sexta-feira, 18 de outubro de 2013

PORTUGUESES NA TAILÂNDIA - "MONTEIRO DO ISARN"


Monteiro do Isarn (Nordeste da Tailândia) uma história, desconhecida, de amor e vida. Contada a partir de 15 do corrente.
Parte 1ª

Prefiro nas 3 partes, que irei escrever, relacionadas com o português António Sérgio Monteiro dar-lhe o título, genérico, de “Monteiro do Isarn”  http://en.wikipedia.org/wiki/Isan
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Uma simpática casinha serviu-me, durante dois dias,  junto a um grande lago, pelo preço de 350 bates dia. (cerca de 8 euros)
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Monteiros, Silvas, Pereiras e tantos e mais apelidos de portugueses há-os por todo o globo terrestre e aconteceu, a fixação, desde que as naus portuguesas sulcaram os mares dos cinco continentes. 
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O grande lago, junto à casita onde fiquei instalado, que cheguei a confundi-lo com o rio Mekong. Uma reserva de água que na falta de chuva irá alagar os arrozais da região. 
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História similar à do “Monteiro do Isarn” há muitas por contar, mas esta é de facto especialíssima! 
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Caldeia-se um projecto de vida, o amor e o empreendorismo em que o “Monteiro do Isarn”  com suas economias, amealhadas, construiu seu pequeno império numa província nordestina da Tailândia
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Arrumada a mala na minha habitação António obsequiou-me com um passeio pelas redondezas, depois de lhe perguntar, olhando para o lago: é o rio Mekong? Não o Mekong fica por de trás da Montanha Phu Mu, que foi onde os americanos instalaram as comunicações de quando a Guerra do Vietname... Pode ser visitado? Pode diz-me António e seguimos para lá.   
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O “Monteiro do Isarn” já o elegi (para mim) o homem do ano,vive há 10 anos, não muito distante da margen direita do grande rio  Mekong onde é empresário e produtor de ouro branco.
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Torre de comunicações dos americanos, na montanha Phu Mu, pela qual recebiam e enviavam para os comandos no Vietname e Estados Unidos, ainda se encontra tal qual como há mais de quatro décadas, mas completamente desactivada.
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Ouro metal dourado, preto o petróleo retirado das entranhas da terra e o branco, baptizo-o eu, a borracha extraída da árvore com o mesmo nome. António Sérgio Monteiro é transmontano e  seu olhar não esconde a humildade característica do homem, provinciano, português. 
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As casernas, de madeira, do pessoal militar americano, estacionado, ainda não foram desmanteladas. Recordo que na zona  se movimentavam os insurgentes, comunistas, tailandeses, durante a Guerra do Vietname. 
 
Regressados, os dois, da Montanha Phu Mu, dirigimo-nos para sua casa, situada entre o verde dos campos de arroz e árvores de borracha. Já antes o "Monteiro do Isarn" me tinha informado que haveria uma churrascada.

E para que não provoque impaciência aos meus leitores vou, então, contar a história do “Monteiro do Isarn” a viver o seu empreendorismo, juntamente, com a sua  mulher tailandesa Thatsanee Monteiro. 
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A casa térrea muito bem concebida para o meio rural onde se situa. 
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Inserido em três missões como soldado de paz: Bósnia, Kosovo e Timor-Leste. Aos 25 anos anos, em Timor-Leste, o adeus às armas e com o dinheiro amealhado lançou-se num projecto que de princípio não sabia bem qual.
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Thatsanee Monteiro a preparar a "churrascada" à moda do Isarn. 
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A seta do Cupido, ainda em missão de serviço militar em Timor-Leste, atingiu o coração do “Monteiro do Isarn” e depois da Missão em Timor, com 25 anos, casa-se com a jovem, tailandesa de 26 anos Thatsanee, empregada de um restaurante;  com mais um ano de idade e para a sua terras, nordeste da Tailândia é que é o caminho e fazer a vida, os dois, entre as montanhas e vales verdejantes das terras do fim do mundo a confinarem, para além do Rio Mekong, a Republica Popular do Laos.
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Carne de porco, pedaços de ananaz, cebola tomate às rodelas e outros inteiros, anões e hospitalidade, genuina, mista, transmontana e do Isarn
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Há cerca de um ano tive conhecimento e por informação obtida, por um amigo, que um português de Trás-os-Montes, casado com uma senhora tailandesa possuia uma plantação de árvores de borracha no nordeste do Reino da Talândia e dedicava-se à extracção do líquido de uma árvores que para além da fabricação de pneus de automóveis tem outras milhentas aplicações na indústria moderna.
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Seguindo desde Junho, último, no precalço dos portugueses e suas acções, na Tailândia, que mão amiga patrocina, desejei ir conhecer o António Sérgio Monteiro, aliás “Monteiro do Isarn” distante da capital tailandesa, cerca de 750 quilómetros a rodar desde as terras baixas da Tailândia até às florestas, virgens, do nordeste e o antigo Império dos Khmer. 

