terça-feira, 14 de janeiro de 2020

MEMÓRIAS - VISITA DO PM CAVACO SILVA A BANGUECOQUE

DESPEJAR MEMÓRIAS

"Desde os 30 e mais anos que vivo na Tailândia estive, sempre, no lugar certo a reportar tudo relativo a Portugal na Tailândia"
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O PRIMEIRO MINISTRO CAVACO E SILVA EM BANGUECOQUE EM 20-21 DE ABRIL DE 1987Faz hoje 21 anos que o o Primeiro Ministro Prof. Aníbal e Maria Cavaco Silva se encontravam em Banguecoque. A comitiva era composta:

Primeiro-Ministro Prof. Aníbal e Maria Cavaco Silva;
Ministro dos Estrangeiros Pedro e Maria Pires de Miranda;
Dr. José Almeida Fernandes (Chefe de Gabinete do PM);
Dr. António Martins da Cruz - (Conselheiro Diplomático do PM);
Dr. Rui Quartin Santos (Ministro-Conselheiro do MNE);
Dr. José Arantes Rodrigues (Assessor de Imprensa do PM);
Dr. Francisco Sarsfield Cabral (Assessor económico do MNE);
Coronel Luis Marinho Falcão (Director da segurança do PM):
Dr. Luis Xavier de Brito (Médico do PM);
Dr. Fernando Araújo ( Oficial do Protocolo);
Srª. Maria Soares Pires (Enfermeira)
Sr. José Jerónimo Cardoso (agente de segurança ao PM);
Sr. José Santos Duarte (agente de segurança ao PM).
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Achamos, e porque poderá servir de matéria histórica para os interessados, vamos transcrever na íntegra o que se haja passado durante a visita oficial do então Primeiro Ministro Cavaco Silva, durante dois dias (20-21 Abril de 1987) à Tailândia. 
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A Missão Diplomática de Portugal em Banguecoque estava sob a gerência do embaixador Mello Gouveia. 
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Diplomata pragmático que tudo que projectava nunca falhava. Uma semana antes (nunca necessitava de muita gente, mas pouco e boa), na sala do expediente da chancelaria reune-se com: Dr. Paulo Rufino, Fernando Oliveira (instalado na chancelaria e a representar o Grupo Amorim, o Chanceler, tailandês, Chalerm e eu José Martins. 
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Foi dado ao grupo dos quatro as seguintes atribuições: Dr.Paulo Rufino seria a pessoa assistir os diplomatas inseridos na comitiva do Primeiro-Ministro; Fernando Oliveira o homem que deveria estar
permanentemente na chancelaria, na sala de comunicações (nessa altura não havia fax e a Internet uma ilusão!), a receber e a enviar as comunicações para o MNE, acrescentando-lhe a assistência aos jornalistas a que lhes estava franqueado o telex e o telefone para as comunicações para os seus jornais. Eu o homem para assistir a "rapaziada" jornalistica.
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Na sala de comunicações foi colocada uma geleira (grande) carregada de cerveja e refrigerantes para a "rapaziada" da comunicação social matar a sede. O embaixador Mello Gouveia recomendou ao sempre eficaz Fernando Oliveira: "trata-me bem os jornalistas"! O chanceler Chalerm para tratar dos passaportes da comitiva e a bagagem. 
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Eu sou o "homem" para exteriores e transportar a "rapaziada" da comunicação social, durante a noite pela cidade de Banguecoque. Durante o dia para transportar o "pivot" da televisão de Macau (TDM), o jornalista Fernando Maia Cerqueira, que reportava para Macau e em parceria com a RTP. 
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A acompanhar o PM Cavaco Silva estava o João Pacheco Miranda da RTP, que ao fim do dia juntava o material e seria expedido para Lisboa através do Satélite do Canal 5 de Banguecoque. Todos estes serviços estavam por minha conta e não se poderia perder tempo no caminho. 
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O Canal 5 (televisão sob a tutela do exército, real tailandês foi impecável na assistência) facilitou a sala e todo o material de emissão aos jornalistas João Pacheco Miranda e ao Fernando Maia Cerqueira. 
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Trabalhavam o material antes do expedir, para Lisboa, como pretendiam. Como nota curiosa e já passaram mais de 20 anos a saídas à noite estavam programadas entre mim e o Dr. Paulo Rufino. Se o Dr. Paulo Rufino ia para uma determinada zona eu seguia para outra diferente. 
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Bem é que cautelas e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém! E nunca confiar na rapaziada da comunicação social, não fossem eles encontrar o grupo da comitiva oficial a beber uns copos num dos bares da "Paptong" acompanhados de umas jovens beldades. Todos os homens são pecadores (embora se apresentem uns "puros"); a ocasião faz o ladrão e não estão livres à tentação de trincar a maçã que uma doce e traiçoeira Eva ofereceu ao Adão.
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Claro está os jornalistas também caiem em tentação, só que para eles há o ditado do frei Tomaz: "lê aquilo que eu escrevo e não repares para aquilo que eu faço"! Surtidas nocturnas muito bem planeadas e tudo correu excelentemente! 
