sábado, 17 de agosto de 2019

MEANDROS DA DIPLOMACIA - Na Embaixada de Portugal em Banguecoque

Escrito no ano 2008

As voltas que a vida de um homem dá!
Longe estaria de pensar que parte de minha vida seria despendida dentro dos meandros da diplomacia.
 
Nasci de uma família, serrana e tradicional de pastores no sopé da Serra da Estrela e a levante do Rio Mondego. Fui criado e educado de forma que um dia fosse um homem de bem. Educação, rígida, ministrada pelo meu pai, de não prejudicar a próximo e nunca bulisse que fosse numa pêra ou uma maçã mesmo que um ramo das árvores se estendesse ao caminho ou ao carreiro público.

A serra era demasiadamente fria e cruel para quem pelos montes e vales tivesse que fazer de sua vida a de pastor de ovelhas. Profissão, aliás, que meu pai não desejava para mim. Fiz a quarta classe do ensino primário aos dez anos. Com esta idade parti num comboio fumarento para o Porto onde iria iniciar a profissão de marçano numa queijaria (que ainda hoje existe), na Rua do Loureiro nº 46, do lado oposto à Estação de São Bento.
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A Segunda Guerra Mundial tinha terminado a 8 de Maio de 1945 e cheguei à cidade Invicta em Outubro do mesmo ano. A miudagem da Sé, do Largo das ruas Chã, do Corpo da Guarda, dos Caldeireiros e da da Cordoria, pejorativamente, tratavam-me por parolo e chegado da terra da coina.
Era um Porto onde praticamente todos se conheciam.Rodavam carros de bois de cornos compridos jungidos a cangas decoradas com motivos alegóricos, puxando cargas de mercearias e sabão dos armazéns da Rua de São João, em direcção aos arrabaldes do Porto. Havia chapas de bosta de boi pela calçada e zorras carregadas de carvão vinham de São Pedro da Cova para a central geradora de corrente, para movimentar os eléctricos dos STCP, Serviço Transportes Colectivos do Porto, para os lados de Massarelos.

Calcorroei todas as ruas do Porto e decorei seus nomes. Andei pendurado nas traseiras dos carros eléctricos, para não pagar os seis tostões do bilhete, pois que, raramente, os possuia... Fui levado na frente de um automóvel Hillman, na rua de Passos Manuel e acordei no serviço de urgência do Hospital de Santo António com um golpe na cabeça e um lábio rachado. Vi os primeiros filmes de "coboiadas" no velho Parque das Camélias, na rua Alexandre Herculano, a portas da Praça da Batalha.

Fui crescendo no Porto "tripeiro" e cheguei a pracista, com 13 anos, a oferecer laranjadas Invicta; cerveja Cristal e gasosas da Companhia Fabril Portuense, pelas "tascas" das ruas: Escura, Bainharia, Pelames e pela Viela dos Gatos. Também fui caixeiro de balcão e tive o privilégio de usar gravata.

espigado e para melhorar de situação tirei a carta de condução de ligeiros aos 18 anos.Um caso sério para que meu pai me emancipasse! Diziam-lhe: "não emancipes o rapaz ó Luis os automóveis além de matarem galinhas e gatos nas estradas também matam gente"! Fiz o que pude para o convencer. Entrei assim na maioridade aos 18, quando os homens só eram grandes aos 21.
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Fui cinco vezes a exame e a misericórdia do Eng. Gualtino, da Direcção de Viação de Santa Catarina, à quinta vez, lá me aprovou. Uma carta de condução mesmo de ligeiros representava um estatuto que não estava ao alcançe de todos os rapazes de 18 anos. Era sim para os filhos dos papás, que vaidosamente guiavam os Buicks, os Chevrolets e os Cadilaques pela baixa tripeira.

Bem me lembro do Senhor Rocha Rocha Brito - concessionário do Teatro de Sá da Bandeira e do Coliseu; proprietário de stands de automóveis - passeando quando o tempo lhe dava para isso, guiando o seu magnífico rabo de peixe, descapotável, com uma flor vermelha na lapela do casaco e a seu lado uma bonita corista ou artista que actava nos espectáculos de revista teatral. Fez furor e até grande ardor a muitos quando já de idade, talvez a rondar os 70, no carro e a seu lado se sentava a trapezista, espanhola Pinito Del Oro, o maior nome, feminino, circense de meados do século XX.