Gente feliz e despreocupada.... Amigo de António Sérgio Monteiro o Ian de nacionalidade Australiana, criador de porcos, casado com uma senhora tailandesa, da região do Isarn, juntou-se a nós com sua mulher, mais duas, adoráveis irrequietas a transbordar alegria,  crianças 
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Graça ao meio de comunicação, moderno Facebook entrei em contacto com o António Sérgio Monteiro no seguinte termo: “Meu Caro ainda se encontra pelo nordeste da Tailândia?
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Resposta: António Sérgio Monteiro sim, vivo em Mukdahan, perto do rio Mekong. 10
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Depois da ceia por ali ficamos na conversa. Depois de nós havia o silêncio do local perturbado pelo som dos grilos e de outros insectos nocturnos.
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Respondi-lhe: Que maravilha de sítio perto do rio Mekong!!! Quando posso por lá passar, fazer-lhe uma visita, obter umas fotografias e inseri-las com uma entrevista sua no http://lusosucessos.blogspot.com .
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Resposta: António Sérgio Monteiro sim, quando o senhor quiser, eu cá estou.
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Resposta: Obrigado, diga-me se faz o favor qual o melhor caminho que devo tomar desde Saraburi. Até breve. 
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Não tardou a resposta: “ a minha casa fica a uns 20 km de Mukdahan na estrada de Ubon – Mukdahan. O itinerário desde Banguecoque é: Nakon Ratchasima – Yasoton – Mukdahan. O meu distrito é Nikhom Soi. Se usar o aeroporto, tem Ubon Ratchatani a 120 km daqui. As coordenadas exactas no papel, mas que na prática, se encontra algumas dificuldades de chegar-se ao local almejado.
Junto às 9 horas da noite deixei o local. No dia seguinte, domingo, haveria mais para  ver e contar relacionado como o nosso luso, transmontado o "Monteiro do Isarn". 
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A primeira etapa foi feita em duas duas partes e o regresso a casa em dez horas seguidas a conduzir o velho “parrano” Honda Civíc de 16 anos na minha mão e dois no primeiro dono.
Continua.

PORTUGUESES NA TAILÂNDIA - "MONTEIRO DO ISARN"


2ª parte
António Sérgio Monteiro, o tipo de português que conta, apenas, com a sua inolvidável força de vontade e de sua mulher, tailandesa, que em todos os momentos está junto a ele. Principiou da estaca zero e procura, assim, construir seu futuro. 

O caminho que o casal Thatsanee e António passa todos os dias para casa e suas terras.

Não vamos encontrar o António Português, de Trás-os-Montes nos confins do nordeste da Tailândia com centenas de hectares de terreno ocupados com plantações de árvores de borracha e emprega dezenas de trabalhadores para extrair a borracha dessas ávores. 
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Não desejamos ser voz cumplíce e que surjam (devido à crise económica que grassa) outros portugueses na Tailândia em procura de oportunidade, similar à do António Monteiro um português na Tailândia. 
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Campo de arroz, um espaço verde, que no no imenso Isarn se topa.
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Actualmente o casal luso tailandês possui uns 34 rais de terreno (1 rai 1.600m2) onde numa parte é ocupada com 1.400 árvores de borracha, com a idade de 10 anos. 
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Porém o António Sérgio Monteiro não possui, em seu nome, um palmo sequer do solo onde trabalha, mais sua mulher Thatsanee, com o suor de seu rosto a golpear árvores e a recolher a borracha. 
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O golpe longitudinal, oblíquo, que é feito, com precisão no tronco da árvore, por onde, escorre o liquido, branco, leitoso.