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Só não teria corrido bem ao jornalistas João Pacheco Miranda da RTP se não tivesse sido eu a desenrascá-lo na casa de massagens "Chao Prya I" para os lados de "Pratunam" área. Ficou tudo arrumadinho (por 700 baths) entre ele e a massagista, dado que ela (jurou-me a pés juntos) que nunca tinha feito uma coisa (que ele lhe pediu) em sua vida... Os jornalistas até dão para umas "cachas" interessantes e a do Pacheco Miranda até seria na altura...
Programa da visita oficial:
20 de Abril de 1987, pelas 10.25 as entidades tailandesas esperam o PM Cavaco Silva e sua comitiva na Sala VIP, do aeroporto da "Força Aérea Real Tailandesa". Os dignatários: H.E. Sr. Pong Sarasin, vice.Primeiro Ministro, sua esposa Senhora Malinee Sarasin.
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10.40 PM Cavaco Silva e sua comitiva chegam a Banguecoque a bordo do voo TG 603 vindo de Hong Kong. A aeronave estaciona junto à gare do aeroporto militar. Traje: "Lounge Suit" (casaco e gravata).
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11.00 - PM Cavaco Silva e sua comitiva parte do aeroporto para o Palácio do Governo.
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11.50 - PM Cavaco Silva é recebido pelo PM tailandês, General Prem. São tiradas as fotos habituais e entre os dois PM houveram troca de palavras durante 15 minutos.
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12.20 - Chegada ao Palácio do Governo as senhoras de Maria Cavaco Silva e Malinee Sarasin vindas do Hotel Oriental.
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12.30 - Almoço no Palácio do Governo em honra do Primeiro Ministro de Portugal Cavaco Silva e oferecido pelo PM tailandês General Prem. Toda a comitiva está presente (inclusivamente os jornalistas).
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14.30 - Fim do almoço e o PM Cavaco Silva e esposa transportados para o Hotel Oriental.
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14.30 - Ministro dos Negócios Estrangeiros, eng. Pedro Pires de Miranda em "motorcad" segue para o Palácio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde se encontrará com o seu homólogo tailandês Marechal da Força Aérea Real Tailandesa Siddhi Savetsila. Conversações que se prolongaram por 30 minutos. Transportado o ministro Pires de Miranda para o Hotel Oriental.
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17.30 - O PM Cavaco Silva dá uma Conferência Imprensa para os jornalistas/correspondentes estrangeiros, locais e portugueses. Cavaco Silva (o autor esteve presente) defendeu os direitos dos timorenses e acusou a Indonésia pela violação dos Direitos Humanos. 
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Dá-se então um episódio muito curioso no final da conferência, quando foi confrontado com a última pergunta que lhe foi feita, na língua portuguesa, absolutamente correcta, pelo um jornalista tailandês M.L. Tuang Snidvongs que o PM Cavaco, admirado lhe perguntou: "o senhor fala português"? 
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Tuang Snidvongs expremia-se de facto em português (ao longo de vários anos encontrei-me com Tuang, em eventos comerciais ou conferências de imprensa e sempre falamos na pergunta que fez a Cavaco Silva) e ainda hoje o fala, embora já com muitas frases esquecidas. Tuang Snidvongs explicou ao PM português a razão porque falava português. 
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É que seu pai tinha sido embaixador da Tailândia em Lisboa e de quando o Tuang era criança viria aprender a língua lusa com os amigos, vizinhos, miúdos como êle.
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20.00 - Jantar oferecido pelo embaixador Melo Gouveia em honra do PM Cavaco Silva e esposa no restaurante Rim Naam, do Hotel Oriental e na oposta margem. Onde naquele tempo era o mais fino e tradicional restaurante junto à margem do Rio Chao Prya. O PM Cavaco Siva e todos os convidados tiveram que descalçar os sapatos, entrar descalços e assim se conservarem enquanto dentro do Nim Raam. Porém e de realçar o embaixador Melo Gouveia, convidou toda a comunidade portuguesa, residente, em Banguecoque. Era assim o diplomata que lhe dava gosto ter junto a ele, em todos os eventos (desde que não fossem protocolares) os portugueses residentes. 
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E, bem recordo com saudades, de quando realizava eventos nocturnos no jardim da residência, todos os convidados partiam e, junto à base do pau de bandeira, quedava-se por ali um tempo sem limites a contar histórias e nós os portugueses ficávamos ali a ouvir o contador de histórias que em verdade o era. 
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Nunca o embaixador Melo Gouveia fez uma festa num hotel ou encomendou comidas de fora (aparte de uma onde esteve o pianista Adriano Jordão), mas todas eram confeccionados na cozinha da residência, onde não faltavam os petiscos portugueses e mesas com fundos em azulejos cheios de garrafas de bons vinhos portugueses. 
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A fartura de tudo e a hospitalidade foram dons que sempre acompanharam o grande Homem (falecido há uns meses 2012) da diplomacia portuguesa.