O ADEUS AO PORTO E A PORTUGAL

Numa manhã de Maio do ano de 1962, tomei o comboio, na estação de São Bento com destino a Lisboa, numa carruagem de terceira classe. Passados dois dias estava a bordo do navio Pátria que me levaria, navegando nas águas azuis e bonançosas do oceano Atlântico ao porto marítimo de Luanda. Não vou enumerar as dúvidas que todos os emigrantes, como eu, encerravam nos seus seres, sobre qual o futuro que os esperava nas terras além-mar.
Seria Angola a terra da promissão e as palavras que ouvíamos do comunicador Ferreira da Costa dali transmitidas e difundidas pela Emissora Nacional? Venham, venham para Angola, a província precisa muita gente, eram as palavras familiares do jornalista que a todas as casas dos portugueses chegavam. Mas ali continuavam a morrer pretos e brancos, civis e militares portugueses.A vida em Portugal não era por aí além para que um jovem como eu e outros mais da minha idade tivessem futuro. Os portugueses tradicionalmente, desde séculos, emigravam para todos os cantos do Mundo, fugindo ao estado de pobreza que grassava no país onde tinham nascido. Os mais afortunados, passado uns anos de ter deixado Portugal regressavam a suas orígens.

Poucos eram os que voltavam para se fixar definitivamente, mas apenas para passarem uns tempos de férias, visitar a família, os amigos e dar nas vistas. Era assim normal, depois da década de cinquenta do século passado, verem-se emigrantes portugueses, regressados do Brasil, Venezuela, Estados Unidos e das colónias portugesas Angola e Moçambique, a conduzirem automóveis de luxo, americanos, a dar nas vistas e mostrar o seu estado de riqueza. O que até podia ser falso... 
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Isso entusiasmava os jovens que ambicionavam ir ao encontro do El Dorado, como já havia séculos os portugueses se aventuravam a partir para as terras do Oriente e do Brasil, em sua procura. Poucos o encontraram e muitos ficaram por aquelas bandas, enterrados, e com eles as ambições da procura do imaginário.
O paquete Pátria navegava bonançosamente, a umas milhas largas de aproximação do porto de Luanda. Do convés e pousando as mãos na amurada, admirei as luzes de iluminação, mortiça, que fixavam na minha mente a visão de uma imagem em meia-lua. Pensativo, fiquei por ali à espera que o barco amarrasse as cordas às peanhas do cais. Perguntava de mim para mim, qual seria o meu futuro em África. Arrependi-me, sei lá as vezes sem conta, de ter deixado Portugal.

Estava ali um pobre, com 150 escudos na algibeira, de alma e ambições sumidas! Todo aquele entusiasmo que se encontrava dentro de mim, quando embarquei no Tejo estava, ficara esvaído. Um novo caminho, futuro, estava à minha frente e tinha de procurar vencer as diversas etapas que se me viriam a deparar durante 16 anos que andei por África, distribuídos por Angola, Moçambique e Rodésia.
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Preencheria largas páginas se me dedicasse a descrever os caminhos percorridos nestes três países. Passei por riscos, porque todos eles se quedavam em guerra. Não deixo porém de afirmar que os melhores tempos que passei em África foram na Rodésia, governada pela maioria branca.
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As independências de Angola e Moçambique viriam a dar cabo do meu sossego na Rodésia e vi-me obrigado a regressar a Portugal, com uma caixa de ferramentas de mecânico e uma vontade indomável de recomeçar novamente. De marçano, pracista, negociante de batatas, castanhas e hortaliças no Porto, regressei a Portugal como mecânico de automóveis, camiões e maquinaria pesada de construção de estradas.

A Rodésia mudou e moldou completamente o meu ser.Oito dias depois de regressar da Rodésia já estava empregado como mecânico na empresa J.Cândido da Silva, a mais importante da capital do Norte na distribuição de bebidas nacionais e estrangeiras. Ordenado (o estipulado pelo sindicato dos metarlúgicos) oito contos mensais! Uma pobreza para um mecânico que auferia dois mil dólares rodesianos, mensalmente...

