sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

NA PEUGADA DOS PORTUGUESES NA TAILÂNDIA - NUNO CALDEIRA DA SILVA

2ª Parte

Em Chiang Mai fui encontrar algo diferente do que noutras cidades da Tailândia. Gente de pele clara, faces parecidas a chinesas. Cidade antiga com centenas de templos quer entre a cidade, como nos arredores e mais além. O burgo é tranquilo e ali vivem cerca de um milhão e meio de almas. Hoteis de 5 estrelas e outros para todas as bolsas e milhares de turistas que diariamente chegam e partem do aeroporto. 
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Nuno Caldeira escolheu e bem a cidade de Chiang Mai para ali, moderadamente, gozar sua reforma e onde vai encontrar sossego e a espiritualidade nos templos budistas onde neles tem monges seus amigos. Tivemos conhecimento que voluntariamente nesses centros de paz e harmonia ensina a língua inglesa.
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Nuno Caldeira conhece os cantos da cidade e arredores, mas outro português o nosso Fernão Mendes Pinto, há 473 anos passou por Chiang Mai. Curioso e nos dá a convicção, exacta, que Pinto navegou à boleia pelo rio Chao Prya e pelo rio Ping chegou a Chiang Mai. Pinto escreveu: " Nas partes altas tem arvoredos espessos de muita madeira de angelin, de que se podem, fazer milhares navios de toda a sorte".  
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Assim estamos certos da veracidade do que Pinto se refere porque vamos encontrar montanhas, a perder de vista, repletas de arvoredo e milhares de árvores cujo toro tem mais de 10 metros de diâmetro. Iremos citar, nas duas partes que se seguem, a esta, passagens na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto que ninguém melhor que ele soube descrever a Tailândia. 
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Todos os historiadores, realizadores de filmes foram beber às descrições de Fernão Mendes Pinto à sua genial obra, em dois volumes, a "Peregrinação".
José Martins

O Hotel Ibis onde todas as manhãs com pontualidade Nuno Caldeira me buscava pelas 9 horas
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O passeio de trabalho, no dia 2 de Dezembro, estava programado para peregrinar até ao cume da montanha Doi Suthep na província de Chiang Mai. O automóvel estacionou a uns 200 metros e o resto, da subida íngreme foi caminhado pelo pé. 
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Estamos dentro de nuvens e a uma  temperatura frígida.... Rapei, no cume da montanha, frio enregelador, porque fui trajado à "papo seco" com uma só camisola...

Porém na montanha esperava-me uma surpresa que longe estaria o meu pensamento encontrar... Carros de madeira a que lhe dei o nome "Formula 1". Veículos, ´engenhocamente´concebidos de quatro rodas, estas forradas de tiras de pneus velhos e uma atracção turistica.
Aí vão eles rebocados pelo guincho, até ao topo da estrada, de uma carrinha, para depois entregues aos turistas e estes que se acomodem durante a descida...
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A íngreme descida está envolvida no nevoeiro da núvem, os amigos, esperam, dos vão chegar nos fórmulas 1 ao ponto de partida. 
Chega o primeiro piloto, com a sua pendura sentada no banco de trás...
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O segundo a chegar à meta.
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O casal chinês (a maior parte dos visitantes que encontrei no topo da montanha, depois de perguntar a um grupo, eram provenientes da China) e o seu bólide para uma imagem de recordação
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Nuno Caldeira que não se atreveu à prática de tal desporto apenas posa para a fotografia

Pois claro que vale a pena recordar, a família, a subida à montanha, no futuro
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E para quem gostar da experiência de viver, na montanha, uns dias e dormir umas noites há uma área com barracas e tendas para alugar


