sábado, 20 de julho de 2013

UM POUCO DE HISTÓRIA, CONTEMPORÂNEA, RELACIONADA COM PORTUGAL E A TAILÂNDIA




Com a devida vénia transcrevemos artigos de dua monografias editadas  durante a gerência do Embaixador José Eduardo Mello Gouveia (falecido em Novembro de 2012) de duas personalidades, que me merecem todo o respeito (infelizmente o Eng. Nuno Krus Abecasis já não pertence ao número dos vivos) e o Dr. José Blanco, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, que  contribuiram para que a história de Portugal não ficasse esquecida na Tailândia.
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O Embaixador José Eduardo de Mello Gouveia,Eng.Nuno Krus Abecasis,então  Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o Dr.José Blanco Administrador da  Fundação Calouste Gulbenkian.
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Foi primordial a colaboração do Fine Arts Department da Thailand,cujo salutar  relacionamento entre o Embaixador Melo Gouveia e as entidades governamentais do  Governo tailandês,muito contribuiram para que hoje exista,na antiga capital da  Tailândia, um monumento vivo que perpétua a presença de Portugal na Tailândia. O “Ban Portuguet” (Aldeia dos Por-tugueses),em Ayuthaya, merece que todos  os portuguese,que viagem à Tailândia, o visitem.
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Prometemos em crónicas seguintes elucidar todos que nos irão,certamente, ler a melhor forma de o visitar,onde será inserido um mapa da localização.

Em 1983 o Eng. Nuno Abecasis no prefácio da edição em língua inglesa “Early Portuguese Accounts of Thailand” Antigos Relatos da Tailândia, Câmara Municipal de LisboaPortugal  1983” escrevia:

Quando, no ano passado, uma Delegação da Câmara Municipal de Lisboa visitou a Tailândia, por ocasião do duplo Centenário da Cidade de Banguecoque, tive ocasião  de tomar conhecimento do grande projecto que o Embaixador José Mello Gouveia tinha em mente e que consistia em reactivar a velha Feitoria, integrada no conjunto da  magnífica Embaixada de Portugal, dando-lhe a finalidade de servir, no futuro, como  grande centro Cultural Português no Sudoeste da Àsia onde, a cada passo, se encontram, religiosamente guardados pelas populações, pedaços da presença de Portugal.
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O próprio Embaixador já iniciara a recolha de peças, nomes, documentos e até  conversas, que bem testemunham essa presença.
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Nem eu, nem nenhum dos membros da Delegação,jamais esqueceremos o momento emocionante da visita ao Bairro de Santa Cruz, quando a Comunidade  local nos levou junto dos Túmulos dos “padres portugueses que há duzentos e  cinquenta anos nos trouxeram a Fé”.
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Desde então me pareceu oportuno associar Lisboa, embora modestamente, ao projecto que estava a nascer. Foi por isso que prometi ao Embaixador editar em  Lisboa, nas nossas oficinas gráficas, o livro que agora é apresentado.
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Nele se fala do passado longínquo e também do mais recente, documentando fotográficamente os  diferentes passos da última visita de Suas Majestades os reis da Tailândia a Lisboa, felizmente os mesmos reis que ainda hoje presidem aos destinos do País.
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Como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,mas principalmente como português, desejo todas as felicidades e progressos para a Tailândia e para a sua Capital e,  do mesmo passo,faço votos para que o novo Centro Cultural encontre a sua verdadeira  vocação de, ao recordar e valorizar um passado que nos honra, cada dia mais apertar os  laços culturais, sociais e conómicos entre Portugal e o seu povo e todos os países e  povos dessa portentosa região do Sudoeste Asiático.Lisboa, 10 de Junho de 1983 – Dia  de Portugal.
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Em 1988 o Dr. José Blanco no prefácio da edição “Portugal e a Tailândia- Fundação  Calouste Gulbenkian 1988”:
.Em 1982 celebrou-se o bi-centenário da cidade de Bangkok que, após a destruição de Ayuthaya, em 1782, se tornou a capital da Tailândia.
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Correspondendo a uma sugestão do Embaixador de Portugal em Bangkok, Dr. José Eduardo de Mello  Gouveia, a Fundação Calouste Gulbenkian editou, nessa ocasião, um opúsculo  intitulado Thailand and Portugal, 470 years of Friendship,com a colaboração de historiadores portugueses e essencialmente destinada a ofertas na Tailândia, noutras zonas do Sudoeste Asiático e em países de língua inglesa.
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A obra teve total éxito que, em 1985, a Direcção de Belas-Artes da Tailândia solicitou à  Fundação Calouste Gulbenkian autorização – desde logo concedida – para publicar uma versão em tailandês destinada a distribuição pelas escolas do país.
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No dia 5 de Dezembro de 1987 celebrou-se festivamente em todo o território tailandês o 60.  aniversário natalício de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadj.
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Na Tailândia, a vida é contada em ciclos de 12 anos, o fim de cada um dos quais  marca uma etapa importante no sentido de evolução e de mudança. De doze em  doze anos a sorte pode mudar (para melhor ou para pior) e a personalidade e o modo de encarar a vida modificam-se: cada ciclo é como que um chegar â “maioridade”. O mais importante dos ciclos é, no entanto, o quinto, pois entende-se  que, ao entrar nos sessenta anos, o homem atingiu a plena posse das suas faculdades.
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Estas,aliadas à experiência da vida, fazem dele uma personalidade  completa. Uma brilhante série de festividades sublinhou ao longo do ano de 1987  e, mais especialmente, no dia 5 de Dezembro, o aniversário régio.
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Integrado neste espírito, o Embaixador da Tailândia em Lisboa, Orachum Tanaphom,  sugeriu à Fundação Calouste Gulbenkian a publicação de uma versão do mencionado opúsculo em português, a fim de dar a conhecer no nosso país pormenores sobre aquilo que todos os cidadãos tailandeses aprendem nos bancos da escola: o facto de Portugal ter sido o primeiro país europeu a chegar em 1511 ao então  chamado Reino do Sião e a estabelecercom este relações permanentes.

Essas relações têm-se processado, ao longo de quase quinhentos anos num clima  de cordialidade que não é comum na história das nações.

O objectivo da presente publicação é assim, mostrar um aspecto da espantosa saga dos Descobrimentos pouco conhecido dos Portugueses de hoje.
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Entre os textos para tal efeito seleccionados destacaremos as coloridas e minuciosas descrições da vida no reino do Sião no século XVI,feitas por João de Barros e Fernão Mendes Pinto  (aquiapresentado em português modernizado).
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A Fundação agradece aos Professores Jonh Villiers e Luis de Matos e ao Embaixador  Helder de Mendonça e Cunha as suas valiosas colaborações e faz votos para que  o leitor encontre nestas breves páginas um renovado motivo de interesse por uma fase fascinante da vida de Portugal: a desta longa amizade com a Tailândia e o seupovo. 

José Blanco- Administrador da Fundação Calouste Gulbenkiam