sexta-feira, 20 de outubro de 2017

DIVULGAMOS - "RECEBIDO DA EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE"


MUSIC HALL UNIVERSIDADE CHULALONGKORN

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A Embaixada de Portugal e o Centro Cultural Português Camões têm a honra de lhe enviar o convite para o Recital Multimédia 

ALÉMFADO

pelo pianista João Vasco

Terça-feira, 7 de novembro, às 19:30

Music Hall da Universidade Chulalongkorn 
(mapa anexado)

Este evento, organizado pelo Centro Cultural Português


Camões e a Embaixada de Portugal, em colaboração com a Universidade Chulalongkorn, tem o apoio do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua 

Queira fazer o favor de reservar o seu lugar até ao dia 31 de outubro, através do email: ambassador@embassyofportugal.or.th




Entrada livre
ALÉMFADO RECITAL MULTIMÉDIA
João Vasco piano
“Alémfado” resulta da encomenda feita pelo pianista João Vasco e pelo Museu do Fado a oito músicos portugueses do universo do Jazz e da música erudita/contemporânea. O desafio proposto foi o de recriar, para piano solo, uma compilação de fados retirados do grande repertório deste género e duas obras para guitarra portuguesa de Carlos Paredes Após apresentações em Portugal, Brasil e Alemanha, e em sintonia com o carácter de transversalidade que alicerça este conceito desde a sua génese, sugerimos agora a ampliação deste “olhar contemporâneo” sobre o Fado através da imagem. O recital é acompanhado pela projecção de um vídeo com imagens de Lisboa, desvendando a beleza que o seu semblante mais nostálgico encerra e redescobrindo os bairros mais típicos da cidade, cuja história se confunde com a própria história do Fado. Já apresentado, total ou parcialmente, em Portugal, França, Alemanha e Brasil, “Alémfado” teve o patrocínio exclusivo do Museu do Fado, onde foi estreado em 2010. Cremos que a (porventura) ousadia de recriar obras musicais de estilo tão forte e vincado, dotando-as de um carácter conceptual, processual e interpretativo próprio dos universos do jazz e da música contemporânea e ilustrando-as com as cores de Lisboa, poderá representar mais um passo no sentido da transversalidade artística plena, sem dúvida valência maior no desenvolvimento cultural das próximas décadas.
VÍDEO PROMOCIONAL
https://vimeo.com/album/4113381/video/180208996

www.joaovasco.com

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"EM MEMÓRIA DE SUA MAJESTADE O REI RAM IX"