Embora estes não fossem papel monetário que circulasse no exterior, davam para uma vida agradável na ex-colónia britância sob o Governo de Ian Smith.Em Portugal pouco, mesmo quase nada, tinha mudado durante a minha ausência de 16 anos nos países africanos. Muita política de chinelo, os profetas surgiam quotidianamente e as manifestações de rua eram uma constante. Fui aliciado para me inscrever como camarada no Partido Comunista. Ofereceram-me bilhetes para fazer monte no festival do Jamor que não aceitei.

Corri a sete pés de medo, na Praça da República, quando um petardo, colocado de baixo de um carro, rebentou na rua João das Regras. Tinha-me integrado numa manifestação organizada pela "irreverente" jornalista Vera Lagoa. Vidros das janelas voaram e os manifestantes, tal como eu, em correria desordenada espalharam-se pela relva do jardim, no centro da praça e em direcção às ruas do Almada e da Boavista. Oito meses em Portugal, para ser esquecidos.

Só tinha a hipótese de me manter um humilde mecânico a ganhar para as "sopas" e os cigarros e seguir a profissão, sossegado; teria de solidarizar-me com a linha de pensamento (que não era nenhuma) político dos operários que me rodeavam. Deixei Portugal pela segunda vez e tomei novo rumo. Este agora seria as areias escaldantes dos desertos da Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, os olivais da Tunísia e as montanhas do Curdistão (Turquia).José Martins

terça-feira, 13 de agosto de 2019

21º Festival Internacional de Dança e Música de Bangkok



Fonte: Bangkok101 Team 26 de junho de 2019
Dançarinos de balé do lago swan
Um tour cultural De force

O Festival Internacional de Dança e Música de Bangkok está de volta com sua 21ª edição, celebrando o máximo em ópera, ballet, música e muito mais, de 11 de setembro a 23 de outubro.
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Este ano, o Festival Internacional de Dança e Música de Banguecoque celebra 21 anos trazendo o melhor da ópera, ballet, música e muito mais para um crescente público em Banguecoque.
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Agendado de 11 de setembro a 23 de outubro, este Festival de seis semanas cuidadosamente organizado é repleto de apresentações que as pessoas de Banguecoque não vai querer perder, cobrindo tudo, desde o final clássico da escala, passando pelo moderno e contemporâneo.
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Programa 
11 de setembro (19:30 horas): Turandot, ópera de dois atos, Teatro da Ópera de Ekaterinburg, Rússia com o maestro Konstantin Chudovsky

13 de setembro (19:30 horas): Rusalka, ópera de três atos, Ekaterinburg Opera Theatre, Rússia com o maestro Konstantin Chudovsky

16 - 17 de setembro (19h30): Les Ballets Trockadero de Monte Carlo, Nova York

21 de setembro (19:30) e  22 de setembro (14:30 horas): La Verità, Compagnia Finzi Pasca, Suíça

26 de setembro e  27 de setembro (19h30): O Lago dos Cisnes no Gelo, Estrelas de Gelo Imperiais, Reino Unido

28 de setembro (14:30 e 19:30) e  29 de setembro (14h30): Cinderela no Gelo, Imperial Ice Stars, Reino Unido

5 e  6 de outubro (19: 30h): Lady Zhaojun, Li Yugang, China

11 de outubro (19:30 horas): Introdans, Holanda

13 de outubro (19h30): Concerto Budapest Symphony Orchestra, Hungria com o maestro András Keller
 
15 de outubro (19:30 horas): O Corcunda de Notre Dame (Esmeralda), ballet clássico de dois atos, Kremlin Ballet, Rússia

17 de outubro (19: 30h): As Mil e Uma Noites, ballet de dois atos, Kremlin Ballet, Rússia

19 de outubro (19: 30h): O Lago dos Cisnes, balé clássico de dois atos, Balé do Kremlin, Rússia

23 de outubro (19h30): José Carreras - Banguecoque e despedida

Apoiando o Festival estão Bangkok Bank PCL, Grupo B. Grimm, BMW Tailândia, Bangkok Marriott Marquis Queen's Park, Indorama Ventures, Ministério da Cultura, Nation Group, PTT Companhia Limitada, PTT Global Chemical Company Limited, Singha Corporation Thai Union Group PCL , Thai Airways International e Autoridade de Turismo da Tailândia.

