foi de quando pedi a emissão do meu primeiro passaporte na Secção Consular (desde essa data sempre hajam, ali, emitidos) e apresentado, pelo vice-cônsul José de Souza ao embaixador Melo Gouveia que à portuguesa e franca me apertou a mão, perguntando-me o fazia na cidade de Banguecoque.

Informei-o que trabalhava, como mecânico, numa subsidiária da “Texa Instrumentos” na área da prospecção do petróleo na Arábia Saudita e porque, caído de amores por uma senhora chinesa/tailandesa viajava todas as seis semanas a Banguecoque para descansar duas dado à vida dura do deserto. A conversa foi curta afável e despedimo-nos.
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Acontece que durante 15 dias das minhas férias em Banguecoque todos os dias caminhava para a chancelaria em procura do passaporte. A resposta do vice-cônsul Souza era igual: “venha amanhã que está pronto”. Dois dias antes de regressar à Arábia Saudita e recomeçar o trabalho fui, como não poderia de deixar de ser, buscar o meu passaporte. 
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Conversava atrás do balcão, que dividia o serviço consular com o espaço de espera dos utentes,  com José de Souza quando surge Embaixador Melo Gouveia a passar um “raspanete” ao vice-cônsul pelo facto de eu seguir para a embaixada em busca do passaporte vários dias.

Pelo anos de 1983, depois de passar as habituais férias de duas semanas em Banguecoque, uma tarde tomava o avião no velho, internacional, aeroporto de Don Muang com destino à Dharham (Arábia Saudita) e depois de subir a escada tomei o jornal “Bangkok Post” para ler durante a viagem. Depois de abri-lo e numa das páginas  e a quatro colunas, encabeçada com a foto do Embaixador  Melo Gouveia dava conta das escavações da Igreja de S. Domingos, em Ayuthaya (antiga capital do Reino do Sião) e referia-se que foram os portugueses os primeiros europeus que chegaram à Tailândia!
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Fico surpreendido porque longe estaria eu de saber, dentro dos meus parcos conhecimentos históricos, que os homens portugueses tinham chegado à Tailândia, fixarem-se aqui (não como colonialistas, que nunca o hajam sido desde que se expandiram, no século XV  no mundo), constituirem famílias, construirem igrejas e ajudarem monarcas siameses a defender a soberania do Reino do Sião.

Depois de mais de 6 semanas a trabalhar no imenso deserto da Arábia Saudita, regresso a Banguecoque para me recompor. Comigo o recorte do jornal “Bangkok Post” que entreguei a minha mulher e para um dia disponível, durante a minha estadia em casa, irmos a Ayuthaya e descobrimos onde seguiam as escavações para a descoberta dos vestígios da presença dos portuguesa na velha capital.

Ayuthaya a segunda capital do Reino do Sião, conquistada e destruída no principio do mês de Abril de 1767, quedava-se a cerca de uns 70 quilómetros da minha primeira casa, junto ao aeroporto de Don Muang. 
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Um sobrinho de minha mulher levou-nos a Ayuthaya num pequeno automóvel e chegados à velha cidade, onde praticamente o tempo tinha parado, minha mulher procurava pelo “rincão” onde os portugueses viveram havia  216 anos e ninguém sabia responder correctamente. Rodamos por todas as ruas da velha cidade, real, onde havia dezenas de ruínas, de templos, onde neles crescia vegetação e me parecia uma cidade fantasma. Por fim e de tanto perguntar a pessoas surge uma senhora que informa aonde se localizava a parte que foi dos portugueses.

