segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PORTUGAL E A TAILÂNDIA NA ÓPTICA DE NUNO CALDEIRA DA SILVA



Muitos perguntarão acerca da possibilidade de fazer negócios com a Tailândia.

A sociedade tailandesa é altamente consumista e, portanto, apta e aberta a comprar produtos e bens vindos do exterior, e principalmente da Europa, são ainda mais procurados. 

Há contudo que entender que se o produto europeu é apreciado ele tem de ter atrás de si alguma história, não humano história épica e gloriosa mas uma aura de moda, glamour, e reconhecimento que faça desse produto único e o mesmo de quem o consome.

Paga-se sempre um prémio por um produto importado mas é necessário que esse "faça bem ao ego do consumidor" e do seu social status.

Portugal carece de "Brand awareness" aqui. Embora mesmo "o homem a rua" conheça a velha relação de Portugal com a Tailândia onde chegamos há 502 anos, o facto é que o conhecimento do Portugal actual se resume ou ás más notícias ou ao futebol devido aos grandes embaixadores que temos nesse domínio.

A falta de uma continuada e coerente aposta na criação e maturação da marca Portugal impossibilita que haja sustentabilidade na promoção de produtos portugueses.

A sistemática mudança de estruturas e consequentes estratégias na promoção do pais não permite aquele objectivo.

Produtos como os vinhos, os enchidos, queijos, azeite e semelhantes poderiam ter um lugar nas mesas tailandesas tal como os similares vindos dos outros países do Sul da Europa. Contudo a realidade é que os outros (Espanha, França e Itália) são hoje em dia "marcas" reconhecidas e as suas exportações continuam a subir. 
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No caso do vinho muitos ainda pensam que vinho vindo de Portugal é Vinho do Porto. Vocês têm vinho de mesa, perguntam crentes da sua inexistência. Mesmo os mais conhecedores perguntam porque é que eu devo vender vinho de Portugal se tenho já da França, Itália, Espanha, Austrália, Chile, Argentina, África do Sul, etc.

Este é só um exemplo que se pode extrapolar para presto da cadeia alimentar que Portugal pode oferecer.

Veja se o caso de Itália que consegue com tanto sucesso "colar" o nome do pais a muito do que faz girar o mundo actual. São tantos os casos que é desnecessário inúmeras mas veja-se só o café uma "invenção" transalpina onde não há um grão dele.

Olhando para outra perspectiva que é a do investimento se bem que Portugal não esteja no melhor período para expansão das suas empresas.

A indústria automóvel e acessórios é extremamente forte no pais. Esta industria necessita de moldes sector onde Portugal tem larga experiência e reputação. É sem dúvida um sector a apostar. Outro sector é o dos transformadores e geradores de pequena e média potência. 

A Efacec esteve aqui instalada mas entendeu, na altura da crise no sudoeste asiático sair um erro muitas vezes cometido e que se paga sempre caro. O sector continua forte e a Efacec, que se soubesse ter gerido a crise, poderia ser uma força dominante. Quanto a mim ainda poderá tentar.

Um outro sector, aliás com algumas presenças por perto(Malásia e Singapura) é o do software. Portugal não é um world player mas tem empresas inovadoras e capazes de ter sucesso em certos nichos de mercado.
 
Há muitos outros exemplos de empresas industriais com conceitos inovadores que podem tentar o mercado (Logoplaste por exemplo). Um outro sector que poderia ter algo a dizer é o turismo. A Tailândia acolhe cerca de 23 milhões de visitantes, é um Hub fundamental na região e se bem que tenha uma presença muito forte de todos os operadores mundiais, Portugal, também como pais de turismo, poderá encontrar algumas sinergias entre os dois países no sector.

Há contudo de entender a Ásia e a Tailândia em particular e perceber que vir para aqui será sempre para fazer uma parceria onde contribuímos para algo no pais e não se vem para aqui para ensinar nada. Num aspecto global a economia tailandesa é superior à nossa.

Olhando para o outro lado ou seja o investimento tailandês em Portugal há dois aspectos a considerar.

Primeiro, aparte dois ou três grupos, não há uma tradição de investimento no estrangeiro por parte dos empresários tailandeses. Há mesmo exemplos de empresas que, depois de se terem aventurado no exterior, cortaram essa "aventura". Segundo aqueles que investem fazem-no preferencialmente na Ásia e quando na Europa nos chamados grandes países. A "falta de uma marca reconhecida" volta a manifestar-se aqui.

A recente política do "Golden Visa" não consegue ser um atractivo aqui pois o Reino Unido é igualmente generoso no acolhimento e em Schengen a Espanha ultrapassa-nos largamente em reconhecimento. A tudo isto acresce o facto de não haver voos directos para Portugal quando os há de aqui para quase todas as capitais europeias. 

Conclusão. A tarefa para aumentar o intercâmbio comercial e de investimento entre os dois países necessita em antes de tudo um reforço, como disse continuado e coerente, da promoção da Marca Portugal, não só aquilo mas pelo mundo.
Nuno Caldeira da Silva