Para mais informações: www.bangkokfestivals.com

Ingressos: Thai Ticket Major (www.thaiticketmajor.com; Hotline 02 262 3191 e nos balcões.

Local: Centro Cultural da Tailândia, Bangkok

À MARGEM: Com bastante tristeza verificamos que neste Festival, Portugal não está inserido. Portugal participou em alguns festivais anteriores e muito bem representado pela Companhia Nacional de Bailado e pelo  Quorum Ballet, sua actuação em 2013,
José Gomes Martins

domingo, 11 de agosto de 2019

LONGA VIDA PARA SUA MAJESTADE A RAINHA MÃE

Sua Majestade a Rainha Sirikit faz hoje 87 anos. A Rainha amada do povo tailandês. Desejamos a Sua Majestade muitos anos de vida. Publicamos a seguir, um pouco, daquilo que escrevemos a respeito da Nobre Senhora, que visitou, juntamente com seu marido (falecido) Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej em Agosto de 1960 que publicamos, ao fundo, a reportagem.

LONGA VIDA PARA SUA MAJESTADE A RAINHA SIRIKIT DA TAILÂNDIA

Artigo, a seguir escrito em 2011
Hoje é o dia do aniversário de Sua Majestade a Rainha Sirikit da Tailândia que completou 79 anos. Tudo aconteceu, como anos anteriores, minha filha Maria Martins, mulher Kanda e eu dedicamos este dia a Sua Majestade a Rainha Sirikit da Tailândia. Tudo aconteceu como o descrevi em outros anteriores. Para o  próximo ano, 12 de Agosto de 2012, o dia será, mais uma vez, dedicado a Sua Majestade.
Uma Rainha cuja figura me tem fascinado ao longo das três décadas que já levo vivendo na Tailândia, onde constituí família, investi os meus “ganhos”, fruto das minhas mãos e há pouco mais de um mês uma filha minha, luso tailandesa obteve a licenciatura, pela prestigiosa Universidade de Chulalongkorn, de Banguecoque, em “Novas Tecnologias de Comunicações”. Hoje o dia da celebração do aniversário de 77 anos de vida de Sua Majestade a Rainha Sirikit, sou um homem tranquilo.
Trinta anos num país, aqueles que acima escrevi, encerrei em mim um amor profundo que poderei afirmar com toda a convicção que não saberia responder, se me perguntassem se gostaria mais de Portugal ou da Tailândia.
Quando cheguei, pela primeira vez, à Tailândia, em 1977, Sua Majestade a Rainha Sirikit , era uma jovem senhora de 45 anos e considerada a mulher mais bela do Mundo. O seu sorriso cativava todos que a observavam no televisor, durante as funções que diariamente levava a cabo junto aos tailandeses. Sempre elegantemente vestida, com tecido de seda tailandesa (que nunca abdicaria) e na cabeça o inseparável chapéu inspirado nos modelos usados pelas mulheres, campesinas, tailandesas..
Olhava atentamente a Rainha no televisor e, minha mulher Kanda, traduzia as palavras de Sua Majestade transmitidas ao povo que a ouviam com todo respeito que uma Rainha merece.
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Umas das muitas palavras de Sua Majestade a Rainha, dirigidas à multidão, sentada sobre as pernas no solo, umas que me chegaram ao coração foi de quando aconselhou os campesinos para que não vendessem as leiras, onde cultivavam o arroz, aos especuladores e se as vendessem que não usassem o dinheiro da venda na compra de televisões, frigoríficos e outras tentações de mercadoria que a modernidade no seguimento da vida oferece.
