domingo, 5 de abril de 2020

CASAMENTO ELEGANTE NA "CASA NOBRE" ALEXANDRA E JOHAN


Alexandra de Mello Gouveia  viveu e cresceu sete anos  na Embaixada de Portugal em Banguecoque. O Pai José Eduardo de Mello Gouveia foi acreditado, em 8 de Agosto de 1981, como Embaixador de Portugal no Reino da Tailândia tinha Alexandra quase 4 anos.
Alexandra caminha na arcada da residência dos embaixadores de Portugal, acreditados no Reino da Tailândia, onde ela brincou,pedalou na sua bicicleta, durante 7 anos.
Alexandra de Mello Gouveia assina o livro de registos de casamento.
Alexandra brincou no jardim da “Casa Nobre”; correu, caiu e sentou-se na relva fresca e verde; teve uma casa em cima de uma árvore, junto à arcada do “palacete”, e a única peça no seu estilo arquitectónico, em território nacional e conhecida por sino/portuguesa; andou de bicicleta pelos passadiços de cimento, que marginam o jardim e ao fim da tarde, junto a sua mãe, Embaixatriz Jill de Mello-Gouveia, sentadas em cima do patamar de cimento, junto à margem do Rio Chao Praiá, absorveram a brisa fresca  vinda da outra margem  do lado de Tomburi.
Johan Prevot coloca no dedo de Alexandra o anel que sela o casamento
Uma Alexandra de inquietude constante e sem preconceitos na escolha de outras crianças para brincar incluindo os filhos do pessoal da Missão Diplomática. Com isto aprendeu a falar, correctamente, a língua tailandesa que nunca esqueceu e hoje continua a dominá-la perfeitamente.
Agora a vez de Alexandra colocar o anel no dedo de Johan
A Alexandra saiu de Banguecoque em 8 Junho de 1988 quando seu Pai foi acreditado em Tóquio, como Embaixador,  pesarosa por deixar, a capital  tailandesa; o lugar de sua infância que a marcou e os seus amigos ao longo de sete anos. Mais tarde e com mais uma movimentação, diplomática e acreditação de seu Pai, como Embaixador na Bélgica lá partiu a Alexandra, para Bruxelas.
 O casal e o brinde depois do registo da união matrimonial
As memórias de sua infância, a magia da Tailândia, e a criancice feliz, passada em Banguecoque jamais se apartariam de Alexandra e adulta a Alexandra veio à “Terra dos Sorrisos” passar umas curtas férias e, matar saudades e reviver uma fase de sua vida, que nunca havia esquecido.
           O beijo            
Um casamento de Amor
Alexandra de Mello Gouveia e Johan Prevot conheceram-se em Bruxelas em 1995 no final do curso liceal. Terminaram os estudos secundários e ambos partiram para a mesma universidade em Londres tendo regressado a Bruxelas após a conclusão dos estudos universitários.
 A família depois do casamento no Salão Nobre
Alexandra prosseguiu seus estudos post graduação em Bruxelas e terminou com um “Master of Arts” em Administração de empresas tendo posteriormente encontrado emprego na mesma companhia internacional de orígem americana onde trabalhava já o futuro marido. Desde há oito anos inseparáveis até no trabalho profissional se mantiveram juntos.
 A mãe de Johan e pais de Alexandra
Alexandra nasceu na Austrália onde seu Pai era Cônsul-Geral em Sidney. Com dois anos, apenas, parte em 1997 (“diplomacia a quanto obrigas!”) com a família para Maputo em Moçambique e daí para Banguecoque onde o Pai foi Embaixador durante mais de sete anos, onde, atrás se refere, aprendeu a falar a língua tailandesa.
A noiva de braço dado com o pai, embaixador Mello Goveia e sua mão Jill, descem as escadas que os levam ao local onde será realizado o jantar.
Com enorme desgosto, pois adora a Tailândia foi em seguida para Tóquio e durante cinco anos continuou a sua formação académica na “Escola Internacional do Coração de Jesus”, parceira da mesma escola com igual nome em Banguecoque, e posteriormente em Bruxelas.
A noiva Alexandra no Salão de Chá, do mundialmente famoso, Hotel Oriental
Trata-se de uma escola secundária de grande nome internacional com filiais na capital tailandesa, Tóquio e Bruxelas. No Japão, a actual imperatriz foi aluna desta prestigiosa escola internacional de ensino médio em inglês,  onde Alexandra, aprendeu a falar, escrever, e ler a difícil língua japonesa.
Alexandra entre os pais na imagem para sempre!
Os noivos celebraram o casamento em Banguecoque por expresso desejo da Alexandra que reuniu amigos e familiares vindos da Austrália, Bélgica, África do Sul e vários países da União Europeia.
Minha mulher Kanda e filha Maria Martins com a Alexandra
