quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

ANO 2013 - O MEU ÚLTIMO DIA



A residência dos embaixadores de Portugal acreditados no Reino da Tailândia- Foto de José Martins
-
Desde há vários que o meu fim de ano, em Banguecoque, é despendido no local da minha obcecação, junto ao às margens do rio Chao Prya cuja  área jamais me afastei desde o já longínquo ano de 1978. A cidade de Banguecoque, a capital do Reino da Tailândia, era então na altura, uma bela adormecida. O tempo tinha parado e a 12 anos, quando frenéticamente se erguem junto à margem do Chao Prya, as primeiras gruas para edificarem altos prédios. A minha principal razão é que, desde 1978 eu estive ligado à missão diplomática portuguesa, em Banguecoque e na margem do rio, desde há 195 anos. É porisso que alí, enquando as pernas me ajudarem, que me sinto confortável no final do dia de cada ano. Ora ontem pelas duas e meia da tarde saio de casa, patéticamente, com a máquina fotográfica para registar imagens, rever as pessoas que por ali conheci: a inofensiva "máfia" dos motoristas de táxi, de tuk-tuk, vendedeiras de rua e os locais por onde caminhei. Muitos já partiram para o outro mundo outros, que eram jovens como eu, envelheceram e de cabelos brancos. Quando nos cumprimentamos á um "brilhozinho" nos olhos de cada e desejamos Feliz Ano Novo. As imagens a seguir dão conta da minha peregrinação aos lugares de minha obcecação no último dia do ano 2013.
Ao terminar a Rua de Captain Bus Lane, no local que conheci crescia o mangal e hoje é o principal centro, turístico, onde diariamente, centenas de turistas o visitam e embarcam nos passeios rio abaixo e acima...
Pelo Rio Chao Prya navegaram em 1511, em juncos chineses, os primeiros homens portugueses a caminho da segunda capital Ayuthaya, a fim de encetarem relações de amizade, comércio e navegação com o Reino do Sião. Fomos nós os portugueses os primeiros, da Europa, a conhecerem o Reino do Sião (Tailândia de hoje).
Na margem esquerda do grande rio aonde fui embarcado num batelão um Pai Natal oferece as ementas aos turistas....
Sigo por ali, na margem do Chao Prya, a matar as saudades enquando barcos dos hoteis passam de uma margem para outra os seus clientes.
Quando desenbarquei do batelão e regresso à margem esquerda do rio, um grupo de passageiros aguardam para irem para a outra banda....Uma mulher carrega, à cabeça flores de orquídias que certamente, para vender....
Uns 50 metros, para o norte, depois da embaixada de Portugal e na Rua Captain Bush Lane está esta preciosidade, desactivada há muitos anos, com traços da arquitectura colonial portuguesa que na Tailândia, foi-lhe dado o nome de casas Sino-Portuguesas. Quando cheguei a Banguecoque, pela primeira vez, em 1978, havia muitas destas construções, espalhadas pela cidade. Hoje apenas umas poucas, conservadas que servirão para lembrar o passado. O camartelo do progresso fê-las desaparecer e dar lugar a outras construções modernas.
Entrei no espaço e verifiquei que a bela casa, de raizes portuguesas, está a ser recuperada... Certamente não será para museu, mas, aventamos, uma estabelecimento comercial...
Passei em frente da entrada principal da Embaixada de Portugal e a primeira missão diplomática estabelecida na Tailândia, que depois de Ayuthaya, foi estabelecida na nova capital Banguecoque....
Velhos armazéns, seculares, vão se mantendo vivos como a desafiar o progresso, desenfreado, registado na capital tailandesa desde a década de noventa, do século passado
No começo da rua onde e a uns 150 metros se instala a embaixada de Portugal, o aglomerado de estabelecimentos comerciais e onde mandava fazer a minha roupa a um alfaiate chinês o camartelo tomou conta dele. Creio e não me devo enganar que um prédio de muitos andares vai ali ser construído...
Casas, como a da imagem, com mais de 100 anos está na rua Chalermkrung até quando? A Chalermkrung foi uma zona comercial das mais importantes da cidade de Banguecoque a partir da década trinta do século XIX. Espécie de uma "babel" e o encontro de gente de vários países que viria a datar o desenvolvimento e relacionamento com o estrangeiro o Reino da Tailândia.
A Chalermkrung no dia 31 de Dezembro de 2013 despida de gente e de automóveis...Parte dos banguecoquianos paratiram paras as províncias e aproveitar 5 dias feriados...
Alguns iguais a este edifício já desapareceram... Ainda conheci a rua Chalermkrung como tinha sido quando foi aberta em 1882 que a torna a primeira rua na nóvel capital do Reino do Sião que na década de trinta do século XX passou a Tailândia (Terra de gente livre). Banguecoque a conhecida Veneza do Oriente a circulação de pessoas e bens era efectuada pelo Rio Chao Prya e pelos canais abertos a braços do homem. Assim os velhos edifícios, de Banguecoque, como assim a residência dos embaixadores acreditados na Tailândia, a frente está virada para o rio.
Os correios gerais da Tailândia na Chalermkrung ornamentados e a desejar um Ano Feliz aos utentes....