Sua Majestade a Rainha vivia em constante preocupação, dado à crise do desenvolvimento urbanístico a crescer de rompante, na década de oitenta, do século passado, em Banguecoque. O dia 12 de Agosto, de cada ano, além de ser o aniversário de Sua Majestade foi lhe dado o Dia da Mãe.
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Ontem destinei que hoje eu minha mulher e filha Maria iríamos visitar O "Centro de Formação de Artes e Ofícios de Sua Majestade a Rainha Sirikit”, na província de Ayuthaya, com a finalidade de lhe prestarmos homenagem. Saímos de casa pelas 7 horas da manhã e passado uma hora estávamos a passar o portão de um dos três centros..
A primeira vez que o visitei, foi há 14 anos e de quando a RTP enviou a realizadora Cristina Antunes para rodar um filme, relativo à história de Portugal e a Tailândia, que lhe viria a dar-lhe o genérico “À Beira do Canal”.
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Desde então nunca mais deixei de o visitar e a último vez foi em 2005, no mesmo dia de hoje que viria a escrever duas peças onde descrevia a visita de Suas Majestades os Reis da Tailândia, a Portugal em 1960 e outra sobre a vida e obra de Sua Majestade a Rainha 
É difícil descrever todo o conteúdo que existe no “Centro de Formação de Artes e Ofícios em Bangsai”, dado que tudo que os nossos olhos vislumbram é de tal magnificência que não pode ficar despercebido a quem o visita. Ora ali se vai se encontrar uma extensão enorme de terreno, entre lameiros onde o arroz cresce ou já amarelecido à espera da ceifa e o mundo de verdura que o envolve.
Mas junto aos três centros está a margem do rio Chao Pray, com o leito espraiado onde a corrente corre preguiçosamente em direcção ao Golfo do Sião. O Bangsai Artes e Ofícios “O Centro de Formação de Artes e Ofícios” foi fundado por Sua Majestade a Rainha em 3 de Junho de 1980.
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Seu objectivo foi o de proporcionar uma formação, complementar, aos agricultores (depois da colheita do arroz e a espera para nova sementeira) ou de pessoas de baixos rendimentos, ensinando-lhe várias artes e onde, entre várias, se inclui o artesanato. Com isto o artesanato na Tailândia continua vivo e manter a história de suas raízes seculares.
O centro de formação para os agricultores e outras pessoas interessadas, está dividido em 23 secções distintas, tais como: corte e costura,bordado à máquina, artigos de couro, pintura, escultura em vidro fundido, tecelagem de seda e sua confecção.
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Depois dos cursos, os instruendos, recebem um diploma e o privilégio, se assim o desejarem, de continuar a exercer sua nova profissão no centro. Porém estão preparados para a vida e com colocação certa, no exterior ou fundarem a sua empresa de família.