A cerimónia civil decorreu na Embaixada de Portugal, no dia 14 de Abril de 2004 onde a família Mello Gouveia residiu de 1981 a 1988 foi presenciada por numerosos convidados, entre os quais os Embaixadores de Portugal, em Banguecoque João de Lima Pimentel ( que lavrou o assento de casamento)  pelo Embaixador de Portugal em Timor Rui Quartim Santos, pelo Conselheiro de Embaixada, em Banguecoque, Jorge Marcos, antigo embaixador da Tailândia em Lisboa Sr. Bairaj, Vice-Cônsul em Camberra e Cônsul em Melbourne antigos colaboradores do Embaixador Mello Gouveia, outros diplomatas e figuras representativas de nove países o que conferiu à recepção e jantar uma atmosfera de convívio internacional. Dois dias depois, o regresso a Bruxelas, a Lisboa e aos outros destinos, espalhados pelo mundo.
O casal Alexandra e Johan
O Copo de Água
Teve lugar no Hotel Oriental, a poucas dezenas de metros, a jusante, da Embaixada de Portugal. Hotel de classe, mundialmente, conhecida e fundado em 1876  no reinado do Rei Chulalongkorn, Rama V,  iniciador da Tailândia moderna.
Os nubentes com os pais
O Oriental é uma legenda, em Banguecoque onde figuras proeminentes, durante o percurso de sua vida  de 128 anos, desde a sua fundação ali se hospedaram:  os escritores Joseph Conrad, capitaneando o primeiro navio a gasóleo que aportou a capital tailandesa; o “Selandia” em 1888 é, em 1923 Somerset Maughan um apaixonado pela Tailândia que depois viria a visitar por várias vezes Banguecoque  onde o seu aposento tinha pela frente o majestoso Rio Chao Praiá e, ali, escreveu parte das suas novelas. Hoje ainda se mantém, no mesmo estilo e com o seu nome a suite que ocupou.
 Embaixador Mello Gouveia com amigos, vindos da Austrália
Personalidades, realeza mundial Chefes de Governos, figuras  marcantes na vida política de seus países; organizações Internacionais e celebridades na área das artes, literatura e da moda, hospedaram-se no Hotel Oriental.
Minha mulher Kanda e filha Maria Martins
No Oriental, durante o seu “consulado”, o Embaixador Mello Gouveia realizou vários eventos e entre estes se destaca, um festival de gastronomia portuguesa, a cargo do Clube dos Empresários de Lisboa no restaurante “Lord Jim’s”, por duas semanas, onde actuou o mestre da guitarra portuguesa António Chainho.
Embaixador Mello Gouveia com minha mulher Kanda e filha Maria Martins
O pianista Adriano Jordão, em 1986 deu um concerto de piano no Salão Nobre, onde decorreu o jantar do casamento da Alexandra Melo Gouveia e Johan Privot, a cerca de setenta convidados.
 Pai e filha juntos aos bolo de noiva
Depois da celebração do matrimónio na Embaixada de Portugal, os convidados dirigiram-se para a Sala de Chá do Oriental onde foram servidas bebidas onde nelas se incluindo o champanhe e vinhos portugueses do Douro. 
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Após a apresentação, tradicional dos convidados, entre uns e outros, neste género de convívios durante os “drinks” o Embaixador Mello Gouveia foi trocando palavras com as suas velhas  amizades; os noivos solicitados pelos familiares da Austrália da Bélgica e amigos para uma imagem que fica como recordação da festa do casamento de Alexandra e Johan, no álbum de boas lembranças, lá em casa.
O jantar
    Foi servido um  jantar no “Regency Room” cuja a ementa designava:
Salada of blue and papaya
Servede with Asian herb pesto
Foamy cucumber cream soup with vegetables
and crab meat
Oven roast beef fillet on a forest mushroom
Sauce accompanied by shallot confit
and sautéed potatos
Yoghurt parfait marbled
With raspberry sorbet and fresh fruit
Mocha
Home made chocolates
Outra imagem do jantar
No final do jantar houve discursos do Embaixador Mello Gouveia e do  seu genro Johan Prevot. O Embaixador Mello Gouveia e no seu estilo, próprio, de fácil improviso,  usou da palavra que conhecemos durante mais de 20 anos, proporcionou excelente disposição entre os convidados e muitos sorrisos. No final Pai extremoso que sempre foi não conseguiu disfarçar a humana emoção de um Homem que está a celebrar e a festejar o casamento de uma filha. 
O casal Mello Gouveia dança no final do jantar.
Seguiu-se o corte do “bolo de noiva” e, depois, em outro salão, a festa continuou até altas horas da madrugada, com dança onde todos os convidados, os “entradotes” deram um pezinho  de dança,  ao som de melodias da época do romantismo e modernas. 
A última imagem. Missão cumprida a filha Alexandra começa uma nova vida.
Entre os “entradotes” e, como tal não não poderia deixar de acontecer Embaixadores José e Jill Mello Gouveia dançaram músicas do “Rolling Stones” e do Elvis Presley. Os nossos desejos das maiores venturas e felicidades ao novo casal..
 Embaixador Mello Gouveia um Humanista
Sou amigo do Embaixador Mello Gouveia há mais de duas dezenas de anos.
De facto nunca  cheguei a compreender a fácil introdução e apresentação que existiu, entre mim e um diplomata que já nos anos de 1981, gozava de grande prestígio nos meandros da diplomacia internacional.