O imponente edificio dos correios gerais da Tailândia, agora modificado. Os correios da Tailândia estão datados no ano de 1883. No local, onde se instala actualmente, esteve o Consulado do Reino Unido.
Cheguei ao ancoradouro pegado ao jardim da residência dos embaixadores de Portugal e perguntei a estas jovens a nacionalidade e respondendo-me: Japão. Pedi autorização para uma imagem ao que acederam simpaticamente. Naquele instante chegou-me à mente o Venceslau de Morais que em 1890 esteve naquele local, como comandante da Canhoneira Tejo e lançou o ferro em frente ao Consulado de Portugal. Igualmente me lembrei dos seus amores a O-Youé a Ko-Haru que lhe morreram.
A mulher que há muitos anos me vendia a minha sobremesa, depois do almoço, pedaços de ananaz.... Esta mulher está no mesmo local há mais de 3o anos....
Saio da rua Captain Bush Lane e entro na viela do bairro português da Senhora do Rosário....
Deparei-me com um espectáculo que me entristeceu.... Pintaram de branco as duas bocas de fogo e retiraram a sua cor original... Esta peças estão ali enterradas há mais de 100 anos... Talvez até sejam do mestre de fundição, em Macau, Manuel Bocarro... Lembro aqui que Portugal foi o primeiro país da Europa a introduzir as armas de fogo na Tailândia.
A peça já não necessária foi enterrada ali, juntamente com outra, para servir de amarra aos cavalos que puxavam as carruagens dos senhores que iam assistir à celebração de cerimómias religiosas na Igreja da Senhora do Rosário. O consulado de Portugal teve cavalo e cavalariça por décadas. O cônsul Leopoldo Luis Flores pedia em 1910, encarecidamente, à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros que o autorizasse a comprar um automóvel dado que lhe tinha morrido o cavalo....
A Igreja portuguesa da Senhora do Rosário foi-lhe dado o nome de Kalawar
A igrela da Senhora do Rosário com toda a sua imponência religiosa deu lugar à construída pelos portugueses e passou do Padroado Português do Oriente (independente) para a jurisdição do Vaticano
A árvore plumeria, em frente da igreja da Senhora do Rosário, de rosas brancas com ornamentos natalícios....
A saida do bairro do Rosário
Entrei para o edificio onde eu e minha mulher temos um apartamento para dali e do alto ver a festa, da passagem do ano velho para o novo,  no rio Chao Prya
O sol ainda alto que pouco depois desapareceu entre o nevoeiro ou a poluição de uma cidade onde circulam 4 milhões de automóveis...
Do outro lado do rio os prédios a desafiarem as alturas...
No terraço de um hotel turistas, europeus, apreciam, despreocupadamente, a paisagem... A festa ainda vai demorar umas 5 horas...
Anoitece e passam a navegar os primeiros barcos no rio Chao Prya. Vão embarcar turistas para a passagem do ano a navegar no rio.
Ainda era cedo para mim e saí do apartamento para observar o que se passava junto à margem do Chao Prya...
Bicicletas para alugar aos turistas....
Três belezas taialndesas, esperam os turistas que vão embarcar  e navegar no Chao Prya para lhes colocar raminhos de orquídias, frescas, no peito...
O típico Tuk-Tuk aproveitado para vender souvenirs aos turistas
Dezenas de turistas esperam no cais para entrarem nos barcos da festa, onde não falta comida, bebida e música.
Turistas há que preferem jantar, despreocupadamente, junto à margem do Chao Prya...
O barco que encosta ao ancoradouro para receber turistas...
O meu amigo de longa data, com o seu negócio junto ao ancoradouro da carreira regular dos barcos ao longo do Chao Prya. Aluga pequenos barcos a turistas e vende velharias...
Caminho pela Captain Bush Lane e junto ao hotel Royal Orchid.
Não resisti de fazer um "boneco" ao largo do River City e à Arvore de Natal....
Agora são horas de voltar ao apartamento e caminhei por ruas quase desertas... Todos por ali podem passar a qualquer hora da noite.... Não há o esticão ou os mãozinhas leves...
Passa por mim um homem chinês e lá segue montado na sua bicicleta...
Não resisti ao passar junto à igreja da Senhora do Rosário e fazer mais umas imagens... Aquela hora celebrava-se missa...
Um nicho nas alturas com a imagem da Senhora do Rosário...
Dois herejes junto à Árvore do Natal enquanto na nave da igreja se celebrava missa, com a voz, do sermão, do padre que chegava cá fora.
Uma rua do China Town...
Uma travessa do China Town junto ao apartamento na margem do Chao Prya
Há trastes por todos os lados... O chineses são isto.... Guardam o bom e o menos bom. Sucatas de automóveis e camiões na rua...
Um motorista de Tuk-tuk a fazer pela vida...Enquanto uma jovem caminha...
Os dotes de um pintor/grafite Picasso estampados numa porta de um sucateiro do China Town...
Uma banca de comida de rua... São 11 horas da noite...
No prédio Sathip coloco-me no jardim situado no décimo primeiro andar apreciar a grande festa da passagem do ano no majestoso Chao Prya.
Feéricas iluminações dos barcos atiram raios de luz que espelham na água...
Faltam cinco minutos para o relógio bater as 12 horas.... Parte dos barcos concentra-se junto aos hoteis  e o jardim da residência dos embaixadores de Portugal na Tailândia.
Seguem imagens do fogo de artificio...
Terminou o lançamento do fogo artifíco junto aos 15 minutos dos ponteiros do relógio do novo dia do ano 2014. A festa continuou até altas horas da madrugada. Mas eu (quem andou não está para andar) acomodei-me no vale dos lençois e esperar para a nova passagem do 2014 para o 2015, se ainda por cá andar.
José Martins