 O Ban Portuguet (Aldeia dos Portugueses) da cidade real não se encontravam distante  se fosse o Rio Chao Prya atravessado de canoa, mas por terra e passando por cima da única ponte que havia distanciava uns 8 quilómetros por estrada poeirenta.
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Chegamos ao Ban Portuguet e onde, apesar de ser domingo um grupo de estudantes de arqueologia da prestigiosa Universidade de Chulalongkorn, afanosamente, se ocupavam de pinceis nas mãos, cuidadosamente, a limpar o que ia aparecendo debaixo da terra.
4º capítulo

Embaixador Melo Gouveia assume a gerência da missão diplomática portugesa, em 8 de Agosto de 1981, na Tailândia numa altura em que se encontrava em total decadência. 
Ali o tempo tinha estagnado. Embaixador Renato Pinto Soares sem fundos que lhe chegassem de Lisboa limitava-se a passar tempo e olhar os barcos que navegavam na corrente do Rio Chao Prya. 
Depois da revolução do dia 25 de Abril de 1974, vários governos que assumiram o Poder trocavam de ministro dos Estrangeiros como um “pândego” troca de camisa e no período de 9 anos de 1974 até à data de Embaixador Melo Gouveia, em 1983, principiar a restauração da imagem e instalações de Portugal na Tailândia foram nomeados:

- Mário Soares, 16.05.1974

- Ernesto Augusto de Melo Antunes, 26.03.1975

- Mário João de Oliveira Ruivo, 08.08.1975

- Ernesto Augusto de Melo Antunes,23.07.1976

- José Manuel de Medeiros Ferreira,23.07.1976

- Mário Soares, interino, 17.10.1977

- Victor António Nunes de Sá Machado, 30.01.1978

- Carlos Jorge Mendes Correia Gago, 29.08.1978

- João Carlos Lopes Cardoso de Freitas Cruz, 22.11.1978

- Diogo Freitas do Amaral, 03.01.1980

- André Roberto Delaunay Gonçalves Pereira, 09.01.1981

-Vasco Luis Caldeira Coelho Futscher Pereira, 09.06.1982

-  Jaime José Matos da Gama, 09.06.1983.
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Chegaram, ao descaramento, de em 1976 trocarem de dois ministros e em 1978 três! Sem pretender melindrar os ministros bons que teriam sido e fazer obra o mesmo não posso dizer que por influência, política, a um “badameco”, dentro do periodo de 9 anos, lhe foi oferecido o lugar de chefe da diplomacia portuguesa...


A diplomacia portuguesa não passava de uma nau à deriva onde nas Necessidades entraram, asilados, depois do 25 de Abril de 1974, ministros e empurrados meninos e amigos do papá que não estavam vocacionada para representar Portugal no exterior. 
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Acrescenta-se o nepotismo, ferida estigmatizada, feira de vaidades balofas, que produziu imenso dano dada a incompetência, diplomática, que impera pelas missões e consulados de Portugal no Mundo.


Mas vamos deixar as “chagas” e vamos à Obra do Embaixador Melo Gouveia em Banguecoque que haverá muito a contar durante o período de quase 7 anos que geriu a representação de Portugal na capital tailandesa.
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A missão instala-se em um largo terreno que foi doado pelo Rei da Tailândia, Rama II, em grande cerimonial, em 9 de Novembro de 1820, para ali ser construída Feitoria e doca para construir navios. 
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A doação pelo monarca siamês teria sido a de boas intenções pelo facto dos portugueses, além de serem os primeiros que se estabeleceram na 2ª capital, Ayuthaya, do Reino no príncipio do século XVI, prestarem grande serviços não só como soldados, defendendo a soberania, como assim no ensinamento de artes, trazidas da Europa e ministradas aos siameses.
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Na Feitora de Portugal em Banguecoque passaram muitos representantes que sob a jurisdição, umas vezes por Goa e outras por Macau, em que  colocados cônsules, administrativos, guardas, muitas das vezes passavam misérias de vivência com falta de dinheiro e por algumas vezes lhes valeu a Casa Real Tailandesa com empréstimos.