Em 1981, eu não era mais nem menos que um simples supervisor mecânico da multinacional americana “Texas Instrumentos” na área da prospecção do petróleo nos países do Médio Oriente.
Na altura da apresentação e, porque estava em férias de duas semanas em Banguecoque trajava, turisticamente, de calças de ganga e chinelos nos pés. A primeira introdução aconteceu no grande salão da “Casa Nobre”, onde a Chancelaria na altura estava instalada. Em redor dessa linda casa, onde se incluía o jardim havia por ali uns barracões em ruínas e arbustos a envolvê-las.
O motivo porque o Embaixador Mello Gouveia veio falar comigo pelo facto que durante duas semanas me viu, todos os dias, ir à Chancelaria à procura de um passaporte que pedi à Secção Consular, dado que o que possuía estava já sem folhas para carimbar nos aeroportos.
Na altura o Vice-Cônsul, José de Souza, natural de Goa, com mais de 20 anos em Banguecoque; homem de boas palavras mas que nunca chegava à acção!
Durante os 14 dias, seguidos, visitei a Secção Consular e as palavras do Souza eram sempre estas: “olhe venha amanhã”... e essa manhã só chegou quando o Embaixador Mello Gouveia interviu um dia antes de partir de eu regressar a Dhahran na Árabia Saudita e retomar as minhas funções.
Enquanto o passaporte foi tendo folhas para carimbar, não precisei de ir à Secção Consular para requisitar outro o que  aconteceu pouco depois de um ano e voltei encontrando uma Chancelaria transformada de num barracão, centenário, num espaço que dignificava as relações históricas entre Portugal e a Tailândia.
Bem! Se na emissão do meu primeiro passaporte caminhava, completamente, confrangido, para a Embaixada de Portugal, agora, ía ali todos os dias, durante as minhas férias, com prazer para conversar, em português, com os funcionários que ali exerciam funções e ler o “Diário de Notícias” (o único jornal diário que ali chegava) e saber notícias de Portugal.
Comecei a ser “pessoa” de casa e, chega-me o infortúnio da crise do preço das ramas de petróleo, em 1986, no mercado mundial, que me deixa sem emprego e a uns milhares de trabalhadores da Texas Instrumentos. A minha filha Maria Martins gerava no ventre da Mãe e, humanamente, senti-me na obrigação de ficar e criá-la.
De facto (e porque a experiência de 16 anos em Moçambique e Rodésia me ensinou algo cheguei a Portugal com alguns vinténs em 1976), sendo a minha situação económica  mais ou menos confortável.
Porém a residência na Tailândia não era coisa fácil para um estrangeiro assim necessitava de esperar o nascimento de minha filha e depois escolheria o caminho a seguir.
Numa manhã, na Chancelaria, com coragem apresentei o meu problema ao Embaixador Melo Gouveia que com muita pena me diz que os lugares na Embaixada estavam todos preenchidos.
O diplomata, durante uns 3 minutos não deu resposta ao meu pedido e, depois olha-me e diz-me: “Zé Martins sabes pintar?”
Fiquei perplexo por instantes porque não sabia que género de trabalho de pintura o Embaixador Melo Gouveia pretendia.
Da arte nada sabia, tampouco o “pintar a manta!”
Seria um quadro decorativo para pendurar numa parede?
E, respondi-lhe: “ sei, sim Senhor Embaixador!”
Então Zé Martins vai pintar as paredes que circundam o jardim!
Estas nunca tinham sido pintadas desde que o Embaixador Mello Gouveia as tinha mandado construir havia uns três anos.
Os blocos de cimento que as compunham absorviam demasiada tinta o que me obrigava a dar-lhes umas três de mãos. Depois do trabalho terminado ficaram essas vedações, primorosamente brancas (ainda hoje o estão) e que nessa obra de pintor dispendi 27 dias.
Foi o trabalho de pintor que me elevou a conhecer os parcos, conhecimentos, sobre a história de Portugal na Tailândia, a desenvolver o meu saber, culturalmente e conhecer muita gente a vários níveis, onde se incluem, políticos, individualidades ligadas à cultura, ao jornalismo, à diplomacia, às Forças Armadas e   Macau.
O mais de tudo foi a amizade criada entre mim e o Embaixador Melo Gouveia que me leva, sem favor algum, a considerá-lo um Humanista.
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À MARGEM: não foi fácil para mim escrever esta peça, 16 anos depois da realização deste casamento. Ao acaso a ver fotografias, dos meus arquivos, encontrei as do casamento de Alexandra de Mello Gouveia e para que fique para a história inserias neste blogue. 16 anos passados muita coisa aconteceu e uma das que mais me chocou foi que embaixador José Eduardo de Mello Gouveia faleceu há 8 anos. Penso que outros convidados, já não pertencem ao número de vivos. É a vida!
José Martins- Texto e fotografias - 5 de Abril de 2020