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Dia 21 de Abril de 1987 - Às 9 da manhã o casal Cavaco Silva e toda a comitiva parte para o Grand Palacio e visitam o Templo do Buda Esmeralda. Regressam ao hotel Oriental e às 10.30 embarcam no barco "Oriental Queen" e o Governo Tailandês oferece-lhes um passeio ao longo do rio Chao Pray (Praiá) onde está incluído o almoço. 
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Às 19.30 partem para o aeroporto de D.Muang. Às 20.30 tomam o voo AF 180 (Air France) Banguecoque Paris e dali para Lisboa. 
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A visita do PM Cavaco Silva à capital da Tailândia correu pelo melhor sem uma falha que se registasse. Tudo isto se deve ao dinamismo e saber do embaixador Melo Gouveia e aos colaboradores da embaixada, onde eu estou incluído. 
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Porém vale a pena aqui inserir algumas passagens que o Prof. Cavaco Silva insere no seu livro que o intitula: "Aníbal Cavaco Silva - Autobiografia Política - Temas e Debates - Actividades Editoriais, Lda, relativas a sua visita a Banguecoque:
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" No regresso a Lisboa parei em Banguecoque, para uma visita oficial de um dia (emendo foram dois), a convite do primeiro-ministro da Tailândia, general Prem Tinsulanonda. 
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Quando em 3 de Abril de 1987 a Assembleia da República aprovou a moção de censura apresentada pelo PRD e o Governo caiu, pensei imediatamente cancelar a minha visita à Tailândia, no que fui desaconselhado, porque já anteriormente Mário Soares, enquanto primeiro-ministro, tinha, à última hora, cancelado uma visita àquele país. A Tailândia era vista juntamente com a China, a Coreia do Sul e o Japão, como um dos países da Ásia como potencialidades para a expansão das relações comerciais de Portugal. 
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Era um país com uma herança histórica portuguesa - os Portugueses tinham sido os primeiros ocidentais a chegar ao reino do Sião, nos princípios do século XVI - em cujo estudo e recuperação se empenhava o nosso embaixador, José Mello Gouveia, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Portugal era o país da Comunidade Europeia com a mais antiga representação diplomática na Tailândia. 
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O objectivo principal da minha visita e do ministro Pires de Miranda, que me acompanhava, era dar a conhecer Portugal como membro de pleno direito da Comunidade Europeia, e criar um clima político favorável ao incremento das relações económicas. As trocas comerciais registavam um forte desiquilíbrio - a mandiona era a principal importação de Portugal - e estava em discussão vários projectos de acordos bilaterais no domínio económico. 
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Considerava-se também de interesse a negociação de um acordo aéreo para que a TAP pudesse escalar em Banguecoque. Timor fez parte da agenda das minhas conversações porque a Tailândia, contráriamente à China, apoiava a Indonésia. A posição portuguesa foi explicada às autoridades tailandesas e fez-se-lhe sentir que, sem a solução da questão de Timor, Portugal não apoiaria o aprofundamento da cooperação entre a Comunidade Europeia e a ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático, que englobava a Indonésia, Singapura, Malásia, Tailândia, Filipinas e Brubei), a que a Tailândia dava muita importância. 
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Em declarações aos jornalistas tailandeses denunciei a violação dos direitos humanos em Timor Leste, o que incomodou autoridades indonésias, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros, dias depois, vindo acusar-me de desconhecimento da situação no território. Estavam então presos na Tailândia dois cidadãos portugueses condenados a 25 anos de cadeia por tráfico de droga. 
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Na perspectiva da minha visita e ba sequência de diligêncais feitas pelo embaixador português (N.minha Melo Gouveia) foi concedido o perdão real a um deles. Divulguei a notícia na conferência de imprensa que dei em Pequim, no Palácio do Povo, no dia 14 de Abril de 1987".
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Nota minha: Aqui o Prof. Cavaco Silva entra em erro e se compreende na informação em que diz que foi concedido o perdão real a um deles. Um preso saiu (do sexo masculino) precisamente, em liberdade após um dia da partida do Prof. Cavaco Silva. 
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A do sexo feminino saiu em liberdade passado um mês. No entanto o perdão já tinha sido concedido e a demora de um mês se deve aos assuntos burocráticos. 
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Por razão deontológicas (que felizmente ainda se mantêm dentro de mim) não designamos os nomes dos dois detidos, que por várias vezes os visitámos, na cadeia e lhe levamos lembranças. No decorrer do tempo voltaremos a mencionar a visita, oficial do PM Cavaco Silva à Tailândia (hoje o Presidente da República) e quais os frutos que teriam sido colhidos desde há 21 anos.
José Martins