Os representantes de Portugal, em Banguecoque, foram votados ao esquecimento e com dificuldades de sobreviverem pela falta de verbas que a partir de 1820, quando estabelecida a Feitoria, um ofício do Leal Senado, de Macau, em 31 de Dezembro de 1827:  “a falta de comunicação com o reino do Sião não sendo por esse motivo possível enviar a quantia necessária para retirar desse reino o ex-cônsul Carlos Manuel da Silveira e seu escrivão”. Descreverei mais pela frente o infortúnio do primeiro cônsul de Portugal no Sião e vítima da intriga.
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Os cônsules votados ao abandono,a sofrerem a vergonha de seus homólogos, diplomatas, a estabelecerem-se em Banguecoque numa cidade fundada em 1782, depois da queda da segunda capital Ayuthaya em 1767, dado à localização privilegiada do terreno doado pelo Rei do Sião, na margem esquerda do rio Chao Prya e a uma pedrada do porto, internacional, marítimo, principiaram a dividir e arrendar  partes do terreno a empresas locais e estrangeiras.
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Mas a cidade Banguecoque , progrediu e os armazéns construidos de madeira, cobertos a chapa e suportado o telhado de toros de árvore de Teca, foram sendo abandonados e foram ficando “mostrengos” envolvidos em vegetação que davam uma fraca nota de Portugal na capital tailandesa que despertava para o progresso.
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A residência dos embaixadores, onde além de servir de habitação ao representante de Portugal funcionava a chancelaria. 
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Dentro daquele edifício, lindíssimo e uma peça única, dentro do espaço português, a mobília, as paredes e o exterior completamente degradadas que quase como um milagre, embaixador Melo Gouveia viria a modificar aquela imagem que em nada prestigiava Portugal.

  5 Capítulo


Embaixador Melo Gouveia chegado a Banguecoque olhando para o mísero estado em que se encontrava a primeira missão de Portugal na Ásia e no Mundo propõe-se reconstruí-la e fá-lo com meritosa inteligência.

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O diplomata, da velha guarda, foi acreditado como embaixador no Reino da Tailândia, com 52 anos, ambicioso, generoso, patriotismo à flor da pele logo que assenta na capital tailandesa em sua mente há os objectivos: dignificar Portugal na Tailândia, activar o comércio, a cultura e levantar os vestígios históricos que havia muitos e que alguns, actualmente, desapareceram, vorazmente, pela obra e graça da Igreja Católica do Vaticano.

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Como já aqui se escreveu Portugal, em 1982, estava sob uma grave crise económica, 8 anos depois da Revolução dos Cravos, a Pátria quedava-se falida e foram os emigrantes portugueses no estrangeiro que conseguiram evitar a “bancarrota” de Portugal.



Macau era ainda território adormecido e parado no tempo e poderemos afirmar tal coisa dado que o visitamos em 1982 e praticamento o progressos não era nenhum, portanto dali, embaixador Melo Gouveia não poderia obter auxílio, monetário, que lhe podesse valer, de principio, para limpar os “pardieiros”, barracões que foram abandonados pelos arrendatários existentes, à volta da residência dos cônsules e depois embaixadores (o primeiro embaixador de Portugal acreditado na Tailândia foi Helder Mendonça e Cunha em 21 de Março de 1966).