terça-feira, 24 de março de 2020

PORTUGAL NA TAILANDIA - UM SENHOR EMBAIXADOR

Escrito em:Terça-feira, setembro 18, 2007

Embaixador Mello-Gouveia e a Tailândia

Ao longo da minha permanência na Tailândia, várias vezes escrevi sobre o meu relacionamento com o Embaixador Mello-Gouveia e da sua Obra de quando Embaixador de Portugal em Banguecoque.  
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Apenas uma vez, há anos mencionei, alguns livros e monografias que foram editadas durante os 7 anos e dois meses que chefiou a Missão Diplomática de Portugal em Banguecoque. Porém, penso, que algumas não vão figurar aqui dado que me descuidei em guardá-las. 
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O Embaixador Mello-Gouveia foi o diplomata que fez ressurgir a Missão Diplomática de Banguecoque depois de vários anos a Residência dos Embaixadores, a Chancelaria, os jardins, as instalações do pessoal, os armazéns junto da margem do rio Chao Praiá (que seriam demolidos) se encontravam, completamente, ao desmazelo.  
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Lembro-me de quando a primeira vez (1978) tive necessidade de ir à chancelaria, para obter um novo passaporte, quando passei pela a cancela para me dirigir aos serviços consulares, murmurei para dentro de mim: isto é que é a Embaixada de Portugal na Tailândia? O meu murmúrio estava à vista ao olhar para um velho "barracão" centenário (hoje uma moderna e funcional chancelaria) com arbustos selvagens à sua volta. 
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No secção consular encontrei um "insípido" de olhar grave, vice-cônsul que depois de o informar ao que ía, fui tão-mal recebido que desanimei de solicitar um novo passaporte. Voltei, novamente, em fins do ano de 1981. Foi então, pela primeira vez, que conheci (ainda na Chancelaria na Residência) o Embaixador Melo-Gouveia.
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Fui recebido à boa maneira da hospitalidade, antiga, portuguesa. Já lá vão 26 anos e ainda hoje, somos amigos. O Embaixador Melo-Gouveia, partiu de Banguecoque, para Tóquio, depois para Bruxelas, onde nas duas capitais, esteve acreditado como Embaixador. Nunca deixou de me contactar, estivesse onde fosse. E durante os anos que permaneceu em Tóquio, todas as vezes que viajou para Banguecoque, ou de passagem para Portugal, era eu a primeira pessoa contactada e transportá-lo do aeroporto para o hotel.  
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Nunca deixou de visitar a minha "humilde" casa e almoçarmos à "portuguesa" , os três de casa (minha mulher, filha Maria e eu). Não era um almoço à "diplomata" com aquele cerimonial da "praxe", mas quando o garfo não dáva muito bem para pegar os camarões, usavam-se as mãos! A etiqueta tinha sido aplicada, em anos anteriores, quando eu como fotógrafo oficial da embaixada, tinha aprendido muito e até entender o olhar do Embaixador Melo-Gouveia quando de máquina fotográfica em punho quais seriam as imagens a registar.  
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Vou deixar por agora as histórias, de relacionamento, e as actividades que ainda me faltam contar durante os anos que o servi e as personalidades, portuguesas e estrangeiras, a quem dei apoio durante as visitas à Embaixada e os eventos culturais e comerciais levados a cabo durante a sua permanência em Banguecoque.
Estes ficarão para depois. Com o Embaixador Mello-Gouveia aprendi muito, entre o tanto, a tomar o gosto pela história de Portugal na Tailândia e na Ásia.
Por agora vou referir-me às publicações:
"Portugal na Tailândia" de autoria de Monsenhor Manuel Teixeira, obra editada, em 1983, pela "Imprensa Nacional de Macau". A obra é composta de 563 páginas. Nas primeiras páginas inserida uma dedicatória do autor: "Ao dinâmico Embaixador de Portugal na Tailândia Dr. José Eduardo de Mello-Gouveia" O.D.C. O Autor. A seguir uma outra com:
EXPLICAÇÃO PRÉVIA
Esta obra é, da centena de livros que temos publicado no decurso de meio século de investigação histórica, aquela que mais tempo espero para ver a luz do dia. Começámos este trabalho em 1960 com o fim de aparecer no quarto centenário da entrada dos primeiros missionários no Sião (1556-1966). Motivos de ordem vária impediram a sua publicação e o manuscrito tem esperado pacientemente por uma aberta. esta só agora se deu com as comemorações do bicentenário da Bangkok como capital do Sião (1782-1982), devendo este livro fazer parte da nossa participação nas festas. No decorrer destas páginas usamos a palavra Sião, pois o vocábulo Tailândia é muito recente e a nossa história desenrola-se antes da nova designação; esta só aparece no Título - Portugal na Tailândia. Nem os nossos missionários nem os nossos cônsules ou diplomatas nos deixaram livros sobre este país, ao contrário do que sucedeu com os estrangeiros que vieram muitíssimo depois. Ultimamente, três escritores nossos publicaram ensaios sobre as relações dos portugueses com o Sião, aparecendo estes estudos no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Infelizmente, deixam muito a desejar: o primeiro errou e os outros dois repetiram os erros deste e ainda lhe acrescentaram mais. Para que se não perpetuem tais erros, vamos passar pela fileira da crítica esses artigos, mondando as ervas daninhas que lá vegetam em abundância.Dividimos este trabalho em três partes:Primeira: Os Portugueses no Sião.Segunda: Missões Católicas Portuguesas no Sião. Terceira: Documentação
(Obra Esgotada)
Nota minha: Monsenhor Manuel Teixeira, já não pertence ao número dos vivos. Depois de uma vida em Macau (legou um espólio,cultural/histórico, de mais de uma centenas de livros), pouco depois do território passar para a administração da China e com mais de 70 anos de permanência ali, viria a falecer doente e desiludido da vida, aos 91 anos na Casa de Santa Maria, em Chaves, a 15 de Setembro de 2003.
" Portugal no Cambodja" é uma outra obra do Monsenhor Manuel Teixeira, edição dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau, Julho de 1983. Uma obra de grande utilidade e a primeira escrita, em profundidade, sobre a passagem dos portugueses naquelas paragens. Vamos apenas transcrever alguns parágrafos:
OS PORTUGUESES EM CAMBODJA
A pacificação de Cambodja em 1598 e a coroação do seu soberano Barom Reachea II no fim desse ano devem-se aos esforços do português Diogo Veloso e do espanhol Blas Ruiz. Grato aos seus colaboradores, o Rei nomeou-os governadores de província: "Dei ao Cap (Chaufah) Diogo Portugal (Diogo Veloso) a província de Bapuno (Baphnom) e ao Cap. (Chaufah) Blaz Castilla (Blaz Ruis) a de Trang (Treang")Em 1934, o Residente francês de Cambodja erigiu à memória de Veloso um busto numa das ruas principais de Leak-Luong, em frente de Baphnom, com a seguinte inscrição, encimada pelo escudo das armas portuguesas:(Obra esgotada)