Quando cheguei pela primeira vez à Tailândia, Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej era, ainda, um jovem com 50 anos. Admirei o monarca e segui toda a sua actividade de Grande Rei que procurou o desenvolvimento do Reino e a harmonia do seu Povo. Considerei-o, também, o meu Rei, porque no seu Reino, há 40 anos, tenho vivido na paz serena. Em sua memória e homenagem, na lingua portuguesa, narro sua história de vida.
José Martins 
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Numa fresca manhã do dia 5 de Dezembro de 1927, às 8:45, quando Mom (título real da Corte Tailandesa) Sangwan Mahidol deu à luz um bebé. A maternidade foi no Hospital de Cambridge (actualmente Hospital Mt Auburn) no estado de Massachusetts, Estados Unidos de América. O Dr. W. Steward Wittthmore assistiu a parturiente.
Porém, o Dr. Steward, estaria longe o seu pensamento que tinha “aparado” um bebé que viria, passado 18 anos, a ser entronizado Rei da Tailândia. Mais tarde e em declarações ao jornal “Glob de Boston”: “Era um excelente bebé e sua mãe nunca se queixou durante o parto”.
O Dr. Steward assinou o certificado de nascimento e dado o nome: Bebé Songkla. Na data do nascimento do Bebé Sonkla não houve cerimonial, apenas o regozijo de um casal de Príncipes, cujo o pai era filho do Rei Rama V. Chulalongkorn. O casal vivia num modesto apartamento: 63 Long Avenue, Brooklin em Bóston. Três horas depois do nascimento o Príncipe Mahidol enviou um telegrama a sua mãe a Rainha Savang Vadhana (Vadaná na pronúncia da língua portuguesa) que escolhesse um nome para o Bebé Songkla. 
Nove dias mais tarde um telegrama chegou do Reino do Sião com o nome escolhido e, este, pelo Rei Rama VII (irmão do Príncipe Mahidol): “Bhumibala Adulyadej” (mais tarde passou para: “Bhumibol Adulyadej” que traduzido para o português: “ União de Uma Nação de Incomparável Força”.
Naquele apartamento de Príncipes do Reino do reino do Sião, o rebento Bebé Sonhkla foi bem-vindo e junta-se a sua irmã de 6 anos a Princesa Galyani Vadhana ( nascida em Londres) e ao Príncipe Amanda, de dois anos, (nascido em Heidlberg, Alemanha).
Um ano depois do Príncipe Bhumibol ter nascido não se previa que no Reino do Sião iria haver mudanças significativas no curso da Dinastia Chakri. O reino tinha sido governado com extrema segurança pelo seu bisavô Rei Mongkut (1851-1868), seguido por seu avó, o Rei Chulangkorn (1868-1910) e seu tio o Rei Vajiravudh (1910-1925). Monarcas que resistiram aos diversos desejos de países ocidentais que, por vezes, tentarem colonizarem o Reino do Sião. 
Reis que usaram a filosofia da diplomacia e cujo ensinamentos foram seguidos e vindos do Rei Mongkut (Rama IV) que além de possuir uma inteligência rara exprimia-se e escrevia em excelente inglês.
Porém, o Reino do Sião, é o único país que desde o Mar do Sul da China até ao Oceano Índico, no Sudeste Asiático, que conseguiu resistir e impor-se às diversas investidas da pretensão de ser colonizado. O que não aconteceu às nações vizinhas: Malásia, Cambodja, Laos, Vietname e a Birmânia.
O Príncipe Mahidol nas suas previsões, de adolescente, não estaria o envolvimento na vida protocolar da Corte. Seu meio-irmão, Rei Rama VII que tinha sido entronizado, em 1910, após a morte de seu pai o rei Chulalongkorn. Decide-se por uma educação no estrangeiro e de regresso ao Sião aplicar os ensinamentos, granjeados, ao serviço do Povo siamês. 
Encontra a vocação de médico quando na Alemanha estudava educação naval e resolve mudar-se para os Estados Unidos e licenciar-se em medicina na Universidade de Harvard.
Consigo e sempre ao seu lado, do Príncipe Mahidol, está sua esposa “commoner” Sangawn Talapat que contraíram o matrimónio em 1920.
Entretanto o Príncipe seguia os estudos na Universidade Harvard, Mom Sangwan, diploma-se em enfermagem e economia no “Colégio Simmons”. Em 1950 a revista do Colégio Simmons, em retrospectiva da vida da instituição inseria: “Os Bostianos várias vezes eram impressionados quando por eles passava uma jovem bonita, vestindo trajo oriental, com uma cesta no braço fazendo as compras nas lojas na área “ Coolidge Corner”.
Apesar das possibilidades, económicas, da família Songkla, vivem num modesto apartamento, com uma cozinha, na 329 Longwood Avenue. Príncipe Mahidol é médico interno no Hospital Lying-In, em Boston. Um médico que partia, depois das chamadas urgências, em ambulâncias; subia escadas para acudir e minorar os padecimentos dos doentes.
Depois dos seus turnos de serviço no “Hospital Lyin-In” e sem aulas na Escola Médica Harvard, está ajudar, no apartamento Mom Sangwan, a cozinhar e a tratar das duas crianças do casal. Um ano depois do nascimento do Bebé Songkla, o Príncipe Mahidol obtém o licenciamento em medicina e regressa a Banguecoque cheio de entusiasmo para exercer a profissão de médico no Hospital Siraraj em Banguecoque.
Mas o Príncipe fica desapontado porque não pode exercer a profissão no Hospital Siraraj dada a sua condição de Príncipe Celestial. Pelo amor à profissão deseja empregar os conhecimentos adquiridos nos Estados Unidos e minorar os males dos tailandeses. O Príncipe Mahidol deixar a sua família em Banguecoque e vai para Chiang Mai (norte da Tailândia). É médico residente no Hospital MCCormic (uma instituição, missionária, hospitalar americana). O Príncipe Mahidol é incansável no tratamento de doentes; horas a fio, junto dos enfermos, durante a noite e dia e chega ao ponto de doar o seu sangue a quem o necessita.
Aflige o Príncipe uma doença dos rins e, entretanto ignora, sabendo da gravidade do seu mal. Quatro meses depois de se ter mudado para Chiang Mai, viaja até Banguecoque para assistir a um funeral. Depois das cerimónias fúnebres o Príncipe pretende levar consigo sua família para o norte. Infelizmente nunca mais regressou.
Quatro meses mais tarde, em Setembro de 1929 o Príncipe Mahidol morreu. O pequeno Príncipe Bhumibol tem apenas dois anos de idade.
Não deixa de ser dramático o relato da Princesa Galyani Vadhana nos seus dois livros, os trechos: “Mae Lao Hai Fang” (Minha Mãe disse-me) e “Chao Lek Lek, Yuwa Kasat” (Pequenos Jovens Reis):
“ Eu brincava em frente do edifício do palácio, na rua, passava muita gente, quando alguém me veio chamar para ir ter com minha mãe. Estava sentada num sofá comprido junto a uma janela, vestindo um robe. Quando cheguei levantou-me e abraçou-me de encontro ao peito. Disse-me algo que eu não lhe respondi e começou a chorar. Chorei com ela pelo facto de a ver chorar e a soluçar, convulsivamente, sem me ter apercebido, naquele momento que meu Pai tinha falecido. Os meus irmãos Ananda e Bhumibol não entenderam a tragédia. Minha mãe teve o cuidado, devido à idade, de não lhes transmitir. Guardamos luto por um ano. A vida da família Mahidol continuou apesar da perda sofrida. A Princesa Mãe preparou a educação dos filhos e enviou-os para as escolas. O Príncipe Bhumibol para o infantário “Matter Dei”, o Príncipe Ananda para a escola Dhepsirin e a Princesa Galyani para a escola Rajini”.
Ventos de Mudança
A depressão económica no começo do ano de 1930 espalhou-se pelos países do mundo e a Tailândia foi um dos afectado, a economia atingiu uma, nunca experimentada, baixa econômica que viria a provocar uma forte desmoralização, entre o cidadão comum. Um grupo de jovens tailandeses que tiveram uma educação esmerada em escolas do estrangeiro (nota do autor bolsas pagas pela Casa Real Tailandesa), aproveitam-se da recessão económica e pretendem desarticular a “Monarquia Absoluta” e transformar a Tailândia numa nação democrática. E, na clandestinidade, forjam um “Golpe de Estado”
Na manhã de 24 de Junho de 1932, o exército tomou o controlo de Banguecoque numa altura que o Rei Prachadhipok (Rama VII) estava de férias no Palácio Klai Kangwol em Hua Hin. 
O monarca tinha em mente de cambiar o sistema, governativo, vigente na Tailândia e o faria na altura própria. O Rei cedeu aos “golpistas”, não ofereceu resistência para evitar um “banho de sangue”. Depois do golpe, infelizmente, as relações entre o Rei e o Governo, imposto pela força, não nutriu bom relacionamento. As tensões, aumentam. Relacionamento fracturado sem a hipótese de reparação entre o Rei Prachadhipok e o executivo do Governo. Espalham-se os rumores que o Rei abdicou.
O jovem Príncipe Amanda por várias vezes foi mencionado que seria entronizado; facto que viria a surpreender os tailandeses. A Princesa Galyani refere no seu livro:
Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat:
“o Príncipe Ananda está na primeira linha para a sucessão. A Lei de Sucessão tornada pública em 1924 tinha sido emitida pelo Rei Vajiravudh. A Lei estipulava que no futuro os Reis da Tailândia teriam de pertencer a linhagem directa de Reis ou Rainhas. E, eliminados os que sofressem de doenças psicológicas; não pertenceram à religião budista; casados com mulheres estrangeiras; que por qualquer motivo o seu estado tivesse sido reevocado; ou desqualificados da linha de sucessão”.
Os rumores continuam a correr em Banguecoque que o Rei Prachadhipok iria mesmo abdicar. Outros rumores se seguem e vaticinam que o jovem Príncipe Ananda vai ser o futuro Rei da Tailândia.
Um dia o Príncipe Mahidol ao chegar a casa, vindo da escola, diz à Princesa Mãe:
“que os seus amigos chamaram-no “Ong Poey”.
A Princesa mãe compreendeu que na língua chinesa era o número oito, ou seja o Rei Rama VIII, mas não explicou ao filho príncipe. Fora das preocupações em cima dos rumores que corriam estava, avó do Príncipe Ananda; consorte do Rei Chulalongkorn; de estado de saúde frágil mas de enorme influência nos meios políticos. A Rainha Savang Vadhana actua como matriarca da família Mahidol e ordenou que os seus netos os Príncipes Mahidol deveriam ser educados no estrangeiro. Há duas escolhas: a Suíça em primeiro lugar e o Reino Unido em segundo.
Em 1933, quando o Príncipe Bhumibol tem cinco anos e meio de idade, a família instala-se numa pequena “flat” número 16 da Estrada Tissot, a 15 minutos a pé do centro da cidade de Lausana, na Suíça. Os dois príncipes irmãos frequentam a “Ecole Miremont” primária. Naquela modesta “flat” os dois jovens passam a fase da escola como simples estudantes.
Estão longe do Sião e alheios ao que se está, politicamente, a passar. Mais uma vez chega rumor que era certo que o Rei seu tio tinha abdicado. Repórteres de jornais da Europa procuram em todas as escolas da Suíça os príncipes do Sião, um deles tinha sido.
Debalde os príncipes não foram encontrados. Num excerto de uma carta da Princesa Mãe dirigida à Rainha Savang, esta inserida no livro “Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat” explicava a razão porque finalmente a imprensa tinha recolhido algumas informações e esta foram fotografias, de quando Nhanda (o nome diminutivo do príncipe) regressava a casa da escola. Imagens que ela tinha autorizado a recolher.
A abdicação do Rei Rama VII dá-se em Fevereiro de 1934. O Governo Tailandês envia representantes à Suíça para abordar a Princesa Mãe que além de mãe actuava como tutor dos dois príncipes. A Princesa Mãe recusa-se a responder dizendo que a crucial decisão deveria ser da Rainha Savang Vadhana e do Rei Rama VII. Entretanto informa os enviados especiais que a saúde do príncipe era frágil e não seria recomendável ir viver num clima tropical. O médico de família tinha recomendado para o Príncipe estivesse na Suíça.
Em 2 de Março de 1934 Rei Rama VII abdicou da Coroa em Londres. Faleceu em 1941 sem nunca ter voltado à Tailândia. Depois da abdicação o Parlamento tailandês acordou, unanimemente, que fosse convidado o Príncipe Ananda para ocupar o Trono nos termos da Lei da Sucessão. Entretanto a Rainha Savang Vadhama abençoou o Príncipe Ananda e cognominado o Rei Rama VIII. O Príncipe Ananda tem apenas 9 anos. 
A Princesa Galyani no livro “Chaonai Lek,Lek, Yuwa Kasat”: diz-nos: “o Príncipe Bhumibol com a idade de 7 anos e sendo conhecida a acessão ao trono de seu irmão Príncipe Ananda o facto passa-lhe despercebido”.
Certo e teria sido pela sua pouca idade. Na família Mahidol, igualmente, o excita mente passou ao lado. Os príncipes divertiram-se com a maneira protocolar dos representantes do Governo siamês que foram à Suiça para uma audiência com o jovem Rei Ananda (ainda não entronizado).
