domingo, 20 de abril de 2014

PEREGRINAÇÃO AO BAIRRO DE SANTA CRUZ - AUTO DO CALVÁRIO

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Sexta-Feira da Paixão no Bairro Português de Santa Cruz, em Banguecoque. Para conhecer a história deste aglomerado habitacional luso cliqueAQUI.
Junto à noite e quando os fieis começavam a chegar ao adro da Igreja de Sata Cruz.
Raros foram os anos que eu em Sexta-Feira Santa não me tenha juntado à população, católica, residente no bairro e a outra gente vinda de fora para assistir às cerimónias religiosas e ao Auto do Calvário. Chego cedo e gosto de passear junto à margem do Rio Chao Prya que por esta via fluvial navegaram os portugueses, em 1511, para reatarem relações diplomáticas com o Rei Rama Tibodi II de Ayuthaya. Na imagem o Forte de Banguecoque na margem direita do rio, de arquitectura portuguesa e nele há séculos serviram reis da Tailândia artilheiros portugueses. Bons militares só que gastavam, num ápice, o pré que recebiam ao fim do mês...
O rio Chao Prya tem a sua beleza e o barulho, também, dos barcos de ré comprida
No Bairro de Santa de Cruz parece que o tempo parou.... Casas de madeira eterna de teca estão por ali desde a fundação de Banguecoque na década oitenta do século XVIII.
E no meu passear e aproveitar a aragem, fresca, do rio, deparo com uma jovem a  fazer imagens ao rio...
A ponte que atravessa o rio de um lado para outro e a enorme torre habitacional...
.... e deparo com uma jovem com um cãozito ao colo...
Um jovem quando me viu, um intruso, de máquina para disparar levantou-me a mão e um sorriso.... De pernas mergulhadas na água, negra do rio...
Lançou a rede. Pescava na maré vazia junto à base das estacas que suportam casas...
Pescou um peixe e seu pai retira-o da rede....

A casa de madeira que tantas vezes já escrevi sobre ela e não sei a quem foi o proprietário....As casas também morrem e esta, se não lhe acudiram, não tarda...
Uma casa de madeira com um cruxifico virado para o rio
No adro da Igreja de Santa Cruz um nicho com a imagem da Senhora de Fátima....
...e ao lado direito, virada para a frente da igreja está um mapa que indica a fabriqueta de queques portugueses que ali se confeccionam há 247 anos...
.... dirigi-me mais uma vez, como que em romaria e percorro a viela até à número 7
No bairro de Santa Cruz caminham-se as vielas noite ou dia sem problemas... todas elas são de paz....
....estou na viela número 7. O tempo aqui também parou....
.... a fabriqueta de queques alumiada mas encerrada... os proprietários já tinham partido para a cerimónia religiosa...
...todas estreitas ruelas vão dar à Igreja de Santa Cruz....
... parte de trás da igreja de Santa Cruz...
......segui ao logo do muro da igreja decorado, ao cimo, com a flor de liz, em cimento e quedei-me por uns momentos junto aos túmulos de priores que foram desta igreja e de outras de mais dois bairros portugueses, em Banguecoque...
... na entrada para o espaço da igreja uma banca vendia artigos religiosos...
....do outro lado vendiam-se queques portugueses aos peregrinos...
.... caminhei para o adro e fui encontrar numa sala a caracterização de um dos ladrões que vai figurar junto a Jesus Cristo Crucificado...
... o grupo de figurantes que vão encenar o Auto do Calvário alinhados para foto.....
....começou a Via-Sacra. Lembrei das minhas que haja percorrido durante a minha vivência....Há os que a caminham em tapetes e outros de pedras bicudas e abrolhos....
.... o Prior da Igreja de Santa Cruz, em cada estação, da via dolorosa, vai lendo passagens da bíblia...
..., a devoçãção dos fieis e o acto de fé é enorme....
... no bairro de Santa Cruz ainda aparecem, uns poucos, rostos de feições lusas....
... o cenário exposto e a cerimónia de grande significado religioso cristã vão começar....
.... José de Aritameia, Nicodemos,
AQUI   mais seus auxiliares, de velas acesas, caminham para a cruz para retirarem Jesus Cristo......
.... José, Maria e Maria Madalena, guardados pelos soldados romanos assistem à piedosa descida de Jesus Cristo da cruz...
.... momento de enorme reflexão... sopra o vento, pelo som de auti-falantes, acompanhado de trovões antes que a Jesus Cristo lhe sejam retirados os cravos que o prendem ao lenho....
.... os guardas romanos que representam a repressão, cruel, durante vários séculos....
.... José de Aritemais e Nicodemas, sobem a escada e no topo da cruz estendem duas tiras de pano branco para que Jesus Cristo seja retirado da cruz e sepultado com dignidade...
.... descravada a primeira mão da imagem de Jesus Cristo...
....José de Aritemeia, mostra, junta à imagem de Virgem Maria, o cravo....
...agora é solta a mão esquerda  de Jesus Cristo.....
.... Jesus Cristo é descido da cruz....
...esta imagem e outras, a seguir, do piedoso acto...
...Jesus Cristo deitado num andor, aos ombros de 30 homens vai dar volta à igreja de Santa Cruz....
.... os fieis, de velas acesas, aguardam que o andor do Jesus Cristo passe para se integrarem na procissão...
....a procissão com a imagem de Jesus Cristo transportado por 30 homens...
.... o andor chega à entrada da igreja....
....Prior da Igreja de Santa Cruz verga-se perante a imagem de Jesus e lhe ter beija-lhe os pés....
.... os fieis, piedosamente, passam junto de Jesus Cristo...
...segue-se a comunhão que não escolhe idades...
 ... acabada a cerimónia e antes de regressarem a casa para os fieis há uma bebida para refrescar o corpo... 
José Martins/2014