DIOGO
BELHOSA
NÉ À AMARANTE
PORTUGAL
AU SERVICE DU ROI
DU CAMBODJE
PRAH
ALAMKARA

"Portugal em Singapura", mais outra obra de Monsenhor Manuel Teixeira, edição da Direcção dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau - Janeiro de 1985, de 496 páginas. Ilustrada com várias fotografias e mapas
NOTA EXPLICATIVA
Em 1981, as Missões Portuguesas de Singapura e Malaca, que estavam sob a jurisdição da Diocese de Macau, passaram para a jurisdição dos bispos locais. Publicámos já três volumes sobre Malaca Portuguesa.Para que não se perca a memória do que fizemos em Singapura desde a fundação dessa cidade até 1981, vamos assinalar as pegadas que lá deixámos impressas. Este trabalho compõe-se de duas partes:
I- Os Portugueses em Singapura com a história e costumes da terra. II - A Missão Portuguesa de Singapura.
Macau, 21 de Novembro de 1983.
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Monsenhor Manuel Teixeira nesta obra, em profundidade, dá a conhecer os nomes das pessoas que compunham a numerosa comunidade luso-descendente, onde se incluem os missionários da Missão Portuguesa. Transcrevemos , apenas, um trecho, parte da página 185.
Padre Medeiros ao Cónego Pinto:
"O Marques Pereira bufa contra os Padres; queria talvez que nós fossemos tão estúpidos que não conhecessemos, ou não lembrassemos dos calotes que ahi nos teem pregado os seculares, que têm administrado "os bens das Missões". Não quero dizer que elle seja capaz de outro tanto; mas gato escaldado da água fria tem medo. Não tem pois de que se queixar. As dívidas que existem foram-nos legadas pelo Padre Carvalho, amigo delle Marques Pereira; mas há uma cousa a notar: quando o Padre Carvalho nos entregou a administração foi com com uma dívida de vinte e quatro mil patacas ($24.000) e hoje apenas se devem quinze mil ($15.000), tendo pago ao Governo tudo o que se lhe devia, e isto n´um anno! Que lhe parece? Pois as despezas augmentaram com as nossas missões, e estão augmentado. O Ministro está ao facto de tudo isto, no Ministério da Marinha não há hoje quem o ignore. Podem berrar à vontade, mas a verdade é mui forte de per si." (Obra esgotada)
"Portugal na Birmânia", é a continuação de mais uma obra histórica/cultural de Portugal no Sudeste Asiático de Monsenhor Manuel Teixeira. Edicão da Direcção dos Serviços de Turismo - Imprensa Nacional de Macau - Julho 1983. Inseridas 6 fotografias, raras, das ruínas da fortaleza e igreja de Filipe de Brito Nicote, em Siriam, na embocadura do rio Rangun, tiradas pelo então Embaixador na Birmânia (não residente) Dr. José Eduardo de Mello-Gouveia, em 1983. Os portuguese soldados da fortuna e aventureiros, também passaram pela Birmânia (Pegu). Um dos que mais relevância teve foi Filipe de Brito Nicote, entronizado Rei do Arracão.(Obra esgotada) "Portugal e a Tailândia" Fundação Calouste Gulbenkian - 1988. Monografia com excertos de cronistas quinhentistas portugueses: Carta de Rui de Araújo a Afonso de Albuquerque; Afonso de Albuqerque ao Rei de Portugal; Tomé Pires, Fernão Mendes Pinto e outros. A monografia é Prefaciada pelo Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbienkian, foi um dos obreiros, juntamente com o Embaixador Mello-Gouveia, para que as ruinas da Igreja de São Domingos no "Bangue Portuguete" (Aldeia dos Portugueses), em Ayuthaya viessem à luz do dia depois de 217 anos enterradas.
PREFÁCIO
Em 1982 celebrou-se o bi-centenário da fundação da cidade de Bangkok que, após a destruição de Ayuthaya em 1782 se tornou a capital da Tailândia. Correspondendo a uma sugestão do Embaixador de Portugal em Bangkok, Dr. José Eduardo de Mello Gouveia, a Fundação Gunbenkian editou, nessa ocasião, um opúsculo intitulado Thailand and Portugal, 470 Years of Friendship, com a colaboração de historisadores portugueses e essencialmente destinada a ofertas na Tailândia, noutra zonas do Sudeste Asiático e em língua inglesa. Obra obteve tal êxito que, em 1985, a Direcção Geral de Belas-Artes da Tailândia, solicitou à Fundação Calouste Gulbenkian autorização - desde logo concedida - para publicar uma versão em tailandês destinada a distribuição pelas escolas do país. No dia 5 de Dezembro de 1987 celebrou-se festivamente em todo território tailandês o 60.º aniversário natalício de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej. Na Tailândia, a vida é contada em cliclos de doze anos, o fim de cada um dos quais marca uma etapa importante no sentido de evolução e de mudança. De doze em doze anos a sorte pode mudar (para melhor ou para pior) e a personalidade e o modo de encarar a vida modificam-se: cada ciclo é como que um chegar à "maioridade". O mais importante dos ciclos é, no entanto, o quinto, pois entende-se que, ao entrara nos sessenta anos, o homem atingiu a plena posse das suas faculdades. Estas, aliadas à experiência da vida, fazem dele uma personalidade completa.. Uma brilhante série de festividades sublinhou ao longo do ano de 1987 e, mais especialmente, no dia 5 de Dezembro, o aniversário do régio. Integrado neste espírito, o Embaixador da Tailândia em Lisboa, Orachum Tanaphong, sugeriu à Fundação Calouste Gulbenkian a publicação de uma versão do mencionado opúsculo em Português, a fim de dar a conhecer no país pormenores sobre aquilo que todos os cidadãos tailandeses aprendem nos bancos da escola: o facto de Portugal ter sido o primeiro país europeu a chegar em 1511 ao então chamado Reino do Sião e a estabelecer com este relações