As individualidades representativas do Governo do Sião tentaram convencer a Princesa Mãe que o pequeno monarca, Ananda, viesse para a Tailândia onde lhe seria garantida uma educação privilegiada dentro de uma atmosfera pomposa e protocolar nos termos do seu estatuto de Rei do Sião. Tiveram de acordar com as pretensões da Princesa Mãe: o Príncipe Ananda ficaria na Suíça a seguir os trâmites de sua educação. E acrescentou aos enviados: “ o Príncipe cresceria incógnito como outra qualquer normal criança/estudante
A Princesa Mãe num apontamento transmitido a sua sogra a Rainha Savang Vadhana descreveu as conversas havidas entre ela e os enviados do Governo Tailandês:
“ Chao Phya ( o chefe da delegação) sugeriu-me que o Rei deveria deixar de frequentar a escola. Professores e tutores lhe seriam indicados em Banguecoque. De pronto lhe respondi: “ A sua educação em privado em Banguecoque o Rei iria sofrer pelo isolamento e a falta dos seus amigos condiscípulos e isso era um inconveniente para o seu crescimento sadio”.
O Chao Phya insistiu:
“ Era necessário que o Rei não se misturasse com pessoas vulgares e teria que aprender os hábitos da Corte, isto seria em nome e benefícios do povo tailandês, que tinha entrado no sistema, governativo, democrático”. Frequentam, depois, os dois príncipes, após a sugestão do Chao Phya, a escola privada “Nouvelle de la Suisse Romande”. 
O Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol aprendem as línguas: Latim, Alemão, Inglês e Espanhol, assim como a jardinagem e a carpintaria. Em casa têm lições da língua tai, história e o Budismo. A Princesa Mãe deixa o pequeno apartamento para uma vila de três andares, “Villa Vadhana in Pully” nos arrabaldes de Lausana. A família real não vive dentro de luxos ou grandezas. O jovem Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol continuam a viver como normal “rapazes” e a conviveram com os amigos de sua idade. Colhem maçãs, peras, uvas nos pomares para ganharem uns francos. 
A idade que separava o Rei Ananda e o Príncipe Bhumidol era de dois anos. A Princesa Galyani, irmão mais velha diz: “ Eles brincavam em todos os lados igual a dois gémeos”. Rei Ananda, em 1938, regressou à Tailândia na idade de 13 anos. Começa, então, a sua vida de monarca e as exigências, protocolares, relativas à Corte. Conta a Princesa Galyani:
“ O Príncipe Bhumibol caminha um passo atrás do seu irmão o Rei Ananda, é-lhe conferido o título real: Prachao Nongyather Chaofah Bhumibol Adulyadej. Entranto o Príncipe é conhecido pelo Povo tailandês: “Chaofah Waen” (o Príncipe de óculos).
Depois de 59 dias do Rei Ananda, permanecer na Tailândia, na altura sem vigor político. Os 18 milhões de súbditos siameses tiveram conhecimento que o novo Rei, estava no Sião não mostraram nenhum entusiasmo ou simpatia. Uma das razões foi que depois da abdicação de King Rama VII as cerimónias, pomposas, reais, a que o Povo se tinha habituado pararam abruptamente. Seriam, então, colocadas no devido lugar com a presença do Rei Ananda.
Príncipe Bhumibol quando criança é visto como um jovem alegre e o gosto pela comunicação com as pessoas. É uma figura real querida da família. Aos 10 anos começou a usar óculos escuros a conselho de um seu professor. Óculos que o Príncipe Bhumibol nunca deixou de usar. Muito cedo demonstra talento para a prática de desportos, música, ciência e tecnologia e a arte de carpintaria. 
A execução do seu primeiro desporto aconteceu na idade de 8 anos e, em 1935, durante a primeira lição da arte de esquiar na neve. Mais tarde o príncipe pratica outros desportos: o badminton, a natação e em todos é excelente. Na tecnologia o príncipe demonstrou inclinação para a mecânica e a electricidade. Sua irmã a Princesa Galyani dá conta:
Um dia a Princesa Mãe viu Phra Anucha (o novo título do Príncipe Bhumibol) brincar com um carro brinquedo. Carro que lhe tinha sido oferecido pela Nan (empregada doméstica de casa).
Princesa Mãe perguntou a Nan por que razão tinha ela oferecido o brinquedo, automóvel de lata e rodas, ao príncipe? Nan respondeu: “Foi o prémio pelo facto do Príncipe lhe ter consertado a máquina de costura.....” Outro facto e que nunca se viria apartar da memória da Princesa Galyani:
“ Na idade de 10 anos Príncipe Bhumibol transformou os fios de cobre de uma bobine num rádio. (Nota do autor o rádio do príncipe era uma “galena” que começa a nascer e a entusiasmar os estudantes, em Portugal passado 20 anos..
O príncipe ganhou um rolo de fio de cobre numa “rifa da escola”. Viria depois a receber um prémio escolar pela construção do mencionado rádio. Conseguiu adquirir “ore” preto (minério galenite), muito difícil encontrar à venda, para receber ondas de rádio. O rádio foi finalizado, recebe sinais, das emissoras, em perfeita sintonia e é usado, simultaneamente, pelos dois príncipes irmãos, através de pequenos auscultadores no ouvido.
Regressado à Tailândia o Rei Ananda recebe uma rádio Philips como presente. Os dois irmãos ocupam o mesmo quarto e compartilham o mesmo rádio! 
Mais tarde quando o Rei Ananda ocupa outro quarto, deixou o rádio “Philips” ao Príncipe Bhumibol. Mas o Príncipe Bhumibol não deseja que seu irmão esteja privado de coparticipar da audição do rádio que lhe tinham oferecido. Montou no seu quarto o alto-falante para que ouvisse os programas de rádio. Outra das várias actividades, durante a juventude, desperta no Príncipe Bhumibol a paixão pela construção de barragens. Príncipe Bhumibol é um jovem dos “sete instrumentos”. Na cozinha de casa da Suíça experimentava os seus dotes culinários. 
Ele e o irmão preparavam receitas inventadas por eles. Príncipe Bhumidol criou o seu favorito prato: “kai pra athit” (ovos de sol), uma excelente omeleta, segundo relata a Princesa Galyani, guarnecida com grãos de arroz, cozidos, depois torrados que configurava o sol e a sombra. 
A música foi outra vocação dos príncipes. Na adolescência começaram a ouvir a Princesa Galyani a tocar piano. Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol têm algumas lições mas acabam por desistir.Princípe Bhumibol, pouco depois, opta pelo acordeom.
Um dia o Rei Ananda quando assistia a um concerto num hotel inspirou-se e adquiriu um saxofone em segunda mão por 300 francos. A Princesa Mãe contribuiu com metade do custo e a outra metade pelo “Clube Patapoun” (este clube foi fundado pelos alunos da escola que frequentavam na Suiça). Mas quando o instrutor musical chegou a casa da Princesa Mãe para ministrar a primeira lição ao Rei Ananda este foi ao quarto do Príncipe Bhumibol e apresenta-o ao professor de música e que o substitui-se nas lições de saxofone. Foi nesta altura que o Príncipe Bhumibol descobriu que tinha vocação musical. Depois de duas semanas de lições o rei Rama VIII adquiriu um clarinete. 
O professor divide as classes em duas lições de 30 minutos para cada um. Depois das classes o instrutor com o seu saxofone formou um trio musical com o Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol. O Príncipe Bhumibol (Pracha Anucha) volta à Suiça para seguir os estudos. O transporte continua a ser a bicicleta de casa para a escola e conservatório musical. Durante o período de dois anos de permanência comprou um clarinete por 200 francos. Rei Ananda compra um saxofone, segunda mão. Entretanto os seus amigos têm mais jeito para tocar piano.
Em 5 de Dezembro de 1945, aniversário do Príncipe Bhumibol, com o Rei Ananda regressam à Tailândia, da Suiça. A 2ª Guerra Mundial tinha chegado ao fim e paz encontrada. As duas figuras reais tinham estado ausentes 7 anos da Tailândia. O Rei Ananda e o Príncipe recebem as boas-vindas, com as ruas apinhadas de gente e o Povo siamês, com isto, manifestam a sua lealdade à Dinastia Chakri. 
Durante seis meses Rei Ananda e Príncipe Bhumibol presidem a várias cerimónias e visitam as províncias fora de Banguecoque. No princípio estava planeado um mês de viagem a Tailândia mas estendeu-se por seis meses, isto porque a popularidade do Rei Ananda cresce dia a após dia. O Rei Ananda apresenta-se aos seus súbditos com modéstia e sem características pretensiosas.
A 15 de Fevereiro de 1946 o jornal “The Suparb Burud Prachamit” publicou em relação ao rei Ananda o seguinte: “ O Rei usou um simples método do seu modo de vida sem pompa ou cerimónias e apresentou-se como uma simples pessoa.” 
Agora a tragédia fez parar a grande popularidade do jovem Rei, depois de breve dias em Banguecoque, vindo da Suiça de ter resumido a sua educação. O Rei Ananda, Rama VIII foi encontrado morto, no seu quarto de dormir, na manhã do dia 9 de Junho de 1946. No mesmo dia o Príncipe Bhumibol é nominado como sucessor do Rei Rama VIII e com o título real Rama IX.
Dois meses e meio depois da misteriosa morte de seu irmão, Rei Bhumibol voltou à Suiça para seguir a sua educação na Universidade de Lausana. Antes tinha planeado o licenciamento em ciências, mas trocou-o por leis e ciências políticas para se preparar na vida que iria ter pela frente: o Rei da Tailândia.
A 4 de Outubro de 1948, o Rei Bhumibol sofre um acidente de viação quando guiava na auto-estrada de Genebra para Lausana. A polícia no seu relatório, datado em 9 de Outubro e baseado numa notícia da “Associeted Press”, o Rei guiava um pequeno automóvel, desportivo, na direcção de Genebra quando um camião que seguia à sua frente travou bruscamente para não atropelar dois ciclistas; carro do Rei enfaixou-se na parte de trás do pesado veículo. Por três meses o Rei Bhumibol ficou internado no hospital para se recompor do grave acidente que lhe viria afectar a vista direita.
Entretanto no hospital o Rei Bhumibol recebe diversas visitas e entre as muitas registam-se: Mom Rajawong Sirikit Kitiyakara, filha de S.A. o Príncipe Chandaburi Suranath (Mom Chao Nakkhatra Kitiyakara), Embaixador da Corte Siamesa em Paris e Mom Luang Bua Kitiyakara. Mom Rajawong Sirikit Kitiyakara, nunca abandonou o Rei Bhumibol no leito do hospital e nasce, entre os dois, uma verdadeira história de amor.
A paixão do Rei Bhumibol, por Mom Sirikit, cresce dia após dia. Pediu-lhe a mão e recebe a promessa de casamento no dia 19 de Julho de 1949. Rei Bhumibol regressa a Banguecoque no princípio do ano de 1950, o monarca vai estar muito ocupado com três significativas missões: as cerimónias fúnebres do Rei Ananda; o casamento real com Mom Sirikit e a sua coroação. O funeral real aconteceu em 29 de Março de 1950; o casamento com Mom Sirikit, de 17 anos de idade é presidido pela Rainha Savang Vadhama, no Palácio Patum. Os jovens, reais, nubentes passam a lua-de-mel no Palácio Kangwol, estância balneária de Hua Hin. 
No dia 5 de Maio de 1950 tem lugar a grande cerimónia da coroação com toda a pompa real. Pouco depois da coroação os Reis da Tailândia (Mom Sirikit já Rainha) voltam à Suiça para seguir os trâmites da educação do Rei Bhumibol.
Regressam a Banguecoque e para residir, definitivamente, em 5 de Dezembro de 1951. Com eles a Princesa Ubol Ratana, de oito meses, nascida a 5 de Abril de 1951. A Rainha Sirikit brinda o Rei Bhumibol com mais três filhos. O Príncipe Herdeiro Maha Vajiralongkorn, em 28 de Julho de 1952; a Princesa Maha Chakri Sirindhorn em Abril de 1955 e a Princesa Chulaborn em Junho de 1957.
Num sábado pela noite um grupo de músicos entre os 60 e 70 anos juntaram-se no “Palácio Klai Kangwol” na estância balneária de Hua Hin para um concerto de jaz. Músicos de ocasião, dentro do salão onde o concerto seria levado a cabo; sentam-se; afinam os instrumentos até que o maestro lhes transmitisse:
Prontos?
O único saxofone que existia era o do S.M. o Rei Bhumibol com 78 anos. Instrumento, de segunda mão que tinha sido adquirido pelo seu irmão Rei Ananda na Suiça. A banda executava trechos musicais de jazz nas manhãs de domingo. Rei Bhumibol e os membros que compunham a banda “Au Sau Wan Suk”, além do prazer da música respiravam a maresia vindo do mar e o ar fresco da cordilheira, adjacente, para lá da praia em direcção ao norte.
Os membros da banda optavam pelos trechos musicais moderados e seleccionavam os autores: Dixieland, New Orlean, Big Band charttopers. Outras ocasiões executavam músicas compostas pelo Rei Bhumibol.
O monarca é altamente reconhecido pelas individualidades mundiais ligadas à música do jazz. Seu nome está listado em websites, enciclopédias e reconhecidos os seus méritos musicais pela “Academia de Viena de Áustria” e da escola de música “Yale” dos Estados Unidos. Compôs várias músicas inclusivamente o Hino Nacional Tailandês.
Sua Majestade o Rei da Tailândia é o monarca, que desde sempre, no mundo, possui mais anos sentado num trono, a totalidade das suas composições foram : música romântica; marchas; ballet; clássicas, jaz e outras. Composições famosas e no ouvido do povo tailandês: “Candleilgth Blues”; “Falling Rain” “New Year´s Greetings”. Célebres composições não só na Tailândia como já famosas no mundo e executadas por orquestras, internacionalmente, de reconhecido mérito.