Todos que frequentem os cursos de formação o alojamento é gratuito e uma “bolsa” para despesas pessoais. A produção de artesanato de alta qualidade é enviada para a loja do Palácio Real que fará a distribuição para outras sucursais, estabelecidas, no país.
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Todas as construções (excepto as oficinas de formação) são do estilo arquitectónico, ancestral, tailandês, onde o visitante vai encontrar a beleza e harmonia na posição. Em várias visitas de Suas Majestades o Rei Bhumibol Adulyadej, a Rainha Sirikit e membros da Família Real optaram por ficar hospedados no centro por uns dias.
O centro é um dos locais mais aprazível que tenho visto na Tailândia, o turista estrangeiro além de ter acesso às oficinas de formação e ver os artesões a produzir as peças de artesanato, intricadas, que se possam imaginar, poderá visitar um parque de aves raras, um aquário de várias espécies de peixes. Além do mais, por pouco dinheiro, despendido, pode levar para o seu país peças de artesanato raras e grande qualidade, assim como roupas de homem ou senhora.
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Para a visitar O “Centro de Formação de Artes e Ofícios de Bangsai” é acessível, quer por um carro através da Estrada 37, ao norte de Banguecoque ou de autocarro desde o terminal do Norte (Mohchit 2 junto ao “Weekend market).
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Os visitantes podem ainda tomar um barco para Chaiyuth Pier. Dista do centro de Banguecoque cerca de 60 quilómetros. Mas antes de se meter ao caminho informe-se na recepção do hotel onde se hospedou a melhor forma de lá chegar.
José Martins
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MEMÓRIAS DOS TEMPO IDOS - SUA MAJESTADE A RAÍNHA SIRIKIT NA RESIDÊNCIA DOS EMBAIXADORES DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA (Artigo a seguir escrito em 2008)
Não poderíamos deixar no rol do esquecimento e como homenagem a Sua Majestade a Rainha Sirikit, que hoje (12 de Agosto) faz 76 anos de vida. Uma Raínha que nunca nos cansamos de admirar e por diversas vezes já relatamos suas obras em prol dos humildes de seu país. 
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Habituamo-nos a ver a Rainha Sirikit, desde os anos de 1977, juntando-se aos seus súbditos, em remotos lugares, da Taiândia. Na sua cabeça. abrigando-a do sol um chapéu, tradicional, da mulher camponesa, tailandesa. E na altura em que o desenvolvimento, galopa, na Tailândia, numa sua alocução, acautela os pobres para que não vendam as suas terras para adquiriem os bens de consumo, modernos: "as televisões, as motorizadas e outros tentações"
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A Raínha Sirikit da Tailândia tem sido, durante os quase trinta anos, que vivemos no seu Reino, uma figura que nos apaixona e até já contamos, por várias vezes, a sua vida e obra. Fizemos projectos, hoje o dia do seu aniversário, viajarmos a Bangsai  e a visita a Portugal em 1960 que já conhecemos bem e a divulgamos, nos pareceu, melhor, descrevermos o que aconteceu naquela maravilhosa noite. foi no dia 14 de Maio de 1994, um dia muito especial para nós e para a Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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No princípio da noite Sua Majestade a Raínha Sirikit a Real consorte de Sua Majestade o Rei da Tailândia, iria ser recebida pelos Embaixador de Portugal, Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco, na histórica residência a "Nobre Casa".
Foi no dia 14 de Maio de 1994 uma data muito especial, para mim e para a Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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No princípio da noite a Rainha Sirikit a Real consorte de Sua Majestade o Rei da Taiândia, iria ser recebida pelos Embaixadores de Portugal, Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco na história residência, a "Nobre Casa", para o convite lhe fora feito, para um jantar, pelos Representantes de Portugal e, depois deste, assistir a um serão e sarau de arte que se prolongou até junto à meia-noite.
Estiverem presentes cerca de 70 convidados entre os quais: membros da Família Real, do Conselho Privado de S.M. o Rei e do Corpo Diplomático acreditado no Reino da Tailândia. Jamais imaginaria de quando, em 1960, vi através do "ecran" as imagens a preto e branco, difundidas pela recente fundada RTP, a visita a Portugal dos Reis da Tailândia e que passados 34 anos iria fotografar, a escassos metros de distância, a Raínha Sirikit que foi considerada uma das mulheres mais belas do Mundo daquela época.
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Preparei a minha Nikon F3. Apesar de estar bastante familiarizado com o seu funcionamento, programei na minha mente a abertura das lentes e intensidade da luz do "flash", para que nenhuma foto falhasse e se perdesse uma imagem daquele e único especial evento real.