permanentes. Essas relações têm-se processado, ao longo de quase quinhentos anos, num clima de cordialidade que não é comum na história das nações. O objectivo da presente publicação e, assim, mostrar um aspecto da espantosa saga dos Descobrimentos pouco conhecido dos Portugueses de hoje. Entre os textos para tal efeito seleccionados destacaremos as coloridas e minuciosas descrições da vida no reino do Sião no século XVI, feitas por João de Barros e Fernão Mendes Pinto (aqui apresentado em português modernizado). A Fundação agradece aos Professores John Villiers e Luis de Matos e ao Embaixadfor Helder Mendonça e Cunha as suas valiosas colaborações e faz votos para que o leitor encontre nestas breves páginas um renovado motivo de interesse por uma fase fascinante da vida de Portugal: a desta longa amizade com a Tailândia e o seu povo.
José Blanco - Administrados da Fundação Calouste Gulbenkian
(Esgotada)
"Thailand and Portugal 476 Years of Frienship" ( segunda edição) publicada pela Fundação Calouste Gunbenkian por ocasião do do Segundo Centenário da Fundação da Cidade de Bangkok. Com textos: Em cima das relações entre Portugal e a Tailândia desde 1511 ao tempo actual por António da Silva Rego; O Primeiro Documento Português no Siam por Luis de Matos; Uma Selecção de Textos do Século XVI no Siam por Alberto Iria; A Concessão do Terreno a Portugal por Hélder Mendonça e Cunha. (Esgotada)
"East of Malaca - Three essays on Portuguese in the Indonesian archipelago in the sixteenth and early seventeen centuries", por John Villiers. Edicão da Fundação Calouste Gulbenkian - Bangkok 1985. Monografia em língua inglesa, com prefácio do Embaixador José Eduardo Mello-Gouveia. A obra está ilustrada com 8 fotografias raras. 1. Eastern Indonesia. Anonymous - João Teixeira Albernas II, "Demonstração de Ilha de Macasa e das de Maluco"; e Noua Guine" c. 1680. 2. Banda Islands, Pierre van der Aa, "Les illes de Banda", Leiden, 1719. 3. Dutch nutmeg traders on Neira. From Begin ende voortganhg van de Vereenigde Neederlandtsche Geoctroyeerde Oost-Indische Compagnie. Izaak Commelin ed. (Amesterdam, 1646). 4. Bandanese playing football. 17th century. 5. The Portuguese fortress on Ternate. 6. Ambon in 1617, showing the fortress built by the Portugueses in 1580. 7. Makassar. Pierre van der Aa, "Macasar, capitale du Roiaum de même nom ", Leiden, 1719. 8. The Portuguese fortress on Solor. António Bocarro, "Livro das plantas de toda as fortalezas do Estado da India Oriental", 1635. (Obra esgotada) "Portuguese Malaca - J. Villiers - Edição, em língua inglesa, do Gabinete de Documentação e Relacionamento Histórico Cultural de Portugal no Sudeste Asiático, Embassy of Portugal - 1988. Monografoa prefaciada pelo Embaixador José Eduardo de Mello-Gouveia. Com várias ilustrações, incluindo actividades culturais efectuadas durante a inauguração da "Praça Portugal" em Malaca a que esteve presente S.E. o Primeiro Ministro da Malásia - 1984. (Cremos ainda existirem alguns exemplares na Secção Cultural da Embaixada de Portugal em Banguecoque) "Early Portuguese Accounts of Thailand" - Antigos Relatos da Tailândia". Edição Câmara Municipal de Lisboa -Portugal - 1983. Edição de luxo e na capa estampado, em relevo, o distintivo da Camara Municipal de Lisboa - A obra tem um brilhante texto do historiador, médico e diplomata Dr. Joaquim Campos. Prefaciada pelo falecido Dr. Nuno Krus Abecasis na altura Presidente da C.M. de Lisboa.
O PORQUÊ DESTE LIVRO
Quando, no ano passado, uma Delegação da Câmara Municipal de Lisboa visitou a Tailândia, por ocasião do duplo Centenário da Cidade de Banguecoque, tive ocasião de tomar conhecimento do grande projecto que o Embaixador José Eduardo Melo Gouveia tinha em mente e que consistia em reactivar a velha Feitoria, integrada no conjunto da magnífica Embaixada de Portugal, dando-lhe a finalidade de servir , no futuro, como grande Centro Cultural Português no Sudoeste da Ásia onde, a cada passo, se encontram, religiosamente guardados pelas populações, pedaços da presença de Portugal. O próprio Embaixador já iniciara a recolha de peças, nomes, documentos e até conversas, que bem testemunham essa Presença.Nem eu, nem nenhum dos membros da Delegação, jamais esqueceremos o momento emocionante da visita ao Bairro de Santa Cruz, quando a Comunidade local nos levou junto dos túmulos dos "padres portugueses que há duzentos e cincoenta anos nos trouxe a Fé".Desde então me pareceu oportuno associar Lisboa, embora modestamente, ao projecto que estava a nascer. Foi por isso que prometi ao Embaixador editar em Lisboa, nas nossas oficinas gráficas, o livro que agora e apresentado. Nele se fala no passado longínquo e também do mais recente, documentando fotograficamente os diferentes passos da última visita de Suas Majestades os Reis da Tailândia a Lisboa, felizmente os mesmos Reis que ainda hoje presidem aos destinos do País.Como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas principalmente como português, desejo todas as felicidades e progressos para a Tailândia e para a sua Capital e, do mesmo passo, faço votos para que o novo Centro Cultural encontre a sua verdadeira vocação de, ao recordar e valorizar um passado que nos honra, cada dia mais apertar os laços culturais, sociais e económicos entre Portugal e o seu povo e todos os países e povos dessa portentosa região do Sudoeste Asiático. Lisboa, 10 de Junho de 1983 - Dia de Portugal
O Presidente Nuno Krus Abecasis