Porém e pegado à parcela doada, em 1820, pelo Rei Rama II, a Portugal e onde antes esteve por 94 anos o edifício do Hongkong and Shanghai Banking Corparation, LTD, este iria ser destruído e dar lugar a um mega, luxuoso, hotel  construído pela empresa  Italthai Industrial Company, cuja unidade hoteleira viria ter, até hoje, o nome “Royal Orchid Sheraton Hotel”. 
O local, que acidentalmente, que o conheci em 1978, de quando fui acompanhado por um guia navegar pela primeira vez no Rio Chao Prya e antes de embarcar caminhei por uma ruela, marginado pelo terreno da embaixada portuguesa, ao sul e ao norte pelo do Hongkong and Shanghai Banking Corporation, LTD, já desactivado e transferido para a Silom Road e o centro, já significatico, comercial da Cidade de Banguecoque. O rio Chao Prya deixou de ser a principal via de comunicação da capital da Tailândia e os quatro bancos que existiam na margem esquerda do rio, só um, construído em final do século XIX, o Siam Commercial Bank se encontra em funcionamento.
Para construir o enorme hotel a construtora, a própria Ithalthai, necessita de um espaço onde podesse ser armazenado o cimento, a areia, os tijojos e o ferro para ser ali trabalhado para depois ser introduzido na cofragem da estrutura da enorme obra. Espaço que o hotel não possuia. A embaixada possuia, junto ao hotel, uma largo pedaço de terreno, onde crescia a vegetação e junto à margem do Rio Chao Prya, um velha casa de madeira de teca, centenária, que fora o escritório de uma firma alemã, por mais de 100 anos e arrendatária da embaixada.
 Foi ouro sobre azul para o embaixador Melo Gouveia que autorizou a colocaçao num espaço, abandonado e um quebra cabeça para o mandar desmatizar e deitar umas casa em ruínas, abandonadas, que servia de acomodação de gente de conduta duvidosa. 
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A condição, imposta, pelo embaixador Melo Gouveia, de momento,  sem consultar o Palácio das Necessidades, seria a condição de a Ithalthai utilizar espaço e fazer-lhe as obras de conservação, sem encargos para  o Estado Português, na residência dos embaixadores, anexos, casas do pessoal e nova chancelaria (onde se encontra hoje).
6º Capitulo
Embaixador Melo Gouveia, um diplomata da velha guarda, ao assumir a gerência da Embaixada de Portugal em Banguecoque com ele há os objectivos: dignificar as instalações da missão diplomática; avivar o comércio entre Portugal e a Tailândia, a secção cultural e a divulgação da língua portuguesa onde esta, séculos não muito distantes, foi não só a língua de comunicação e franca, como assim os acordos entre esta nação e os países do ocidente tinham por obrigatoriedade de uma cópia, redigida em língua portuguesa.

