quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NA PEUGADA DOS PORTUGUESES NA TAILÂNDIA - NUNO CALDEIRA DA SILVA

 1ª Parte de quatro

Nuno Caldeira da Silva, de 65 anos de idade é mais um português residente na Tailândia há cerca de 10 anos. Licenciado, em Direito, pela Universidade Clássica de Lisboa. Embora tenha exercido a advocacia por alguns anos, acrescentado o cargo de Assistente Contratado de Direito e Obrigações (na mesma faculdade FDL).
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Sua vida acadêmica foi marcada pelo período de grandes e intensas lutas políticas, da infiltração de “gorilas” da PIDE (Polícia política do Governo de Salazar) nas instituições do ensino superior. 
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Nuno Caldeira tem seu nome referenciado nos arquivos da polícia política que se encontram na “Torre do Tombo”, pela sua actividade, clandestina nos CLACS (Comités de Luta Anti-colonial), onde teria feito várias vezes trabalho de campo com o saudoso Ribeiro Santos que foi morto no Quelas às mãos da PIDE. 
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O interesse forte pela política e a luta pela liberdade sempre acompanhou Nuno Caldeira facto que o levaria à cadeia no rescaldo do 25 de Abril e nos tempos mais vermelhos dos anos que se seguiram. 
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Na década 70, para além dessas pinceladas políticas, iniciou a grande obra de sua vida a constituição de família e aquela que sua saudosa esposa a ajudou a criar e da qual os dois sentiram enorme orgulho.
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Durante uma dúzia de anos trabalhou numa companhia portuguesa (extinta) com sede em Lisboa, actuando em Cabo Verde, Congo/Zaire e Angola em África e Bélgica na Europa.
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Da empresa portuguesa seguiu para uma multinacional americana e nesta como Director-Geral durante 6 anos. Dá assim, Nuno Caldeira, o primeiro passo para a internacionalização. Mais tarde uma empresa japonesa, que actuava pela mundo inteiro, convida-o para seu colaborador. Destacado vários anos em Londres, depois de 6 meses em Paris, Nuno Caldeira atinge o topo de sua carreira. Teve a seu cargo a responsabilidade de milhares de pessoas por todo o mundo e uma carteira de negócios de cerca de 900 milhões de libras esterlinas.
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Nuno Caldeira, por razões familiares decidiu regressar a Portugal e após um período de transição como que regresso ao início foi exercer funções para uma das maiores companhias portuguesas e dirigir o portfólio dos negócios internacionais espalhados desde o Brasil até Timor e Macau ,aqui na Ásia.
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Caminhar pelo mundo foi uma constante de sua vida durante muitos anos e assim continuou até que a vida lhe trouxe a surpresa de acabar a mudança radical para residir na Tailândia.
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Na capital tailandesa ingressou por 3 anos de forma gratuita na Embaixada de Portugal e diz-me Nuno Caldeira que entendeu, ao fim desse tempo, estarem esgotadas as ilusões que teve aquando iniciou a colaboração com a missão diplomática portuguesa no Reino da Tailândia.
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Ingressa (ao fim de um longo concurso de 17 meses) na Delegação da União Europeia em Banguecoque onde durante 4 anos foi o responsável pelo estudo, análise e relato da actividade política tailandesa.
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Nuno Caldeira recorda que foi um desafio fascinante, com interesse a complexidade do panorama, história e prática do país. Viveu momentos dramáticos, mas cheios de intensidade, aliás como de novo está acontecer, nos contornos quase indecifráveis da política e culturas siamesas.
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E termina: “analisar este país, que já vivo há quase 10 anos, é uma tarefa sem fim. Ao fim deste tempo todo ainda consigo ser surpreendido com nos cenários e situações quase diariamente.
José Martins
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Aeroporto da cidade, nortenha da Tailândia, de Chiang Mai e onde Nuno Caldeira da Silva, há dois anos escolheu para viver. Ainda não eram 8 da manhã do dia 1 de Dezembro quando ali cheguei vindo de Banguecoque, para durante quatro dias conviver com Nuno Caldeira. Dalí, antes de me hospedar no Hotel Ibis, no centro da cidade, iniciamos o roteiro de visitas à cidade, templos e montanhas, de grande beleza, para lá de Chiang Mai.