Pequenas e várias monografias foram editadas pela Embaixada de Portugal, durante a missão do Embaixador Mello-Gouveia e que eram distruídas aos convidados dos eventos culturais que frequentemente tinham efeito no salão da Chancelaria. Perdemos algumas ou as oferecemos e não, reparamos que fosse a última, em nosso poder e podesse servir, no futuro, como documento histórico da Embaixada de Portugal. Estas pequenas monografias (com uma excelente pintura da Residência dos Embaixadores em Banguecoque), encontram-se esgotadas. Talvez haja umas poucas na Secção Cultural da Embaixada em Banguecoque.
Apenas, que descanse em paz que sua memória não foi esquecida por um fiel servidor que fui eu



Á MARGEM
Fui um dos privilegiados de ter assistido de perto a toda a Obra do Embaixador Mello-Gouveia. Durante as minhas andanças pelo mundo: Angola, Moçambique, Rhodésia (Zimbabwe); vários países árabes e norte de África, Turquia e uma volta ao mundo em 42 dias, estaria longe o meu pensamento que no final da década setenta do século passado, a minha vida tomaria um rumo diferente. Bem é que eu fui um daqueles milhares que embarcaram, no Tejo, em barcos, enormes que faziam a carreira da África Portuguesa. 
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Levava na "malita", de material de ruim qualidade, umas peças de roupa compradas nas feiras; 750$00 na carteira e de alma (um jovem de 26 anos) cheia de vontade, mãos para trabalhar e uma 4ª classe do ensino primário para vencer na vida. De história sabia alguma coisa sobre os descobrimentos e que os portugueses tinham sido homens enormes.
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Que o Vasco da Gama descobriu o Caminho pelo Mar para a Índia, que o Luis de Camões tinha escrito os Lusíadas e o salvou quando o barco naufragou; o Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500 e, ainda, o Gago Coutinho e Sacadura Cabral tinham voado de Portugal para o Brasil. Seguia comigo o patriotismo "barato", como partia dentro de todos os humildes e homens do Povo, que emigravam como eu. Não parti nas Naus da Índia como os homens quinhentistas, mas num barco que tinha por nome "Pátria", com uma chaminé enorme e fumarenta. 
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Por África, pelas "arábias" e pelo Kurdistão (Turquia) a vida foi dura! Sobrevivi às guerras que havia em alguns países e com a sorte de ter sido um "animal" saudável, que venci as picadelas dos mosquitos, da mosca do sono e as altas temperaturas, do deserto. O destino fez com que eu viesse parar à Tailândia e ter conhecido o Embaixador Mello-Gouveia e eu tivesse tomado o gosto pela história de Portugal na Tailândia. 
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Tornei-me seu discípulo. Que me perdoe, quem me ler as calinadas que vão topando nos meus textos. No tempo que foi criado só seguiam os estudos os filhos dos que tinham posses. Os pobres como eu, ou começavam a trabalhar ou seguiam para o seminário estudar graciosamente. Como vi que não tinha mesmo, nenhuma, vocação para ser padre, fui para marçano para a cidade do Porto.
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Para terminar (já perdoei ao Embaixador Mello-Gouveia), um dia o diplomata virou-se para mim e muito calmamente: "quando aposto num cavalo nunca me engano.... E tu Zé Martins foste um cavalo que eu apostei"
José Martins