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Convite para a exibição do filme "Henrique de Malaca" - Um Malaio e Magalhães I 22.01.20 I 19H00 I The Siam Society

Convite para a exibição do filme "Henrique de Malaca" - Um Malaio e Magalhães I 22.01.20 I 19H00 I The Siam Society



Convidamos V.Exa a estar presente na exibição do filme "Henrique de Malaca" - Um Malaio e Magalhães.
Este evento, organizado pela Embaixada de Portugal e o Camões, Centro Cultural Português, em colaboração com a Siam Society,
integra as celebrações do 500º aniversário da Circum-Navegação do Mundo por Fernão de Magalhães.

Data: quarta-feira, 22 de janeiro de 2020, às 19:00
Local: Auditório da Siam Society

(131 - Sukhumvit 21)

Admissão livre
Reservas em: https://forms.gle/sPYuNRyoJCjN2HbLA,  ou pelo código QR
QR Code Henry of Malacca.png

Para mais informações, por favor entre em contato via e-mail: ambassador@embassyofportugal.or.th
ou pelo telefone:
+66 (0) 92268 8094 (Khun Nutthawut)

sábado, 4 de janeiro de 2020

"OS DESEJOS DE BEATRIZ CANAS MENDES"

20 para 2020: acima de tudo, amor, conhecimento e livros

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Já estamos no quarto dia do ano e eu não escrevo no blog há vinte e sete. Regressei, mas não sem uma certa culpa de abandonar a prática da escrita, e do reconhecimento de quem gosta de ler o que se publica por aqui.
Recomecemos.

No ano passado, escrevi e disseminei por aí a lista "19 para 2019", ideia que pedi emprestada à Gretchen Rubin. Antes de 2019 terminar, cedi à curiosidade de a revisitar. Foi assim que concluí: excedi-me de formas que nunca imaginei. Claro que a maioria dos pontos relacionados com livros jamais teriam condições para ser concretizados, em doze meses tão ocupados e repletos de reviravoltas. Tive tantas decisões para tomar; doze meses que pensei que não teria energia nem engenho para transformar, mas afinal doze meses em que aconteceu o suficiente para valerem por trinta e seis. Jamais teria tempo para levar a cabo tanta leitura, porque jamais imaginei metade do que acabou por fazer parte de 2019.

Dito isto, 2019 foi o ano em que tive como nunca - e em que deixei de me preocupar com - impostor syndrome, porque fui eu que fiz acontecer tudo o que aconteceu e quem fez um esforço por conhecer as pessoas que conheci, por isso vamos lá deixar-nos de tretas! (Momento reservado para uma pequena dança da vitória desta que vos escreve.) Se me tivessem dito em Janeiro que iria abandonar o segundo mestrado, começar um terceiro, ter o meu local de trabalho, ir ao ginásio religiosamente todas as quartas-feiras, tirar quase dez formações, viajar com a minha cara-metade e fazer não só novas amizades, como também liderar um grupo de escrita... eu diria que era mentira, porque não é possível fazer isso tudo em 365 dias.