S.M. Rei Bhumibol além de exímio músico é um compositor de grande valor. São imensas as composições que vamos, no percurso deste trabalho, designar parte delas. Os seus méritos foram galardoados pela “Academia de Música e Artes de Viena”, em 1964. uma placa foi aposta numa sala da prestigiosa instituição e conferido ao Rei Bhumibol com o diploma que o honra com o atributo de “Sócio Honorário”.Por muitos anos a banda do Rei Bhumibol “Au Sau Wan Suk” teve visitas e comparticipação de proeminentes figuras e ídolos ligadas ao jazz:
Benny Goodman, Lionel Hampton, Jack Teagarden, James Moody, Benny Carter, Les Brown, Maynard Ferguns, a banda “ Preservativa Hall Jazz “ e outros músicos de grande nome e não menos prestígio que participaram em concertos organizados pelo Rei da Tailândia.
 “Palácio Klai Kangwol”O primeiro encontro de Sua Majestade com um ídolo internacional ocorreu em 1960 durante a sua visita, oficial, aos Estados Unidos. Comparticipou em duas sessões de jazz com Benny Goodman em Nova Iorque cujas exibições foram noticiadas na revista “Time” na edição de 18 de Junho de 1960:
Sua Majestade jantou com o Rei do Swing, Benny Goodman (com mais 94 outras personalidades ligadas aos círculos musicais) nos arredores do estado de Nova Iorque cujo governador era Nelson Rockefeller...Por 90 minutos, depois do jantar, Rei Bhumibol e Benny ensaiam, com os seus instrumentos, sons de adaptação um ao outro. 
No dia seguinte Rei Bhumibol carrega o seu saxofone até ao 23º andar da casa de Benny e no jardim, situado no terraço, foi levada a cabo uma sessão de jazz, considerada um sonho... O Rei, tocou, durante duas horas, interruptamente. 
O jornalista Harry Rolnick escreveu um artigo publicado na revista “Sawadee” (revista oferecida em viagem aos passageiros da linha aérea “Thai International”), deu o genérico ao artigo: “The King of Jazz” . A cantora de jazz, americana, Patti Page. Sua Majestade o Rei Bhumibol concedeu-lhe uma audiência e descreveu-o após o encontro:
“Um sonho que voltou em realidade...eu tinha já ouvido algo acerca das suas composições”. Foi fantástico quando em minhas mãos tive parte das suas maravilhosas peças... Rolnick continuava:
“ Por duas horas a Patti cantou obras de Sua Majestade acompanhada pelo seu músico pessoal. Entretanto o Rei ia fazendo modificações quando verificava ser necessário”. 
A opinião do distinguido e famoso músico de jazz, Lionel Hampton, em relação ao Rei são inseridas no artigo de Rolnick:
“Uma pessoa simples, moderada, cheia de frescura que faz dele rei no espaço”.
Recentemente o mundo do jazz reconheceu os méritos do Rei Bhumibol e inseriu os seu nome na “Enciclopédia do Jazz”. Obra que só encerra nomes de figuras famosas e que se distinguiram na composição, execução ou canto. Rei Bhumibol Adulyadejo está designado, horrorosamente, no livro dos famosos e o único nome de músico/compositor da Tailândia que ali figura.
Sua Majestade efectuou uma viagem oficial, em 1964, a Viena de Áustria, assistiu a um concerto onde actuavam os famosos:
Kinari Suite, Sai Fon, Yam Yen e as bandas “Royal Marines Marcha” e “Royal Guards March”. Além de terem sido executadas composições do Rei Bhumibol o concerto foi transmitido, ao vivo pela rádio, que viria a ter larga repercussão entre as camadas, públicas, da monarquia.
Desde os Clássicos ao Jazz.
Sua Majestade recebeu instrução musical desde quando era um “aluno normal de escola primária”. Estaria longe de ser pensado que o Rei viria ser um entusiasta da música de jazz! A Príncipe foi lhe dado, como seria a outro “rapaz” de sua idade os ensinamentos da música clássica. 
O mundo estava na época da música romântica. A rádio era ainda um meio de transmissão que estava a nascer. Havia sim a transmissão de música e canções pelas roufenhas gramofones ou ouvidas e presenciadas nas salas de espectáculos. O Príncipe tem ensinamentos de saxofone (pela sua vida fora voltou o seu instrumento favorito). 
No livro “Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasata” a Princesa, irmã mais velha do Príncipe Bhumibol, Princesa Galyani (já referido na 1ª parte desta colecção de artigos), o Príncipe Ananda comprou um saxofone por 300 francos suíços com o propósito de aprender a tocá-lo. No último minuto, antes da primeira lição, o Príncipe passou-o ao Príncipe Bhumibol Eventualmente, o Príncipe Ananda associa-se à classe com o clarinete As lições são de duas horas por semana com o músico Sr. Weybrecht natural da Alsácia. 
Por dois anos as classes foram continuando, mas por fim e quando já os Príncipes se encontravam habilitados a manejar os instrumentos termina a lição numa banda a tocar pelo espaço de uma hora. O Sr. Weybrecht e o Príncipe Ananda ao clarinete e o Príncipe Bhumibol ao Saxofone.
Aparte das lições de música, aos Príncipes Ananda e Bhumibol chega-lhes a inspiração e gosto pela música do jazz. Os dois jovens coleccionam discos de gramofones onde nestes estão gravadas obras, executadas por “monstros” da música de jazz da época. Enquanto o Príncipe Ananda prefere: Louis Armstrong e Sidney Bechet, o Príncipe Bhumibol opta: por Duke Ellington, Count Basie. Príncipe Bhumibol dá os primeiros passos na música de jazz tocando de ouvido trechos de Sydney Bechet, saxofone soprano; de Johny Hodges saxofone alto e de Duque Ellington o piano.
Príncipe Bhumibol tem como o favorito instrumento o saxofone, toca o clarinete, o trompete, a guitarra e o piano. Um compositor aspirante. Em 1946 quando Príncipe Bhumibol, com 19 anos visitou Banguecoque acompanhado do Rei Ananda, altura em que Príncipe está numa fase de grande inspiração e vontade de compor obras musicais. Encorajado pelo Rei Ananda escreveu fragmentos de partituras musicais e mostrou-as a S.A. o Príncipe Chakraband Bensi Chakrabandhu, prestigioso músico, e aconselhou Príncipe Bhumibol a completar a obra e, caso, encontra-se dificuldades ele o ajudaria.
Em 1946, a sua primeira composição está completa. Deu-lhe o nome de “Saeng Tien” (Candlight Blues). Logo a seguir, finaliza, a sua composição: “Yam Yen” (Love at Sundown), não foi necessária a ajuda do Príncipe Chakrabandhu em cima dos líricos. Na mesma altura Príncipe Bhumibol experimenta compor a terceira peça e a sua inspiração leva que esteja completa num dia. “Sai Fon” (Falling Rain) é assim designada.
Dentro do espaço de meio século o Rei Bhumibol criou 48 composições. Fora deste número são compostas cinco outras: líricas e melodias:
Echo, Still on My Mind, Old-Fashioned Melody, No Moon and Dream Island. Duas de suas composições são líricas e de expressões patrióticas: Kwan Fun And Soong Sud (1971) e Rao Su (1976)
Como já foi referido Sua Majestade tem um ouvido apurado que lhe confere a capacidade, preliminarmente, de “alinhavar” uma composição, com a ausência de notas executadas por um instrumento. “ Por vezes nós para obter um acorde musical usamos um pedaço de papel ou um envelope com barras onde escrevemos as notas. Quando o Rei está inspirado não necessita isso porque conserva os sons em sua cabeça. Mais tarde termina a composição com o piano.” Disse um seu, directo, colaborador.
Em 1959 Sua Majestade o Rei compôs um som para dar as boas vindas à Princesa Alexandra. MR Seni Promoj conta:
“ Lembro-me quando nós, no aeroporto de Don Muang aguardavamos a chegada da Princesa Alexandra de Kent. Cerca de 20 minutos antes que aeronave aterrasse, Sua Majestade vem junto a mim com uma folha de papel onde tinham sido escritas notas musicais. Rei Bhumibol tinha composto uma música em honra da Princesa Alexandra. Ordena-me que escreva um poema que se conjugasse com a música. Com a ordem real, recebida, outro remédio não tive que o escrever.”
Igualmente e no mesmo termo, “Porn Phi Mai” (New Year´s Greetinhg) foi composta no Ano Novo de 1951. O som era uma bênção aos súbditos tailandeses. Sua Majestade com o Príncipe Chakrabandhu, compuseram a melodia com a ajuda do saxofone e fica finalizada num serão. Este som, durante meio século, tem sido executado nas celebrações do Ano Novo.
As Bandas do Rei. Desde o tempo das sessões no estúdio em Lausana os Reis Ananda e Bhumibol e o professor alsaciano, a Sua Majestade, desde essa altura, ficou-lhe o gosto de tocar junto a outros músicos. Durante a vista dos dois Reis à Tailândia em 1946 convidaram músicos amadores para sessões casuais nos fins-de-semana. Depois do Rei Bhumibol voltar à Suíça, continuou a convidar estudantes tailandeses para formarem banda quer na Suíça como em Paris. 
Em 1950 Sua Majestade volta a Banguecoque para, permanentemente, residir. Forma uma banda de jazz e deu-lhe o nome:
“Lai Khran.” Os membros do conjunto musical são: M.L. Vimvathit Rabibadham, M.C.Waewchakra Chakrabandhu, M.L. Dej Snidvongse; M.C. Pong-amorm Kridakara; M.R. Seni Pramoj, Suratherm Bunnag e M.L. Praphand Snidvongse. Regularmente, banda, inclui os tenores: Murathapisek Sonakul e M.C. Kajornchobkitikuna Kitiyakara.”
Sua Majestade, em 1952, instala uma emissora de rádio dentro do Palácio Amporno Satharn e designou-a: “ Au Sau Amporn Satharn Radio Station.” Uma das actividades da emissora é o de difundir o dinamismo da banda “Lai Khram”; outras locais e, com destaque a “Kaset” ao vivo sob a regência de S.A. Príncipe Chakrabandhu Bensiri Chakrabandhu.
A banda “Lai Khram” ganha notoriedade e o aumento de executantes e Sua Majestade dá-lhe novo: “Au Sau Wan Suk” (Friday Au Saud). Uma especial característica da banda era que Sua Majestade o Rei Bhumibol juntava-se aos membros nas sessões de sexta-feira. As audiências, musicais, à sexta-feira serviam, ao mesmo tempo, para seleccionar novas revelações na arte musical.
Nos fins-de-semana os membros da banda reúnem-se no palácio “Klai Kangwol” (Hua Hin) para sessões de música privadas. Pela manhã e quando o sol nascia os membros da banda marchavam, pela praia, a executar uns acordes cujo este caminhar, respirando ar fresco da maresia, lhes daria mais vigor na execução de números de jazz durante o dia.
A banda era composta por proeminentes figuras da sociedade tailandesa e, mesmo estrangeiras (Nota do autor: na década de sessenta, século passado, o Encarregado de Negócios, Sebastião de Castello-Branco que assumia as funções de chefe de missão da Embaixada de Portugal em Banguecoque, por várias vezes se juntou à banda de Sua Majestade e executou cantos de ópera, como amador que era).
Os músicos da banda de Sua Majestade:
M.R. Seni Pramoj (uma distinguida figura na história e artes siamesas), M.L. Praphand Snidvongse, Uthis Dinakara na Ayudhaya; M.L. Usni Pramoj, Manrat Srikranond, Dej Thiewthong, Thavorn Yaovakhan, Suvit Ungsavanond, Nondgha Buranasomphop, Kavee Angsawanond, Apichitr Sukchand, Uab, Hemaratchata, Santhad Tanthanand, Aniruth Thinnakorn na Ayudhaya e Dr. Phatorn Srikranond. Cantores incluiam-se Khuning Savitri Srivisarnvaja, Khuning Chamari Snidvongse na Ayudhaya, Kun Kanda Thammamongkhol, Thanpuyng Suvaree Dhepakam e Pallop Suwannamalik.
Nos primeiros tempos da fundação da banda a mesma não executava só números para serem difundidos pelas ondas de rádio apresentava-se em casas de espectáculos e, muito especialmente em universidades cujo objectivo era o de incentivar as novas gerações. Sua Majestade compôs, para as universidades de Chulalongkorn, Tammasat e Kasetsart “Alma Matters” (hino).
Gradualmente, a banda “Au Sau Wan Suk” diminuiu as interpretações, em público, dado que Sua Majestade tem, pela sua frente, outras missões e estas são o desenvolvimento de novo projectos rurais de norte ao sul da Tailândia para com isto melhorar a vida dos seus súbditos e fazer da Tailândia uma nação harmoniosa e prospere.
Apesar da banda de jazz de Sua Majestade ter diminuído as actuações o seu espírito continua vivo, diz o Almirante (na reserva e Conselheiro Privado de Sua Majestade) ML Usni Pramoj:
“Sua Majestade, sob a sua vida constantemente árdua a música reconforta-o e coloca de lado o “stress” que o invade. O caminho perfeito para o relaxamento. Nós sentimo-nos honrados pelo facto de o servir e contribuirmos para o bem estar de Sua Majestade”.
Sua Majestade é um maestro respeitado que inspira músicos amadores e profissionais. Mas para além da música Sua Majestade é um orientador, nato, para os seus súbditos que operam em diversos campos. Especialmente o Rei da Tailândia (que o consideramos um Rei Lavrador) os seus olhos encontram-se virados para o incremento da vida económica das populações rurais. Cria projectos tais como: licenciar engenheiros e técnicos agrónomos; médicos voluntários; funcionários de tribunais e tantos outros. 