Anúncio de uma agência funerária

segunda-feira, 23 de março de 2020

PORTUGAL NA TAILÂNDIA:A RESIDÊNCIA DO CÔNSUL MARCELINO DE ROSA


Faz este ano, precisamente, 200 anos que Portugal se instalou, diplomaticamente em Banguecoque e nesta cidade inicia-se nova era da Tailândia (Reino do Sião), quando em 1782, começa um novo Reino depois da invasão e queda de Ayuthaya, em 1767, pelas tropas do reino de Pegú (Birmânia-Mianmar, actualmente). 
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Portugal teve diferentes privilégios, oferecidas pelos Reis do Sião, em relação a outras nações estrangeiras, inclusivamente soldados portugueses lutaram, em batalhas juntos aos siameses para salvaguardar a soberania siamesa. 
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O texto, abaixo, interessante, escrito por Fred Arthur Neale, ao serviço de de Sua Majestade o Rei do Sião dá conta como era o viver, do cônsul de Portugal Marcelino de Rosa, em 1848 e com a vivência em Banguecoque de 20 anos. O texto em inglês, tradução livre, foi retirado do livro “F.A.Neale Narrative of a Residence In Siam – At the Capital of the Kingdom of Siam (1850) . Publicado pela primeira vez em 1852, Pelo Office of National Illustracted Library – London.


A residência do senhor Marcelino de Rosa, cônsul português, era muito indiferentemente construída com bambus, varas, ripas e gesso, mas era extensa em uma das posições mais agradáveis ​​do Sião. Era a intenção original do Governo Português de construir um esplêndido palácio de tijolos como uma residência adequada para o enviado deles nesta ilustre corte, e até agora eles haviam progredido na execução de seus tijolos, e acompanhados por pedreiros e artífices portugueses, na verdade navegou de Goa (a ilha portuguesa na costa de Malabar) com destino à cidade de Banguecoque.
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Mas ai! Ela foi a mais afetada pela tempestade nos mares da China e, finalmente, bateu em uma rocha, escondida, do qual a tripulação com dificuldade escapou com vida - a embarcação afundou - os tijolos afundaram com ela, assim como as esperanças do pobre cônsul português , pois seu governo mal podia arriscar a outra carga e, portanto, o Sr. de Rosa levantou sua bandeira em um mastro, mais adequado, para o consulado originalmente pretendido do que para a casa pouco pretensiosa que ele ocupava. 
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O cônsul residia em Banguecoque desde o ano de 1828 e, claro, adquirira um conhecimento profundo do dialeto siamês. 
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Ele era um homem quieto e cavalheiro, que passava a vida examinando os livros siameses e raramente ou nunca saía de casa a menos que comparecesse à missa de um domingo ou retornasse uma visita ao seu velho amigo, o Sr. Hunter. 
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Ele foi vizinho dos missionários americanos desprazíveis e silenciosos que residem nesta parte da cidade, que eram um grupo muito mais disposto e educado do que aqueles que cercavam a nova residência de Hunter. 
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Os senhores Birch e Dean, em particular, eram homens dignos da profissão que haviam adoptado: o primeiro possuía considerável propriedade privada, de modo que nenhum motivo terreno o teria induzido a entrar na Igreja.
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O consulado e as casas dos missionários portugueses são, nesta parte, construídos de forma a formar uma praça razoavelmente grande, que se estende da capela baptista até as margens do rio.
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No limite dessas margens havia uma imponente árvore de tamarindo, que havia resistido a tempestades e verões de quase um século. Sob essa árvore, o senhor Marcelino de Rosa construiu alguns belos assentos de jardim e criou algumas flores bem escolhidas e neste local da manhã, antes que os raios do sol se tornassem quentes demais e de uma noite após o calor do dia quando o cônsul e seus vizinhos tranquilos costumavam reunir-se e discutir as últimas notícias do dia, ou assistir à cena gay que o rio apresentava, ou recorrer a mais temas de gloria e moralizar a vida e suas muitas incertezas; o incentivo a tal argumento e o que lhe dava prazer, sendo evidentemente o cemitério, que não ficava a vinte metros da tamarindo. 
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Às vezes, eu participava dessas reuniões quando estava convidado para jantar com o senhor de Rosa e, depois de se tornarem tão miseráveis ​​quanto podiam, o barulho oportuno dos corvos em volta da casa casa, obrigados a se esconder, alertaria Jonathan de que estava na hora de tomar chá e bolachas, e o mesmo aviso serviu para lembrar ao senhor Marcelino que o jantar deveria estar pronto e, portanto, o nó melancólico não seria marcado. 
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A cinco jardas das raízes da árvore de tamarindo, fica o embarcadouro  ou o local de embarcar, onde se coloca um lance de degraus de madeira muito bons, descendo, onde entramos em uma canoa e subindo o rio o mais rápido que a maré e os braços fortes dos barqueiros siameses nos levarão.
José Martins