Há sempre, para mim, como fotógrafo amador, o "boneco" que mais simpatizo... Esta querida dá-me dois dedos de vitória e um sorriso demasiadamente lindo!
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Papoulas, a flor que foi nestas montanhas "diabólica" e hoje serve apenas para alindar o topo da montanha. Foi nesta área e noutras adjacentes que crescia a planta da flor da papoula que depois, da resina do botão, se extraia o ópio. 
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Um jardim no topo da montanha que dali, até perder de vista, se olha a cordilheira e os vales verdejantes.
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Duas flores, outras mais pequenas, entre hortaliças
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Uma couve de tamanho desproporcional. Nesta montanha e em outras e mais vales encravados na cordilheira, espaços quase impenetráveis, criou-se a planta da flor da papoula onde a resina do botão da flor extraiam o ópio. Não muito distante do local da produção instalada a refinaria que transformava o ópio no pó da heroína. Graças aos conselhos de Sua Majestade o Rei da Tailândia a flor do ópio foi eliminada há mais de duas dúzias de anos e substituída a cultura da papoula pela horticultura com excelentes resultados. 
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Mas o que elas estarão a segregar....
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Uma imagem junto a crianças da montanha...
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Flores, malmequeres e repolhos na montanha...
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Tudo na montanha é natural com casas construidas de paus de bambus
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Pois claro que nunca sou atrevido... Pedi autorização para o "boneco" e  a linda do lado esquerdo retribuiu, o meu pedido, com um sorriso...
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A Tailândia, mesmo sendo uma tira de terra comprida e banhada pelo Golfo do Sião e o Mar Andaman, sem contar e ao acaso vou encontrar um grupo de meus vizinhos em Banguecoque. Residimos todos no bairro de Bangkuntien.
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Com muita pena.... as nuvens não me permitiram focar os vales para baixo do topo da montanha.
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Coisa raríssima.... um leão, sportinguista, na montanha Doi Suthep.... E ouro sobre o azul... O Sporting já tinha ascendido ao primeiro lugar da classificação da 1ª Liga de Futebol Portuguesa.
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Nuno Caldeira, antes de partir, comprou uma caixa de plástico de morangos da montanha...
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E na descida do topo da montanha para o parque onde estacionava o Nissan "Teana" um grupo de belezas femininas, tailandesas, pediram para ficar juntas ao jovem, de 65 anos, Nuno Caldeira. Quem seria quem que se recusaria a tal?
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Pimentos vermelhos e amarelos, da montanha, na banca do mercado.
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Uma vendedeira no mercado da montanha...
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Barracas construídas de varas de bambu e tendas de lona para alugar aos turistas.
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Na viagem para o sopé da montanha encontramos pequenas aldeias e muita agricultura...
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Entre o serpenteado da estrada há pinheiros, bravos, na encosta que me fez lembrar a minha Serra da Estrela
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E cada passo encontramos flores selvagens...
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Paramos para almoçar na base da montanha Doi Suthep. Porém Nuno Caldeira da Silva sem me dar conhecimento telefonou a um seu amigo, francês, Emmanuel Schoff, que residia à beira do restaurante. Emmanuel, solteirão, na ternura dos 50, comprou uma residência e vive num local de absoluta paz e ar puro. Pela aragem Emmanuel é um homem rico e fugiu de uma Europa, cada vez mais fedorenta, e refugiou-se no sopé de montanha de Chiang Mai.
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Pouco depois do almoço Nuno Caldeira levou-me a visita uma sétima maravilha o Templo Budista Suan Dok clique AQUI.

Nuno Caldeira da Silva posa em frente de um dos pórticos do Templo Wat Suan Dok
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Dentro de toda a área desta magnífica obra religiosa o silêncio é absoluto. Havia poucos peregrinos a visitá-la.

Seriam necessárias escrever muitas páginas para descrever a beleza do muito que por ali há no interior e exterior do templo.
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Estátua de uma princesa que viria a ser esposa de Sua Majestade o Rei Chulalongkorn que reinou no século XIX e principio do século XX.
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 Uma figura mitológica siamesa e guardião da entrada do templo
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Monges budista em oração numas das capelas...
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Uma das várias casas de oração....
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Os pagadores de promessas em oração ao Lorde Buda.


Uma das naves com santidades ao fundo...
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Sobem-se as escadas e entra-se numa sala onde está, exposto, um relicários de dezenas de objectos....
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Uma incalculável riqueza....
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A estátua de um servo com o seu abano para refrescar Reis, Príncipes e nobres também ali figura....
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Murais pintados a laca e estátuas...
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O esplendor de uma das muitas salas do templo Wat Suan Dok.

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Uma stupa ladeada de flores de lótus sob nuvens e o azul do céu
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O bufalo de água também representado na moldura entre flores de lótus. O búfalo e o elefante, por séculos têm sido animais de estimação e trabalho das gentes siamesas.
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A ramagem verde envolvente e o silêncio ali gerado apetecia, mesmo, ficar por ali o resto da vida.... Ali não há lugar para a hipocresia e pulhice, humana, a que o vivente, no mundo moderno, se sujeitou e escravizou-se.
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Para além das nagas guardiãs da entrada de uma das naves está um jardim que bem se pode classificar: "Paraiso".


A grandeza, os dourados de uma nave onde ao fundo se queda, em estátua, Lorde Buda.
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Caminhando-se pelo jardim e ruelas encontramos divindades em estátuas.


Fim da 2ª Parte