Além disso, destaco esta ideia: foram as pessoas as grandes culpadas do balanço positivo, apesar da minha narrativa pessoal se basear na crença de que sou um bocado bicho. Pela positiva, destaco duas pessoas (sem prejuízo para todas as outras, como a minha família e a família do João, a Inês, a Daniela, o Carlos, a Joana e o Rui). No início do ano, conheci a Elisa. A Elisa (que migrou ontem para os Blogs do Sapo) também se surpreende bastante quando os planos dela lhe correm bem, ou quando algo inesperado surge. Desde que a conheci, no encontro de Março das CreativeMornings Lisboa, sinto que os nossos caminhos se tinham mesmo de cruzar e que fazemos realmente a diferença na vida uma da outra. A Elisa é a parceira ideal e tem preocupações e objectivos que tocam nos meus. Esquece-se facilmente das suas próprias capacidades, mas vai fazendo e acumulando conquistas sem se dar conta. Além dela, destaco o João, que aparentemente nem sequer tinha muito a ver comigo (ele calmo e pragmático, estável; eu caótica e sempre a ruminar, sempre a mudar de ideias), excepto o facto de termos descoberto que fazemos um do outro pessoas muito melhores e mais felizes, e que partilhamos o mais importante, que são os valores e os desejos para o futuro, além da sensação discutivelmente pirosa de já nos conhecermos há muito mais tempo. Ora, estas duas pessoas marcaram 2019, por me fazerem acreditar que tudo é possível, se tivermos a companhia certa.

Este ano, ainda estou a fazer a minha lista "20 para 2020". No entanto, não poderei divulgá-la por completo no blog, uma vez que algumas das linhas contemplam planos surpresa com e para outras pessoas que lêem o meu blog. Mas... não poderia deixar de partilhar algumas partes.
Quero começar a aprender Latim ou Alemão.
Quero fazer duas viagens, uma delas à Tailândia.
Quero criar dois cursos presenciais e um online.
Quero terminar o mestrado executivo em Psicologia Positiva Aplicada.
Quero fazer um MBA em Gestão e Coordenação Pedagógica da Formação.
Quero passar a ir ao ginásio duas vezes por semana.
Quero comprar um computador novo.
Quero ver 30 filmes.
Quero conhecer três séries do início ao fim.
Quero ser contida e não comprar mais de 20 livros.
Quero continuar a escrever para o P3, pelo menos uma vez por mês. E para o blog todas as quinzenas.
(E quero ter tempo e dinheiro para concretizar tudo isto.)

Esta é uma das épocas do ano em que mais escrevemos sobre balanços e esperanças. É verdade que não funciona para toda a gente da mesma maneira, que há quem prefira ver os anos como uma linha contínua, mas cabe a cada um de nós adoptar os hábitos que mais lhe fazem sentido. Para mim, é este: há quem ache celebrar um novo ano lamechas; eu acho bonito e bem intencionado. Ter e partilhar objectivos é saudável, inaugurar ciclos permite-nos ganhar fôlego e expectativas renovadas. Assim sendo, também vos desejo um novo ciclo cheio de mais e melhor, com um rácio de positividade de 3 por 1, para que possam florescer (diz a Barbara Fredrickson e os outros entendidos da Psicologia Positiva). E prometo voltar a procrastinar mais, escrevendo com regularidade. Sobre livros. Possivelmente sobre livros.
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À MARGEM: A Beatriz é uma jovem com quem se gosta de conversar e tê-la, para sempre, como amiga. Passou pela Tailândia há quatro anos. Apreciaríamos que voltasse, a Banguecoque, esta jovem simpática, estudiosa e inteligente. Para mais sobre a Beatriz em sua passagem pela Tailândia clique:AQUI




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

TAILÂNDIA: "20 ANOS DEPOIS DA PASSAGEM DO PRESIDENTE JORGE SAMPAIO"