As leis tailandesas não permitem a estrangeiros possuirem terras, embora haja excepções para aquisição de apartamentos e não casas. Igualmente não concede residência, permanente, a estrangeiros (mesmo casados com mulheres taialndesas), mas um Visto de um ano e de três em três meses apresentação do passaporte no Serviço de Emigração.

 A ferramenta de corte que António Monteiro e sua mulher empunham das 11 horas noite até às 4:30 da madrugada a golpear árvores de borracha. A sangria da árvore não pode ser feita durante o dia, devido ao calor que vai provocar o estagnamento do correr do liquido. Assim, durante cinco horas, pela noite e de lanterna na testa lá segue o casal Monteiro na sua tarefa de sangria.
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Como já o escrevemos anteriormente António conheceu sua mulher em Timor-leste, enamoraram-se, casaram e juntos planearam um projecto de vida na terra da esposa. 
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Delinearam um projecto de vida e António entregou-se a Thatsanee para que comprasse terrenos na sua província e neles fosse plantada mandioca, arroz e árvores de produzir borracha. 
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A plantação de árvores de borracha, embora não seja um investimento a longo prazo necessita, pelo menos de 7 anos para principiar a colher o rendimento.  
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Três anos com cuidados especiais e mais quatro para a primeira sangria e por aí, adiante, até a 35 anos de esperança de vida da árvores.
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A cabana, na imagem dentro da plantação, serve para descansar, protegido da "mosquitada" por uma rede mosquiteira, o casal Monteiro das 4:30 da às 6:30 da manhã. A espera é para que a árvore escorra a seiva.
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O casal antes que lhe chegasse a fonte de rendimento da plantação de borracha, fez arroz e mandioca noutras terras como forma de sobrevivência. Hoje vivem desafogadamente e vão construindo o futuro. Um exemplo de vida
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A seiva, branca e leitosa, extraída da árvore de borracha, fica líquida e antes que o sol chegue, o casal de garrafas em punho, cuja rolha tem um pequeno orificio que vertem, umas gotas na tijela, de plástico, de cor preta, o ácido reagente que vai solidificar o liquido e transformá-lo em borracha virgem. 
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E terminou, assim, a tarefa de sangria de 1400 ávores e agora o casal vai para casa, dormir e refazer-se da canseira da noite. Noite seguinte e mais duas voltam à plantação para a mesma operação e depois de quatro completadas há, então, que recolher a borracha.
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Uma tijela com quatro sangrias de borracha e pronta a ser recolhida.
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O dia que cheguei à aldeia do casal Monteiro informou-me que no dia seguinte iria colher borracha. Ficou combinado que às 8 da manhã me iria buscar â habitação para assistir à operação, vender o produto e fazer umas imagens.
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Era um domingo e antes de seguirmos para a plantação o casal passou por casa de familiares para levar mais duas pessoas para ajudar na colheita. Compreendi que ali vive o serviço comunitário de ajuda entre  famílias.
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O seringal onde estão plantadas 1.400 árvores.
Thatsanee Monteiro segue em frente da carrinha a fim de retirar os paus que encontra pelo caminho
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E dá-se ao início da colheita da borracha.
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A Thatsanee e seu sorriso franco....
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Uma "sobrinhita" do casal Monteiro também ajuda na colheita....
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A caixa da Toyota vai sendo enchida de meias conchas de borracha virgem...
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A caprichosa... no seringal do casal Monteiro há umas 10 árvores que não sangram... Servirão, um dia, para madeira e construir mobília....


A Toyota cheia. Demorou a colheita de borracha 3 horas e serviço de quatro pessoas efectuado. Há pois que partir e fazer a sua venda...