Porém, certamente poucos portugueses conhecem que Tailândia, durante os anos de turbulência, em que todos os países atacavam Portugal, nas Nações Unidas, devido à administração dos territórios ultramarinos, esteve ao nosso lado pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros Dr. Thanata Khoman. 
Ministro Franco Nogueira no seu livro “Um político confessas-se”, página 213: Lisboa 13 de Janeiro de 1967 – Veio ver-me a Lisboa, a título pessoal, o ministro dos Estrangeiros da Tailândia, Khoman. Conhecemo-nos em Nova Iorque desde os meus tempos da Quarta Comissão da ONU, onde ambos representamos nossos países; e perante os violentos ataques a Portugal sempre encontrei em Khoman apoio discreto e moderação. Ficamos em termos afectuosos, que se mantiveram quando ambos as presentes funçõs.”
Dr. Thanata Khoman foi, no consulado do embaixador Melo Gouveia, uma figura presente em todos eventos realizados na embaixada.  Um dia Dr. Khoman, já embaixador Melo Gouveia acreditado no Japão, diz-me ser apreciador de Vinho Verde e da minha garrafeira, particular, enviei 3 garrafas de verda Gazela, da SOGRAPE ao Dr. Thanata Khoman.
Três símbolos de Portugal no estrangeiros e apostos, no exterior de todas embaixadas e consulados, encontravam-se, as três placas, no estado da imagem acima e de quando embaixador Melo Gouveia chegou a Banguecoque em 8 de Agosto de 1981.Um total desleixo do chefe de missão,o embaixador Renato Pinto Soares, cujo seu empenho, mesmo sem verba, limitava-se a zero.
Vegetação e lixo amontoado por todos os lados.
Uma das entradas das traseiras do belo edificio que davam para a habitação do pessoal
Onde foi a cavalariça e o espaço da carroça que transportava, nas suas deslocações, em Banguecoque o cônsul  na década primeira do século XX.
Uma das entradas das traseiras da residência que foi de cônsules e embaixadores que no interior embaixador Melo Gouveia mandou construir as dependências do pessoal.
A guarita do vigilante junto à entrada do segundo portão, exterior, que levava à chancelaria e residência do embaixador
A varanda da parte de trás da residência que servia de estendedouro de roupa
A mesma varanda, da imagem acima, com a mesa de passar a roupa e pela frente barracões, ainda por demolir que antes foram arrendados, servindo de armazéns, abandonados que seriam depois, mandados destruir pelo embaixador Melo Gouveia.
O gabinete de sua excelência o embaixador de Portugal, acreditado no Reino da Tailândia.
Um cadeirão onde sexa o embaixador de Portugal, mandava sentar as pessoas que ao seu gabinete ia tratar de assuntos.
A degradaçã interior da residência e chancelaria da Embaixada de Portugal em Banguecoque era total.
Iniciada a base e o restauro da arcada da residência.....
Continuação da obra da arcada
Prepara-se a base para o ladrilhamento
A arcada ladrilhada mas ainda não polida....
A parte de trás da residência onde depois de qualquer chuvada, com escassa intensidade, ficava alagada por falta de drenos. A jovem na foto é a Tim nascida na embaixada filha do mordomo Bill, empregado da embaixada por 50 anos. Depois de velho foi despedido, acabou por morrer num templo budista, cotizando-se o pessoal para se dar um funeral, condigno, ao pobre homem.
Casebre, espaço de ratos e cobras por toda a área que antes chegou a ser dividida em sete talhões e alugados, por dezenas e dezenas de anos a empresas particulares. Os cônsules e embaixadores de Portugal em vez de tratarem dos negócios do país entretinham-se a dar conta das rendas de 7 talhões. Que não se pense por aí que eu sou um má língua, tenho cópias que provam aquilo que afirmo...
Andaimes de bambú vão dar uma nova face à casa que baptizei: " A Nobre Casa"
Em 1982 a residência ladeada, por duas frondosas  árvores plumerias e o jardim primorosamente relvado que traz de volta a dignidade a uma casa, histórica, construída na década sessenta do século XIX. Depois do ano de 1988 e quando embaixador Melo Gouveia partiu para o Japão, a "Nobre Casa" e o jardim sofreu, abusivamente, por certos chefes de missão, algumas sevícias sem respeito por uma residência que bem se pode considerar um monumento nacional, português, na Tailândia.
6º Cápítulo

Antes de dar continuação ao capitulo nº 6 e relatar a história, em Banguecoque, do Embaixador José Eduardo de Melo Gouveia, referirei que durante dezenas e dezenas de anos a missão diplomática de Portugal na Tailândia não passou de um elefante branco na estrebaria que é alimentado e não produz nada. 
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Pela Feitoria, desde a fundação há 194 anos e depois embaixada (partir de 22 de Abril de 1966) passaram cônsules, encarregados de Negócios e embaixadores e poucos, desta gente, se interessou em divulgar o comércio, cultura e as relações, impares, entre Portugal e a Tailândia. 
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Limitavam-se os representantes a gerir as rendas do terreno, fragmentado, que umas vezes enviavam o montante para a Fazenda Pública, em Lisboa e outras servem-se, os representantes de Portugal, do montante conforme as convenièncias e à tripa forra. 
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Quando Embaixador Melo Gouveia assume a gerência da missão, já não havia parcelas arrendadas a empresas tailandesas ou estrangeiras, mas nessa altura ainda vigorava o "Saco Azul" cuja receitas dos emolumentos eram guardadas no cofre do consulado e dele se servia conforme a sua vontade o vice-cônsul, da etnia goesa, que usava os dinheiros do Estado, depositando-os, em seu nome, no Hongkong and Shanghai Banking e deles recebia uma maquia avultada todos os meses. 
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Melo Gouveia, embora o chefe de missão o vice-cônsul não lhe entregou a chave do cofre e quando lha pedia respondia-lhe: "senhor embaixador vá para Patthaya (estância balneária a 150 quilómeteros de Banguecoque) que tem uma praia muito bonita". 
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O vice-cônsul (autonominava-se ilegalmente cônsul e até figurava, assim, na lista diplomática do Ministério dos Estrangeiros da Tailândia), continuou a não entregar a chave do cofre ao Embaixador Melo Gouveia, cuja esta por ordem de Lisboa a entregou. 
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Entretanto seria mais tarde o gerente do Hongkong and Shanghai Banking, com o qual Embaixador Melo Gouveia jogava ténis, que facilitou a conta corrente das contas dos emolumentos da secção consular que o vice-cônsul utilizava, os juros de fundos do Estado dos emolumentos consulares, em seu proveito próprio.