A esta nova gente incute-lhe o espirito de criar bandas e nasce com isto a primeira “Sahai Pattana” (Development Friends). Sua Majestade sacrificava algumas horas de descanso em noites para a instruir e orientar. Entre os membros incluía-se a Princesa Maha Chakri, sua companheira, inseparável, nas visitas que Sua Majestade aos meios rurais.
Sua Majestade o Rei Bhumibol, com oitenta e nove anos de idade não foi só um grande Rei mas também um músico de mérito. Os esplêndidos e numerosos álbuns com as suas obras musicais são constantemente tocadas tanto localmente como internacionalmente.
Jack Teagarden (1905-1964) trombonista e vocalista famoso, americano, pediram a Sua Majestade autorização para incluir no seu álbum, de actuações, as suas composições. Igual pedido foi efectuado por Les Brown, americano e líder da “Banda of Renown” (1912-2001) a permissão para incluir seis obras de Sua Majestade e, ainda Claude, Bolling, com o mesmo pedido, famoso pianista e compositor de jazz francês deseja também incluir as suas obras para as executar.
A última composição de Sua Majestade é a número 48 e nominou-a Menu Kai ( Egg Menu). Foi completada em 1995, porém um colaborador, chegado a Sua Majestade, que acreditava não ser esta a sua última composição e pensava que o Rei continuava a trabalhar nas suas composições e que dia menos dia seriam vindas ao conhecimento do público.
Os sons das composições musicais de Sua Majestade o Rei da Tailândia nasceram na praia de Hua Hin há largos anos. O compositor, o maestro, o músico, cujo o seu instrumento de paixão é o Saxofone cujos sons, entraram no ouvido dos seus súbditos desde o sul ao norte de que deu, ainda mais, harmonia e alegria do Povo tailandês amar o seu Rei.
Desde a pintura, fotografia, escultura, desporto de vela, desenho e construção, Sua Majestade o Rei Bhumibol demonstrou excepcional sensibilidade e talento apurado. Durante o seu reinado de 70 anos patrocinou numerosos projectos e incentivou os seus súbditos a segui-lo.
Foi denominado um “homem de lentes” pelo seu apurado gosto pela a fotografia. Desde os tempos de sua meninice o Príncipe Bhumibol principiou a colocar as fotos em álbuns. Estas, além de temer sido imagens que foram trazidas a público, têm servido a Sua Majestade para recordar fases de sua vida e da Família Real (nota do autor: sempre vimos, no “écran” do televisor Sua Majestade, quando em visitas, aos meio rurais, carregar a máquina fotográfica pendurado ao pescoço e, de quando em quando recolher imagens do que observava.)
O gosto pela fotografia de Sua Majestade é hereditário. O Rei Rama V, Chulalongkorn, seu avô, pode considerar-se o Pai da fotografia no Antigo Reino do Sião, poder-se-ão, ver-se, nos dias de hoje, várias fotografias publicadas em livros de imagens obtidas.
Principalmente a membros da Família Real. Seu Pai O Príncipe Mahidol de Songkhla tinha, igualmente, como seu Pai o Rei Chulalongkorn o gosto da fotografia. No entanto a Princesa Mãe não lhe é descurado o gosto pela fotografia. As imagens que hoje existem dos Príncipes, seus filhos: Princesa Galyani Vadhana, Príncipes Ananda e Bhumibol e seu pai, o Príncipe Mahidol são obra da Princesa Mãe.
A Princesa Mãe de quando estudante de enfermagem no Hospital Siriraj, em Banguecoque, nasceu em si a vocação e paixão pela fotografia. A estudante de enfermagem no Hospital de Siriraj não possuía, ainda, máquina fotográfica. Observou a magia das mesmas e que afinal as imagens não poderiam ser, apenas a dos espelhos, na água cristalina, mas conservadas no seu real todo e imprimidas no papel.
A Princesa Mãe seguiu para os Estados Unidos para completar os seus estudos de enfermagem, quando tinha 18 anos. Comprou, ali, a sua primeira máquina: “Brownie Box” fabricada pela “Easteman Kodak” (nota do autor esta máquina, por anos, é conhecida em Portugal pelo nome: “caixote Kodak”. Voltou popular e a máquina de gente de poucas posses). A paixão e o “hobby” da Princesa Mãe é a fotografia e mais tarde desenvolveu em sua casa o “cinema fotografia” e mais tarde, pelo seu mérito, ingressou na “Real Associação dos Fotógrafos Amadores de Banguecoque” cujo Presidente era Sua Majestade o Rei Rama VII.
Sua Majestade o Rei Bhumibol, cresce assim entre as máquinas fotográficas; visto as fotos obtidas pelo seu avô o Rei Rama V; as fotos que sua Mãe de quando bébé lhe havia tirado, seu Pai e irmãos foi naturalíssimo que a Sua Majestade jamais se lhe tenha apartado o desejo da fotografia e pela vida adiante o fazem um viciado na imagem.
Aos oitos anos o pequeno Príncipe pretende ser fotografo (qual miúdo de sua idade se lhe perguntasse o queria ser quando fosse grande, talvez, respondesse querer ser bombeiro ou cozinheiro, sem ainda possuir na mentalidade a certeza de ser aquilo que dizia, mas aquilo que o seu mundo de fantasia lhe permitia), um adolescente com pensamento e inteligência de adulto, o Príncipe Bhumibol é presenteado, pela Princesa Mãe, com o máquina fotográfica “Coronet Midget.” O pequeno Príncipe nas primeiras experiências fotográficas, não se saiu lá grande coisa, segundo a Princesa Galyani Vadhana descreve na sua obra: “Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat”. 
As primeiras cinco ou seis imagens, obtidas, pelo Príncipe Bhumibol redundaram em grande tragédia e obviamente o sofrimento de uma criança que pretende ser fotógrafo! A única fotografia que se aproveita, na primeira sessão, foi tirada por alguém que não foi o Príncipe.
Longe morava o desaire do Príncipe apesar de as primeiras imagens com a “Coronet Midget”, não terem saído lá grande coisa. Continuou a desenvolver suas habilidades; procura informações junto de fotógrafos profissionais e com isto o Príncipe e depois Rei voltou num excelente fotógrafo.
Décadas depois e o mundo da fotografia ter entrado no sistema automatizado e na digitalização, Sua Majestade gosta de operar máquinas com a nova tecnologia. Não dispensa, porém, os filmes 135 e 12o milímetros, operando com máquinas sem a exposição de velocidade e luz. Sua Majestade continua, nos tempos que correm, a obter imagens com as sua antigas máquinas e calculando a abertura e a velocidade da lente ao objecto a fotografar.
Aos 13 anos, O Príncipe Bhumibol, em 1941 e cinco anos mais tarde, tirou muitas fotos a seu irmão, Sua Majestade o Rei Ananda. Entre as quais figuram fotos históricas e os sons das palavras, do Rei Ananda quando proferia discursos a multidões de seus súbditos nas províncias: Pak Nam, Samut Prakarn. Príncipe Bhumibol usou, para a gravação, um microfone de carbono.
Na colecção de fotos do Rei Bhumibol figuram os murais pintados nas paredes do Templo de Esmeralda Buda”. Fotos que serviram ao Rei para aprender a composição da fotografia na luz e aprendizagem de outras técnicas fotográficas.
Sua Alteza o Príncipe Chakrabandhu Bensiri Chakrabandhu uma vez recordou uma visita do Príncipe Bhumibol a um estabelecimento, especializado, de vendas de máquinas fotográficas na Suíça:
“Em cima do primeiro dia, o Príncipe comprou uma máquina naquele estabelecimento. Umas semanas depois voltou lá e fez umas quantidades de perguntas ao empregado que o atendeu quando adquiriu a máquina. Depois das informações obtidas do primeiro, que não o satisfizeram, procurou outro, empregado de balcão que mais uma vez não soube responder às perguntas do Príncipe. Foi então que uma terceira pessoas do mesmo estabelecimento o elucidou das dúvidas que o Príncipe Bhumibol tinha e decidiu comprar várias lentes e outro equipamento para lhe satisfazer os requisitos, necessários para obter imagens, fotográficas, de alta qualidade”
Depois dessa altura o Príncipe Bhumibol, só, aprende todos os segredos de operar máquinas fotográficas; inventa as suas próprias técnicas e atinge o auge de um amador profissional na arte de produzir imagens e passá-las ao papel após a revelação.
Sua Majestade o Rei Bhumibol, criou filtros especiais, uma parte são na cor azul e outras laranja. Aconteceu depois uma série de fotos maravilhosas que surgem em cor natural, onde o céu azul é natural e a leveza, da tonalidade, da cor de fundo. Especializa-se noutras técnicas uma das quais são os ângulos e o largamento. 
Desenvolveu e construiu a seu gosto o “quarto escuro” no rés-do-chão” do palácio “Au Sau Building”, onde operava a estação de rádio fundada por Sua Majestade. No quarto escuro Sua Majestade, revelava, fotos a preto/branco e a cores.
Num excerto escrito, num livro, da Princesa Maha Chakri Sirindhorn escreve:
“ Eu observei por diversas vezes Sua Majestade tirar fotos e vi depois que personalizava as imagens com um número. Mais tarde ordenava Guarda Real que as colocasse num álbum. Nesses álbuns figuravam todas as fotos de família, de seus filhos Príncipes desde quando eram bebés até à idade da maturidade. É me difícil encontrar uma foto minha, do tempo de criança e só me aparece depois de desfolhar uma quantidade de vários álbuns.
No conteúdo desses álbuns figuram interessantes fotografias de cerimónias Reais; pinturas de murais no Templo de Esmeralda; imagens de cenários e de visitas de Sua Majestade aos meio rurais. A colheita de imagens por Sua Majestade são para ele documentos de grande importância: por exemplo a recolha, geográfica, de um local onde ali poderá surgir um canal ou uma barragem. Algumas vezes essas imagens têm planos horizontais, outras “olhos de pássaro”, capturadas por aeronaves ou helicópteros. Esses documentos, vivos, são usados por Sua Majestade para a continuação das suas iniciativas para o desenvolvimento rural e, com isto a melhoria de vida dos seus súbditos tailandeses.
Ocasionalmente e quando o projecto real foi completado, Sua Majestade tira fotografias aos oficiais encarregados do projecto mostrando, assim, o seu reconhecimento, pela completação da obra.
Muitas fotos de Sua Majestade reflectem o seu bom senso, bem como a cativação filosófica que as imagens encerram. Todas as imagens são diferentes na expressão e técnicas. A proficiência de suas imagens são bem conhecidas e por vezes Sua Majestade convida um júri para avaliação, como num concurso, as suas fotos.”
Nas viagens de Sua Majestade por toda a Tailândia uma das cenas, populares, que os tailandeses já se acostumaram a observar é a do Rei com a máquina fotográfica com a correia à volta do pescoço, uma caneta nas mãos e um mapa
A máquina não está limitada a obter fotografias de excelente qualidade mas uma peça de trabalho e indispensável ao monarca para resolver certos e complexos problemas como o de terminar com a pobreza de alguns meios rurais com a construção de novos projectos para melhorar a condição de vida dos habitantes ou para resolver o escoamento das águas que durante a quadra das chuvas as cheias os aflige.
As fotos de Sua Majestade, são depois despachadas às autoridades que gerem as populações e a informação correcta como os problemas deverão ser resolvidos. Príncipe Prem Purachatra, pouco depois de Sua Majestade o Rei Bhumibol ter sido entronizado solicitou-lhe autorização para que fotos suas fossem publicadas na revista/jornal “Standard”, de Banguecoque. Mais tarde, Sua Majestade, falando da sua colaboração na imprensa e da tença, real, de 100 bhat lhe foi atribuída: “Nunca recebi qualquer aumento”, falando em termo caçoante. 
“A título de curiosidade nos nossos arquivos, históricos e, após termos conhecimento do facto que fotos de Sua Majestade o Rei tinham sido publicadas em revista/jornal “Standard”, fomos à procura das mesmas e encontramos três: as edições: de 11 de Junho de 1959,1960 e 1961, com vários textos e fotografias publicados, inclusivamente honras a Portugal a totalidade das primeiras páginas. Não deixa porém de se registar o cuidado dos representantes diplomáticos acreditados na Tailândia Encarregados de Negócios: Passos de Gouveia, Grainha do Vale e Rebelo de Andrade de fornecer à redacção da “Standard”, importante e não menos patriótica, informação, relativa ao nosso país. As primeiras páginas encabeçavam “Friendship With Portugal” (Amizade com Portugal) e no interior, além de se referir à epopeia marítima, lusa, dá conta das belezas naturais de Portugal e os seus monumentos históricos.”Insere numa das páginas a foto do Primeiro-ministro, Prof. António de Oliveira Salazar, que em 1960 recebeu com todas as honras os Reis da Tailândia em Portugal”