Ao fim da tarde do dia 21 de Dezembro de 1999 a residência dos representantes de Portugal na Tailândia estava preparada para receber os convidados.
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Faz hoje, precisamente, 20 anos que o Presidente da República, Jorge Sampaio  passou pela capital tailandesa depois de fazer a entrega da administração a Macau à China. A visita não foi oficial, mas particular com o propósito de fazer uma visita, de cortesia, a Sua Majestade o Rei Bhumibol Aludyadej (falecido em 13 Outubro 2016), cuja esta não foi levada a efeito devido a Jorge Sampaio ser acometido de doença, repentina e partir para Portugal. 
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A visita seria efectuada mais tarde e na residência real de Sua Majestade em Hua Hin. O chefe de missão de então era o embaixador José Tadeu Soares. Como nota curiosa lembramos que raras têm sido as visitas oficiais de altas individualidades portuguesas e tailandesas às duas nações com amizade de 509 anos. 
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Damos conta até ao momento de visitas oficiais: Sua Majestade O Rei Chulalongkorn em 1898, Suas Majestades a Rainha Siriki e Bhumibol Adulyadej em 1960, Primeiro-Ministro Anibal Cavaco Silva à Tailandia, depois de fazer o Acordo, em Pequim, da entrega de Macau à China em abril de 1987.
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Damos conta, a seguir, em imagens legendadas a passagem de Jorge Sampaio e sua comitiva
Presidente Jorge Sampaio é recebido e cumprimentado pelo embaixador José Tadeu Soares e pelo número 2 da missão João Brito Câmara.
José Tadeu Soares encaminha o Jorge Sampaio para junto dos convidados a fim de o apresentar.
Depois da apresentação Jorge Sampaio dirige-se, para desentorpecer as pernas , para junto do Rio Chao Prya.
Jorge Sampaio continua na sua caminhada, acompanhado por membros da sua comitiva, no aprazível jardim.
Jorge Sampaio junto ao embaixador da Tailândia, em Lisboa, que se deslocou, propositadamente a Banguecoque e duas senhoras, tailandesas, que não lhe conhecemos o nome.
Embaixador José Tadeu Soares no uso da palavra apresentando o Presidente da República Jorge Sampaio às individualidades presentes.
Presidente Jorge Sampaio proferiu um curto discurso, houve brindes, entre os convidados e pouco depois retirou-se devido encontrar-se "gripado"
Individualidades de peso (dirigentes e empresários) inseridos na comitiva de Jorge Sampaio. Conhecemos, de momento, o empresário Américo Amorim (quarto do lado direito) e Guilherme Costa Presidente do, extinguido ICEP).
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À MARGEM: o que contamos é histórico, nunca o revelei, mas deve ser conhecido. 
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Na missão do embaixador José Tadeu Soares desde que tomou conta da gerência da missão diplomática Portugal. em Banguecoque, há duas pessoas mal-amadas: "um era eu e outro o número 2 o diplomata João Brito Câmara."
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Verdadeiramente nunca cheguei a saber a razão porque me queria, a mim, ver pelas costas, isto porque me ameaçou duas vezes que eu deixaria de ser funcionário da embaixada. Fez bem José Tadeu Soares não me ameaçar a terceira vez. 
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Foi terrível, para mim, a sua presença na embaixada. Homem de simpatias (falo por mim) entrou de "amores" com um tal Nuno Mota Veiga, acolheu-o um ano na residência,nomeou-o vice-cônsul com um ordenado de 2.450.00 dólares. 
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Fez sangue, despedindo friamente, um honesto funcionário, tailandês com 50 anos de serviço. Criou, em nome da União Europeia, problemas com o Governo, de então, tailandês.
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Trabalhei imenso antes do Presidente Jorge Sampaio chegar a Banguecoque e como representante do ICEP fui humilhado pelo Tadeu Soares. 
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Estou fora para ajudar a chegada do Presidente Sampaio. Fico fechado na chancelaria. Durante a chegada fui informado, depois que a coisa não teria corrido bem. Era eu o homem de anos e anos esperar ao aeroporto personalidades do Governo de Portugal de passagem ou em missões, inclusivamente o ministro das Finanças (falecido) Sousa Franco e comitiva a uma reunião ministerial.
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Na comitiva estava inserido o Presidente do ICEP Guilherme Costa e eu o Representante, oficial, sob o tecto da embaixada. Guilherme Costa telefonou-me do hotel Oriental para a chancelaria a dizer-me: "então sr. José Martins, o seu presidente está em Banguecoque e não o vem cumprimentar?"
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Em breves palavras expliquei a razão e mais tarde enviei-lhe, por mão própria, uma carta a dar conta o sucedido. 
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Tinha sido posto de lado. Havia duas coisas que José Tadeu Soares não aceitava: era eu ser Representante do Comércio de Portugal para o Sudeste Asiático (ICEP) e correspondente da Agência Lusa, que era para elevar Portugal nesta área.
José Martins

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

MACAU: "NOVA ERA COMEÇOU HÁ 20 ANOS"

A capa da revista "Macau Focus" n.º 1. em grande reportagem, deu conta em imagens e textos o grande acontecimento.
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Há 20 anos e a um dia da entrega da administração de Macau por Portugal à China, publicamos a seguir a peça, metida na linha noticiosa da Lusa, por Gonçalo César de Sá, director da Agência Lusa Ásia Pacífico em Macau. .

