sábado, 23 de novembro de 2013

" 11º FESTIVAL MUNDIAL DE CINEMA DE BANGUECOQUE - TAILÂNDIA"


Mega-Shopping Centre "Central World", na baixa turística e comercial da cidade de Banguecoque.
Ontem, dia 23 de Novembro de 2013 pelas 9 horas da noite, no super-mega shopping centre, Central World da capital da Tailândia, Banguecoque, teve lugar, inserido no " 11º FESTIVAL MUNDIAL DE CINEMA DE BANGUECOQUE - TAILÂNDIA"  a segunda e última exibição da longa metragem Tabu do realizador português Miguel Gomes, com a sala a dois terços dos lugares preenchidos. Portugal, entre outros países, desde há duas décadas tem  estado presente nos festivais de cinema a nível mundial ou da União Europeia na capital tailandesa.
A mesa da organização do festival mundial do filme em Banguecoque.
 A grande metragem Tabu
Tabu (2012) é um filme de Miguel Gomes, que invoca, homenagem cinéfila, a obra homónima Tabu de F. W. Murnau (1931).


Co-produção portuguesa, alemã, brasileira e francesa, teve estreia mundial na 62ª Berlinale (Festival Internacional de Cinema de Berlim), onde seria contemplado com o prémio Alfred Bauer (Alfred-Bauer-Preis), destinado a obras inovadoras, e com o prémio FIPRESCI1 da crítica internacional para o melhor filme em competição.


Na sua estreia em Portugal, a 5 de Abril de 2012, foi exibido, simultâneamente, em nove salas nos distritos de Lisboa, Coimbra e Porto.


Com a presença em Berlim, segue-se a internacionalização e exibido em dezassete países. Mais de três mil espectadores viram o filme nos primeiros quatro dias de exibição, invulgar em Portugal com a exibição de filmes de realizadores portugueses seguindo-se o sinal de potencialidade na distribuição internacional, mesmo com a particularidade de se tratar de um filme de características não comerciais.


O filme foi lançado nos Estados Unidos, com estreia em Nova Iorque , a 26 de dezembro de 2012 no Film Forum, uma das seis salas “art cinemas” de Manhattan.


Será o quinto filme português com estreia comercial nessa cidade, depois do documentário de Bruno de Almeida sobre Amália Rodrigues, A Arte de Amália (The Art of Amália), Cinema Quad ano 2000, O Fantasma de João Pedro Rodrigues, IFC Center ano 2003 e, em 2011, O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira, IFC Center, e Brumas de Ricardo Costa, no Quad (Ver: As convergências e o sonho americano). Em relação a todos os antecedentes, será o filme português com maior projecção internacional.


Sinopse
«Uma história passada (…) pouco antes do início da Guerra Colonial Portuguesa», «…um filme sobre a passagem do tempo, acerca de coisas que desaparecem e só podem existir como memória, fantasmagoria, imaginário (…)»


PRÓLOGO

Um narrador, Miguel Gomes, em voz over, lê um texto poético e algo filosófico que invoca uma lenda em que o Criador ordena mas em que o coração comanda: o suicídio de um intrépido explorador que, em terras de África, noutros tempos, se suicida lançando-se para as águas turvas de um rio onde será devorado por um crocodilo. 

O motivo que o leva a um acto tão desesperado é uma desilusão amorosa. Jura-se a bom jurar, dando veracidade à coisa, que uma linda dama por vezes se avista no meio da selva acompanhada de um triste crocodilo, sendo garantido existir entre ambas as criaturas uma misteriosa empatia.


PARTE 1 - Paraíso Perdido

Três mulheres, que se dão como podem, moram num antigo prédio de Lisboa. Aurora, uma octogenária vivendo da reforma, velhota faladora, supersticiosa e excêntrica, mais morta que viva, e a Santa, a sua soturna criada cabo-verdiana, meio analfabeta mas ilustrada nas artes divinatórias do vodu, prática bem africana, vivem juntas na mesma casa. A Pilar, vizinha e amiga, católica e militante em grupos de solidariedade social, ocupa ainda seus lazeres enredando-se no psicodrama das outras duas.


A Pilar tem um apaixonado, um pintor romântico frustrado, que lhe oferece quadros foleiros. Preocupa-a, mais que ele, a boa amiga Aurora: a sua solidão, as suas frequentes escapadelas até ao casino. Preocupa-a tanto ou mais ainda a criada mulata de quem desconfia, pelo que ela cala e pelo que ela faz: artes do diabo. Por seu lado, entende a pobre Santa que se governe quem se tem de governar, e pronto, o melhor é ficar calada.


Mas algo mais atormenta a velha senhora. Sente-se às portas da morte e alguém lhe falta, alguém de quem as outras nunca tinham ouvido falar. Por isso lhes pede que o procurem: Gian-Luca Ventura. Aparece o homem, velho colono moçambicano que anda mal da cabeça. E outra história se revela, que assim desponta: "Aurora tinha uma fazenda em África no sopé do monte Tabu..."


PARTE 2 – Paraíso

Flash-back: a história da vida de Aurora contada por esse homem em voz over, textual, monocórdica e arrastada. É ele Gian-Luca Ventura, «um explorador, uma espécie de Livingstone, neste caso um português do século XIX» (Carloto Cotta / Henrique Espírito Santo), que de santo nada tem.


África portuguesa. Aurora vive perto da montanha Tabu com o marido. Exímia caçadora, não falha um tiro. Tem um pequeno crocodilo por ele oferecido que faz parte da família e se passeia pela opulenta casa como um banal animal doméstico.


O bicho foge. Ela acaba por o descobrir em casa do tal Gian-Luca e assim travam conhecimento. Assim se envolvem numa relação intensa e apaixonada. Será ele pai de um filho que ela pare. Será por isso que marido e amante se confrontam. Será talvez por isso que a bela e jovem Aurora, a de há cinquenta anos, perde a pontaria. Mas não quando pega num revólver e friamente comete um crime, implicando o amante.


Como pano de fundo deste melodrama, que se desenrola como um malfadado conto de fadas, assoma pouco a pouco e subtilmente todo o esplendor de uma África colorida que se revela sem cor porque as almas cinzentas dos que a colonizam fazem com que as cores intensas que ela tem se desvaneçam por entre as névoas que os rodeiam e o fumo que emana das suas paixões. Retrato de uma época passada, a preto e branco.
EPÍLOGO


Explica Miguel Gomes como tudo se passou: «Trabalhamos com os actores de uma forma diferente da primeira para a segunda parte. Na primeira, ensaiamos como é normal alguns meses a partir do guião. Na segunda, fizemos uma coisa que adoro fazer: atirei fora o guião e os actores não sabiam o que iam fazer».  
Moral da história: como tudo na vida, corremos o risco de vermos frustrados nossos desígnios seguindo um plano rigoroso. Conseguimos muitas vezes lá chegar improvisando. Como no cinema, a vida é um jogo.


Ficha artística

Fonte: AQUI