Uns dias antes e quando a Embaixatriz Maria Luisa de Castello-Branco me convidou para ser o fotógrafo oficial da Embaixada; recomendou-me para que não usasse, demasiadamente, o "flash" e que, compassadamente, premisse o disparador da máquina durante o percurso do serão e sarau de arte.
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Com todo rigor, protocolar, que a ocasião merecia cumpri à risca as ordens recebidas da dinâmica embaixatriz que durante por vários anos foi a presidente da Organização das Esposas dos Diplomatas, em Banguecoque, para os eventos de caridade em favor da cruz vermelha Internacional da Tailândia com o patronato de S.M. a Rainha Sirikit.
Ao fim da tarde, sem grandes aparatos de segurança, a Raínha Sirikit acompanhada dos membros da família real e do Conselho Privado de S.M. o Rei da Tailândia chegou à Embaixada de Portugal e esperada na arcada da "Nobre Casa", pelos Embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco.
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A soberana antes de receber as boas vindas dos anfitriões, caminhou por cima de uma cartete vermelha, estendida ao longo do centro da arcada, da "Nobre Casa" e nos lados, formando duas alas os embaixadores, e suas esposas, acreditados no reino da Tailândia.
Após um curto repouso, no Grande Salão do rés-do-chão da "Nobre Casa" e residência dos embaixadores de Portugal, S.M. a Raínha subiu ao primeiro andar para um jantar, cujo a este se associaram todos os convidados. Senti-me fascinado e como dentro de um sonho quando através do visor da Nikon F3 procurava colher o melhor ângulo de imagem e o sorriso de uma raínha que durante mais de 20 anos me foi familiar no televisor de minha casa e, por Sua majestade tenho uma enorme admiração pela sua Obra em prol da mulher tailandesa o que com isso voltou o símbolo das mesmas.
Raínha de uma elegância incomparável, esmerada na sua forma de vestir, como que a dar o exemplo às mulheres tailandesas que a beleza feminina parte do saber e da arte do bem vestir.
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Uma dedicação, constante, às sedas tailandesas e desenvolvidos os padrões de desenhos sob a sua orientação, cuja divulgação as tornou, mundialmente famosas, que na alta sociedade ou nos meandros da moda internacional.
Sua Majestade gosta de usar chapéu, dentros das muitas digressões que efectua às mais remotas paragens da Tailândia em que os mesmos se caracterizam no estilo campesino do país. O serão e sarau de arte teve início junto às 8 da noite e prolongar-se-ia até próximo da meia-noite. Sua Majestade partiu e a seguir todos os convidades.
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A Noite Real tinha terminado e eu sentia-me feliz, apesar de ainda não saber, como teriam ficado as fotografias. A imagem digital, em 1994, ainda era uma miragem, para ser usada proficientemente (embora já houvessem máquinas no mercado), mas ainda a dúvida dado à fraca qualidade das fotografias que saiam com muito "grão".
Depois da meia noite saí da "Nobre Casa" e dirigi-me até junto do paredão do Jardim da Embaixada e olhei o meu Chao Praiá e o rio das minhas paixões. Umas poucas embarcações navegavam com luz frouxa rio abaixo/acima e para as margens de Banguecoque e Thomburi.
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O luar da noite espelhava na ondulação da corrente bonançosa do rio. Olhei os ponteiros do relógio e deram-me conta que outro dia estava a nascer e, lembrei-me, que teria ainda de escrever a peça para noticiar o evento e enviá-la, por fax, para a Agência Lusa.
O texto:
Lusa/Banguecoque 14.05.94
A Raínha da Tailândia na Embaixada de Portugal.
A histórica residência dos Embaixadores de Portugal na Tailândia abriu ontem dia 14, as suas portas de par em par, para receber sua Majestade a Raínha Sirikit, que veio jantar a convite de Sebastião e Luisa de Castello-Branco. Insigne distinção Real esta, sem precedentes alguns em outras embaixadas na capital tailandesa.
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Entre os cerca de setenta convidados, contavam-se membros da Família Real e do Conselho Privado do Rei, e embaixadores, cujas mulheres presentearam a rainha com uma colecção de 29 bonecas em trajes regionais dos respectivos países.
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Depois do jantar, houve danças e cantares executados pelos anfitriões, pelos embaixadores e embaixatrizes da Argentina, Espanha, Israel, África do Sul e Peru, e pelos Conselheiros Privados do rei, com destaque do prestigioso Primeiro-Ministro na década passada, general Prem Tinsulanonda.
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Foi a segunda vez, este ano, que os Soberanos da Tailândia distinguiram Portugal e seus representantes. Em Fevereiro, a exposição do Azulejo Português fora inaugurado pela muito estimada Princesa Maha Chakri Sirindhorn, não em nome próprio, como mais habitualmente se vê e constitui já uma grande Honra, mas em representação do rei seu Pai e ao som do Hino Real.

PORTUGAL E A TAILÂNDIA - FOTOS COM HISTÓRIA- QUANDO SUAS MAJESTADES OS REIS DA TAILÂNDIA VISITARAM PORTUGAL EM AGOSTO DE 1960