Templo Budista Wat Phra Doi Suthep situado no topo da montanha Doi Suthep Pui foi a primeira visita, que fizemos ainda não eram 9 da manhã, já estávamos a visitar esta maravilha, construída, numa montanha sem declives ou vales desde o sopé com 10 quilómetros.

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Na paz do templo da montanha um monge budista caminhando, talvez, assim penso depois de sua primeira e única refeição do dia... Seriam umas 9 da manhã.

Esculturas de bichos estranhos e uma parte da mitologia siamesa são guardiões de uma capela onde se queda, em estátua e iluminado por velas o Lorde Buda.
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A grandeza da nave principal do Templo Budista Wat Phra Doi Suthep. Todos que nele entram ficam extasiados de tamanha beleza e religiosidade que encerra.


Uma capela ao lado da nave principal queda-se um "poster" com a imagem de Sua Majestade Bhumibol Adulyadej, Rei da Tailândia.
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Centenas, senão milhares, de tailandeses e estrangeiros visitam, diariamente o templo no topo da montanha.
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Uma parte, exterior, da nave principal do Wat Phra Doi Suthep
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O surpreendente e o que mais fascina, o visitante, são as stupas douradas com um brilho cintilante quando a luz dos sul beija aquela obras, divinas, de folha de ouro.
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A imagem de Lorde Buda, reclinado, em meditação
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Duas jovens tailandesas oram, de joelhos, ao Lorde Buda reclinado.
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Duas flores de lótus e umas moedas deixadas por peregrinos, num vaso, circular, de madeira, como paga de uma promessa ou um bem na vida que lhes venha pela graça do Lorde Buda.

O peregrino, de mãos postas, uma flor de lótus e uma oração escrita numa folha de papel, seguido de outros pagadores de promessas, tendo a seu lado esquerdo as divindades lá seguem dando voltas, a rezar, à grande stupa dourada.

Reza-se por todos os cantos do templo da montanha e queimam-se paus embebidos em incenso
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A manhã não deu, pelo névoa, de admirar e gravar, em imagens, lá alto a maravilha da natureza de uma floresta virgem onde residem árvores seculares. Descemos a escadaria (para cima seguimos de elevador) guardados por duas Nagas de sete cabeças até à base do templo.
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Não resitimos de pedir às duas crianças, vestidas com trajes das "Terras Altas", da Tailândia, uma fotografia. Mas sabendo que elas estavam ali para angariar uns trocos para uns refrigerantes ou umas guloseimas, perguntei-lhe, no meu fraco tailandês: ´tai rai krap?´ (quando vale uma fotografia) e elas num inglês, absolutamente claro: "up to you" (o que queiras oferecer). A dávida ficou a cargo de Nuno Caldeira da Silva.
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E depois da fotografia em corpo inteiro, não resisti a captar outra, mas agora em close-up, da beleza (embora maquilhadas) destas duas crianças tailandesa.
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Nuno Caldeira, animado, conversa, em tailandês, com um grupo de estudantes de uma universidade de Chiang Mai que nas escadas que dão para o templo se quedam a recolher uns donativos para organização que protegem.
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Eu mesmo pedi a Nuno Caldeira se juntasse às jovens estudantes para uma imagem.