Sua Majestade durante a sua juventude e um autodidacta, um Homem de ideias que as concretiza. É um músico compositor de grande mérito; fotografo; um técnico que acompanha as novas tecnologias da época; escultor e pintor. Entre 1959 a 1967, Sua Majestade produziu mais de 60 quadros onde se incluem esculturas. Nessas obras está patente o expressionismo; o abstracto e o impressionismo.
O pintor, tailandês Uab Sanasen definiu-o:
“Cada quadro de Sua Majestade existe uma inconfundível reflexão de sua força. As suas expressões são espontâneas e demonstra a sua personalidade. Isto mostra-nos que é um Homem com energia e resoluto na criação dos seus quadros.” O interesse de Sua Majestade pela pintura vem-lhe da data de 1937-1945, quando vivia em Lausana, Suíça mas só uma nos depois começou a pintar.
Sua Alteza a Princesa Galyani Vadhana no seu livro: “Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat”, Sua Majestade deu-me conta da data de quando começou a iniciar-se na pintura e aconteceu no ano de 1946 quando acompanhados do Rei Ananda vieram da Suíça à Tailândia para uma visita real. A Princesa Mãe presenteou o Príncipe Bhumibol com todos os apetrechos relativos à arte de pintura: a prancha, os pincéis, as tela e as tintas. 
Sua Majestade decidiu-se pela experiência de pintar vários quadros e alguns deles são vendidos, em leilão, cujas receitas são destinadas a instituições de caridade. Junto às obras de pintura, são oferecidos para o mesmo fim: fotografias e modelos, reduzidos de barcos e aeroplanos que Sua Majestade tinha montado.
Sua Majestade explora as suas técnicas em livros de arte onde figuravam obras de artistas de renome. Livros que ia comprando ou o presenteavam. Na Tailândia recebe conselhos de vários artistas visitando os seus estúdios e discutindo com eles as diversas técnicas. Eventualmente, Sua Majestade vai adquirindo, com a maturidade, o seu estilo próprio na arte de pintar.
Entre os seus conselheiros de arte estão: o Sr. Bhiriya Krairishka, que tivera a oportunidade de ter estudado com o expressionista Oskar Kokoschka de nacionalidade austríaca. Trabalhou ao lado de Sua Majestade e muitas das suas obras foram exposta na galeria “ National Art Exhibition”. Outros conselheiros de Sua Majestade destacam-se os artistas: Hen Vejakorn, Kien Yimsiri, Chamras Kietkong, Fua Haripitak, Paitoon Muanggsmboon, Chuladhat Bayakaranondha e Chalerm Nakhirak.
Igual a qualquer artista, amador ou profissional Sua Majestade prefere a liberdade da imaginação e colocando de lado a influência na criação dos seus quadros. Tanto usa a luz natural como a artificial, mas usualmente prefere pintar ao entardecer e pela noite fora. 
Pede aos seus filhos Príncipes e a sua Real Esposa a Rainha Sirikit que lhe sirvam de modelos. Muitos dos seus quadros da sua colecção são obras “portrait” onde figura a Rainha Sirikit. Entre as numerosas obras de Sua Majestade figuram dois notáveis quadros. Um é de seu Pai o Príncipe Mahidol e outro de um mulher idosa..
Em 1982, na celebração do bicentenário da fundação da cidade de Banguecoque, o “Fine Arts Department” (Departamento das Belas Artes) obteve a permissão de Sua Majestade para expõr 47 de suas obras do conteúdo das 60 na Galeria Nacional. Foi a primeira vez que suas obras são exposta ao público.
Sua Majestade, depois das técnicas na arte de pintar, estudou, também, a de modelar e a fundição do bronze. Em 1966 fundiu a estátua do Buda com a expressão “Subduing Mara” com 9 polegadas de largura nos joelhos. Decorou a base com pétalas de flores de lótus. 
Uma série de estátuas de Budas, são fundidas e partem da “matriz” modelada por Sua Majestade. Entretanto Sua Majestade, tem a intenção de fundir 100 estátuas de Budas e serem colocadas, em altares, uma em cada província da Tailândia. Essas santidades é lhes dado “Buda Navarajbopitr”.
Para as gerações que tiveram a oportunidade e testemunhas do momento de quando Sua Majestade o Rei Bhumibol ganhou a Medalha de Ouro, juntamente com Sua Altesa a Princesa Ubolratana na prova de vela OK “Fourth South East Asia Peninsular Games” em Dezembro de 1967, bem se lembra do júbilo e orgulho da população da Tailândia pelo facto do seu Monarca e sua filha Princesa mais velha Ubolratana ( em português pronuncia-se: Ubolrataná) ter ganho uma importante prova de vela onde estão envolvidos atletas locais e estrangeiros.
A embarcação que veio a vencer foi imaginada, desenhada e construída por Sua Majestade o Rei Bhumibol dentro dos muros do Palácio. A sua obra ganha fama internacionalmente, volta uma legenda e foi patenteada no Reino Unido com o nome “Mod”.
A intuição de Sua Majestade, como todas outras criações que levou à obra, vem lhe dos tempos de criança. Sua Majestade nasce e vive numa época em que no mundo estavam a surgir as novas tecnologias. O Príncipe Bhumibol cresce na Suíça num mundo onde a perfeição de tudo é um facto. A criança Príncipe não descura as invenções que dia a após dia aparecem num país já industrializado. 
Está mais virado para a criação do que envolver-se na leitura das histórias aos quadradinhos que começavam a invadir o cérebro das crianças e levá-las ao mundo da fantasia irreal. A Princesa Mãe incute-lhe que coloque à prova a sua imaginação e crie e construa os seus próprios brinquedos. Sob os conselhos da Princesa Mãe e mercê do seu espírito imaginativo o Príncipe Bhumibol constrói brinquedos de velhos cabides onde aproveita o arame. Constrói pequenos barcos de pedaços de madeira e, não só embarcações de recreio mas também réplicas de barcos de guerra e aeroplanos.
Em 1946 quando o Príncipe Bhumibol, acompanhado de seu irmão Sua Majestade o Rei Ananda, visitaram Banguecoque, foram leiloadas réplicas de barcos da “Marinha Real Tailandesa”; da era de Aiutaá e um modelo de aeroplano. 
Atingiram verbas consideradas para a época de 20 e 10 mil baht!
Sua Majestade entronizado Rei e no vigor dos 30 anos construiu um protótipo de um barco de desporto à vela. O primeiro teste é levado a cabo num lago de sua sua residência oficial o “Palácio Chitralada”. A obra não lhe saiu como o desejaria. Em 1964 Sua Majestade acerta os erros e vem à luz um modelo perfeito e a seu gosto que o baptiza “Rajptain”.
Em 1965, Sua Majestade o Rei Bhumibol entra numa competição, com o “Raiptain” onde está, também a competir o Duque de Edinburg (marido da Rainha Isabem II de Inglaterra). O traçado marítimo é de Pattaya a Kho Larn. Sua Majestade não para na construção de barcos da classe OK e produz uma série de “dinghies” (pequenos barcos) para competirem, internacionalmente na classe OK. Saiem dos estaleiros reais, entre os muros Palácio Chatrilad: o Navaruek, Veca 1, Veca 2 e o Veca 3.
Depois da construção destes pequenos barco da classe OK, Sua Majestade não estagna a os projectos navais de desporto. Assim nascem para a Classe Moth: “Moth”, “Super Moth” e “Micro Moth”. Nestes barcos de recreio e desporto à o desenho de uma nova criação de Sua Majestade.
Na mente de Sua Majestade o Rei Bhumibol de quando criou os pequenos barcos à vela, estes não são apenas para sua prática do desporto, mas sim para entusiasmar os jovens, tailandesas, para os incentivar ao desporto náutico.
Nasceu de uma família de profissionais de medicina. Seu Pai o Príncipe Mahidol dedicou, depois de se ter licenciado em medicina nos Estados Unidos a minimizar os males que afligiam os seus doentes. Para o Príncipe Mahidol não havia classes, cor ou credos. A todos assistia e ao ponto de chegar a doar o seu sangue aos que dele necessitassem. Suas Majestades os Reis da Tailândia, Bhumibol e Sirikit durante uma visita à província de Narathiwat no sul da Tailândia, encorajando os deficientes.
A Princesa Mãe nasceu vocacionada para exercer a enfermagem e durante o percurso de sua vida, até, à sua morte, a “velha senhora” (além de ter sido um mãe exemplar na educação dos seus três filhos) dedicou todo o seu dom de caridade em favor das populações, tailandesas, menos protegidas nos pontos mais remotos da Tailândia, como assim, outro carinho muito especial, à natureza e às flores de jardim ou silvestre. 
Sua Majestade o Rei Bhumidol apercebeu-se, desde a juventude, que era de primordial importância a saúde e o bem-estar do povo tailandês. Dedica parte do seu reinado em longas digressões aos meios rurais. Usa todo o tipo de transportes, helicóptero, veículos de tracção às quatro rodas para chegar às aldeias remotas e algumas encravadas nos contrafortes das montanhas. Navega em canoa nas regiões alagadiças. Em todos os percursos o Rei tem um mapa debaixo do braço, uma caneta nas mãos e, junto às autoridades do local dá-lhe ideias e instruções como a obra deve ser iniciada. 
Tem sido assim desde que foi entronizado. Sua Majestade o Rei da Tailândia mantém um constante interesse pelo desenvolvimento da ciência médica. Nas visitas aos meios rurais visita as unidades hospitalares para se inteirar do funcionamento
Junto ao monarca, algumas vezes, está Sua Majestade a Rainha Sirikita ou a sua filha a Princesa Maha Chakri Sirindhorn que vai fazendo apontamentos no seu inseparável bloco de notas.
Nos anos recentes Sua Majestade tem estado activo e preocupado pela preservação do meio ambiente, desenvolvimento dos meios rurais e na conservação e aproveitamento das águas aconselhando que devem ser construídas mais barragens ou represas. Como acima se referiu foram instalados, por toda a Tailândia, clínicas nas aldeias a fim de permitir uma assistência de primeiros socorros com a maior prontidão.
Em todas as viagens que Sua Majestade efectua aos meios rurais com ele segue uma equipa de médicos e enfermeiras para cuidar dos súbditos que lhe vêm prestar vassalagem e cuidar dos seus males se porventura os tenham. Nos locais em que S.M. faz uma paragem mais longa, às pessoas é lhes verificada a tensão arterial a febre e os estadoos dentes. 
Mas se um súbdito necessita de cuidados especiais médicos, Sua Majestade ordena que esse doente seja enviado e admitido no hospital mais próximo para ser tratado. Sua Majestade tem praticado estas acções beneméritas desde há muitos anos.”
A reserva e conservação da qualidade da água tem sido uma preocupação, premente de S.Majestade. Foto do lado direito: um invento de S. Majestade para oxigenar a água, dos lagos e indispensável para a vida das espécies, aquáticas, peixes e crustáceos
Médicos funcionários dos serviços de saúde são distribuídos por diversas províncias, tailandesas cuja finalidade é o estarem mais próximos das pessoas e assisti-las. Graças a Sua Majestade foi criado um departamento: “Cuidados de Saúde Básicos”. Aparte desta instituição do Ministério de Saúde, Sua Majestade, instruiu o pessoal da saúde que instruam as pessoas para que estas aprendam os cuidados preliminares de saúde, a fim de se precaverem de contrair doenças. 
Depôs da Segunda Guerra Mundial as doenças mais frequentes na Tailândia era a tuberculose. No país não havia sanatórios e acontecia que os doentes em suas casas infectavam os seus familiares. Sob os auspícios de Sua Majestade foi criada a “Sociedade Antituberculosa”, construídos sanatórios para prevenir que a doença se ramificasse.
É construído um prédio a que lhe foi dado o nome de seu pai “Mahidol Wongsanusorn” e instalada a “Red Cross Science Division” para produzir vacinas BCG. Mais tarde a UNICEF abastece-se, ali, de vacinas para serem usadas em países da Ásia. 
Durante o reinado de Sua Majestade o Rei Bhumibol efectuou numerosas visitas às zonas fronteiriças entre a Tailândia, Camboja e Laos para se inteirar da situação dos seus súbditos, dado que esses territórios estavam flagelados, não só pela guerra dos países vizinhos, assim como de insurgentes, tailandeses, comunistas
Depois, em parte, ter eliminado a tuberculose, Sua Majestade tem em sua monarquia outro problema, de saúde, para resolver e erradicar é a lepra que de rompante contagia as populações de aldeias nos anos de 1950/1960. São, então, construídas, leprosarias, as pessoas infectadas internadas. 
A doença da lepra, nos dias actuais, está completamente banida na Tailândia. Há outra enfermidade o Pólio, na altura, que afecta as crianças e foi eliminado mercê o interesse do Rei. Reaparece nos anos de 1990 dado aos milhares de refugiados, fugidos de uma guerra de genocídio e são acolhidos fronteira entre os dois países. Imediatamente e a conselho de Sua Majestade o Rei Bhumibol é lançada uma campanha de vacinação de sucesso. Apenas uma criança contraiu a doença.
Desde 1946 Sua Majestade tem injectado milhões de dólares, vindos dos seus fundos, privados, em diversos programas de saúde. A Cruz Vermelha, foi uma das primeiras beneficiadas e desde então tem sido umas das instituições que tem merecido um constante cuidado de Sua Majestade. Funciona dentro dos seus muros um laboratório para a produção de vacinas. Um “Banco de Sangue” desde 1969 cujo sangue chega a quem dele necessita absolutamente grátis. Pelo país, anualmente, são salvas, milhares de vidas. 
Nota do autor: “no ano de 1977 e de quando a minha primeira visita a Banguecoque adoeci do estômago. Uma namorada de nome, Luang Tong Lim Kató, que casualmente tenha conhecido, uns dias antes, levou-me ao Hospital da Cruz Vermelha. Depois de o médico me ter examinado; em seguida entregou-me a receita para os remédios; com a rapariga fomos buscá-los à farmácia do hospital. Quando perguntei quanto custava a consulta e remédios responderam-me: “que não custavam nada!” Ficou comigo esta agradável história de hospitalidade na minha primeira visita à Tailândia...
Sua Majestade faz chegar a todo território agências da Cruz Vermelha que funcionam como centros de investigação e cura de doenças. Existe a malária junto às fronteiras com a Birmânia, Laos e Camboja que é premente fazer-lhe o combate e erradicar o mosquito, infectado com o vírus. 
Hoje na Tailândia são raros os casos do aparecimento de malária na população onde se inclui as zonas fronteiriças. Sob o financiamento de Sua Majestade são, também, criados centros de investigação e prevenção de doenças junto às universidades, escolas vocacionais e de educação primária para que os jovens estudem em estado sadio.
A Princesa Mãe, durante a sua longa vida a servir o Povo tailandês, parte das suas economias são destinadas para bolsas de estudo para jovens estudantes se irem especializar no estrangeiro. Hoje a Tailândia possuem uma classe médica, jovem, altamente profissionalizada quer na clínica geral como noutras especializações. 
Para os desfavorecidos, economicamente, o Governo tailandês criou há uns quatro anos o sistema de pagamento, de consulta e medicamentos, a irrisória quantia de 30 bhat (menos de 40 cêntimos de um euro), nos hospitais do Estado. 
Nota do autor: entretanto os serviços médicos e hospitalares, particulares, na Tailândia voltaram famosos na Ásia média, Oriente e extremo, não só pela qualidade como pelo êxito da cura. Todos os dias chegam dezenas de pessoas dos países árabes, a Banguecoque, em procura do alívio e cura das suas enfermidades.
Sua Majestade o Rei da Tailândia depois do falecimento de sua Mãe e em sua memória criou a “Fundação Ananda Mahidol” para continuar a financiar a Obra da princesa Mãe de continuar a enviar, com bolsas de estudo, estudantes de medicina ao estrangeiro e especializarem-se no estrangeiro.
Quando Sua Majestade ascendeu ao trono em Junho de 1946, a Tailândia encontrava-se na recuperação dos efeitos da 2ª Guerra Mundial, tinha, justamente terminado havia, apenas, um escasso, ano. Embora a Tailândia não tenha estado envolvida na guerra o sistema educacional estava desarranjado e as crianças tais limitavam-se aos primeiros estudos preliminares nos templos budistas. A primeira universidade da Tailândia a Chulalongkorn foi planeada pelo Rei, do mesmo nome da instituição, e seu avô. 
O falecimento em 1910 não lhe deu tempo para concluir a obra. Seria depois seu filho, o Rei Vajiravudh que o sucedeu, no trono, a inaugurá-la em 1917. Durante a 2ª Guerra Mundial, a Tailândia, os japoneses pressionaram, em 1939, o Primeiro-ministro Phibul Songgram, (um jovem oficial, ambicioso, que em parceria com Pridi Phanomyang, civil educado em França que estabeleceram, através de um “golpe de estado”, sem sangue o regime da Monarquia Constitucional, em 1932), para que suportasse o Japão ocupando o território. 