Macau 99: A um dia da China

Arquivo Lusa 1999

+++ Por Gonçalo César de Sá, da agência Lusa +++

Macau, 19 Dez (Lusa) - Macau vai acordar dentro de 24 horas como parte integrante da China, apenas com um estatuto de autonomia e de diferença garantido por Pequim durante os próximos 50 anos.

Para que não haja qualquer dúvida desse facto, o mais simbólico instrumento de poder na China - o Exército Popular de Libertação (EPL) - entrará na fronteira das Portas do Cerco, que delimitou as relações entre Portugal e a China durante mais de quatro séculos, percorrerá algumas das zonas mais populosas da cidade e aquartelará bem no centro da cidade.

A recente decisão de mudar o nome e o brasão do Leal Senado de Macau, símbolos do poder português, logo depois da meia-noite de domingo, é igualmente um sinal dos ventos de mudança de Macau.

Os mais optimistas recordam que se mantêm vários dirigentes portugueses e macaenses nos aparelhos administrativo, legislativo e judicial de Macau, mas o "sentimento" é de que estão a "prazo" se não  conseguirem rapidamente falar, ler e escrever em chinês.

Os consensos obtidos por Portugal e a China no que toca à igualdade das línguas portuguesa e chinesa são um factor positivo, mas a sua aplicação não será fácil se se tiver em conta que a partir do dia 20 de Dezembro o chinês passa a ser a língua do poder administrante no território.

Portugal pode orgulhar-se de deixar um território infraestruturado, com uma identidade que resulta de uma convivência de quatro séculos de portugueses e chineses, um património luso-chinês único no mundo e o primado da lei instituído, mas alguns interrogam-se se isso é suficiente para tornar Macau diferente de milhares de outras cidades chinesas.

" Macau é uma cidade para elogiar. Portugal deixa uma joia para a China e uma diferença no modo de estar na China", assegura John Carrey, um turista que veio a Macau passar os últimos dias de  administração portuguesa.

Sem a bandeira de Portugal a população divide-se entre o tradicional patriotismo chinês e a "pontinha de tristeza" de ver partir um colonizador de brandos costumes", que se miscigenou e, ao longo dos séculos, foi sempre um "intermediário".

"Claro que sou chinesa. Não rejeito a minha condição, mas os portugueses ensinaram-nos a ser diferentes e livres", desabafou Sally Tang, uma das centenas de jovens chinesas envolvidas na coordenação das cerimónias de transferência de poderes.

A China deixou claramente Portugal ganhar o "round" de hoje, dia 19 de Dezembro, com uma festa consensual e com a amizade luso-chinesa a ser o "prato forte" dos discursos, mas empenhou todos os seus meios e capacidades para ser o único vitorioso do "round" do dia 20.

Depois das grandes festas do dia nacional da República Popular da China, em 01 de Outubro, Pequim empenhou todos os seus meios em Macau nomeadamente a entrada das tropas, manifestações de massas e mobilização dos "media" chineses ou pró-China.

Para as cerca de 500 famílias de portugueses que ficam em Macau, uma nova época maioritariamente chinesa vai iniciar-se, mas, como afirmava hoje o reformado da polícia, José Manuel da Silva: "em  Macau tudo vai continuar a ser fácil pela pequenez do território e porque nos conhecemos todos bem, sejamos portugueses ou chineses".

Se hoje as bandeiras portuguesa e chinesa dão o tom do que vai acontecer, o dia 20 marcará a diferença porque o verde e vermelho já nada terão a ver com Portugal, mas apenas com as bandeiras da China e  da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 
O chefe do executivo da RAEM, Edmund Ho Hau Wah, é uma personalidade de consensos e com experiência de relações internacionais permitindo-lhe entender que só a diferença garantirá que Macau se mantenha no sistema capitalista. Mas a vaga de fundo chinesa, pelo menos nos próximos tempos, será seguramente muito forte.

Para reforçar a tese do patriotismo, as televisões da China repetem até à exaustão um vídeo-clip alusivo à passagem de Macau para a República Popular da China onde as autoridades de Pequim lembram que o "verdadeiro nome" do território é Ao Men (na língua oficial chinesa) e não Macau.