O António não esperou pelo comprador à entrada do seu seringal... Talvez, creio, por minha causa e levou, o seu produto, a outro lado para se despachar do produto...


Vão-se pesando, cestos, de 52 quilos que retirando a tara de 2 quilos ficam 50.
A borracha, branca alva de neve traz com ela, impregnada, alguma água....


A senhora comerciante que compra borracha virgem, na região, vão tomando nota dos cestos que vão sendo pesados....
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Chega um atrelado de um aldeão, puxado por uma motoreta, com mais borracha...
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Terminou a pesagem e a senhora, compradora, faz as contas e....


E o António sorri-se ao receber o cheque... A colheita foi a melhor desde sempre... 720 quilos de ouro branco... Agora há que esperar mais quatro dias e outra colheita e mais um cheque nas mãos do "Monteiro do Isarn"


E depois e eu também o casal almoça junto à margem do grande Rio o Mekong. Para lá está a República Popular do Laos.
Continua

PORTUGUESES NA TAILÂNDIA - "MONTEIRO DO ISARN"

3ª e última parte
A seta indica a localização, exacta, onde António Sergio Monteiro, mais sua mulher Thatsanee levam a vida. A zona, conforme o indica o mapa Google, possui escassos núcleos habitacionais. Não tardará e não muito distante que a área tenha um desenvolvimento extradordinário. A pouco mais de 20 quilómetros foi construída a "Ponte de Amizade" que liga, por terra, o Reino da Tailândia com a República Popular do Laos.  Vientiane a capital do Laos situa-se a escassos quilómetros da Tailândia. Sérgio Monteiro, governa a vida, desafogadamente, na aldeia Nikhom Kham Soi há 10 anos. Trocou as missões, militares, de paz pela agricultura, com suas economias e acompanhado com sua dedicada mulher: "para a frente é o caminho da nossa vida entre a floresta e os lameiros de arroz, plantação de mandioca e de cana de açucar. As mãos do nosso, bem português, ´Monteiro do Isarn´ estão de calos duros!" O homem luso e as qualidades de trabalhado se identificam pelos calos na palma da mão e junto aos dedos.
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Antes  de chegar-se a sua casa está uma "Sala" com uma foto de Sua Majestade o Rei da Tailândia e o símbolo de unidade. Sala foi uma palavra portuguesa adiccionada ao vocabulário tailandês. Salas existem de norte ao sul de todo o reino.

A casa do casal Monteiro. Espaçosa e bem concebida. Diz-me o António: "foi minha mulher que a mandou construir a seu gosto... Enviei-lhe e o dinheiro e ela tratou do resto".

A cozinha espaçosa

Uma pequena biblioteca para a leitura. António Monteiro informou-me que o que sabe em relação à política portuguesa é pela Internet...

Na parede, apostas, recordações do passado....

Uma imagem de quando o António em missão de paz fora de Portugal

A ternura do casal Monteiro
António Monteiro sentado no seu espaço onde, pela internet, está ligado ao mundo moderno.

Casa espaçosa onde os ladrilhos, do chão, espelham. Despida de mobílias...Razão: "habitações nos meios rurais estão sujeitas aos vizinhos a  ´bicharada´ ambiental que se infiltra nos sofás carpetes..." Foi mobilada a preceito e depois oferecer parte do material decorativo a amigos e familiares...

O soldado de Paz António Sérgio Monteiro é coisa de outro tempo. Agora ganhar a vida com o suor de seu rosto nas terras do Isarn

O nosso homem, luso, no nordeste da Tailândia (fardado e o último do lado direito) produz serviço comunitário dentro da zona onde habita. "Monteiro do Isarn" não prende ninguém, mas serviço comunitário relevante!!!... Nas horas vagas ensina o inglês, nas escolas primárias, serve nos tribunais de interprete a estrangeiros se porventura tiveram problemas na sua viagem à República do Laos. António Monteiro, fala correctamente a língua tailandesa, lê a ortografia e escreve-a. Raramente fala português, porque por ali e a muitos quilómetros distantes não há um sequer!
E termino o meu trabalho nas terras do Isarn com um sorriso, franco, de uma jovem tailandesa.