O objectivo da ocupação da Tailândia pelo Japão não era mais tão pouco mesmo para construir um caminho-de-ferro que ligasse o porto de Singapura (já ocupado pelos nipónicos), à Birmânia e deste território à Índia. O Estreito de Malaca além da presença dos submarinos britânicos, o mar estava infestado de minas que tornava impossível, navegável aos barcos japoneses atingirem por mar a Birmânia e a Índia. 
Os japoneses concentram-se na província de Kanchanaburi, com eles estão 100.000 prisioneiros de guerra, pertencentes às tropas aliadas que foram capturados em países da Ásia e Sudeste Asiático, e que foram utilizados na construção das infamantes obras: Caminho-de-ferro e a ponte sobre Rio Kuei apelidadas: obras da morte, onde morreram devido a doenças e subalimentadas milhares de soldados e trabalhadores.
A Tailândia durante esse período fora por diversas vezes bombardeada a capital Banguecoque e objectivos estratégicos na província de Kanchanaburi e com isto muita escola foram destruídas. O sistema educativo, fica assim em completa desordenação e os alunos, com suas famílias refugiam-se longe dos alvos estratégicos das bombas.
Depois da guerra uma massiva renovação é levada a efeito. Muitas escolas, construída a partir de madeira, sofreram os efeitos de grandes cheias e foram totalmente destruídas e são renovadas com o cimento e os tijolos. A guerra tinha provocado uma fenda no sistema educativo e os estudantes absorvem, durante os estudos, um parco conhecimento escolar. 
Alguns, obtêm o diploma de licenciamento sem a preparação ou mínimos requisitos de conhecimento da especialidade que escolheram. Era, apenas, um estatuto, pessoal, académico perante a sociedade em que estavam envolvidos. 
Seis anos mais tarde a Tailândia é reconhecida, internacionalmente, como a nação líder com melhor “standard”, entre a população, educativo de toda a Ásia. Em meados da década de 1950/1960 e graças a Sua Majestade o Rei Bhumibol, que transformou o sistema escolar na Tailândia, passado pouco mais de meio século, 63 milhões de tailandeses escreve e lêem o que corresponde a 99% da totalidade da população. 
O maior feito, heróico, no período de seis décadas efectuado dentro da educação não teria chegado a bom porto se não tivesse havido a contribuição de Sua Majestade o Rei Bhumibol. O pobre, o privado de se deslocar pelos seus próprios meios motores, as minorias étnicas que vivem no norte da Tailândia, de raça ou credos têm a liberdade de acesso à educação desde a primária à secundária ou universitária. 
Em meio século a visão de Sua Majestade construiu uma sólida estrutura que muito contribuiu para o desenvolvimento de uma nação onde há paz e harmonização entre as gentes tailandesas e outras inseridas de cultura e religião diferentes. 
Dentro do reinado de Sua Majestade grande número de escolas foram construídas em remotas áreas. Os estudantes têm conseguido excelentes classificações sejam de escolas, orfanatos, dependentes que necessitam ajudas de outrem para se locomoverem. 
Distantes dos meios populacionais e em remotos lugares, Sua Majestade garantiu aos alunos a mesma educação ministrada aos jovens alunos, e membros da família, na escola privada “Wang Klaikangwol”, em Banguecoque, que chega a esses lugares remotos via satélite. O Rei estabeleceu o projecto “Phra Dabos” que promove e ajuda a desenvolver as vocações manifestadas em jovens sem ser necessário a preparação tradicional noutros centros educativos.
A Tailândia não se viu livre da tentativa da infiltração do comunismo e insurgência de simpatizantes. Porém Sua Majestade, nesses períodos difíceis nunca deixou de visitar as fronteiras entre a Tailândia,Laos e Camboja nos anos conturbados.
A Tailândia não seu viu livre da “saga” e da infiltração da doutrina comunista no Sudeste Asiático que viria a “desgraçar” os povos da Birmânia, Vietname, Laos e Camboja. Na Tailândia sugiram os simpatizantes da política da “cortina de ferro”. As zonas fronteiriças foram infestadas por insurgentes, comunistas, que atacavam aldeias e assassinavam pessoas.
Muitas crianças viviam nas áreas devastadas pela morte, doenças e ausentes da educação. Sua Majestade visitou essas áreas nos princípios de ano de 1960, e preparou o início de uma vida diferente para essa juventude vítima de um sistema político que não germinou no mundo.
Um número, considerável de escolas nas áreas afectadas e protegidas pela polícia que patrulhava as picadas ao longo das fronteiras (nota do autor: passamos nelas em 1987, quando como fotógrafo/correspondente, mais o jornalista Nuno Rocha do extinto semanário “O Tempo” fomos fazer uma reportagem na fronteira tai-cambodja aos três campos de refugiados, cambodjanos, onde haviam 170 mil perseguidos do regime do famoso “facínora” Pol Pot”) que regularmente eram visitadas por Suas Majestades o Rei e a Rainha Sirikit e a Princesa Mãe. 
De 1963 a 1974, Sua Majestade mandou construir 9 escolas para crianças nas aldeias das tribos do norte da Tailândia. Mais 31 são construídas, cujos custos são suportadas pelos fundos, pessoais de Sua Majestade e destinadas aos filhos dos funcionários dos serviços florestais sediados em áreas remotas a fim de preservarem as florestas, dos fogos e da “pilhagem”. Cria a “Fundação Navaruek” também estabelecida com seus próprios fundos e destinadas ao ensino secundário de jovens. 
Seguem-se igualmente a construção de escolas nos tempos budistas sob a administração de monges. A iniciativa de Sua Majestade é pelo facto de que as crianças, nos meios rurais, devem ter a aprendizagem primária escola, entre os muros dos templos a fim de conjugar o ensino e a religião. Em 1962 a Tailândia foi fustigada pelo “Ciclone Harriet” que devastou 12 províncias. 
Uma pequena aldeia situada na beira-mar, Laem Talumpuk (arredores de Nakhon Si Thammarat) os ventos do ciclone bateram fortemente a pequena povoação que causou a morte de mais de um milhar de pessoas. Uma terrível tragédia que destruiu templos, escolas, casas e as plantações. Sua Majestade, não perdeu tempo e ao microfone na emissora “Au Sau Radio” que ele mesmo tinha fundado, e dá início ao peditório que atingiu mais de 11 milhões de baht. 
À campanha foi lhe dado “Making Merit with King”. Parte da contribuição, conseguida, é destinada para assistir aos órfãos que perderam os pais na catástrofe. Ainda ficou uma importância para a criação da fundação: “Rajaprajanugroh” que entra em acção a obra de benemerência em 1963. A fundação não tarda a construir escolas na área afectada, cujas instalações ficam providas de camaratas, cantinas, para os estudantes que perderam os pais ali residirem. 
Mas outra preocupação de Sua Majestade é os órfãos de pais vitimados pela SIDA e manda construir a escola “Rajaprajanugrob 33”, na província de Lop Buri. Serve para educar os órfãos e acomodá-los. Seguem-se outros projectos, similares, nas montanhas do norte.
Quando o Tsunami devastou 6 províncias no sul da Tailândia em 2004, as crianças, voltam novamente a sofrer. Muitos perderam os pais, os condiscípulos, os amigos e também os professores em escassos minutos. A fundação “Rajaprajanugrob” é primeira organização humanitária que se encontra no terreno a prestar assistência aos vivos e a piedosa missão de recolha dos mortos. De imediato foram construídas quatro novas escolas para 1.200 crianças.
Um Rei de um Povo; um chefe de família que tem servido de exemplo aos seu súbditos. Para nós, velho residente no Reino da Tailândia, habituei-me a ver e a seguir a Obra deste enorme Homem, que nasceu para ser Rei e guiar o seu Povo o da Tailândia. 
Para Sua Majestade não foi fácil vencer os tempos difíceis que se lhe depararam. Aos dois anos de idade perdeu seu Pai, o Príncipe Mahidol, vocacionado para médico e que a morte o levou aos 35 anos. A sua alma de criança não entende, ainda, a orfandade. 
Igualmente ainda não se apercebe que a monarquia tailandesa vive momentos conturbares, em 1932, um grupo de jovens estudantes suportados com bolsas concedidas pela Casa Real levaram a efeito um “golpe de Estado” (sem sangue) que levariam a ser elaborada uma nova constituição passando da “Monarquia Absoluta” para a “Monarquia Constitucional”. Seu tio o Rei Prajadipop, abdica e exila-se em Londres sem nunca mais retornar à Tailândia. Seu irmão o Príncipe Ananda, mais velho que ele é a pessoa, em linha real, hereditária, para ser entronizado Rei. 
Mais um golpe terrível envolve o Príncipe Bhumibol. O Rei Ananda, seu irmão é assassinado, em 1946 no seu quarto, em circunstâncias estranhas, que nunca foram conhecidas. Dois príncipes, dormem no mesmo quarto; crescem e estudam juntos em Lausana na Suíça. Eles, compartilham, os seus brinquedos, os seus instrumentos musicais, as bicicletas que pedalavam a caminho da escola; a música e os noticiários transmitidos pela “galena” que o Príncipe Bhumibol construiu.
Sua Majestade o Rei Bhumibol foi entronizado e substitui seu irmão o Rei Ananda. A Guerra Mundial tinha chegado ao fim um ano antes. O Rei adolescente terá que colocar à prova todos os dotes de inteligência que o seu ser encerra. Um Rei que está sentado no trono não para o deleite mas para fazer algo do melhor para os seus súbditos. Sua Majestade o Rei Bhumibol pertence à linhagem de dois Grandes Monarcas: o Rei Mongkut seu bisavô e o Rei Chulalongkorn seu avô. 
O Rei Mongkut vê-se a braços com a ambição de países da Europa que pretendem mudar o curso da monarquia tailandesa colonizando-a. Os dotes diplomáticos do Rei Mongkut e ensinados ao Rei Chulalongkorn levou a que a monarquia tailandesas se mantivesse até ao segundo milénio um reinado independente próspero, farto e de paz.
Na década de 60, do século passado, Sua Majestade o Rei Bhumbol, segue os passos de seu avô e empreende uma viagem de cortesia e diplomática ao mundo ocidental. A apoteose dispensado, nesses países, a seu avô o Rei Chulalongkorn, já havia mais de meio século, é-lhe igualmente retribuída. O Rei e a Rainha Sirikit são recebidas com todas as honras nos países da Europa e Estados Unidos. 
Portugal recebe os Reis da Tailândia com a melhor das hospitalidades que poderiam ser oferecidas a uns monarcas. Lisboa vestiu-se de gala. Tal não poderia ter sido melhor. Era o tributo de um país aos Reis da Tailândia de um amistoso e salutar relacionamento de quase 450 anos, desde 1509, quando os portugueses se estabeleceram uma comunidade na antiga capital, Aiutaá, do Reino do Sião.
Sua Majestade tem pela sua frente uma guerra que terá de a vencer com moderação, sem que seja deteriorado o relacionamento diplomático com os países, seus vizinhos: o Camboja, o Laos e o Vietname. A ideologia comunista instalou-se no Sudeste Asiático. A Tailândia não se viu livre das cédulas infiltradas na mata e no “pantanal”. As cédulas estão, não só, nas aldeias junto à fronteira como nas instituições de ensino secundário. 
Sua Majestade o Rei da Tailândia terá que colocar á prova os seus dotes para amenizar a infiltração das células comunistas como procurar controlar o regime, do Governo, que se inclina para uma ditadura militar. As elites, feudais, existem na sociedade tailandesa que que encostadas ao regime, imposto, ou aos militares tentam construir uma sociedade menos justa. Sua Majestade está com o seu Povo e menos com as elites. 
O Povo adora o seu Rei e 60 milhões de tailandeses não podem dispensar a presença do seu Rei e da Rainha em suas casas. Uma foto de Suas Majestades está sempre presente na parede da residência de cada família tailandesa. Presença que não é imposta, demagogicamente ou forçada, pelos Governos, para adorarem ídolos falso. É o Povo que deseja o seu Rei a sua Rainha em suas casas (na minha casa também se encontra).
Temos um Rei nos pontos remotos na Tailândia a interessar-se em melhorar o viver de suas vidas; é um Rei que eliminou as plantações da flor da papoila que produz a substância, assassina o ópio e essas terras, encravadas na montanha, voltaram em jardins de vida. Crescem as flores, os vegetais; os pés de cafeeiro; os morangos; as maçãs e as vinhas que produzem vinho ou deliciosas uvas de mesa. 
Um Rei que conduz um seu “jipe”, nunca se separa da sua máquina fotográfica; vemos o Rei na montanha, nos arrozais alagadiços a navegar numa canoa; montado numa “mula” nos carreiros tortuoso e sinuosos do “Triangulo Dourado” para que chegue à remota povoação onde vivem, isoladas, as “tribos” que anos atrás se dedicavam ao cultivo e produção do ópio e actualmente agricultores graças ao Rei.
Um Rei com o dia-a-dia ocupado e a estudar formas que melhorem a vida dos seus súbditos. Ajudam o Rei sua mulher a Rainha Sirikit, a Princesa Maha Chakri (a Princesa dentro do coração de todos tailandeses), o Príncipe Herdeiro e mais duas Princesas Reais, que todos os dias existem inaugurações e eventos, que os tailandeses não dispensam a presença de um membro da Casa Real tailandesa.
Em 1992 o povo tailandês viu se envolvido, num conflito politico social. Milhares de banguecoquianos, estão envolvidos numa disturbaria cujo final redundou com a perda de mais de uma centena de vidas. Na altura, o autor esteve envolvido, como repórter, jornalista, dos acontecimentos, para a “Tribuna de Macau” e a “Rádio Renascença”.. Por várias vezes no terreno dos confrontos entre a polícia e a população. Terminou num banho de sangue no dia 19 de Maio de 1992. O dia ficou assinalado na história: “Maio Negro”
MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA
No dia 17 de Maio de 1992 transmitia a peça para a “Tribuna de Macau”:
“Hoje vai realizar-se no Parque Sanan Luang e na Avenida Rajadamnen um ajuntamento de dezenas de milhares de manifestantes. Uns a favor do General Suchinda, outros contra sua nomeação como Primeiro-ministro. Haverá concertos musicais organizados pelo novo Governo. Há uma semana tem sido levado a cabo no Sanan Luang cerimónias budistas e que deveriam terminado ontem, mas foram estendidas para mais três dias. Os manifestantes contra o Governo e liderados por Chamlong Srimuang, nas manifestações anteriores usaram “retretes móveis” e pertencentes ao município de Banguecoque. Os militares deram ordem para que fossem confiscadas e armazenadas nas instalações dos quartéis. Este problema está a afligir a oposição e pedem aos militares que lhe devolvam isso. Um general coloca o aviso que se existir violência, esta será retaliada. 
Não estando fora de hipótese de ser usada chuva artificial.
“Maio Negro” de 1992. Militares e barreiras de arame farpado
Comentários dos editorialistas da imprensa: “ “Judjement day for Suchinda” – “Manipulation the press seems held back by traditional categories of criticismo.” – “How long can Suchind survive in office? “ – “He has limited choices and not on of them is favourable to him.” O “guru” Kukrit Pramoj (antigo, PM, democrático) afirma: “Suchinda nunda resignará debaixo de pressão.” Huge City protest to top action nationality.” “Government accused of hiding Toilets in bid to toward protest.
Vai haver hoje e prolongar-se-á pela noite dentro. Uma mistura de gente nos locais do costume onde se têm realizado os protestos contra Suchinda. Ali existem espectáculos para todos os gostos: política, religião e concursos de música pop. Porém não deixará também de haver negócio e propaganda de produtos, que oportunistas aproveitam, quando há ajuntamentos de muita gente.”
José Martins
No dia 18 de Maio de 1992 transmitia a peça para a “Tribuna de Macau”
E “Rádio Renascença” pelo telefone.
“Depois de protestos de mais de um mês pelo facto de se autonomizar-se Primeiro-ministro o General Suchinda, a violência eclodiu ontem no princípio da noite e prolongou-se até à madrugada de hoje. Carros da polícia foram incendiados depois do confronto entre manifestantes liderados por Chamlong Srimuang e as forças da ordem. 
O General Suchinda depois de ele próprio se nomear Primeiro-ministro, após as eleições de 22 de Março, último, tem sido alvo de numerosos protestos da oposição e do público em geral, pela razão de existirem fortes indícios de ligações com as Forças Armadas que não pretendem de abdicar da sua interferência em todos os Governos eleitos democraticamente.