"Sabes que Macau não é o meu verdadeiro nome?", perguntam centenas de crianças num hino entoado em coro na escadaria das Ruínas de S. Paulo, o principal ex-libris local. 
"Estive afastada de ti demasiado tempo, Mãe! Mas o que eles roubaram de mim foi apenas o meu corpo. A minha alma foi sempre tua no fundo do meu coração!", repetem os pequenos cantores.

Este é o pensamento de Pequim em relação a Macau. Uma posição que não é partilhada por todos os que vivem no território onde portugueses e chineses se encontraram no século XVI.

Lusa/Fim
A espectacular imagem de uma criança, expressa para mim, que Macau de idoso voltou a criança e vai continuar a crescer.
A harmonia é um facto que sempre existiu em Macau aqui bem representada.
Uma bela imagem de dançarinas chinesas em actuação no memorável dia 20 de dezembro de 1999.
A última revista às Forças de Segurança pelo Presidente da República Jorge Sampaio.
A troca de bandeiras
General Rocha Vieira, Governador de Macau, abraça a última bandeira das Quinas que esteve arvorada no território.
O último governador de Macau General Rocha Vieira (esquerda) e o Presidente da República de Portugal Jorge Sampaio, retiram a Bandeira das Quinas que cobria a placa cravada na rocha da Gruta de Camões.
Dois Presidentes cumprimentam-se: Jiang Zemim e Jorge Sampaio.
O primeiro Chefe Executivo do novo Macau Edmundo Ho
A Porta do Cerco, com as bandeiras da China, do novo Macau e os escritos que os portugueses lá inscreveram.
Em Macau, depois da entrega da administração, tudo que era português ficou. Nada foi movido!

MACAU É,TAMBÉM, UMA PARTE DE MINHA VIDA
Parece que foi ontem e vinte anos já lá vão que Macau administrado por Portugal por centenas de anos, passou definitivamente, em grande festividade, para a China no dia 20 de Dezembro de 1999. 
Terminou assim um acordo, de boa gente, ao qual melhor não poderia ser sucedido. Macau com uma história de boa harmonia entre as gentes compostas de uma sociedade multirracial, onde a coesão das pessoas era um facto constante. 
Gostei de Macau, pela primeira vez que ali fui, nos anos de 1982, senti-me bem, durante os oito dias que em Macau permaneci, como turista. 
Sempre que podia dava a Macau uma saltada. Caminhei, a pé por todo o território, entrei no Cemitério de S.Miguel Arcanjo e vi-o repleto de história. Fui à gruta do imortal poeta Luis de Camões.
Entrei no Casino Hotel Lisboa e ganhei um “jackpot” na máquinas sugadoras de moedas, uma importância razoável, tentei outra vez a sorte, ficou lá todo! Pouco me importou diverti-me.
Nessa altura, pareceu-me que Macau parou tempo, quase que se conheciam todos os portugueses, seguia, passo a passo. A assimilação entre os chineses e os portuguesas era perfeita. 
Restaurantes de comida portuguesa era o macaense Pinóquio que confeccionava um bacalhau assado ou cozido de excelência na ilha da Taipa, além de um núcleo pequeno de comerciantes chineses e a pista de Trote de cavalos.o resto era mato.
Durante 5 anos, esporádicamente, passava por Macau e de 1987 a 1988 trabalhei um ano na CEM (Companhia de Electricidade de Macau).
Regressei a Banguecoque e à Embaixada de Portugal e a minha ligação a Macau, jamais viria a parar  até que Portugal entregasse sua administração à China. 
Estive no Acordo Aéreo entre a Tailândia e Macau; a orientar o Pavilhão  de Portugal (patrocinado pelo Governo de Macau) da Viagem das Sementes e Plantas que os navegantes, quinhentistas portugueses procederam, em Nakhon Ratchasima 1996; prestei assistência aos Jogos da Asean, realizados na Tailândia em 1998, recebendo um Certificado de Reconhecimento; e já Macau administrada pela RAEM , recebi  um Certificado de Apreciação, pela colaboração em um evento de promoção do Turismo de Macau na capital tailandesa.
O território, emprestado pela a China a Portugal, que em 1982, para mim tinha parado no tempo, que no exterior era conhecida pelo jogo e a moeda pataca voltaram as três ilhas espaços onde mora o progresso. 
Passados 20 anos voltei a Macau por 4 vezes e em todas as viagens que fiz, algo mais à modernidade foi acrescentado. Ao lado mora a Mãe China, uma enorme nação.
Surpreende a todos que a herança deixada pelos portugueses foi melhorada e conservada. Hoje Macau é Património da Unesco.
José Martins