Ora quando Rei Rama II doou o largo terreno (oficialmente em 1820) onde hoje se instala a residência, a chancelaria, dois jardins (um jardim e o campo de ténis alugado ao Hotel Royal Orchid Sheraton), tinha sido com o propósito de Portugal, como pais amigo e o primeiro do ocidente a conhecer e firmar um Tratado de Comércio, de Amizade e Navegação, para incrementar o comércio do Reino do Sião com paises ocidentais o que tal não viera acontecer.  . Passo a inserir dois documentos, pouco conhecidos, da doação do terreno.
Uma montagem, fotográfica, efectuada por mim, cuja imagem foi retirada do livro  "Twentieth Century Impressions of Siam: Its History, People, Commerce, Industries, and Resources" de Arnold Wright - Oliver T. Breakspear. Editado por Lloyds Greater Britain Publishing Company Lda. 1908.   . Número 1 a panorâmica, vista da margem direita do rio Chao Prya do jardim, da residência dos chefes de missão.  . Número 2, um armazém alugado, pela Feitoria de Portugal, à firma alemã Behn, Meyer & Co., Ltd e onde hoje (2014) se instala a Chancelaria da Embaixada de Portugal, metade da área foi usada para apresentação de amostras de produtos alemães a vender na Tailândia.  . Porém esta empresa, uma das mais importantes da alemanha, na época, estabelecida em Banguecoque, teve que encerrar portas devido à 1ª Guerra Mundial.  . A construçãa das paredes, foram construídas de tijolos, vindos das ruínas de Ayuthaya, o telhado é suportado por largos toros, na vertical, de madeira de Teca que ainda hoje se mantêm no mesmo lugar e uma preciosidade histórica.  . Este armazém (publicada em páginas anteriores) fui uma construção, abandonada há vários anos quando Embaixador Melo Gouveia, assumiu a gerência da missão e que viria a recuperar sem despender um escudo, que fosse, ao erário público português.
No príncipio de 1983, a residência dos chefes de missão, os anexos (habitação para o pessoal) o jardim estavam recuperados, segue-se a chancelaria e a sala de visitas de todos os portugueses residentes na Tailândia ou de passagem. 
A entrada para a chancelaria, com um largo espaço para os carros estacionarem. Portas abertas, com apenas um guarda e fechavam-se depois dos serviços encerrarem. Hoje ir-se à Chancelaria da Embaixada de Portugal, em Banguecoque só em acto de primeira necessidade....Voltou uma redoma de vidro onde à entrada é preciso apresentar e deixar o documento que identifique o "pândego/pândega". A entrada é tão complicada, que no meu caso só faço conta de lá colocar os meus pés, em 2016 e requisitar um novo passaporte.  . A embaixada de Portugal em Banguecoque era o orgulho, luso, do Embaixador Melo Gouveia! E dizia-me: "mostra tudo a quem a queira visitar o jardim e a residência, só não levas os visitantes ao meu quarto de dormir." Tenho imagens em meus arquivos, pessoais, onde se prova isso com dezenas de pessoas a visitarem o jardim e a residência.