O General Suchinda, partiu ontem de manhã para o norte da Tailândia, em visita aos meios rurais. A fim de destorcer a manifestação chegaram ontem a Banguecoque centenas de pessoas de várias províncias com transporte gratuito oferecido pelo Governo do General Suchinda.” 
Junto à peça inseri uma nota:
“ Liguei a televisão às 3:30 da manhã. Contra o habitual as estações de televisão estava a difundir diversos programas, entre os quais o festival de música pop organizado pelo Governo. Seguem-se imagem que entretanto gravei: confrontos violentos entre a polícia de intervenção, armados de bastões e viseiras protectoras de material plástico. Retiraram-se, pouco depois, dado que não conseguiram suster o Povo. Após a retirada das forças policiais, os manifestantes, voltam carros, carrinhas e camiões da polícia, com paus partem-lhe os vidros e ateiam-lhe o fogo. Não se viram feridos, ou disparos de tiros. As câmaras registaram, apenas um polícia a sair de um hospital depois de ter sido tratado dos ferimentos.
“Maio Negro” de 1992. Militares carregam sobre o Povo
O caos reinava nas avenidas, penso junto ao Sanan Luang, aonde os manifestantes se dedicavam a vandalizar os carros da polícia. Noutras imagens vêm-se uma larga quantidade de carros em chamas. Nada ainda se pode prever, qual será a reacção dos militares, já que o General Suchinda tem forte apoio das Forças Armadas, em especial do Comandante-em-chefe General Kaset, nomeado pelo Suchinda depois de ter deixado o alto cargo e assumir as funções de Primeiro-ministro, cujo Povo tailandês não o aceita. Conforme o desenrolar dos acontecimentos de hoje os irei transmitindo. De momento não se pode ainda avaliar quais as consequências. Novo Golpe de Estado? Resignação de Suchinda? Por agora tudo ainda é uma incógnita o futuro político da Tailândia.”
José Martins
Segunda peça transmitida no dia 18.05.1992
“Contra o habitual, os matutinos “Bangkok Post” e “The Nation” ainda não se encontravam à venda nas bancas às 6:30 da manhã. Creio que sairão mais tarde, para darem uma maior cobertura aos acontecimentos de violência registados ontem pela noite adiante até de madrugada na praça “Sanan Luang”.
Por notícias obtidas através da televisão às 6 da manhã e quando me preparava para sair de casa, foi imposta na Tailândia a “Lei de Emergência” e não pode have, nas ruas ou praças ajuntamentos de mais de 10 pessoas, sujeitas a serem detidas se tal vier acontecer. Ainda não se pode futurar, se novo Golpe de Estado já foi levado a cabo e em que mãos está o Governo.
Seguirão mais detalhes, quando ler os jornais. Estarei, pela rádio, em contacto para que mais possa informar.
Gravei toda a desordem emitida pela televisão, não sei se foi filmado por um amador já que não aparece no “écran” o nome e número do canal. Foi a primeira vez que a televisão transmitiu uma insurreição igual a esta na Tailândia. Na última manifestação, há uma semana, deu algumas imagens, quando os manifestantes se preparavam para abandonar o local.”
José Martins
Terceira peça transmitida no dia 18.05.1992
“Por informações recebidas neste momento pelo telefone, e fornecidas por minha mulher de casa. Um comunicado, transmitido pela televisão, informa que as repartições do Estado estarão encerradas, hoje, assim como as escolas. A oposição irá avistar-se com o Governo para que a situação seja discutida.
Seguirão detalhes
José Martins
Quarta peça transmitida no dia 18.05.1992 – 7:30 da manhã “O jornal “The Nation”, publica fotografias em que se podem considerar dramáticas a espancarem os manifestantes na avenida Radjamnem, esta madrugada.
Encabeçam os títulos: “Protesters battle police”- State of Emergency Declared”- Scores of people injured ‘ Troops poised to smash rally”- “Pressman caught in crossfire of missiles” – Army Chief threatens to use force” – “The night police turn vandals”.
O que a Lei diz sobre o “Estado de Emergência:
“Podem as autoridades entrar em qualquer residência e proceder a buscas; deter qualquer pessoa se as autoridades entenderem que esta pode pôr em risco a segurança do país. Proibir qualquer pessoa de sair do país, se estiver debaixo da alçada das autoridades.
Chamlong Srimuang está já a ser acusado de culpa da violência e responsável pelos ferimentos de 10 polícias . Ainda sem fontes concretas, um polícia foi fatalmente ferido. Nota minha: “penso e debaixo do Estado de Emergência, Chamlong Srimuang deve ser detido. Certamente sobre ele vão ser imputadas culpas pela danificação de dezenas de viaturas da polícia e dos bombeiros.
Nas fotografias publicadas pelo “The Nation”, uma mostra um manifestante de mãos postas a pedir complacência à polícia. Fotografia com um sentido humano profundo. Um homem está ferido na cabeça, o sangue escorre-lhe pela face abaixo e ensopa-lhe a camisa. Para mim, já está eleita a fotografia do ano, e o grito da democracia, frágil deste país que vive debaixo da bota militar pretoriana como o foi nos tempos áureos de Roma.
“Bangkok Post”, às 8 horas, ainda não se encontrava nas bancas à venda. Telefonei para a redacção e informaram-me que sairia mais tarde. “The Nation” apenas duas cópias foram distribuídas na banca onde o compro todos os dias. Tive sorte apanhei uma! Tenho fortes suspeitas que o “Bangkok Post” tenha sido apreendido. Estranho também o número reduzido de cópias do “The Nation”. Pouco mais se saberá de concreto sobre as informações reais dos acontecimentos, próximos já que o “ Estado Emergência” controla tudo que tem sido publicado. Por agora e creio por todo o dia é só isto.
José Martins 
Os banguecoquianos viviam horas difíceis e de incerteza quais seriam os próximos acontecimentos. Jornalistas, fotógrafos tailandeses e estrangeiros eram espancados e as máquinas de filmar e fotográficas eram estilhaçadas contra o solo pelos militares. Era perigoso ir-se para o terreno e tomar-se nota dos acontecimentos. Para recolher informações utilizei o telefone e fui ligando para pessoas conhecidas e amigas residentes em Banguecoque para me informarem como se encontrava a situação nos seus bairros. Não havia confrontos em lado nenhum. .
“Maio Negro” de 1992. Os jornais dão conta de um morto e outro ferido (estrangeiros) com gravidade. Obra do exército tailandês. Os habitantes estavam em suas casas e na expectativa daquilo que iria acontecer. A ordem de recolher estava estipulada para que depois de o anoitecer ninguém poderia circular. Esporadicamente, já altas horas da noite, em alguns pontos da cidade eram ouvidos tiros. Veio a saber-se depois que “pobres diabos”, empregados de hotéis quando terminavam os seus turnos e regressados em motoretas eram alvejados com balas. 
O “China Town” (onde reside a comunidade chinesa), os estabelecimentos estavam encerrados. O bairro movimentado, praticamente, durante as 24 horas dos ponteiros dos relógios, estava deserto. Os negociantes de ouro chineses tinham trancado, a sete chaves, o ouro em barra e trabalhado nos cofres. Havia o receio dos assaltos e a contigua pilhagem.
José Rocha Dinis director da “Tribuna de Macau” pelo telefone pedia-me se era possível eu deslocar-me ao lugar, ou nas proximidades, onde se tinham acontecido o “massacre”. Recusei-me dado que tinham sido molestados e espancados jornalistas estrangeiros e locais. Dois cidadãos da Nova Zelândia tinham sido atingidos pelas balas disparadas pelos militares. Um nos cuidados intensivos, a debater-se pela vida, num hospital de Banguecoque e outro abatido com um tiro no pescoço. 
Não se podia prever que futuro, político esperava à Tailândia. Até que na noite de 21 de Maio de 1992 um raio de luz e de esperança pairou! Sua Majestade o Rei da Tailândia chamou ao palácio o Primeiro-Ministro, general Suchinda (o homem mau) e o general Chamlong Srimuang. Os dois políticos, sentados em cima das pernas e no soalho de uma sala do Palácio em frente de Sua Majestade o Rei Bhumibol e disse-lhe: “ a Tailândia não é propriedade vossa mas dos tailandeses e fostes vós os causadores da morte de pessoas e dano de propriedades de civis e do estado”
A audiência foi transmitida por todos os canais de televisão e estações de rádio. Sua Majestade o Rei da Tailândia transmitiu aos causadores da rebelião: a Tailândia não é propriedade vossa. Na foto: Generais Suchinda (1) e Chamlong Srimuang (2). Nº 3 General Prema Conselheiro do Rei Bhumibol
No dia 22 de Maio transmitia, pelo telefone, para a rádio Renascença, quando em Portugal seriam umas duas manhãs a seguinte peça:
»» Depois da tempestade a bonança. A intervenção do Rei da Tailândia veio a por termo às manifestações de protesto contra o general Suchinda. O Suchinda e o líder dos manifestantes Chamlong Srimuang, foram chamados ao Palácio Real, e juntos, ouviram as palavras do monarca tailandês, que continua a ser a força máxima deste país. Apesar da lei de recolher ter sido imposta das 9 às 4 da manhã, os protestos continuaram, em grande escala na Universidade Aberta de Ramakueng, e outros pontos da cidade mas com menos dimensão.
Banguecoque, às sete da manhã de hoje, começa a entrar na normalidade. As manifestações terminaram. Vêm-se já sorrisos de confiança nas pessoas e orquídea fresca à venda nas ruas.
Que sirva de lição este “massacre”, aos déspotas desta área do globo e que não repita mais as “selvajarias” de dizimação de pessoas, que gritam por liberdade e mais Justiça. Que não surjam mais “massacres” levados a cabo na China, em Timor-Leste e agora na Tailândia. Que as ideias “pretorianas” de alguns militares acabem de vez.
José Martins em Banguecoque»».
Balanço de vítimas, segundo o diário “Bangkok Posto” de 21.09.1992:
46 Mortes confirmadas
699 Pessoas desaparecidas onde se incluem, mortas e feridas. Chegou, graças a S. Majestade o Rei, a paz à Tailândia que até ao ano presente (2006), além dos confrontos, habituais, entre homens na arena política, foi posta de parte que os militares (assim o prometeram) se envolverem nos assuntos do Governo. 
A democracia, a harmonia, progresso e o desenvolvimento económico jamais estagnou. Sexta-feira, 9 de Junho de 2006, a Tailândia vestiu-se de amarelo. Difícil de calcular os milhões de camisolas amarelas que os tailandeses vestiram naquele dia! Mas dias antes as ruas, os caminhos fluviais do Rio Chão Praia e canais os espaços estavam emoldurados de cor “canário”.
Era nem mais nem menos o Povo tailandês a honrar a data efeméride de entronização de Sua Majestade o Rei da Tailândia, durante cinco dias. Em toda a monarquia as repartições públicas, os comércios, as fábricas e as escolas encerraram para as pessoas festejaram os 60 anos, do seu Rei, sentado no Trono.
As festividades de maior vulto concentraram-se em Banguecoque. O Rei, a Rainha na manhã de 9 de Junho, na varanda do Palácio do Trono Ananta Samakhom, apresentaram-se aos súbditos e efusivamente, saudados por cerca de um milhão. Naquela longa e larga avenida em direcção à varanda onde os Reis se quedavam não havia um centímetro que não estivesse ocupado. 
Muita emoção, olhos marejados e lágrimas a descerem no rosto. Gente de todas as idades, alguma pernoitou na Praça Imperial para ao outro dia, verem mais de parte, os Reis da Tailândia. Aquela multidão, compacta, estava ali para pagaram o tributo aos Reis que a orientou e harmonizou por 70 anos. 
Sua Majestade o Bhumibol é também o meu Rei! Felizmente só um afortunado ter um Rei... Mais de duas dezenas de anos a viver na Tailândia e graças a ele tenho vivido na paz e sossego pleno com a sua bênção real. Não foi fácil para mim, em determinadas alturas poder controlar as emoções. Juntei-me à gente humilde, carregando a aparelhagem fotográfica para poder recolher, as mais sensibilizantes imagens do regozijo de um Povo que ama o seu líder. 
Três dúzias de personalidades e pertencentes a casas reais, que reinam no mundo, viajaram até à Tailândia para participarem e honrarem com a suas ilustre presenças as celebrações dos 60 anos do Rei Bhumibol Adulyadej entronização. Presentes Reis, Rainhas, Sultões e Príncipes. De Espanha chegou a Rainha Sofia.
O Rei Bhumibol é o monarca, com mais anos sentado num trono, no mundo actual. Leva 6 anos à frente em relação a Rainha Isabel II do Reino Unido. Durante as seis décadas do seu reinado, granjeou respeito pelo seu Povo assim como da comunidade estrangeira. Junto a Sua Majestade, na celebração das “Bodas de Diamante” estão membros das Casas Reais de: Brunei, Camboja, Japão, Jordânia, Kuwait, Lesoto, Liechtenstein, Luxemburgo, Malásia, Mónaco, Qatar, Suazilândia, Suécia, Bahrein, Bélgica, Reino Unido, Butão, Dinamarca, Marrocos, Holanda, Noruega, Oman, Espanha, Tonga e Emiratos Árabe Unidos.
Bem se poderá avaliar o excelente relacionamento do monarca tailandês com as casas reais reinantes do globo, assim como o salutar relacionamento, diplomático, da Tailândia com as monarquias que representam. 
Todos os bairros de Banguecoque estão em festas, os milhões de casas (de uma população de cerca de 14 milhões), as varandas, as janelas, nas antenas de rádio, dos automóveis há duas bandeiras: uma a da monarquia outra da Tailândia. 
No parapeito da minha “Varanda do Oriente”, em minha casa, lá estão duas para honrar o meu Rei. Um monarca que seguiu a linha de tolerância, dos seus predecessores já da data de 1509 e de quando os portugueses, os primeiros homens do ocidente, que conheceram o Reino da Tailândia e mantiveram relacionamento salutar. Esses portugueses, assim como eu, viveram em absoluta paz, constituíram uma comunidade lusa/tailandesa no princípio do século XVI. 
As graças do meu Rei, tem-me permitido, viver, entre famílias tailandesas, nos arredores da cidade de Banguecoque, sem nunca ter sofrido a menor humilhação ou segregação. Gente minha vizinha há 17 anos. Desde 1990, pelo quadro do Natal lhes dou de presente uma garrafa de vinho tinto da região do Douro ou do Dão.
O vinho português, além de confortar o espírito produz também sólidas amizades. 
As festividades em honra do Rei Bhumibol, durante os cinco dias que alegraram o Povo Tailandês têm por toda a cidade de Banguecoque e províncias do norte ao sul muitos outros eventos. Milhões de pequenas lâmpadas, eléctricas, multicolor alumiarem ruas, avenidas e fachadas de casas. Altares com as efígies do Rei e da Rainha se encontram espalhadas por todos os lados. 
Cerimónias religiosas nos templos budistas; cortejos apinhados de gente; bandas de música com instrumentos tradicionais e danças com bailarinas a exibirem a dança das unhas. Este país de folclore riquíssimo que conservas as danças milenários da mitologia siamesa representando os seus deuses e os seus ídolos.
Pelo fim da tarde do dia 12 de Junho, a procissão das “ bargues” reais, vão navegar nas águas tranquilas do grande rio Chão Praia, 52 duas embarcações que só em datas especiais navegam. Um espectáculo feérico de rara beleza. Centenas de remadores, ao som de cânticos, que vêm do século XIV são comandadas pelo timoneiro instalado na proa. 
Os convidados reais assistem à maravilhosa procissão numa varanda do edifício da “Marinha Real Tailandesa” na margem do rio. Pela manhã do dia 12 ao longo da margem do rio no percurso de 5 quilómetros que as gigantescas embarcações vão navegar, os lugares com melhor ponto visual estão completamente lotados de gente. Muitos pernoitaram em cima de uma esteira e na relva dos jardins ribeirinhos para não perderam o lugar. 
Cheguei a um dos pontos que me pareceu óptimo para bater fotografias. Já por ali não havia lugar que me pudesse instalar. Um casal que ali tinha pernoitado, olhou-me, entendeu o meu intento e desde logo, com um sorriso, me franqueou um lugar no espaço que já na noite anterior tinham escolhido. 
É assim esta gente de cariz hospitaleiro. Este gente que sempre me distribuiu sorriso, hospitalidade, por onde tenho viajado e tantas vezes o tenho feito, só e conduzindo por estradas, insólitas das províncias, que a o único instrumento indispensável, comigo, de orientação é uma bússola giratória instalada no mostrador da viatura.
Durante todas as noites houve lançamento de feérico fogo-de-artifício em todos os pontos de Banguecoque. Fogo que parte de particulares para honrarem o seu Rei.
José Martins
P.S. Só foi possível concluir este trabalho e ilustrá-lo com informação recolhida de várias fontes jornais locais e departamentos estatais tailandeses.