Junto à naga de 7 cabeças e a guardião do tempo contra os demónios, mais três estudantes ali se quedam a solicitar donativos.
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Na base do templo vende-se artesanato e vários produtos da terra....
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E Nuno Caldeira não resistiu a compra de um copo, plástico, de morangos frescos e a descer as escadas para o seu automóvel os vai devorando!!!...Chiang Mai é considerada a capital de morangos que produz, a provincia, largas dezenas de toneladas anualmente

Na base do templo e pelas escadas acima há dezenas de estudantes que alí vão recolher fundos ou se divertirem.
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Depois de regressarmos do templo da montanha, passamos juntos à capela "Seven Fountains", da congregação Jesuita, em Chiang Mai, onde dali a pouco se iria celebrar a missa dominical. Diz-nos Nuno Caldeira: "antes de fazer o "check-in" no hotel vamos à missa.Foi saudável para mim, porque a última celebração de uma missa a que assisti foi no jardim da Embaixada de Portugal no dia 16 de Junho, último, a convite do embaixador de Portugal Luis Barreira de Sousa e celebrada pelo padre Jesuíta Luis Amaral, na altura que terminou a sua missão, missionária, num campo de refugiados na fronteira da Tailândia com a da Birmânia (Mianmar) 
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A capela "Seven Fountains" dos missonários Jesuítas em Chiang Mai
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A capela muito aconchegada e fieis, de várias nacionalidades, contamos cerca de 120. Vimos um católico japonês assistir à celebração da missa e chega-me ao pensamento a semente, deitada no Japão, pelo Francisco Xavier, missonário do Padroado Português do Oriente.

O padre celebrante de olhar "carrancudo", foi o primeiro clérigo, na Tailândia, que quando nos preparávamos fazer um grande plano ao altar nos acenou com a mão para não captarmos nenhuma imagem... Ainda estivemos, ao fim da celebração e quando cumprimentava, no adro da capela, os fieis lhe perguntar qual a razão porque usou, para conosco , tão incorrecto gesto... Esquecemos... Mas lembramos aqui que temos captado dezenas de imagens em igrejas católicas e templos budistas na Tailândia e nunca fomos proibidos de o fazer...
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Os fieis nos fim da celebração da missa conversam, uns e outros, compram uns doces que ali são expostos em cima de mesas.
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Depois da celebração da missa, seriam umas 11 da manhã Nuno Caldeira levou-me ao hotel Ibis (que graciosamente Nuno já tinha reservado quarto), depois das formalidades, fui arrumar a maleta da roupa e de outras "tralhas" no quarto e marcharmos para a residência da senhora Waraphanee Damrongmanee, conselheira diplomata do ministro dos Negócios Estrangeiros e temporariamente destacada em Chiang Mai como chefe da secção dos passaportes. Senhora Waraphanee é uma nossa, velha  amiga e já tinhamos o prazer de ter almoçado juntos em 2010 clique AQUI.

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Nuno Caldeira com a senhora Waraphanee à entrada do restaurante "River Market" onde nos foi servido um excelente almoço, junto à margem do Rio Ping.

A ponte de ferro sobre o rio Ping, de águas límpidas, visto do Resturante "River Market"

Panorâmica do restaurante "River Market"

A lauta comida servida em cima da mesa... Uma delícia!!!
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Fotografia para a  prosperidade e a lembrar a nossa passagem por Chiang Mai. Ao acaso lembrei, ao Nuno Caldeira que o familiar de um nosso amigo, Rui Belo, português e empresário em Banguecoque, tinha um seu familiar estabelecido, com um restaurante, em Chiang Mai. Resposta do Nuno: "vamos lá tomar o café do fim da refeição".
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À entrada do simpático  restaurante e casa de chá "Nagkara Jardim" de Pomme, familiar de Rui Belo (Açoriano de alma e coração e das quatro costelas),o qual Nuno cumprimenta, antes de eu e a senhora Waraphannee nos sentarmos à mesa na esplanada, junto à margem do rio Ping.

Especialidades de comer e chorar por mais... Infelizmente não podemos alinhar pelo facto de sermos meio doces (diabético crónico ainda não)...
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Uma maravilha confeccionada de morangos, limão e chocolate....

Um lugar tranquilo e onde o ar fresco nos embala o rosto

Uma casa espelhada na corrente do rio Ping
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Nuno com a senhora Waraphannee

O primeiro dia em Chiang Mai bem passado... Junto a Nuno Caldeira da Silva e a simpática senhora Waraphannee  Damrongmanee em Chiang Mai.
José Martins