Ao lado esquerdo da porta principal da chancelaria são construidas, duas retretes para homens e mulheres e um gabinete, de "Promoção Turística". Falaremos mais adiante sobre este assunto e a parte comercial. Um vidro fosco para evitar os raios solares ao funcionário que dentro trabalhava. Vidros que não se vêm de fora para dentro e visivel dentro para o exterior. Na parede um quadro de azulejo que identificava o Portugal dos descobrimentos. Não posso saber se esta bonita moldura já foi para o lixo ou se arrumada a um canto num pequeno armazém de arrumações. Desapareceu muito do que deixou Embaixador Melo Gouveia....
Embaixador Melo Gouveia, um diplomata da velha guarda trazia consigo todo o patriotismo da era da expansão. Os Gamas, os Albuquerques, os Lopo Soares de Albergaria, o Fernão Mendes Pinto e todos os outros herois portugueses da era da expansão. Na imagem um dos vários paineis que decoravam o salão da chancelaria da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
Outro aspecto do interior da Chancelaria. Uma das várias colunas, de madeira de teca, que suporta o telhado com paineis onde num se observa o Tratado de Comércio e Amizade e Navegação, em 1858, entre Portugal eo Reino do Sião. No tecto, penduradas a bandeira de Macau e de Lisboa. Pela manhã, quando Embaixador Melo Gouveia vinha à chancelaria (todos os dias religiosamente) cumprimentar os funcionários dáva uma olhadela às molduras e se alguma estivesse descaída para um dos lados lá estava ele a indireitá-la.
Outro aspecto do salão da chancelaria. Ao fundo, dos dois lados estavam, 4 gabinetes. Vice-cônsul e Chanceler, noutro o número 2 da missão e a sala do expediente onde eu, anos e anos trabalhei. O chão brilhava e graças ao Grupo Amorim, que na chancelaria fazia base o Fernando Oliveira, para vender cortiça na Tailândia, países da Ásia até ao japão, que ofereceu "floor tiles" para todos os chãos da residência e chancelaria.
Na imagem o Fernando de Oliveira, o vendedor de cortiças do Grupo Amorim e homem de total confiança do Sr. Américo Amorim, aplicar "floor tiles" num dos gabinetes da chancelaria. Fernando Oliveira que somos amigos há 30 anos, ainda continua a vender cortiças na Ásia, porém agora mais velho e careca!Voltaremos a falar, nele e nas cortiças mais adiante.
Outro aspecto do interior da chancelaria, com dois utentes ao balcão da Secção Consular.
Embaixador Melo Gouveia preparou a chancelaria de forma que ali pudessem ser levado a cabo eventos culturais e exposições, que foram vários ali levados a cabo durante o seu consulado.  . A Fundação Calouste Gulbenkian ofereceu, além de aparelhagem audio-visual (que estava a meu cuidado a conservação e o operar), 120 cadeiras estofadas onde se enchiam nos eventos. O relacionamento com as pessoas do Embaixador Melo Gouveia era cativante.  . Ele conseguia tudo! Nos eventos realizados na chancelaria, residência ou jardim o vinho da SOGRAPE era bebidos conforme cada um tivesse arcaboiço que o acomodasse....  . O Grão Vasco e Mateus Rosé chegavam, oferecidas, dezenas de caixas. Nunca Embaixador Melo Gouveia encomendou comida de hoteis ou restaurantes, todas iguaria saías da cozinha da residência: sardinhas em lata portuguesas, pedaços em cima de fatias de pão torrado, risóis de camarão, bolinhos de bacalhau e outros petiscos, genuinamente, portugueses.
O salão da chancelaria o chão brilhava. Bancos encostados à parece de cimento e almofadas de seda, tailandesa de cor verde. Um lugar apetecível para estar!  Continua